Incontrolável - Menino do Muro
2 Destruição - Capítulo 2
Notas iniciais
Destruição
À medida que os dias se passam, as horas se encurtam, o clima se agita e as pessoas recuam para cada vez mais, dentro de si próprios.
A vida nunca foi fácil para o povo do Lado Sul, sempre a mesma miséria. Quem mais ganha são as pessoas do Lado Norte, onde o governo se encontra. Lá eles têm variedades de alimentos e armamentos até para defesa pessoal. As pessoas do Lado Sul se protegem com o básico. Mas este povo tem uma vantagem, quase toda a maioria são médicos e então podem cruzar as barreiras até o comércio e comprar alimentos para a família. Quem não é, tem a ajuda de vizinhos que ainda se importam com todos.
Destruição poderia ser o nome dado a qualquer pessoa, só pelo fato de que todos um dia vão participar de uma. Mesmo que você não queira, terá de matar.
Theodor sempre lê coisas como estas nos textos de seu vizinho, um bom velho, chamado Islardis. Os dois conversam às vezes, quando o menino vai às ruas para olhar o que acontece.
O seu pai está em depressão profunda, sua irmã cozinha, ele caça alimento. E assim, as pobres crianças já têm seus futuros condenados a uma rotina monótona até a morte de seu pai.
Cansado, Theodor passa perto da construção. Observa, se pergunta em por que cada dia mais aquilo cresce. Olha para um homem que coloca cada vez mais blocos sobre outros e então se agacha para olhar mais de perto.
–Senhor. – o jovem menino, se agachou para chegar à altura do homem sentado. – Porque vocês estão fechando isso aqui? O que é isso aqui?
–Não posso falar agora. – o homem ignorou Theodor e continuou passando a massa com os blocos. – Pergunte ao seu pai.
–Ele está bem triste, não consegue nem comer. – o menino contou, sentando ao lado do homem. – Se você me falar o seu nome, vou embora.
–Albert. – o homem passou a mão pela testa e retirou todo o suor. – Albert. – repetiu e depois pegou outro bloco.
–Legal. – Theodor se levantou e estendeu a mão. – Foi legal te conhecer, Albert.
–O mesmo. – Albert olhou para o menino e ele pôde ver seus olhos azuis brilharem com a luz do sol. – Agora vai!
O garoto virou-se e sorriu. O homem provavelmente está com outro bloco na mão – pensou Theodor.
Havia duas meninas sentadas do outro lado da construção, com uma caixinha de música. A bailarina dançava e elas sorriam, os olhos brilhavam. A música era entediante para os ouvidos de Theodor, ele tampou os ouvidos e correu. Ao olhar para cima, viu a janela de seu amigo, Phill. Ainda estava quebrada. Não havia ninguém lá, com um pássaro de bico torto na mão.
–Vamos. – Theodor gritou em sua mente, seria bom para fingir que Phill estava ali. – Sim. – ele concordou com seu próprio pensamento.
O sol estava muito perto, de acordo com o corpo de Theodor. O calor era tanto, ele olhava para frente e via ondas de calor pelo chão. Para ele era água. Os seus pés pequenos, cansados de tanto andar, travaram por ali mesmo. Ele se sentou sobre a sombra de uma velha árvore em frente sua casa.
–Theodor. – disse sua irmã, girando um pedaço de pano. – O que trouxe hoje?
–Nada. – ele respondeu, coçando a cabeça. – Ninguém quer ajudar um garoto pidão. Mandaram-me trabalhar.
–Eles não entendem que nosso pai está doente? – A menina posicionou as mãos sobre a cintura. – Realmente...
–Conheci um homem, Albert. – ele disse, cerrando os punhos. – Acho que podemos pedir ajuda á ele. Ou talvez, possa ajudar ele naquela divisão.
Ela concordou, virou-se para a porta de madeira e entrou. Theodor olhou para cima, o céu estava tão claro, tudo tão bonito. Mas, porque nada era tão bom para ele assim? Então, levantou-se e andou novamente atrás de ajuda.
O calor já não importava, poderia sobreviver contra isso. Seu corpo de criança, ainda era fraco para tanto esforço que ele precisava fazer. Mas, Theodor está desenvolvendo rápido. Ele passou por uma mulher, que deixou uma maçã cair. Ela não percebeu, mas ele sim. Pegou e a mordeu. Mastigou toda a maçã em quase um minuto. A fome era tanta, seu estômago estava gritando por alimento e chegou na hora certa.
O menino já estava próximo ao muro, sua vontade de conseguir ajuda para o seu pai era tanta, que sentou ao lado de Albert novamente.
–Minha família realmente precisa da sua ajuda. – o menino encostou-se ao braço vermelho do homem. – Por favor, Albert.
O bloco caiu sobre a construção, um homem que estava com chapéu ao lado de Albert, olhou para os dois e encarou. Ele sabia do trauma que Albert tem com crianças, isso seria um caos, o contato com Theodor.
–Saia de perto de mim! – ele disse bravo e bufando. – Não suporto crianças.
Theodor se assustou e afastou. Cruzou os braços e retrucou:
–Você diz isso, mas no fundo ainda gosta de crianças. Todos gostam! – seus lábios tremiam de raiva, mas ele era apenas um garoto comum.
Albert pensou. O homem de chapéu sorriu, abaixou a cabeça e voltou ao trabalho. O velho Albert passou ao lado de Theodor, encostou-se a seu ombro e deixou que saísse às palavras:
–Você promete me ajudar a ser humano?
–Se você prometer que vai me ajudar a trabalhar e conseguir alimentos para minha família, sim.
Albert deixou escapar um sorriso.
Theodor não entendia o que era “Ser humano”. Talvez, seja sentir, amar...
Mas essa seria a destruição.
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