In my place

12 Tired and under prepared


Howard estava preocupado. Por um lado, amava Maria, por outro, não se sentia preparado para casar ainda. Sabia que era com ela que ele queria passar o resto de seus dias, mas sentia-se muito novo para se casar. E como sustentaria uma casa? Estavam indo para a faculdade, casados e o pai da Maria os bancaria? Sentia-se envergonhado por isso.

Estava sentado na varanda de casa quando sua mãe senta-se ao seu lado.

— O que houve que você e Maria não marcaram de se encontrar esse sábado? — pergunta Kelly

— Nada... Eu só não queria encontrar Karl. — fala Howard

— Ele não vinha só para o Natal? Isso foi há dois dias. — fala Kelly

— Parece que ele vai embora dois dias após o aniversário de Maria. — fala Howard

— E quando ela faz aniversário? — pergunta Kelly

— Seis de janeiro. — fala Howard

— É, ainda faltam alguns dias. Por que não quer ver Karl? — pergunta Kelly

— Ele tá pressionando a mim e Maria para casarmos... Não sei se estou pronto para casar. — fala Howard

— Casamento não é algo ruim. — fala Kelly

— E como eu sustentarei eu e Maria? — pergunta Howard

— Maria não me parece ser o tipo de garota que quer ser sustentada. — fala Kelly

— Ela também está em dúvida. Conversamos sobre isso durante o almoço ontem. A mãe da Natasha tá em pé de guerra com Karl para ele parar de fazer chantagem com Maria para ela casar. — fala Howard

— Ela também acha que ão vai dar conta de trabalhar e estudar, certo? — pergunta Kelly

— Exatamente. — fala Howard

— Não acho justo cobrarem isso de vocês. Você terá 18 anos, ela terá 16. São muito novos. E estão começando a vida ainda. Howard, ainda dá para voltar atrás. Adoro a Maria, para mim é a filha que eu não tive. Não é contra ela, mas contra a ideia de se casarem tão novos. — fala Kelly

— Me sinto novo demais e não sou financeiramente independente. Não quero ser sustentado por Karl. Penso em ir no cartório com Maria e desmarcar o casamento. Tem tanta coisa que ainda temos que viver... — fala Howard

— Façam isso então. E sigam com o planejado que era de montar a República. — fala Kelly

— Estávamos conversando sobre irmos para moradia estudantil mesmo. — fala Howard

— Por que isso? — pergunta Kelly curiosa

— Para mantermos nossa individualidade. E vai ficar mais em conta pra mim e pra ela. — fala Howard

— Mas a família dela tem dinheiro. — fala Kelly

— Ela não quer ir dependendo do pai. — fala Howard

— Foi o que imaginei. — fala Kelly pensativa

— Por que? — pergunta Howard

— Porque ela já trabalha. Guarda dinheiro... Tenta ser independente. — fala Kelly

— Verdade. Ela não é como as outras meninas. — fala Howard

— Venha, me ajude a fazer o almoço. — fala Kelly erguendo-se da cadeira e entrando em casa

Howard entra logo depois. Kelly pega algumas batatas e o pede para descascar.

— E Maria ia fazer o que hoje? — pergunta Kelly

— Teste para uma bolsa. — fala Howard

— Ela não devia evitar esforço por causa da fratura? — pergunta Kelly

— O tempo de evitar o repouso acabou tem 3 dias. — fala Howard

— Ginástica Rítmica, certo? — pergunta Kelly

— As cinco modalidades em um dia. Teste puxado. — fala Howard

Enquanto isso, no ginásio da Universidade de Buffalo, Maria alongava o corpo cuidadosamente. Iria começar a apresentação pela fita e terminaria com a corda. Quando a equipe de avaliação dá o sinal, a jovem começa a sua movimentação, sua coreografia com movimentos suaves e elegantes. A flexibilidade era tamanhã que chegava a parecer que a jovem não tinha ossos. Da fita, passava para a bola. Dessa para o arco. Do arco para a maça finalizando com uma excelente apresentação com a corda. Um dos avaliadores aplaude, o restante apenas fazia anotações. Uma manhã e parte da tarde inteira de avaliação. A loira já estava faminta quando a liberam prometendo que entrariam em contato caso fosse aprovada para ganhar uma bolsa. Ela sai do campus da universidade e direciona-se até a rodoviária, onde pega um ônibus de volta para sua cidade Natal. Estava com uma autorização judicial dada por Karl que a permitia viajar sozinha. Várias horas de viagem no ônibus, quando chega em casa já estava de noite e ela estava exausta e faminta. Karl a esperava para conversarem.

— Papá, estou completamente em frangalhos. Me deixe descansar e amanhã conversamos. — fala Maria

— Desculpe por ter pressionado você e Howard para se casarem. Conversei com a Alex, ela me abriu os olhos. Eu deveria confiar mais na educação que te dei ao invés de tentar terceirizar a responsabilidade por você. Howard também é um menino... — fala Karl

— Nem Howard e nem ninguém mais velho. Papá, eu sei cuidar de mim mesma. — fala Maria

— Tenho tanto medo de você ficar sozinha. — fala Karl

— Eu tenho tia Alex, Natasha... E seu sei me cuidar. — fala Maria

— Tenho orgulho da menina forte que você se tornou. — fala Karl

Maria aproxima-se do pai, que estava sentado no sofá da sala, e dá um abraço nele.

— Amo você, minha menina brava. — fala Karl

— Também amo você, papá. — fala Maria

Ficam abraçados por alguns instantes até que Maria adormece de cansaço no ombro de Karl. O loiro levanta-se com a filha no colo e a leva para a cama dela, colocando-a para dormir. Dá um beijo na testa de Maria e sai do quarto dela, apagando a luz ao sair.

— Durma bem, meu anjo! — fala Karl

Sai do quarto e volta pra sala para ler um livro até sentir sono.