Independência
42 Aprontando na Noite
Notas iniciais
Depois de tudo pronto, fizemos uma fogueira, todos ficaram em volta.
– E agora o que a gente vai fazer? — pergunta Paulo com desprezo.
– Podemos fazer uma brincadeira. — sugere a professora Helena.
– Mas qual? — pergunta Bibi.
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– Eu conheço uma brincadeira que se chama “Stop”, escolhemos uma letra e todos devem falar objetos que começam com ela, quem não souber paga um mico. — Margarida da a ideia.
A primeira a pagar mico foi a Valéria, que teve de imitar uma galinha. Foi bem engraçado! Em seguida o Capitão trouxe marshmallow pra gente assar na fogueira.
Ficamos contando piadas até a hora da janta que foi servida ali pelas oito horas.
Depois disso nos divertimos conversando e relembrando os momentos da nossa infância, a gente riu muito e bateu até uma saudade, o tempo em que a gente não precisava se preocupar com quase nada, que passava a maior parte do tempo brincando.
O Capitão interrompe aquele momento agradável dizendo:
– Gente atenção, amanhã iremos fazer uma trilha pela Floresta.
– Parece divertido! — afirma a Professora Helena.
– Sairemos às oito e meia da manhã. — informa o Capitão.
– Agora não parece tão divertido. — diz Jaime desanimado.
– Onde eu morava a gente era acostumado a acordar cedo todos os dias, até sábado e domingo. — comenta Margarida.
– Tinha que ser a caipira e a sua vida no campo. — Paulo fala irônico.
– Partiremos às oito e meia. — continua o Capitão, ignorando os comentários feitos anteriormente -, caminharemos até a cachoeira Passatempo, lá iremos almoçar e passar o resto do dia.
– Que horas a gente volta? — pergunta Daniel.
– Por volta das sete horas, ou seja, antes de escurecer.
Tiramos todas as dúvidas e fomos tomas banho, demorou um pouquinho porque havia somente um banheiro.
Quando todos foram dormir, eu fiquei contando as horas até meia-noite, não podia esquecer o combinado que eu fiz com a Mari e os meninos.
Uns três minutos antes da hora marcada, pé por pé eu fui até o beliche da Maria Joaquina, a mimadinha ainda estava dormindo. O pior é que ela dormia na cama a cima da Bibi, eu tive que ser muito cautelosa para não acordar a ruivinha.
– Mari, oh Mari acorda! Vai "pati" acorda! — sacudi ela de leve.
– O que foi? — pergunta sonolenta — Eu preciso do meu sono de beleza.
– Sono de beleza o escambau! — falo num tom mais alto — Levanta Bela Adormecida.
Consigo fazer a criatura sair de cima da cama. A frente do dormitório, Paulo, Mário, Daniel e Kokimoto já estavam esperando.
– Finalmente, pensei que teria que arrombar a porta! O pior é que ela só abre por dentro. — fala Koki nervoso.
– A princesinha aí que ficou enrolando. — falo me referindo a Maria Joaquina.
– Não temos tempo para sermão, vamos. — Daniel segura a mão da Mari e sai correndo.
Chegando lá, estava tudo do jeito que a gente deixou. Organizamos a rede no lugar e colocamos ao lado da quadra, as três lanternas que o Daniel trouxe, para ela ficar iluminada. Nos dividimos em dois times: eu, o Kokimoto e o Daniel contra a Maria Joaquina, o Paulo e o Mário.
Ficamos jogando, foi divertido, damos bastante risada, até porque ninguém dali sabia jogar direito. Eu me senti super confortável com a situação, e era uma sensação de liberdade, como a de quando eu ando de skate. Estava tão bom, e pra melhorar o meu time ganhou.
– Pois é, né Paulo?! Parece que você não é o melhor em todos os esportes!
– E você Alicia, é a melhor, só que em chatice. Talvez perca pra Maria Joaquina, mas isso é detalhe. — fala o Paulo todo nervosinho.
– Se vocês querem brigar tudo bem, mas não me metam no meio! — ordena Mari.
– Ninguém tá brigando, eu só estou esperando uma explicação, já que o “Mister Gênio” diz que é sempre melhor que eu. — justifico.
– Você sabia que numa coisa que eu sou bom... Em fazer cócegas! — fala ele com um olhar ameaçador.
– Nem vem seu chato, sai pra lá! — falo andando para trás.
– Aham, prepare-se Gusman, porque você é a minha próxima vítima. — diz cínico.
– Eu já disse pra parar com isso, sai!
Ele começa a fazer cócegas em mim, e eu solto gargalhadas bem altas no meio da mata.
– Parem com isso! — diz Maria Joaquina — A gente não está tão longe do alojamento pra vocês fazerem esse escândalo no meio da noite!
Ainda soluçando de tanto rir eu dou uns tapas no Paulo. Depois voltamos pros quartos, num certo lugar do percurso senti que estávamos sendo seguidos e falei pro pessoal, mas eles nem ligaram.
Fui dormir tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Você deve estar se perguntando, ou talvez não esteja, mas vai se perguntar depois que eu falar. Lembra que a porta só abria pelo lado de dentro? Então, eu coloquei uma meia entre a porta pra ela não fechar por completo. Sou muito esperta! Eu sei.
Bom, agora eu preciso dormir, já são uma e quinze da manhã, eu ainda preciso acordar cedo para a trilha.
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