Independência
43 Deus Ajuda quem Cedo Madruga
Notas iniciais
BLAAAMM!!!
Acordo num susto só, alguém bate porta com toda força.
– Atenção! Acordem recrutas!! — Grita o Capitão batendo os pratos (instrumento musical).
– Tá muito cedo, Capitão! — reclama Margarida esfregando os olhos.
– Mas você não era acostumada a acordar cedo, queridinha? — pergunta Bibi.
– Só mais cinco minutinhos. — fala Marisa se envolvendo nas cobertas.
– Esse papo de cinco minutos só cola com as suas mães, eu tenho cara de mãe por acaso? — fala o Capitão caminhando até a cama de Marisa.
– Não Senhor! — grita a moça nervosa, respondendo a pergunta.
– Então levanta daí preguiçosa. Deus ajuda quem cedo madruga, não conhece esse ditado?
– Eu não quero sair da cama! — fala Carmem manhosa.
– Não é só você amiga. — diz Valéria.
– Dizem que faz bem acordar cedo, mas é muito chato. — murmura Marcelina.
– Ter que levantar essa hora não é nada sentimental!
– Silêncio! Eu não pedi pra vocês baterem papo, eu pedi pra levantarem. Todas, às 7h na sala, para o café.
Ele se retira e fecha a porta com cuidado. Eu pego uma blusa branca, um calção camuflado e um tênis de mola preto para me vestir.
– Ahh! — grita Maria Joaquina apavorada ao pegar um espelhinho pequeno.
– O que foi? — pergunta Bibi.
– Eu estou parecendo um zumbi com essas olheiras horríveis! Ainda bem que eu trouxe maquiagem.
– Que drama! — diz Margarida.
– Você diz isso porque não é você que está com essas olheiras cafonas... Na verdade, está com um pouco sim, mas você não disse que...
– Chega Mari! — interrompe Margarida rapidamente — Para de falar bobagens e se arruma logo!
Depois de me vestir (http://www.polyvore.com/look_uniforme_camuflado_alicia_cap.44/set?id=97223642), eu fico esperando a Valéria, precisava contar algo pra ela. Resolvi dar um voto de confiança e contar o que tinha acontecido.
– Eu tenho uma novidade para te falar, mas é segredo. — falo saindo do dormitório e fechando a porta depois da Valéria passar.
– O que é? Me conta amiga, por favor. Confia em mim, eu juro guardar segredo! — Val fica curiosa.
– Te conto depois, primeiro vamos tomar café.
Abro a porta da sala e vejo alguns dos nossos colegas sentados à mesa. Puxo a cadeira ao lado do Jaime, sento e tomo o café-da-manhã. O Capitão se junta a nós.
Em torno de 15 minutos depois, já estávamos satisfeitos, então eu fui até a pista de corrida, que ficava atrás dos dormitórios. Lá, eu e a Val sentamos em um banco e ela me perguntou:
– E aí, o que você tem pra me falar?
– Ontem de noite eu... — diminuí o tom de voz dando um certo suspense — Saí escondida!
– Sério? Por que você não me levou junto Ally?
– Não deu, é que não era só eu.
Conto toda a história pra ela, desde quando fizemos o combinado. Deu tempo de conversar só sobre isso, porque instantes depois nos reunimos na sala:
– Vamos repassar as regras! — fala o Capitão autoritário ao lado da professora Helena, do Firmino e da Graça — Não se dispersar do grupo; não tocar em animais ou plantas desconhecidas; qualquer problema, informar urgentemente a qualquer um dos quatro responsáveis; não jogar nenhum tipo de lixo no chão; sem brigas, discussões, namoro ou manha; espero que todos tenham entendido.
– Sim, Capitão! — gritam todos.
– Esse é um costume que vocês têm que perder, né meus amores?! — fala a professora Helena sem jeito.
– Concordo plenamente. Bom, eu e senhorita Helena iremos ficar na frente, guiando o grupo. Firmino e Graça ficarão atrás, cuidando da retaguarda.
– Ah, mas por que eu? Sempre fico com as piores partes. — a Graça reclama.
– Não é nada disso que você está pensando, o que ele quis dizer é que iremos cuidar para ninguém ficar para trás. — explica Firmino.
– Ata, se é assim tá bom.
– Continuando — grita o Capitão tentando voltar à atenção pra ele novamente -, iremos caminhar até a cachoeira Passatempo, lá iremos almoçar e mais tarde voltaremos, entendido?
– Siiimm!
– Não gritem. — fala a professora.
– Sim. — falamos sussurrando.
– Já que todos entenderam é melhor a gente ir logo!
Saímos na rua e seguimos cortando floresta adentro, eu estava com Valéria e Marcelina ao meu lado:
– Sinceramente eu não estou gostando nada disso! — reclama Marcelina — É tudo tão "selvagem" no meio do mato.
– Não vai dar uma de Maria Joaquina, vai?! Por que se for me avisa, que eu vou lá pra frente! — digo.
– Engraçadinha, não é pra tanto.
– Meninas, esse assunto não tá mesmo agradável, que tal mudar? — fala Valéria.
– É... Você leu a última edição da Capricho? Ah, o Justin saiu nela!
– Sério, eu me esqueci de comprar, o que dizia? — pergunta Valéria ansiosa.
– Você vai mesmo entrar nessa Val? — pergunto decepcionada.
– Foi mal Ally, mas é o Justin, não dá pra ignorar! Então Marce, o que dizia na revista?
Eu sou a prova viva de que nem toda menina gosta de revista de fofoca. Eu acho melhor me afastar um pouco, vou indo mais pra atrás e ficando no final da fila.
– Eu preciso falar com você Alicia! — Jorge chega pelas minhas costas — Sinto muito, não tá dando certo, não tá dando mesmo!
continua...
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