In my place
9 Yeah, how long must you wait for it? 2
E o final do ano estava chegando. Já havia sido combinado que Karl passaria o natal com Maria e a família de Natasha em Nova Iorque. Haviam combinado de juntar todas as famílias em uma única comemoração, por isso, Karl viaja para os Estados Unidos com uma semana de antecedência e aluga um salão, contrata um serviço de buffet e uma banda para tocar ao vivo. Até então a família de Howard e nem o próprio Howard o conhecia. Até o final de semana anterior ao natal, quanto Karl resolve ir com Maria conhecer os pais de Howard.
Quando Howard abre a porta depara-se com um curioso homem além de Maria. Ele era mais alto que Maria, muito mais alto. Quase da altura da porta de Howard. Cabelos tão loiros quanto os dessa, só que longos e presos num rabo de cabelo baixo, olhos de um azul claríssimo, traços finos e aristocráticos e sobrancelhas mais espessas que as de Maria. Usava calça jeans, uma camisa branca e uma xadrez vermelha aberta por cima, assim como um cordão dourado fino com um lobo na ponta.
— Priviet, Howard! Ia otets Marii! (Olá, Howard! Eu sou o pai da Maria!) — fala Karl, pai da loira
— Papá, on ne gorovit po-russki! (Papai, ele não fala russo!) — fala Maria
— Verdade! Olá, Howard! Eu sou o pai da Maria. — fala o loiro sorridente
— Prazer conhecê-lo, senhor Deriglasov. — fala Howard pálido com o repentino aparecimento de Karl
— Que senhor, menino! Senhor tá no céu... Ainda não sei como ele se segura lá, mas... ignora. Pode me chamar de Karl. — fala o loiro
— Claro... senhor... digo, Karl. — fala Howard nervoso
— Minia papá quer ele mesmo convidar sua família, How. — fala Maria
— Faço questão. — fala Karl
— Claro! Entrem! — fala Howard
Karl faz um sinal de primeiro as damas para Maria entrar e entra em seguida. O loiro dá uma abaixadinha para passar pela porta e entra com um sorriso animado no rosto. Maria usava um vestido preto de manga comprida e de comprimento até os joelhos, assim como um casaqueto curto por cima e botas curtas com uma meia preta fina.
— Olá... Quem é ele, Howard? — pergunta Kelly entrando na sala estranhando o homem
— Esse é Karl, pai da Maria. Karl, ela é Kelly, minha mãe. — fala Howard
— Não sente frio? — pergunta a mulher olhando pela janela e vendo neve do lado de fora
— Somos siberianos. O inverno lá na nossa cidade é de -40ºC. O daqui tiramos de letra. — fala Karl
E suas voz era bastante grave.
— Pai da Maria? — pergunta Edward entrando na sala
— Sim. Sou karl. — fala Karl sorrindo
— Maria, sua família come fermento nas 3 refeições, querida? — pergunta Edward brincando
— Nas seis. — fala Maria respondendo à brincadeira
— Pensem pelo lado positivo, se eu precisar trocar uma lâmpada, é só esticar o braço. — fala Karl
E os risos tomam conta da sala.
— Bem, eu vim convidá-los pessoalmente para comemorarem o natal junto da minha família. Vamos reunir 4 famílias no total: a minha, a da Natasha, do Steve e a de vocês. No caso, é uma ceia simples... tem aquelas comidinhas típicas de natal, que eu ainda não sei exatamente quais são, mas minha irmã ficou de me passar os nomes hoje. — fala Karl
— Maria falou que não são cristãos. — fala Kelly
— Mas comemoram o natal? — pergunta Howard
— Primeira vez esse ano. Eu queria aproveitar esses dias que Maria está de folga para passar um tempo com ela. Aí achei que seria uma oportunidade para aproximarmos as famílias, visto que os pombinhos já pensam em juntar os panos de bunda assim que ingressarem na faculdade. — fala Howard
— Juntas os panos de bunda? — pergunta Kelly sem graça
— Casar. Papá, nós pensamos em dividir um quarto, não necessariamente casar. Eu e Howard ainda não falamos em casamento. — fala Maria
— Às vezes essa modernidade me assusta. — fala Karl fitando um e outro
— Mas podemos casar... se Maria quiser. — fala Howard fitando Karl
Karl volta sua atenção para Maria.
— Não vai intimidá-lo. — fala Maria
— Não estou intimidando, estou? — pergunta Karl com um sorriso meigo no rosto
Faz um sinal de tesoura discreto para Howard que só ele viu.
