Notas iniciais
Olha só quem voltou! xD SIIIIM. Para quem não viu ainda, deixei no meu blog algumas explicações sobre os últimos acontecimentos, além de alguns informações referentes ao andamentos das minhas outras fics. :) Mas, enfim, boa leitura!

INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL

By Amanur

Capítulo 12 – Maré baixa

Ensaiar era bom, por que me lembrava dos velhos tempos em que fazíamos baderna na garagem da casa do Neji. Mas como nossa garagem aqui já estava completamente entupida de automóveis gigantes (um ônibus, uma caminhonete, um carro, uma moto e meu jipe), tivemos que improvisar espaço no meio do nosso quintal. Mas devo dizer que o quintal dessa casa não era nada parecido com aquele incrível oásis que era a casa do Neji, com piscina, churrasqueira, uma casinha de piscina e um com um cachorro babão. Aquela maravilha havia ficado para trás. Aqui era puro matinho ao céu aberto mesmo. Com direito à carrapichos pinicando na pele, insetos azucrinando no ouvido, buracos de formigueiros para todos os lados e sol escaldando a carapuça. Aham. E ainda descobrimos onde Neji, fofo, despejava os dejetos da Serafina Macho quando dizia que havia limpado a caquinha do bicho...

— Ah, mas que lindo! Pisei num cocô de gato. — Kiba resmunga, enquanto carregava seu baixo, puxando os fios que vinham de dentro da cozinha — Maravilha! E está fresquinho. Ótimo! Porcaria de bicho nojento. — ele ainda quis acrescentar.

— Tsc! Fresco é você, é só um inocente cocô. — Neji a defendeu enquanto plugava os cabos no amplificador.

E então, eis que Amoreco surge com um lençol branquinho, e o joga naquele chão de terra e mato. E agora cocôs.

— Mas que diabos você pensa que está fazendo? — tive que perguntar, né? Afinal, quem tinha tooooodo o santo e árduo trabalho de avisar a eles que tem roupa suja para eles lavarem era eu! Uhum. E olha que era um trabalho bastante trabalhoso mesmo. Por que, viu, vou te contar! Não é nada fácil sair pela casa contando quantas meias e cuecas havia espalhadas pela sala, cozinha, banheiro... Eram muitas!

— Fica fria, que eu sei o que estou fazendo. — ele responde. Quando eles dizem isso, eu já sei que devo me preparar, né? — Vocês só podem está chapados com esse cheiro de mijo e merda, se pensam mesmo que vou sujar minha linda bateria nesse chão. Sem falar nos meus sapatos novinhos.

Ahh, tá. Claro. Por que é muito mais difícil limpar pés de bateria e sola de sapato, do que um lençol branquinho, né? Tsc.

E nisso, Sasuke aparece com outro lençol branquinho. Eu mereço. Suponho que ele pense da mesma forma que o outro. Só me pergunto por que escolheram justo o branco — o mais difícil de tirar sujeira.

Bom, fiquei quietinha na minha, tirando carrapicho do sapato. Por que, sim, para andar naquele mato só de tênis e calça jeans. Eu não me surpreenderia muito se uma cobra aparecesse por aqui. Err. Uma gotinha de lágrima medrosa caiu do canto do meu olho. Por que, tipo assim, eu não sou fã de cobras, não. Só daquelas que vem com duas bolinhas peludinhas embaixo dela. Ahém.

São mais inofensivas, né?

Como eu ia dizendo, os meninos estavam todos a postos com seus instrumentos e lençóis. Como de costume, Shikabum e Sininho ficaram tomando conta do amplificador, caixas de som e outros trambolhos que não faço questão saber do nome. Além deles, ainda tivemos o privilégio a uma platéia diferenciada e excêntrica, formada por um exemplar de cada um dos animais da pecuária: uma vaka, uma suIno e um carneiro. Qualquer dia desses, ainda chamaria o Greenpeace para levá-los. Ahém.

