In my place

13 But I waited for it


Alexandra acordava cedo para ir para o trabalho. Como sempre, ao acordar, depara-se com Maria recém saída do banho, sentada na mesa da cozinha tomando seu café da manhã: uma salada de frutas com aveia e um copo de leite de soja adoçado, assim como uma xícara de chá. Em pleno janeiro, com o inverno mais rigoroso, Maria usava uma mini saia no meio da coxa junto de um casaco. Ambos pareciam ser conjunto pois tinham fundo preto com uma estampa abstrata que lembravam pétalas de flores em verde, vermelho e amarelo.

— Tem certeza que não sentirá frio? — pergunta Alexandra

Maria confirma com a cabeça. Estava de boca cheia.

— Sabe por que Karl te enviou aqui, certo? — pergunta Alexandra, ou Alex, mãe de Natasha

Maria pousa calmamente sua colher sobre a mesa.

— Para que não ocorra comigo o mesmo que aconteceu com a Nina. — fala Maria

— Existe uma outra opção, sabia? — pergunta Alex

— E qual seria? — pergunta Maria

— KGB. — fala Alex

— Não quero trabalhar com espionagem, quero fazer casas, mobiliar, decorar... Não quero matar pessoas. E principalmente, não quero matar pessoas por divergências ideológicas. — fala Maria

E continua a comer seu café da manhã tranquila. O leite de soja era adoçado com açúcar mesmo e estava docinho do jeito que a loira gostava.

— Pense bem, aprenderia a se defender. Ou vai depender de Howard para te proteger? — fala Alex

— Eu sei me defender. E não vai conseguir me recrutar. — fala Maria

— Como soube defender a Ana? — fala Alex

A expressão de Maria, que até então era calma e controlada, torna-se fria e a loira fuzila a tia com os olhos.

— Acho que entendo porque Karl disse que temia seus olhos. Eles realmente metem medo quando você quer. — fala Alex engolindo em seco

Mas Maria não responde. Apenas vira o rosto e continua a comer mais rapidamente. Queria sair logo dali antes de sair nas respostas tortas pra cima da tia.

No fundo, por dentro, estava dilacerada. Lembrar da morte da irmã gêmea já era doloroso, ter essa morte jogada em suas costas doía mais ainda. Em especial porque uma vozinha em sua cabeça já a acusava de ter fracassado em proteger a gêmea. Alexandra se aproxima, sabia que a reação de Maria era de proteção.

— Mas ainda tá comendo? — pergunta Natasha se aproximando

— Quase acabando. — fala Maria ignorando a presença da tia

Ela termina de beber rapidamente o leite de soja e coloca as vasilhas na pia. Lava o que havia sujado rapidamente e sai com Natasha. Estava mais silenciosa do que de costume e isso despertou a curiosidade na ruiva.

— O que houve, Maria? — pergunta Natasha preocupada

— Nada... — responda Maria, mas mentia tão mal que não covende Natasha

— Eu sei que aconteceu algo. Me conte o que foi. — fala Natasha

— Detesto que me lembrem que eu fracassei com ela. — fala Maria

— Fracassou com quem? — pergunta Natasha

— Com Nina. — fala Maria e a voz estava levemente embragada

— Fracassou como? — perguntava Natasha e então entendeu, antes mesmo de Maria responder — Não tinha como protegê-la. Você é uma menina ainda, mal completou 16 anos. Seria impossível proteger Nina. Tio Karl teria perdido duas filhas.

Maria olhava incrédula para Natasha.

— Sempre protegi a Nina. — fala Maria

Natasha segura-a pelo braço. Estavam na porta da escola.

— Uma coisa é protegê-la contra outros adolescente, outra completamente diferente é achar que poderia protegê-la contra extremistas. Eles eram terroristas, era gente ruim e profissional. Não poderia fazer nada contra eles. — fala Natasha

Maria apenas a ouvia e percebia a sinceridade nos olhos de Natasha, uqe os desvia rapidamente e põe um sorriso ameno no rosto.

— Steve! Como foi o final de semana? — pergunta Natasha mudando de assunto

— Aconteceu alguma coisa, gente? O que terroristas tem a ver com a Nina? — pergunta Steve

— Pode contar pra ele. Eu não vou conseguir. Ainda dói demais. — fala Maria

A loira cumprimenta Steve com um aceno de cabeça e entra na escola. Seria um longo dia de aula após Alexandra tocar numa ferida tão mal cicatrizada. Steve e Natasha entram em seguida.

— Te explico fora daqui, não quero que ninguém escute. Podem usar isso para piorar o bullyng contra a Maria. — fala Natasha

Steve concorda com a cabeça. Já sabia de antemão que o passado de Maria tinha algumas passagens muito dolorosas, como a que envolvia a morte de Ana Karenina, a Nina, irmã gêmea de Maria. Nem ela e nem Karl falavam uma palavra a respeito de tanto que eles ainda sentiam a perda de Ana.

Steve acha por bem avisar Howard do ocorrido e o chama assim que o vê em sala de aula. Maria não tinha ido direto para a sala, havia parado no armário para guardar parte do material que usaria na aula de pintura na parte da tarde. Steve avisa Howard rapidamente e o pouco que Natasha havia falado para ele, deixando o moreno ao mesmo tempo confuso e preocupado. Assim que Maria entra na sala, Howard entende o ocorrido, embora não o soubesse em detalhes. Mesmo se sentindo melhor após o que Natasha havia falado para ela, Maria ainda estava mal pela conversa com a tia, por isso, resolve ficar mais quieta, refletindo a respeito do que Alex havia falado e magoada com a tia pela conversa acusatória da manhã. Alexandra estava pegando cada vez mais pesado com Maria no intuito de convencê-la a aceitar ser recrutada pela KGB. Mas Maria estava determinada a não ceder e continuaria batendo de frente quantas vezes fossem necessárias.