Independência
39 Continuando a Aventura pela Floresta
Notas iniciais
– Alicia, o que houve?
– Eu não falei que era pra ficar lá fora!? — diz Mário.
– Eu fico onde eu quiser!
Mário solta as minhas mãos ao falar com Paulo, mas eu as seguro de novo, e aperto com força.
– Calma Alicia, você vai ficar bem, confia em mim! — Mário passa a mão na minha testa.
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O Paulo se retirou sem falar nada, o Capitão enfaixa meu pé e diz:
– Ok, não foi nada grave. Você deve ter batido o pé em uma pedra.
– Eu vou poder participar da competição à tarde?
– Depende de você, talvez sim ou talvez não. — responde o Capitão.
Ele enfaixou as minhas mãos só para garantir, já que eu tinha me esfolado no primeiro tombo. Mário me levou pro quarto feminino, e me colocou na cama da Marcelina, porque a minha era no beliche de cima.
– Valeu Mário. — agradeço — E desculpe se eu estraguei tudo.
– Eu já disse que não foi culpa sua. Bom, eu vou deixar você descansar.
Nesse momento eu olho para a cômoda e me lembro, eu deixei o skate da floresta!
– Não, que droga!
– O que foi Alicia?
– Eu esqueci o meu skate na floresta, eu vou voltar pra buscar! — tento me levantar.
O Paulo entra no quarto, vê Mário me colocando de volta na cama e pergunta:
– O que tá acontecendo?
– Eu esqueci meu skate na floresta, me solta Mário, eu preciso buscar!
– Deixa que eu busco pra você, e trago antes do almoço. Prometo. — fala Mário confiante.
– É, eu também vou junto Alicia. — diz Paulo.
– Valeu gente.
– Relaxa, descansa, tá?! — fala Mario mexendo no meu cabelo.
– Aff, vamos logo! — murmura Paulo.
Eles saem do quarto e fecham a porta. Eu fico pensando, tudo isso é culpa minha, e ainda afetou a minha equipe. O Mário diz que não, mas eu sei que é verdade, ele é um fofo, só que não dá pra esconder os fatos, bem feito pra mim. Eu sou mesmo uma desajeitada como os meninos falam, eu tinha que nascer diferente, tinha que ser eu!
Se eu fosse mais delicada como a Marcelina, mais meiga como a Margarida, mais bem vestida como a Maria Joaquina, mais fofa como a Carmem, mais sentimental como a Laura, mais bonita como a Marisa, mais social como a Valéria, mais amiga como a Bibi, se eu fosse diferente talvez os outros gostassem mais de mim.
Junto com os pensamentos vem o sono, e lentamente eu fecho os olhos e vou adormecendo.
– Ally? — me acordo com uma voz me chamando — Dorminhoca?
– Tinha que ser você né Val?! — esfrego os olhos.
– Como você tá?
– Eu estou melhor, já consigo caminhar, não muito bem mas consigo. — falo sentando ao lado da cama.
– Que bom, eu tenho uma surpresa pra você! Podem, entrar meninos.
Paulo e Mário entram no quarto com o meu skate, estava meio sujo, mas era o meu skate. Eu fiquei super feliz e disse:
– Obrigado meninos! — corro para pegar o skate — É ele mesmo!
– Claro que é, eu prometi! — diz Mário.
– Valeu Mário. — abraço ele e me apoio pra não cair.
Falo mais calma:
– Obrigado a você também Paulo. — dou um abraço nele — Mesmo a gente não se dando bem você fez esse favor pra mim, vou ficar te devendo essa!
– Que horas são? — pergunta Valéria.
– 12:30.
– Bom, eu vou ligar para a Natália e ver como o Rabito está, mas não contem ao Capitão. — o Mário sai do quarto.
– Então eu já estou atrazada pro almoço, vamos. — digo.
Val e Paulo me ajudam a caminhar até a cozinha, todos estão almoçando, eu como rápido e depois à 13:00 vou para os bancos da pista de corrida com todo mundo, esperar o Capitão.
Ele chega e diz:
– Atenção, vocês irão continuar a Caça a Árvore Mestra. Alicia, você acha que consegue caminhar?
– Consigo sim, Capitão. — eu não quero prejudicar minha equipe.
– Então tá bom, podem ir. — ele ordena.
Kokimoto vai levando a mochila negra.
Nós três resolvemos mudar de direção, fomos caminhando para o lado e vimos um pequenina estradinha de terra:
– Ué, porque tem uma estradinha no meio do mato? — pergunta Koki.
– Vamos em frente pra descobrir. — respondo.
Caminhamos um pouco até chegar a um lugar bem bonito, com árvores frutíferas e cheia de flores. Havia até trevos de quatro folhas, ou seja, mais um item riscado da lista.
– Por aqui deve ter uma Tipuana, vamos procurar. — ordena Mário.
A gente procura por alguns minutos, até que Kokimoto grita:
– Gente, ali, ali! — e aponta — Ali, eu acho que é uma Tipuana.
Ele sai correndo, eu e Mário vamos atrás.
– Que sorte!
O Japonês pega uma flor e diz:
– E agora, como vamos conseguir a semente pra plantar? É o último item.
– Nós estamos rodeados de árvores frutíferas, podemos apenas pegar e abrir alguma fruta. — responde Mário.
– Como uma jabuticaba. — pego o fruto, abro ele e recolho a semente.
– Acho melhor a gente voltar, agora já achamos todos os itens. — sugere Koki.
– Verdade, vamos. — digo.
Estávamos voltando quando o Kokimoto resolve subir em uma árvore.
– O oque você vai fazer? — pergunto.
– Subir na árvore.
– Por quê? — pergunta Mário.
– Relaxa, a gente tem tempo. Vamos descansar.
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