In my place
3 I was lost, oh yeah
Ele chega em casa a tempo do jantar. Havia saído da aula às 14 naquele dia e dado aula particular para 3 pessoas até quase 8 horas da noite. Estava exausto. Ainda era o primeiro dia de aulas e ele já estava com a agenda lotada de compromissos com as aulas particulares. Sua mãe já havia voltado da fábrica há algum tempo e seu pai já devia estar fechando o mercado onde trabalhava. Assim, Howard esperava ela terminar o jantar enquanto estudava sentado na mesa da cozinha.
— E como foi o primeiro dia de aula? Fico feliz de ver que já tem tantos alunos logo no começo do ano letivo. — fala a mãe dele
Sabia que Howard se esforçava tanto para poder ter dinheiro para a faculdade. Ele pensava em tentar engenharia em outras faculdades fora da cidade e precisaria de dinheiro para isso, coisa que seus pais não poderiam fornecer.
Howard dava aulas particulares desde que havia começado o colegial e tinha um grupo seleto de alunos desde o primeiro ano. Havia começado a explicar a matéria para Steve, que logo o recomendou para o restante do time de futebol americano. Dava aulas de física, química e matemática. Ela sentia orgulho do esforço que seu filho fazia, embora achasse que não era justo. Howard tinha que se esforçar muito mais do que a maioria dos amigos porque era de origem pobre e sabia que antes dele começar a andar com Steve, sofria bullyng na escola por isso. Ele nunca havia apresentado uma namorada... nunca havia falado de alguma menina.
— Eu conversei com ela hoje. — fala Howard
— Ela? Uma garota? — pergunta a mãe dele
— Sim... a russa. Ela é da minha sala. — fala Howard
E a mãe dele percebe como ele estava ansioso e receoso em falar sobre isso. Ok, ela não morria de amores pela garota, mas a conversa com Howard mais cedo a fez se questionar se não estava sendo preconceituosa em julgar a garota sem ao menos conhecê-la.
— E qual o nome dela? — pergunta a mãe dele
— Maria. Ela é... muito bonita. — fala Howard
A mãe dele dá um sorriso e senta-se diante dele.
— E como ela é? — pergunta curiosa
— Grande... maior que Steve. Loira... o cabelo é bem liso. Ela é bem magra, tem muitas sardas e também manda bem nas matérias que eu gosto. Mas ela parece não querer tentar nada relacionado a ciências ou engenharia pra faculdade. As matérias opcionais dela tem relação com artes... talvez design. — fala Howard
— As escolas russas são muito exigentes. Eu ouvi falar, não sei se é verdade, que eles ensinam até evacuação às meninas... como usar equipamento de proteção a gás... essas coisas. — fala a mãe dele
— Como soube disso? — pergunta Howard
— Eu perguntei para a mãe da Natasha. Nos encontramos no mercado hoje e achei que seria uma boa ideia perguntar algo sobre antes de ter uma opnião mesmo a respeito dessa moça. Mas a Natasha e a mãe dela são de estatura mediana para baixa. Se ela é maior que Steve, tem quanto de altura? — pergunta a mãe dele
— É pouca coisa maior, deve ser 1 cm ou 2 no máximo. Mas... não sei se é recíproco. Como faço para... que ela olhe pra mim e vá preferir a mim a um dos... bonitões populares do colégio? Todas as meninas que se aproximam de mim é por interesse neles. — fala Howard
— Essa pode ser diferente. — fala a mãe dele
— Ela aceitou estudar comigo no sábado. — fala Howard
— Vou tentar conversar com ela e ver no que posso te ajudar. — fala a mãe dele
Howard sorri, mas havia um pouco de insegurança em seu sorriso.
— Meu anjo, vai dar tudo certo. Você é um garoto inteligente... e muito bonito. É só uma questão de tempo até uma garota enxergar isso. Quem sabe não é essa? — fala a mãe dele
— É a primeira vez que me interesso mesmo por uma garota e tenho medo de me machucar. — fala Howard
— Meu querido, se machucar faz parte. Não pode deixar o medo te impedir de viver. — fala a mãe dele
Howard concorda com a cabeça e volta pra lição do dia de química. Depois do jantar iria terminar as tarefas daquele dia. Nunca deixava acumular nada e não começaria no último ano do colegial. Mal sabia ele que do mesmo jeito que ele estava com Maria em seus pensamentos, ele também estava nos pensamentos dela.
A loira chegava em casa a tempo de jantar. Mas ao contrário de Howard, jantava cedo, umas 19 horas. E, assim que termina de comer, encaminha-se para seu quarto no sótão, para fazer as tarefas de casa. Além das tarefas da manhã precisava preparar duas telas para a semana seguinte. Senta-se para começar as de física e fica a pensar em Howard. Natasha falou que ele ficara encarando ela durante a aula, disse secando, então havia interesse nos olhos dele... mas isso não era algo comum de acontecer. Maria não era o tipo de garota que os meninos corriam atrás... talvez porque fosse muito alta, talvez porque fosse mais nova do que eles... ou porque batia neles. Estava acostumada a descer o braço nos meninos porque implicavam com ela por causa da altura e não era raro mandar algum pra enfermaria com um nariz quebrado, um braço torcido ou uma pequena coleção de hematomas.
Mas Howard parecia diferente... Ele parecia ter gostado dela. Talvez tenha ficado realmente interessado. A mão esquerda dele ficou boa parte da aula de física bem próxima a dela. E ela tinha vontade de pegar na mão dele a aula toda. Por vários minutos, tenta se focar na tarefa e só consegue após muito esforço. Assim que terminava física, pegava química e biologia. Literatura era a leitura de um livro para a semana seguinte então o leria na cama.
Assim que termina as tarefas da manhã, pega as duas telas e começa a prepará-las passando a base acrílica para melhor fixação da tinta. Como ela há tinha uma experiência prévia com tinta a óleo, havia executado os exercícios para treinar amão em uma aula e a docente resolveu adiantá-la em relação ao resto da turma. Quando termina as telas, troca de roupa e vai deitar em sua cama com o livro "Romeu e Julieta" em mãos. Começa a ler, mas seus pensamentos voam novamente para o jovem Howard Stark e o máximo que conseguia fazer era fitar as palavras enquanto se lembrava do colega de sala, tão bonito, inteligente e charmoso.
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