Enfim, Vakarin parecia bem à vontade ali, sentadinha ao lado do Carneiro, observando-nos. E por causa dela, eu achei que o emo fosse fazer alguma gracinha para me irritar, se exibindo na frente dela. Mas ele se manteve comportadinho. Aliás, comportadinho, quietinho e bonitinho até demais. Hummm. Muito suspeito.

No fim das contas, tocamos quatro músicas. Segundo o Carneiro, a nossa apresentação seria rápida e pequena por que se tratava de um evento onde outras bandas tocariam junto, num tributo ao rock. No entanto, nossa participação seria de extrema importância, pois ajudaria com a nossa divulgação.

— Quanto mais gente nos ver, melhor será para o nosso bolso. Digo, a carteira de vocês. Quero dizer, a CARREIRA de vocês. — aham.

— Na verdade, tudo o que consigo pensar é em roubar os fãs daquela outra bandinha nojenta que vai se apresentar antes de nós. — diz Amoreco, sonhando alto — Isso, sim, seria lindo.

— Sabe, essa é a primeira vez que tenho que concordar com você... — resmunga o emo.

— Acho que vou vomitar. — o ruivo resmunga de volta, fazendo careta de nojo.

Err. Bom, tudo bem. Tudo bem, porque eu só pensava que quanto menos trabalho, melhor. Hihi.

Então, quando a Hotaru, mandada pelo pai, apareceu para avisar que o almoço estava pronto, eles meio que fizeram fila para entrar na casa.

— O que temos para o almoço? — Naruto pergunta — Sabe do que estou com vontade? Estou com vontade de comer uma galinha!

— Você vai ter que depenar a Karin antes. — Neji diz. E eu ri. Mas a Vaka o beliscou.

— Ela é uma vaka, não uma galinha. — então, o próprio emo disse, mas ao olhar assassino dela, ele olhou para o teto, resmungando — Onde foi que eu vi aquela aranha?

— Eu sei, eu sei! — Naruto diz — No meio das pernas da Vaka?! Hahahahaha.

— Há-há. Debochem o quanto quiserem, seu palermas. Veremos que rirá por último. — ela resmunga.

— Por que? — Amoreco pergunta — Você quer rir por ultimo?

— Eu VOU rir por último, queridinhos.

— Claro. Por que quem ri por ultimo, é retardado mesmo... — e eu tive que concordar com ele.

Naturalmente, é claro, ninguém deu bola para o que aquela desmiolada disse, e a refeição foi tranquila. Ninguém disse um piu sequer. Exceto pelo Amoreco, que resmungava algo sobre a comida como uma mulherzinha, porque tínhamos espagueti nos pratos, com algumas verduras e legumes.

— Mas eu acho que engordei um quilo. Você acha que engordei um quilo? — ele perguntou ao Sai, que sentava ao seu lado.

O japinha apenas deu de ombros, como se não importasse com aquilo. Amoreco revirou os olhos e tomou um longo gole de sua Coca-Cola. Depois enrolou um farta quatia de massa no seu garfo, a meteu na boca, e foi mastigando enquanto falava:

— Bom, vendo que estou engordando, acho que devo tomar uma decisão drástica: vou comer menos. E para mostrar que não estou brincando — diz ele de boca cheia — Não vou comer esta ervilha. — e então, ele separou a única ervilha que tinha no prato dele para o canto, e enrolou no garfo uma boa quantia de massa, e a meteu na boca cheia de queijo ralado.

— Hotalu também está de dieta. Não vai comer evilas, cebolas e essas cenolinhas. — ela diz assim, bem séria — Pleciso cuidar da saúde também, né, mamãe? — err.

— Nada disso, pirralha! — o emo resmungou, fazendo ela colocar tudo na colher dela — Você tem que comer tudo isso, pra ficar lindona, forte e inteligente que nem o tio Emoloidas... digo, Sasuke, aqui, oh!

— NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOO! — Neji, Amoreco, Sai e Shikabum gritaram, querendo impedir que a menina comesse aquilo. Mas a coitadinha se assustou, e saiu correndo e chorando para o colo do pai, que apenas revirou os olhos para eles.

Mas eu mastigava aquela gororoba que a SuIno fez, imaginando que estava triturando a cabeça do emo, que voltou a ficar todo cheio de amores com aquela Vaka. Um dando comidinha na boquinha podre do outro. Coisa mais fofa. Só que não.

Acho que eu é quem vomitaria.

Aí, meio enciumado, ou sei lá, talvez sequelado mesmo, o Neji decidiu que seria uma boa ideia imitar os dois, e veio todo fofo e cabeludo querendo me dar comidinha na minha boca também. Aí, pensei, bom, e porque não, né não? Afinal, o infeliz do Sasuke jamais tinha bancado o querido daquele jeito comigo. E isso era algo muito indignante, sabe? Eu era uma boa namorada, merecia receber comidinha na boca também. Então, bem feliz, sorri pro cabeludo mais charmoso do planeta e abri a boquinha. E ele, muito lindo e querido, até fez o barulhinho de aviãozinho se aproveitando da situação (e eu o deixando-o).

— VRUUUUUM.

Mas aí, o Amoreco, que, de repente, não era mais tão amoreco assim. Pois é. O infeliz deu um empurrão no Neji fazendo-o derramar o espagueti no meu colo, e eu morder o garfo vazio.

— Ah, por favor, sem essas merdas na minha frente! — o ruivo ainda diz, em toda sua delicadeza.

Eu e o Neji fuzilamos o ruivo com nossos olhares, enquanto ele resmugava de boca cheia. Aí, fui me limpar enquanto eles terminavam de comer — já que eu havia perdido o apetite mesmo. Então, enquanto os meninos cuidavam a sujeira, Sasuke se meteu no banheiro para um banho, e a Karin se excluiu no jardim da casa, já que, é claro, ninguém fala a língua da vaca. Err.

— Mas por que você realmente voltou? — fui falar com ela. — Algo me diz que isso não foi uma simples coincidência. — sentei ao lado dela, e fiquei encarando a ruiva. E então me dei conta: até parece que eu sei língua da vaca! Tsc.

— Na verdade, eu não deixei de manter contato com o Sasuke; não sei se você sabe.

— Queridinha, é óbvio que eu sabia. — óbvio que eu não sabia! Tsc.

— Bom, a verdade é que nós estamos precisando de um tecladista, e convidei o Sasuke para participar da nossa banda. E agora que... — então, ela me olha dos pés a cabeça — que está tudo terminado entre vocês, por que você quis bancar a sabichona sem dar a chance de uma explicação a ele, Sasuke está pensando no assunto.

— Como é que é? O Sasuke pensa em deixar a banda? — ok, aquilo era totalmente inesperado, e meu queixo foi ao chão e ainda o ultrapassou, chegando à crosta terrestre!Como ele pode fazer isso?

Mas acho que isso era exatamente o que a Karin queria de mim. Que me sentisse a criatura mais estúpida por também ser orgulhosa e impulsiva, e querer descontar minhas frustrações na primeira oportunidade que me aparecesse. Para, então, me ver com essa cara de bunda mal lavada que eu devia estar exibindo para ela e se divertir às minhas custas. Por que eu não penso antes de agir?

Ok, talvez, eu também tenha pisado na bola, desta vez. Não que eu achasse que ele tinha alguma razão naquilo tudo, é claro. O diabo nunca tem razão! Tsc. Ele escolheu os remédios a mim, e mentiu por todo aquele tempo sobre se manter sóbrio. Como eu poderia perdoar isso? Ele poderia, pelo menos, ter conversado comigo e abrido o jogo dizendo o que estava acontecendo. Mas nãaaao! Claro que o idiota iria preferir mentir, por que era mais fácil. Tsc. E agora tem mais essa! Desde quando ele estava escondendo de nós essa proposta para entrar em outra banda?

