In my place
4 I was lost, I was lost
A semana se arrastava e ele cada dia mais gostava dela. E ela dele. Naquela quinta feira decidiram escapar de Natasha e almoçarem juntos. Para isso, Howard convenceu Steve a puxar Natasha para o almoço assim que terminasse a aula e ele o fez. Maria pagou os dois dólares e Howard só entregou um ticket no caixa. Ela não comentou nada... Quando iam se servir, a loira fita-o.
— O que aqui leva leite? — pergunta Maria
— Só o leite. Do cardápio de hoje só o leite. Não toma leite? — pergunta Howard
— Sou alérgica a proteína do leite de vaca. — fala Maria
— O purê de batata não leva leite. E nem manteiga. — fala a moça do bandejão
Maria sorri animada.
— Tem opção suco no lugar de leite. — fala a moça
Maria agradece animada e pega uma caixinha de suco no final da fila do bandejão. Sentam-se um do lado do outro.
— Não como frango, posso passar pra ti? Eu sempre passo pra Natasha. — fala Maria
— Claro! Por que não come frango? — fala Howard sorridente
— Pena do bicho. — fala Maria
— Isso é diferente... — fala Howard
A jovem solta um sorriso meio tímido.
— Ah, eu trouxe algo para ti. Mas queria entregar só depois das nossas aulas em comum. — fala a loira abrindo a bolsa e retirando uma caixinha de dentro.
Era uma pequena caixa dourada com um laço de fita em volta, vermelho. Entrega para Howard.
— Um presente? — pergunta o rapaz abrindo curioso
— Não chega a ser um presente. Eu que faço e vendo no mercado dos meus tios. São trufas de framboesa. — fala Maria
— Por que vende elas? — pergunta Howard
— Pra guardar dinheiro para a faculdade. Quero ter uma reserva para não depender tanto do dinheiro que minia papá envia de Moscovo. O que ele envia dá para a anuidade e sobraria pouco. — fala a loira
— Fazer faculdade é caro... Como é o sistema de anuidade lá na Rússia? — pergunta Howard curioso
— Não tem anuidade. Os cursos são cobrados por semestre, mas é valor simbólico, mais para a manutenção do campus mesmo. Antes de vir para cá eu pensava em ir para a Estatal de Stalingrado. — fala Maria
— Você quer dizer tentar ser aceita no processo de seleção, certo? — pergunta Howard
— Não tem processo de seleção. Basta concluir o colegial e querer fazer o curso. Educação é direito, não privilégio. — fala Maria
— É muito diferente daqui pra lá. E tem vaga para todo mundo? Não iria todo mundo querer fazer faculdade para "ser alguém". — fala Howard
— Mas para ser alguém basta ter nascido. E o fato de alguém fazer curso superior não o torna melhor do que alguém que não fez. Todas as profissões são igualmente necessárias. — fala Maria
— Mas algumas mais do que outras. Por exemplo, um médico é, em teoria, mais importante que um gari, certo? — fala Howard
— Não é. Sem o gari seria inviável termos cidades. Se transformariam num lixão em céu aberto rapidamente. E seria muito difícil conter as epidemais que se originariam disso, mesmo com os melhores médicos. — fala Maria
— É um pensamento novo por aqui. — fala Howard
— Educação Marxista. — fala Maria
— Então você é comunista? — pergunta Howard
— Não... Só acho que todas as profissões merecem igual respeito porque todas são necessárias. — fala Maria
Howard dá um sorriso pra ela, que retribui. Seus olhares se cruzam por alguns segundos e ficam se encarando, um viajando nos olhos do outro, observando cada detalhe do rosto um do outro.
— Beija ela logo, Stark! — fala alguém e quebra por completo o clima, deixando Howard e Maria completamente sem graça
Ambos voltam a fitar o próprio prato e escuta-se um barulho de tapa. Era Steve que havia dado um tapa na nuca do capitão do time de natação.
— Bem... Sábado está de pé, certo? — fala Howard terminando o almoço e já se preparando para comer uma trufa
O moreno gostava de doces em especial os que levavam chocolate.
— Claro que tá! Você já me passou seu endereço. Vou almoçar na casa da minha tia mesmo e vou pra lá. Devo chegar por volta das 14 horas. — fala Maria
— 14 horas? — pergunta Howard
Ao contrário da Rússia, nos EUA não usavam o sistema de 24 horas, mas sim 12 a.m. e 12 p.m.
— Duas da tarde. — fala Maria
— Ah, tá! Sim, duas da tarde está ótimo. — fala Howard
Maria pega a pêra com a mão esquerda e dá uma mordida generosa. Fecha os olhos e solta um sorriso enquanto mastigava.
— Fruta é a melhor coisa que existe no mundo. — fala Maria
— Pode ficar com minha pêra. Fica em troca do frango que você me deu. — fala Howard dando a fruta dele para ela.
A loira sorri animada e pega a fruta dele. Howard pega uma das trufas e come.
— É uma delícia! Nossa, perfeita. Casa comigo? — pergunta Howard rindo
— Caso. — responde Maria rindo
Mas no fundo aquele caso da Maria havia aquecido o coração do moreno. Enquanto ele comia as trufas e Maria as pêras suas mãos estavam postas lado a lado. Discretamente, Maria aproxima mais a mão dela da dele, mas para assim que ele a olha, disfarçando como se estivesse distraída com a fruta. Howard aproxima a mão esquerda dele da mão direita dela, mas fica pensando... seria muito estranho ele pegar na mão dela? As costas da mão dele já roçavam nas costas da mão dela quando, tomado de coragem, ele pega na mão dela e ela segura a mão dele de volta. Maria fita Howard de canto de olho e dá um sorriso a ele e um beijo delicado em sua bochecha. O moreno dá um beijo nas costas da mão dela. Será que ela gostava dele? Será que ele gostava dela? Dúvidas e mais dúvidas nos coraçõezinhos recém apaixonados.
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