Notas iniciais
Estou aprimorando as habilidades com a escrita em terceira pessoa. Dicas para melhoras, são totalmente bem vindas. - Lucas N. ( AUTOR )

21 de Agosto de 1961.

Theodor Alfons é um garoto comum em meio á tantos da Alemanha. Mas incomum pelo seu talento em detectar mentiras de todos e como também é um ótimo pintor aos dez anos de idade.

Seus pais já tentaram levar Theodor em vários médicos, para verificar se algo errado não estaria acontecendo com o garoto. Ele já não comia á dias e não saía daquela janela enferrujada de seu quarto. Todos os dias, o menino empurrava os panos e abria a velha janela cor de bronze. Verificando a vida dos outros de cima. Do que ele estaria brincando? Seu sorriso está lá, estampado em seu rosto. Mas podemos ver que ele não é um garotinho comum, justamente por suas atitudes.

Seus olhos verdes claros brilhavam ao olhar todos os dias pela janela, o perfume das rosas que estavam sobre o pequeno jardim abaixo de seu telhado sempre o fazia sorrir, talvez porque este fosse um dos perfumes de sua mãe. Os cabelos loiros escuros caiam sobre seus olhos e isso o incomodava, Theodor não sabe como cortar aquela franja, então apenas assopra. É apenas um garotinho, ele não tem toda aquela coisa com beleza, então economiza até nos banhos.

Os olhos do menino procuraram alguém parecido com ele em meio a multidão que se encontra ali embaixo. Ninguém é tão parecido com ele, além de seu amigo Phill.

–Theodor... – chamou á senhora Mary. – Você está á dias sem comer, desça filho!

–Não mãe. – respondeu Theodor, enquanto seus dedos passavam sobre a ferrugem. – Só quero ficar até chegar o pôr-do-sol e depois desço.

Ainda faltam horas para chegar o fim do dia, mas Theodor não se importa. Ele não sente fome porque tem comida escondida nos seus armários. Seus olhos procuraram em meio a multidão que trabalhará todos os dias em uma linha de cimento, que o menino achava que era apenas farinha com algumas outras massas grudentas. Ele observava e uma ele conhecia, era o barro. Todos os itens juntos subiam a cada dia, ele não entendia o porquê de uma construção pegando toda a metade da Alemanha.

–Phill! – ele gritará para o amigo de janela.

–Theodor! – Phill gritará e acenava. – Como vai?

–Vou bem e você? – Theodor se mexia a todo o momento na janela, seus pés levantavam para observar melhor seu amigo.

A distância entre os dois era bem pequena. A casa de Theodor fica bem perto daquela linha e a de Phill, fica do outro lado da linha. As pessoas observavam os garotos conversando e todos se questionavam do que eles tinham na cabeça. Ou, o que as mães estariam fazendo.

Naquela época, Theodor nem imaginava que conversar com Phill poderia ser tão arriscado quanto levantar uma arma para o presidente.

–Vamos soltar? – Phill perguntou, enquanto pegava uma folha de papel amarelada e dobrava.

–Claro! – Theodor exclamou, sorridente.

Os dois dobravam e desdobravam, até sair à mágica. Um pássaro com o bico meio deformado. Os dois sorriam e então antes de lançar, escreviam com tinta: Você é um amigão!

Quando os aviões planavam e ás vezes caia sobre as pessoas, elas olhavam e sorriam, pensando que era para elas. Os dois meninos ficavam o dia todo fazendo isso, até acabar com o caderno de anotações.

–Vamos! – os dois disseram ao mesmo tempo e então lançaram os pássaros.

Desta vez, os pássaros que Phill atirou, planaram sobre as casas e a linha. Os dois meninos observavam fixamente para o pássaro de papel até que ele desceu e Theodor esticou o braço para pegar. A luz do sol clareou a folha e a luminosidade fez Theodor se afastar.

Um barulho horrível se espalhou e o pássaro mudou de direção. As mãos de Theodor tremeram e a ventania começou. As pessoas gritavam e cavalos passavam com homens em cima. Era a Hora das Regras.

Phill fechou a janela e encostou a testa sobre o vidro. Theodor fez o mesmo, este era o sinal de tristeza entre os dois. Os barulhos continuavam e as armas em mãos faziam os homens terem poder sobre os civis.

Um calafrio na espinha fez Theodor se jogar na cama, seu pai subiu correndo e abriu a porta. Sentou na cama e abraçou o filho, a mãe também correu e podíamos ouvir os barulhos de seus pés pesados na escada velha. A família se encontrou e tampou a janela com pedaços de pano e os velhos tecidos que se cobriam em todas as noites.

