Independência
38 Dada a Largada, Fatos Dolorosos
Notas iniciais
Ele também distribui uma mochila preta pra cada equipe, câmera digital, pequenos sacos plásticos, uma bússola e um relógio de pulso.
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– Quero que vocês estejam aqui 11h, não precisa ter pego todos os itens, vocês continuarão a tarde.
– Deixa eu ver se entendi. A gente vai ter que se embrenhar no mato pra pegar essas coisas, e seu um bicho perigoso nos pegar? — pergunta Bibi.
– Não exagera né Bibi! — digo.
Todos vamos pra rua, eu corro para pegar o meu skate (escondida), logo o Capitão dá a largada. Eu, Mário e Kokimoto seguimos reto.
– Vocês acham que o Paulo vai aguentar ficar naquela equipe de certinhos com o Daniel e a Maria Joaquina? — pergunta Koki.
– Eu acho que ele vai surtar. — respondo.
– Vindo do Paulo a gente não pode duvidar nada. — diz Mário.
– É verdade, aquele inútil só atrai confusão.
– E quando vocês estavam namorando? Ele não parecia nada inútil, né Alicinha? – fala Kokimoto sarcástico.
– Isso já passou, eu não tenho mais nada haver com esse... — tropeço num galho e caio no chão.
– Alicia! — falam Mário e Koki.
– Ei, eu achei!
– Acho o que garota? — pergunta o Japonês.
– Uma pedra, ela é bem bonita. Acho que encontramos o primeiro ítem. — por sorte eu cai na frente de uma pedra linda.
– Pelo menos foi bom você ter caído. — diz Koki.
Seguimos caminhando, conversando sobre tudo um pouco, aulas, férias, amigos, Kokimoto até nos falou das histórias de Samurais que seu pai contava. O problema é que os itens a gente não encontrava.
– Que droga, faz meio século que estamos caminhando e não achamos nada. — resmunga Koki.
– Shhhhhhhhhh. — fala Mário fazendo sinal de silêncio.
– O que foi? — pergunto.
– Fala baixo. — sussura ele — Olha ali.
Ele aponta para uma Arara parada em um galho.
– Poxa, como é bonita! — falo baixinho.
– Ela é mesmo, passa a câmera. — diz Mário com cuidado.
Koki estava carregando a mochila, então pegou a câmera e entregou a Mário:
– Posso tirar a foto?
– Pode Alicia, mas tira flash pra ele não se assustar. — aconselha Mário.
– Ok. — pego a câmera, tiro o flesh, miro na Arara e tiro a foto.
Só teve um problema, aquela maldita câmera fez barulho ao tirar a foto, e não foi tão baixinho. O animal se assustou e saiu voando, o pior é que eu me assustei também, ao dar uns passos pra atrás eu tropeço em alguma coisa, caio no chão e rolo alguns centímetros.
– Alicia!! — gritam os dois.
– Ahhh, minha perna!! — eu senti uma dor no tornozelo, não sei se torci ou não.
– Alicia, como você está? — Mário pergunta se agachando.
– Meu tornozelo tá doendo, tá doendo muito Mário, me ajuda! — falo aos berros.
– Será que quebrou? Ou torceu?
– Cala a boca Kokimoto! — grita Mário — Calma Alicia, a gente vai voltar pra cabana.
Ele me pega no colo, o Koki pega a câmera.
– Ai, que dor!
– Calma Ally, você é forte vai. — Mário tenta me dar força.
– Desculpa, foi tudo culpa minha! Se eu não tivesse me metido, se tivesse deixado você fazer as coisas. — digo.
– Não, essa maldita câmera que estragou tudo, não se culpe.
– Mas a foto até que ficou boa. — murmura Koki.
A gente saiu da mata e viu que a equipe 1 (Carmem, Cirilo e Marisa) e a equipe 6 (Maria Joaquina, Daniel e Paulo) já haviam chegado. Eles correram na minha direção:
– O que aconteceu? — pergunta Marisa nervosa.
– Ai meu Deus! — diz Cirilo.
– Alicia, como você tá ? — pergunta Mari rapidamente.
– Saiam da frente! — grita Mário — Fiquem aqui, eu vou levá-la e já volto.
Todos obedecem, Mário abre a porta da cabana e vê o Capitão olhando televisão.
– Que isso pirralho, isso é maneira de entrar?!
– Ela caiu e torceu o tornozelo, ou quebrou ou, sei lá. Você precisa ajudá-la. — ele me coloca no sofá.
– Aonde dói?
– Aqui. — aponto para o tornozelo.
O capitão começa mexer no meu pé, e isso me faz sentir dor, mas eu me controlo. Depois de alguns segundos ele diz:
– Não, ela não torceu, ela vai ficar bem. — ele levanta, pega um creme e umas fitas.
– Isso pode doer um pouco. — ele abre a tampa do creme — Na verdade vai doer mais do que um pouco.
Ele começa a espalhar o creme, faz tipo uma massagem, que dói muito. Mário fica de joelhos ao lado do sofá e eu aperto as mãos dele. O Paulo entra e pergunta:
– Alicia, o que houve?
– Eu não falei que era pra ficar lá fora!? — diz Mário.
– Eu fico onde eu quiser!
Mário solta as minhas mãos ao falar com Paulo, mas eu as seguro de novo, e aperto com força.
– Calma Alicia, você vai ficar bem, confia em mim! — Mário passa a mão na minha testa.
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