— Você deveria procurar por outro tecladista, Karin. Você sabe que ele é nosso. Além disso, o Sasuke não seria estúpido o suficiente para nos trocar pela sua bundinha. Digo: Bandinha. — err.

— Heheh. Bandinha? Pelo visto, você não anda lendo as notícias, não é mesmo? Talvez ande muito ocupada com seus draminhas. Eu entendo. — GRRRRRRRR — Mas eu não diria isso com tanta convicção, se fosse você, queridinha. — e então, ela se levantou, e foi rebolando de volta para dentro da casa.

E lá fiquei eu, colhendo os frutos do meu suor, que não serviram para nada, no final das contas. Varakin 1 x Sakura 0.

Algumas horas depois, estávamos no ônibus do Neji, em direção ao local do show. Ainda faltavam algumas horas para a abertura dos portões, mas o lado de fora já estava lotado com gente erguendo cartazes para suas bandas preferidas. Nós seríamos a terceira banda a tocar no show; tocaríamos três músicas.

Então, eu quis aproveitar aquele tempo que ainda tínhamos de sobra, enquanto os meninos revisavam os instrumentos que usariam no show, para me produzir. Sabe, só para tornar as coisas mais interessantes. Não era como se eu quisesse chamar atenção, ou seduzir alguém! Nãao, claro que não. Afinal, quem eu seduziria com minhas pernas finas e pitangas? Er.

No camarim, passei um rímel dos cílios, sombras nos olhos, deixei o meu cabelo mais escorrido o possível, pus um gloss nos lábios, um perfuminho no pescocinho, coloquei uma blusa tomara-que-caia puxando as petcholas para cima, para ficarem bem erguidas, sabem como é, né? E vesti uma calça de couro justa no corpo. Para complementar, uma bota de salto alto e cano longo. Estilo mulher gato (inpirada na pequena e endiabrada Hotaru, devo dizer).

Acho que nunca me senti tão urubu na minha vida com tanto preto. Ainda bem que mantive o cabelo cor de rosa...

Só que havia um pequeno grando detalhe. Eu me esqueci de que não sabia andar de salto! A-há. Assim sendo, lá estava eu, doce, meiga e inocente, andando de um lado para o outro, treinando os passos naquela bota, tentando imaginar a reação do emo maldito quando me visse. Por que, como já disse, não era como se eu quisesse seduzir, ou chamar atenção de alguém! Claro que não. Muito menos do Sasuke, aquele crápula inútil e ingrato de uma figa que nos trai na maior cara de pau.

— Sarakura do cu cagado, cê tá cagada?— o emo me assusta, aparecendo atrás de mim, na porta do camarim. Meu espirito quase saiu do meu corpo e tive que engolir o coração de volta, me perguntando desde quando ele estava ali me bisbilhotando.

— Não seja estúpido, é claro que não!

— Então por que está andando desse jeito? — revirei os olhos.

— Não acredito que você está pensando em deixar a banda! — despejei. Eu não planejava discutir isso com ele, mas acho que era inevitável.

Então, ele cerrou os olhos e cruzous os braços.

— Isso não é da sua conta.

— É claro que é da minha conta. Eu também faço parte da banda!

E para enfatizar que eu não iria dar o braço a torcer, tentei me fazer de “séquisi”, estilo mulher fatal, com uma pose (as mãos na cintura e o peito estufado, balançando a cabeça fazendo meus cabelos esvoaçarem como nos filmes de romance em que a mocinha parece linda e maravilhosa e o mocinho se encanta por ela). Mas meus cabelos bateram no rosto dele, e eu ainda me desequilibrei, quase caindo para trás. E ainda espirrei meleca pra todos os lados, por que um fio de cabelo entrou no nariz, fazendo cócegas.

Tipo assim, mulher fatal que mata a si mesmo. Tsc.

Sasuke cerrou os olhos para receber aquela enxurrada e me olhou com aquele nariz dilatado, bufando de raiva. Até me preparei para receber aquele xingamento aos berros, típico dele, mas, então, eis que o emo me surpreende. Ele deixa a sua raiva escapar num suspiro, revira os olhos, e me dá as costas como se nada tivesse acontecido.