–Onde está minha irmã? – Perguntou o menino com suas mãos sendo aquecidas pela mãe.

–Não se preocupe, seu pai vai buscá-la na casa de Anna. – A senhora Mary tentava manter-se forte e segura.

A Hora das Regras era o pior dia para aquelas famílias do lado Sul. Onde os homens entravam em suas casas e reviravam tudo para saber se alguém ali possuía contatos com o lado Norte.

Quando os homens quebraram a porta da casa daquela simples família, Theodor encobriu a cabeça e forçou seus dentes com os lábios. Ele poderia até se machucar, mas não se comparava ao que os homens fariam com ele se descobrissem de seu contato com Phill.

São apenas crianças, mas elas podem ser usadas para mensagens ocultas. Seria isso um perigo para a nação.

Fatos que Theodor aprendeu desde que tinha cinco anos, seus país sempre disseram e explicaram as regras para sobreviver em um país que estava em guerra há tantos anos.

O senhor Cléver, procurou por toda parte sua filha Evelyn. O pôr-do-sol se aproximava e os cavalos passavam por perto do pobre senhor. Os homens batiam com madeira em suas costas e ele sempre repetirá: Paz. Apenas procuro minha filha.

A Hora das Regras já havia passado e o senhor Cléver ouviu alguns barulhos de armas sendo ativadas e gritos em diversas casas. Quem havia contato com o outro lado, era imposto á trabalhar todos os dias, até o término do Muro de Berlim. Seria uma enorme construção que dividiria os dois lados de uma mesma laranja, digamos assim. Mas as pessoas não tinham opção, o líder dizia isso, era isso!

Cléver encontrou sua filha, sentada ao lado de uma porta vermelha cor de sangue e a puxou de lá. Apenas correram e os militares observaram, mandaram parar e viram que a garota apenas esta assustada com tudo o que esta acontecendo.

Quando até o sol já havia partido, pai e filha entraram em casa e trancaram a porta. Subiram as escadas e encontraram Theodor ao lado de sua mãe, caída e ensanguentada.

–Mary! – gritou Cléver, enquanto observava que o quarto estava todo revirado e a janela quebrada.

O rosto de Theodor sangrava, seria um trauma onde ele sempre carregaria. O enorme soco que levou doeu tanto que seus dentes estavam rangendo de ódio, seu maxilar travava e suas mãos ferviam. Ele cerrava os punhos, sua testa franzia. A raiva era enorme.

–Pai... – O menino abaixou a cabeça e seus olhos observavam os pés de sua mãe. – Ela tem conversado com uma senhora do outro lado, elas são amigas.

–Não, não é possível! – ele gritou, seus olhos estavam vermelhos e sua boca estremecia. – Eu não entendo, como?

Os olhos do menino observam sua irmã, ela estava vermelha e tremendo. Mas o pai não havia nem perguntado o que havia acontecido.

–Evelyn, por que seu corpo está cheio de sangue? – perguntou Theodor, observando-a.

–Assassinaram toda a família de Anna, dizendo que eles eram impuros. Não me mataram porque já haviam me visto por aqui. – ela respondeu, soluçando.

–Mary... – Cléver olhou para a esposa e a abraçou.

Os dois corpos se sujaram de sangue, mas ele só queria se despedir. Theodor sentou ao lado de seus pais. Evelyn abraçou o irmão.

Toda a família estava sem um pedaço agora, Mary havia partido e deixado o marido para cuidar de duas crianças inocentes.

O poderoso choro que vinha das entranhas de Cléver, fez com que ele se levantasse e pegasse a mulher nos braços, desceu as escadas e olhou para as crianças.

Elas não evitaram que o pai descesse porque já sabiam, era a Hora das Regras.

–Vai ficar tudo bem, não vai? – perguntou Theodor, sempre evitando mostrar emoções.

–Acho que vai. – a irmã respondeu, enquanto levantava e caminhava em direção ao banheiro.

O menino olhava em direção a casa de Phill, mas não viu nenhum sinal de seu amigo. Então pegou um pedaço de madeira e atirou na cabeça de um dos militares. Ele olhou e logo seguiu com raiva.

A Hora das Regras havia passado, mas isso poderia piorar a cada dia.

Notas finais
Dicas sobre a escrita em 3° pessoa e sobre melhorias no livro, são totalmente bem vindas.