— Não, não estou minimamente intimidado. — fala Howard
— Então porque está pálido e tentando proteger o Júnior com as mãos? — pergunta Maria
— Preciso ir no banheiro. — fala Howard
— Karl, eu espero de coração que não tenha ameaçado capar meu namorado. — fala Maria
— Só uso de bons argumentos, Maria. Ele te ama! Você o ama! Passa uma hora por dia falando dele pra mim no telefone. Já sei até em que tom ele ronca. — fala Karl
— Ronca? Howard, como ele sabe que você ressona enquanto dorme? — pergunta Kelly
— Não tá meio na cara? — pergunta Edward
— Combinado! Natal todo mundo junto, afinal é uma questão de tempo até Howard mostrar todo o seu amor a Maria. Em um altar. — fala Edward
— Não os conheço direito, mas já os considero pra caramba. — fala Karl
Karl senta-se no sofá. Maria estava pasma. Seus sogros apoiaram Karl. Howard estava pálido como uma folha de sulfite. A loira vai até ele.
— Relaxa, ele rosna, mas não morde. — murmura Maria
— Eu ouvi, Maria. Eu não mordo, eu dou o bote. — fala Karl
Maria o fuzila com os olhos.
— Relaxa, menino! Eu só prezo pela felicidade da minha filha. Afinal, ela é a família que tenho. A gente troca umas farpas, mas essa pirulitona sabe que a amo demais, mais que tudo nessa vida. Mais que minha própria vida. — fala Karl
— Também te amo, papá. — fala Maria
— Aceita um suco, uma água? — pergunta Kelly
— Tem vodka? — pergunta Karl
— Não... não bebemos. — fala Kelly
— Pode ser a água. — fala Karl
Maria senta-se perto de Karl e Howard senta do outro lado da namorada, ainda fitando karl com um pouco de receio. Kelly volta com um copo de água para Karl.
— Maria, minha querida, esqueci de pergunta pra você. — fala Kelly
— Não tem problema, senhora Stark. Depois eu pego um copo. — fala Maria
— Maria nos contou que é deputado na Rússia... E vai apoiar tua filha casando com meu filho, vendo que somos pobres? — pergunta Edward
— Sabe, senhor Stark... — começa a falar Karl
— Edward. — corrige o pai de Howard
— Edward, existem alguns valores que gosto de passar pra minha filha. Valores que envolvem caráter, dignidade, honestidade... são valores que me foram passados pelo meu pai, pela minha mãe, pelos meus avós. Não nego que somos uma família de relativas posses. Já fomos de mais posses. Antes da ascenção do comunismo na Rússia, éramos nobres. Mas meu avô discordava da política de Nicolai II e portanto foi meio que perseguido. Com a revolução, todas as nossas propriedades foram confiscadas pelo estado. O que sobrou de dinheiro foi porque meu avô enviou para a Suíça. E o governo russo nos devolveu recentemente parte dessas propriedade porque sou amigo íntimo de Kruschev. Na guerra, que eu lutei, eu presenciei coisas que ninguém deveria ter de passar. E isso movido por ganância, por sede de poder... e dinheiro gera sede de poder. Não quero que minha filha cresça, não que ela vá crescer mais, com valores que coloquem dinheiro acima de pessoas. Quero que ela conheça o valor da amizade, do amor, do companheirismo, de sonhos e de... momentos incríveis com pessoas que ela ama por perto. O dinheiro é só um meio de conseguir algumas coisas, mas não todas. — fala Karl
Edward e Kelly ficavam silenciosos por alguns momentos.
— Moramos num apartamento menor do que a casa de vocês em Moscovo. Papá é quem cuidava de tudo. Ele me ensinou a cozinhar, a atirar, a pescar no rio Lena. — fala Maria
— Mas sempre devolvíamos os peixes e usávamos isca artificial. — fala Karl
— Mas usava iscas naturais com a Nina. E assavam os peixes. — fala Maria
— Porque a Nina e você eram diferentes. Você tinha pena das minhocas, dos peixes... A Nina ansiava o momento de comer peixe assado com salada de batatas. Eu devolvia os peixes porque você precisava que eles fossem devolvidos. — fala Karl
— Quem é Nina? — pergunta Edward
— Minha outra filha. — fala Karl
— Nunca nos contou dela, Maria. — fala Kelly
— Dói falar. — fala Maria
— Nina morreu e é uma morte recente. — fala Karl e seu semblante estava pesado
— Sinto muito. — fala Kelly
— Meus pêsames. — fala Edward
— Maria tinha comentado comigo a respeito, mas ela fica muito mal quando fala nisso então preferi não insistir. Sinto muito pela perda de vocês. — fala Howard
— Senhor Derigla... Karl, posso te ajudar a preparar a ceia se precisar. — fala Kelly
— Vai ser bom. Quero uma noite perfeita para todos. — fala Karl tentando se animar de novo
Howard abraça Maria e sussurra algo em seu ouvido.
— Também te amo. — fala Maria baixo
Assim, continuam a combinar o que seria a comida de Natal, com Karl montando também um cardápio vegetariano para ele e Maria.
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