Acredite se quiser, mas eu senti falta dos berros dele.

Quando a segunda banda já tocava para a multidão (e eu já havia me decidido que entraria no palco de pés de calços, pois me convenci de que não havia nascido para ser “séquisi”), nós esperávamos nossa vez atrás das cortinas do palco. Eu já deveria estar acostumada com esse esquema de shows, mas ali estava eu, suando nervosa e tensa. Já roía as minhas unhas, quando me dei conta de que Neji me observava do outro lado, de braços cruzados. Ele me perguntou o que houve, apenas com os lábios, sem vocalizar, mas quando fui responder que estava tudo bem, quatro meninas (que deveriam ter no máximo dezoito anos), de repente, apareceram assim, do nada.

— AHHHHHHHHHHHH!!! NEJI, LINDO, GOSTOSO, EU TE AMO! ME DÁ UM AUTÓGRAFO! — elas berravam histéricas, feito um bando de galinhas.

— Ei, de onde vocês vieram? Vocês não deveriam estar aqui, menin...— e então ele se cala, de boca aberta. O idiota deve ter esquecido o que dizia, quando uma delas levantou a blusa pra mostrar os melões, pedindo para que ele assinasse na pele dela. Argh.

— Neji, eu te amo, você é o amor da minha vida, te amo mais do que tudo!!! Me dá um autógrafo, casa comigo!

— Ok... — ele diz, assim, bem embasbacado mesmo.

AU$%%63847¨#$¨$%6WIEA@#$%$49834!

— Ok, uma ova! — fui empurrando elas para o lado, rosnando como um cão enfurecido — Seguranças, SEGURANÇAS! — e ainda tomei a caneta da mão dele.

— Argh, me solta, sua magricela! Ficou despeitada, foi? — me disse a que havia tirado a camisa.

— Não, não, ela já nasceu despeitada. — disse a outra, aos risinhos.

Cruzei os braços. Era só o que me faltava ficar ouvido criticas a respeito das minhas inocentes pitanguinhas por duas crianças desconhecidas sem parafusos. Quando me prontifiquei a dizer mais alguma coisa, a terceira delas ainda me interrompeu.

— Fica na tua, Sakura, por que ninguém aqui quer saber de uma fajuta que finge que canta num palco. — e aí, meu queixo foi ao chão. — Você nunca se tocou o quanto canta mal, garota? Todo mundo te odeia! Temos, inclusive, um clube, “Odiamos a Sakura”! Tá no facebook. A sua sorte é que tem esses homens maravilhosos, super talentosos ao seu lado. Você deveria aprender com eles.

Ah, é, é?

— Bah, você tá com uma sujeirinha aqui. — indiquei bem no meio dos melões transgênicos dela.

E ela olhou. E eu risquei a testa dela com a caneta.

— Brincadeirinha. Tem uma sujeirona aqui. — e apontei pra testa riscada dela.

Elas iam avançar em cima de mim, mas o Neji se postou no meio, entre nós.

— Ok, meninas, acho que a brincadeira acabou. É melhor vocês darem o fora antes que eu mesmo faça a bunda murcha de vocês voarem para longe se ouvir mais uma merda dessa boca sebosa de vocês! — Neji, meu herói, saiu rosnando para elas, as empurrando para o outro lado — Além disso, não quero ser preso por pedofilia. Não se fazem mais crianças como antigamente... Eu, na idade delas, ainda brincava de carrinhos. — ele resmunga de canto para mim. Mas acho que até hoje ele brinca de carrinhos. Err.

Em seguida, Itachi, que ouviu o que elas disseram, veio me consolar.

— Não fica assim, Sakura, aquelas mulas não entendem porra nenhuma de música, e os peitos dela não eram nem tão bonitos assim. Eram vesgos. — er. Ele ainda me deu tapinhas nas costas.

