Incoherence

8 Capítulo 07 - Escuridão


Mark, Kitty, Chloe e Layla estavam no meio da floresta, que parecia ficar mais densa e extensa cada vez que entravam nela.

O odor de carne podre já havia passado há muito tempo.

Estavam seguindo a área de luz que estava a vários metros dali, no fim da floresta. Esperavam encontrar a cabana, novamente.

– Eu não aguento mais andar – Disse Chloe.

– Minhas pernas também estão me matando, mas temos que continuar – Falou Layla.

– Quando chegarmos à cabana, ficaremos lá – Disse Mark – Estou cansado de procurar uma saída e não achar.

– É impressão minha ou está escurecendo? – Perguntou Kitty, vendo a luz no fim da floresta escurecer aos poucos.

– Já está anoitecendo? – Perguntou Chloe.

– Não pode ser – Respondeu Mark, pegando o celular do bolso e olhando a hora. Eram quatorze horas. Ele olhou também que o aparelho estava prestes a descarregar.

– Acho que vai chover novamente.

De repente, tudo ficou escuro, como se alguém tivesse apagado a luz. Não era possível ver nem ouvir nada além da respiração deles mesmos.

– Oh meu deus, o que foi isso? – Perguntou Kitty.

– Fiquem calmas – Disse Mark – Não se mexam ou podem tropeçar.

Ele acendeu a tela do celular, iluminando um pouco o local onde estavam. Não era muito, mas conseguia ver os rostos assustados de Chloe, Layla e Kitty.

– Alguma explicação para isso, Layla? – Perguntou ele.

– Não sei, nunca ouvi falar em nada parecido – Respondeu ela.

O celular emitiu um pequeno som e em seguida desligou. Bateria vazia.

– Droga! – Exclamou ele, guardando-o no bolso.

Mark ouviu passos sobre as folhas secas no chão e ficou assustado, não pareciam muito perto.

– Quem fez isso? – Perguntou ele.

– Não fui eu – Respondeu Chloe.

– Nem eu – Disse Kitty.

– Eu estou parada.

– Que merda – Disse ele.

De repente, o lugar começou a ficar claro novamente e ele pôde ver que não havia ninguém ali.

– Finalmente – Disse Chloe.

– Vamos continuar andando – Falou Mark, caminhando pela floresta.

Eles andavam pisando as folhas e os galhos no chão, quando, em uma árvore não muito longe, Mark viu um feixe de luz azul.

– Vocês viram aquilo? – Perguntou ele.

– Aquilo o que? – Perguntou Layla, de volta.

– Uma luz azul.

– Não – Respondeu ela.

– Acho que tem alguém nos observando – Concluiu ele, em um baixo tom de voz.

Neste exato momento, um homem saiu de trás de uma árvore. Tinha olhos normais e estatura alta.

– Você tem razão – Disse ele, sorrindo.

– Quem é você? – Perguntou Mark.

– A pergunta não é quem eu sou – Falou ele e eles perceberam suas unhas caindo no chão, dando lugar a garras metálicas – E sim quem eu era.

Os olhos deles caíram no chão, bem à sua frente, dando lugar à luz azul e brilhante que todas as criaturas possuíam.

– Corram! – Exclamou Mark.

Eles começaram a correr para a direita, desviando do caminho que estavam percorrendo. A criaturas não disse nada, apenas começou a correr atrás deles.

Mark podia ver o fim da floresta, um lugar claro. Corria em direção a ele.

A floresta estava ficando escura novamente, como antes.

– Não, não, não, não – Disse Mark.

Quando tudo se apagou novamente iluminado apenas pela luz que saía dos olhos da criatura, ele ouviu alguém tropeçar. Em seguida, ouviu os gritos de Layla.

– Não! Socorro!!! – Gritou ela, enquanto a criatura a carregava nas costas.

– Layla! – Exclamou ele.

– Oh meu deus – Disse Kitty.

Os gritos foram ficando mais distantes, até que eram quase inaudíveis.

A floresta logo ficou clara novamente e Mark viu Chloe e Layla, aterrorizadas.

– Oh meu deus – Disse Kitty, sentando-se em na raiz exposta de uma árvore, colocando as mãos na cabeça – Nós estamos ferrados.

– Ele a levou – Falou Chloe – Para onde a levou?

Eles ficaram parados, até Mark dizer:

– Vamos procurar o Justin.

– Não! – Exclamou Kitty, levantando-se – Vamos buscá-la, ele não deve estar muito longe.

– Não podemos – Disse ele, segurando o braço dela.

Kitty se soltou e começou a chorar.

– Não podemos deixar ela ser levada assim – Falou, com a cabeça baixa, aos prantos.

Mark a abraçou e Chloe também. Ela também estava chorando.

– Eu sei, eu sei – Disse ele, se segurando para não cair em prantos – Mas precisamos ir agora.

Ela sentou no chão, chorando.

***

Susan estava chegando à cabana, já conseguia enxergá-la. Olhou para o lado esquerdo, não havia nada, mas quando olhou para o outro, viu Brad a observando com os olhos brilhantes. Estava sorrindo.

– Não, por favor! – Disse ela, chorando – Eu não fiz nada.

Ele se aproximou, sem dizer nenhuma palavra.

Susan começou a correr pela floresta e ele também.

Ela olhou para trás e quando o viu chegando mais perto, soltou um grito.

Saiu da floresta e correu até a cabana, mas ele a alcançou.

– Me deixe em paz! – Gritou ela, em seguida sentiu as mãos dele a empurrando, fazendo-a cair no chão.

Quando viu para encará-lo, Susan viu Brad com as mãos erguidas no ar.

– Não! – Gritou ela, antes de ele cravar as cinco unhas metálicas na barriga dela.

Em seguida, rodou, rasgando os órgãos dela e fazendo-a gritar de dor. Havia muito sangue saindo dos ferimentos.

Brad ergueu a mão no ar novamente e voltou a cortá-la com as garras, apunhalando-a repetidamente na barriga.

Alguns segundos depois, quando ela estava fraca o suficiente para não lutar, ele a segurou pelos cabelos e puxou até o primeiro degrau da escada.

Susan estava com os olhos quase fechados, havia perdido muito sangue, o qual estava espalhado pela terra e pelas pedras.

Ele a colocou com a boca no primeiro degrau, fazendo parecer que ela estava mordendo. Susan não tinha forças para se levantar, não sabia nem ao menos o que ele estava fazendo. Sentia dor no estômago, mas tão intensa quanto antes. Sabia que estava prestes a morrer. O gosto da madeira molhada impregnava sua boca.

Brad se afastou, olhando-a. Susan estava deitada no chão, com o degrau entre os dentes.

Quando ela conseguiu forças, preparava-se para se levantar, mas ele foi mais rápido e chutou a cabeça dela, fazendo-a ser dividida em duas partes. A parte de cima da cabeça deslizou junto com o sangue e alguns fios de cabelo pelo degrau. A parte de baixo, do maxilar, caiu no chão.

Durante o impacto, o degrau havia quebrado, soltando algumas farpas na boca de Susan.

Ele segurou o corpo dela e levantou. Conseguia ver toda a língua e a garganta. Viu os vermes subindo pelo esôfago e soltou o cadáver no chão.

Quando os vermes saíram, ele ficou observando, enquanto eles se juntavam em uma massa gosmenta no chão, a qual daria forma a um clone de Susan em alguns segundos.