Independência
17 Vida Confusa de Adolescente
Notas iniciais
–Posso ficar aqui?
– Fica onde você quiser, eu não ligo. — diz ele fazendo um sinal com as mãos.
Me sento na cama e pergunto:
– A gente pode conversar?
– Agora não.
– Por favor. — falo mais baixo.
– Tá. — fala largando o controle bruscamente. — Pode falar, eu to ouvindo.
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– Você está bravo comigo? — pergunto de uma forma inocente.
– Você fez alguma coisa pra me deixar bravo? Pense e responda a si mesma.
Ele levanta da cadeira e senta ao meu lado na cama, fico sem reação, olhando para as mãos eu começo a mexer nas unhas. Ele levanta meu queixo, delicadamente com a mão e fala:
– Eu não estou bravo com você, eu só estou um pouco confuso. – responde ele baixando o olhar.
– Confuso? Por que confuso?
– Eu não sei. É difícil pensar com tudo que está acontecendo, a minha vida está muito diferente, eu sinto que algo está mexendo comigo, mas eu não sei o que é.
– É exatamente como eu me sinto! — falo virando-me — Estou tentando descobrir mas, parece que o mundo está contra mim. Ainda bem que você me entende!
– Claro que entendo, eu passo pelo mesmo.
Eu estou super feliz, deve ser porque ele sabe pelo que eu estou passando. Mas por que será que nossas vidas estão confusas, será que é coisas da adolescência? Não sei, mas sinto que a gente estava se aproximando, não acredito muito nessa coisa de destino, mas agora tudo começa a fazer sentido. Dou um abraço bem apertado nele e a gente começa a se beijar suavemente, depois de alguns segundos de emoção nos separamos para respirar:
– Paulo eu sinto muito, eu não... — falo sem jeito, tentando me explicar.
– Paulo! — interrompe Marcelina entrando no quarto — Acabei de alugar um filme. E adivinha? Comprei marshmallow e a mamãe esta fazendo pipoca, querem olhar o filme comigo?
– Claro, além do mais, eu amo marshmallow! — falo.
– Desculpe, eu estava interrompendo alguma coisa? — pergunta ela.
– Não, imagina! Vamos olhar o filme então? — diz o Paulo.
Descendo as escadas eu pensei "por que ele não contou a verdade?”, ele deve ser assim mesmo, nem eu teria coragem:
– Que filme você alugou? — pergunta ele.
– Crepúsculo. – responde Marcelina.
– Mas você já não olhou esse filme quando eu vim aqui? Ainda lembro, foi no mês passado. — pergunto a ela.
– Era outro filme da saga, se chama Amanhecer. Bom, de qualquer forma eu já olhei esse filme mesmo. Só que eu adoro ele!
– Você e o seu péssimo gosto! — fala Paulo colocando o DVD.
– Dessa vez eu vou ter que concordar com ele, por que você não pegou um filme melhorzinho para a gente ver?
– Em primeiro lugar, eu não peguei para vocês olharem, peguei para eu olhar. E em segundo, se vocês quiserem sair, vão em frente, mas me deixem ver Crepúsculo em paz! — opa, nervosinha.
– O que, vocês já estão discutindo? — fala a dona Lilian entrando na sala cheia de potes de pipoca — Parem de brigar na frente da visita, sua amiga não deve estar gostando, Marcelina!
– E por acaso, você sabia que a minha amiga é a namorada do... — o Paulo coloca a mão na boca dela bem a tempo.
– Namorada de quem? – pergunta Dona Lilian curiosa.
– Do skate! — tento contornar — É que eu ando bastante, aí às vezes as pessoas falam isso, só de brincadeira, sabe?!
– Ata, o filme está começando, então vamos ver. Façam silêncio! – diz Dona Lilian.
Poxa que filme chato, dormi do começo ao fim:
– Amei como sempre! – diz Marce ao final do filme.
Eu estava escorada no ombro do Paulo, que também estava dormindo. Logo que percebi a cena, tratei de me recompor.
– Que horas são? Acho que vou embora. – pergunto.
– Deve ser cinco e alguma coisa, ou por aí, mas, por que você não posa aqui em casa? — pergunta a Marce.
– O que? Posar?
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