Normalmente, eu não me importaria com o que duas estranhas diriam para mim, muito menos crianças, mas acho que elas me pegaram num dia propício para me afetar. Por que, como se não bastasse todos os meus problemas, eu não conseguia parar de pensar nessa questão do Sasuke sair da banda, sabe?

E o resultado disso?

Bom, não queira nem saber... Ou melhor, ouvir.

Eu desafinei legal mesmo, do inicio ao fim, para dar orgulho ao pior cantor de chuveiros da história da humanidade. O negócio estava tão ruim, que o publico inteiro ficou paralisado durante as três músicas, sem moverem um dedinho sequer. Acho que até o vento ficou constrangido com a minha péssima performance, que não soprou nada, com medo de levar o som adiante. E os meninos, coitados, fizeram o possível e impossível para distrai-los com solos mais longos, acentuando mais o instrumental e diminuindo o volume do meu microfone.

Quando saímos do palco, senti que nenhum deles teve coragem de comentar algo, com exceção do emo, é claro. É lógico.

— MAS QUE PORRA DO CARALHO VOADOR FOI AQUILO, MEU? VOCÊ ESTÁ CHAPADA? EU PEIDO MENOS DESAFINADO DO QUE AQUILO! TINHA QUE SER A SARAKURA DO CU ARREGAÇADO PRA ME FAZER UMA CAGADA DESSAS MESMO, HEIN! — ele me chacoalhava de um lado para o outro, como se eu fosse um saco de batatas. Mas eu não me sentia bem. Realmente não.

— E lá se foi nossa chance de roubar fãs dos outros. Acho que com isso, eles é quem roubaram de nós... — Amoreco diz, inconsolado, mas querido como ele só.

Tsc. Eu estava realmente feliz pelo emo estar me xingando daquele jeito, demonstrando toda a sua ternura, carinho e preocupação com a minha pessoinha, sabe? Como sempre fez. Mas ao mesmo tempo, a maldita voz da Vakarin repetia em meu ouvido que ele iria nos deixar. E agora tinha mais aquela critica das meninas que, não sei porque raios, eu estava ouvindo ainda.

Eu quis gritar e xingar ele de volta, e deixar claro para que todos soubessem da noticia. Quem sabe até convencê-lo a não fazer uma bobagem daquelas. Mas eu não queria me meter nas decisões dele. E, então, me peguei me perguntando se os meninos já não sabiam, na verdade, e apenas estavam escondendo aquilo de mim. Talvez por isso Neji parecesse meio estranho, meio aéreo.

Sorri meio sem vontade para ele, e dei as costas. Deixei ele xingar as paredes.

Troquei toda aquela roupa idiota, me sentindo, de repente, a criatura mais patética do planeta, e fui correndo até o ônibus. Gaara e Sai colocavam os instrumentos no carro, enquanto o restante deveria estar no banheiro, e nem me viram entrar de fininho no ônibus. Acomodei-me bem ao fundo, para que não me vissem, encolhi as pernas no acento e encostei a cabeça na janela. E, então, vejo o Carneiro correndo pelo estacionamento do local, como se sua vida dependesse daquilo. E logo atrás dele, aquele bando de malucos do nosso groupie corria atrás dele, com pedaços de pau nas mãos. Hum. Suspeitei, mas não dei bola. No mínimo, o idiota deve ter mexido com a namorada de um deles, pensei.

Então, quando todos eles estavam no carro, tipo assim, meia hora depois, Neji dá a partida no ônibus e saímos do estacionamento. Até que, no meio da rua, Itachi aparece na frente do ônibus, pedindo para pararmos para ele entrar.

Ele entrou, sim, todo esbaforido, suado e descabelado, e todos nós ficamos olhando para ele como se estivéssemos olhando para um alienígena.

— Mas o que diabos aconteceu contigo? — Amoreco pergunta, o que todo mundo se indagava, na verdade.

— Ahhh... Hahaha, nada não, não se preocupem comigo, queridos. Continue, Neji, continue. ANDA LOGO COM ESSE ÔNIBUS!

Rapidinho, Neji acelerou. Claro que ninguém engoliu aquela desculpa de que estava tudo bem, e ficamos a viagem toda encarando o carneiro, desconfiados. E além de esbaforido, descabelado e suado, ele estava fedido. Fedia como um obreiro, sem tomar banho há 74 horas. Tivemos que abrir as janelas do ônibus, pois o ar condicionado não estava dando conta daquela catinga dos infernos. E para piorar a situação, Naruto resolveu que seria uma ótima ideia tirar os calçados, e nos asfixiar com seu chulé também, porque seus tênis estava o matando. Mas eu diria que o chulé dele é quem estava matando o tênis.

Mas claro que minha maré de sorte não ia parar por aí (aliás, quando foi que algum dia ela parou?). Os dois fedorentos foram mandados para os fundos do ônibus, para tentarem isolar o fedor naquele canto — onde eu estava, diga-se de passagem.

— Ôh, Sakura, vem para cá, vem — Sai me chamou — Vem para o lugar onde os limpos e cheirosos pertencem!

Mas não dei muita bola para aquilo, por que eu me sentia murchinha, como uma florzinha, meiguinha, queridinha, deixada para trás, pisoteada. Ahém. Não sei bem o que estava acontecendo comigo.

Vi que eles começaram a cochichar sobre mim, se perguntando o que havia acontecido, mas, de novo não dei bola. Até por que o Itachi já estava me encarando, com sua desconfiança.

— Desembucha logo, ou eu me sento aí, do seu lado, e ainda te dou um abraço bem forte com meu super sovaco fedorento! — ele me ameaçou.

Er. Tenho certeza de que ele realmente estivesse super fedorento, mas eu não estava com o menor humor, e fiz de conta que não ouvi o que ele disse. Fechei os olhos, como se fosse dormir, por que a viagem para casa ainda levaria uns vinte minutos.

Mas quem disse que eu ia conseguir pregar os olhos, sentindo todos os olhares para mim?

Quando chegamos, desci do ônibus correndo para dentro de casa e me deparar com a Vakarin brincando com a Hotaru, enquanto SuIno lavava a louça. Vakarin já tinha manifestado pouco interesse por crianças, mas vê-las ali, ambas sorridentes em volta de brinquedos, me deixou muito fula.

Apesar de tudo, eu sabia que a Vakarin não era uma pessoa de mau caráter, do tipo que fosse capaz de fazer mal a uma criança (ela fazia mal somente a si mesma e ao emo! Tsc), mas assim mesmo fui tomada por uma raiva descontrolada, e tomei minha filha das mãos dela.

— Não toque na minha filha! — resmunguei, entre os dentes. Acho que nem ela entendeu de onde saiu aquilo, e também não seria eu a ficar dando satisfações.

— Sem problemas! — ela ainda me respondeu, em desdém.

Subi as escadas com a Hotaru no colo, e me fechei no quarto. Acho que, no fundo, estava com medo de que ela tomasse minha filha de mim também, embora isso fosse completamente impossível.

Me joguei na cama, deixando a menina brincar no chão. Mordi o travesseiro, quando Hotaru apareceu do meu lado.

— Manheee, cadê a loupinha da muler malavila? Hotalu vai se tlansfolma na mule malavila pla bate em quem fez mamãe chola!

Por que ela disse isso, se eu ainda não estava chorando? Me virei de costas para ela, encarando a parede do quarto. Aquilo não era um bom sinal.

— Cadê a loupinha? A loupinhaa! — ela insistiu, me balançando.

— EU NÃO SEI ONDE ESTÁ ESSA MERDA! — acabei me exaltando, e berrando com a criança que não tinha culpa de nada. E, sim, me senti horrível por ter feito isso. E o que era pior, era me dar conta de que eu estava fazendo exatamente a mesma coisa que o emo um dia fez.

É claro que ela começou a chorar, e aquilo me encheu os nervos ainda mais, por que eu não estava com paciência para nada daquilo. Mas, então, para me aborrecer ainda mais, alguém bateu na porta.

Às pressas, pulei da cama e a abri. E Hotaru, é claro, foi correndo para os braços do Naruto.

— Sáh, você está bem? — ele me perguntou, pegando a menina no colo.

— Sim, estou ótima, maravilhosa, não está vendo? Estou pulando nas nuvens, mergulhando num mar de rosas! Estou quase peidando arco-íris!

Então, saí correndo, descendo as escadas, passando por alguns deles na sala, e fui até a rua. Dei uma volta no quarteirão, e quando voltei ainda estava de cabeça cheia. Tão cheia que ignorei o fato do Neji estar na calçada, me esperando de braços cruzados. Entrei sem mal olhar para ele mesmo.

Achei que umas horas de sono fossem bastar para me aquietar, que no dia seguinte estaria tudo bem outra vez, sabe? “Dia novo, tudo novo”. Mas o problema persistiu até às oito horas da manhã seguinte, pois eu rolava de um lado para o outro na cama, feito linguiça no espeto, sem conseguir pregar os malditos olhos. Só quando o sol bateu na janela, foi que o cansaço me nocauteou. Mas o pior não foi isso. Foi essa maré baixa que não ia embora, e durou mais alguns dias. Fechei-me no quarto, me recusando a falar com qualquer um deles. Só descia para saciar as necessidades, e quando passava por eles, mal os olhava.

Acho que duas semanas se passaram assim. Itachi teve que cancelar alguns shows pequenos que tínhamos na agenda, e os meninos ainda foram dar uma entrevista para uma emissora pequena, sem mim. Sem o show, que era nossa maior fonte de renda, e eles gastando com gasolina para passear para lá e para cá, tivemos que fazer as contas do que tínhamos no banco. Para isso, o Itachi foi até nossa agência, e voltou com os números. Parecia que estava tudo em ordem. E ainda tínhamos de sobra para uma pequena viagem até a cidade vizinha para mais uma seção de fotos para uma revista feminina, em que os meninos foram chamados.

Eles foram, e eu fiquei.

Fiquei bem mal, porque era até bonitinho como eles tentavam me dar espaço e respeitar o meu silêncio, mesmo ferrando tudo.

O Itachi tentou conversar comigo, para entender o que estava acontecendo, mas como eu poderia explicar algo que nem eu entendia?

Pedi para Ino levar a Hotaru de volta para os pais dela. Essa casa não anda com um clima bom para crianças... — ele murmurou, de trás da porta.

— Uhum.

— Acho que você deveria começar a pensar num desculpa para nos dar.

— Uhum.

— Não é bom ficar tanto tempo trancada aí...

— Uhum.

— Se você quiser um ombro amigo, sabe que pode contar comigo, não é?

— Uhum.

— Se quiser sexo, também.

— Uuuuhuuuuuummmm. — claro, claro... Tsc.

Notas finais
Algum comentário? Pedras? Abacaxis? Ovos? Tomates? Mas antes, deixem-me explicar! A ideia de o Sasuke sair da banda é antiga. Pouco antes de entrar em hiatus, eu havia pesquisado algumas biografias de bandas de rock, e me dei conta de que em maioria dos casos, havia pelo menos um membro que saia da banda, ou alguém que saia em carreira solo. Como a carreira solo não faz o feitio de nenhum deles, resolvi que tiraria um deles. E o Sasuke me pareceu o mais propenso a isso. Acho que faz mais o feitio dele querer trocar de banda. Mas, não se preocupem, ele voltará! xD E para compensá-los, já vou postando o capítulo seguinte, já que as novas regras do nyah não permitem mais capítulos tão longos quanto os anteriores (quando entrei em hiatus, não havia essa regra ainda). PS: aos poucos vou respondendo aos reviews pendentes e, se tudo der certo, até o fim de semana terei todos respondidos! T_T