In my place
5 Crossed lines I shouldn't have crossed
O final de semana finalmente chega e Howard esperava ansioso pela chegada de Maria em sua casa. Finalmente iria vê-la fora do ambiente estudantil. O rapaz esperava-a no portão de casa e seu pai resolve conversar com a mãe dele sobre isso.
— Não acha que essa menina pode ser uma má influência para Howard? E se ela for comunista? — pergunta o pai dele
— Acha mesmo que alguém influência Howard? — pergunta a mãe dele
— Acho que ele tá apaixonado. Tenho medo que se machuque. — fala o pai
— Vamos conhecê-la hoje. Além do mais, eles nem estão namorando! O máximo que ocorreu foi ficarem de mãos dadas durante algumas aulas. E um beijo no rosto. — fala a mãe dele
Nessa hora, Howard entra na cozinha de mãos dadas com uma menina loira bem alta, sardenta, de cabelos longos e muito lisos, vestido preto na altura dos joelhos e sapatilhas, olhos azuis tímidos e um sorriso no rosto. Havia insegurança nela. Era Maria.
— Pai, mãe, essa é Maria. Maria, essa é Kelly, minha mãe. E Edward, meu pai. — fala Howard apresentando eles.
— Tem certeza que ela é colega de Howard? Quantos anos tem, menina? — pergunta Edward fitando-a desconfiado
— Quinze. Minia papá também é grandão, puxei ele. — fala Maria como uma brincadeira
— Quinze? É uma menina ainda. — murmura Kelly
— Vocês vão estudar química, certo? Bem, a mesa é toda de vocês. Tem salada de frutas na geladeira e suco de laranja. Howard contou que é alérgica a leite... Então Kelly providenciou um bolo que não leva. Fique à vontade, querida. E juízo, crianças. — fala Edward
Ele e Kelly saem da cozinha. Howard dá a mão a Maria e sentam-se na mesa. Abrem o material e começam a discutir a matéria. Maria havia buscado alguns resumos de um livro da biblioteca e havia levado o livro para a casa de Howard. Ela mostrava a ele as passagens que considerava interessantes. O moreno aproxima mais a cadeira dele da dela, passa o braço pelo encosto da cadeira de Maria e aproxima o rosto do livro. Aponta um outro trecho também interessante comentando porque achou aquele trecho pertinente. E só no momento em que ele encerra, percebem que o braço dela estava encostado no peito dele e que por mais um banco e Howard estaria abraçado a Maria. Assim como percebem que seus rostos estavam a menos de um palmo de distância. Será que haviam mesmo percebido isso? Seus rostos se aproximam mais até que seus lábios se tocam num beijo delicado, meio sem jeito, que ia se tornando cada vez mais apaixonado. Enquanto isso, os pais de Howard assistiam televisão na sala ao lado.
— Não acha meio problemático deixar os dois sozinhos? Entraram de mãos dadas até... — fala Kelly
— Por isso que os deixei na cozinha. Com certeza na cozinha não farão nada demais. — fala Edward
Nessa hora, Howard passa em direção à escada silencioso e apressado.
— Howard? — chama o pai dele
O moreno volta devagar e fita o pai.
— Vocês estão mesmo estudando? — pergunta o pai dele
— Claro! Por que pergunta isso? — pergunta Howard
— E esse batom na sua boca? — pergunta Kelly
— Só... um beijo ou outro nos intervalos. Vou pegar meu livro de física. Já volto. — fala Howard subindo rapidamente as escadas
— Nada demais? — pergunta a mãe dele séria
— Foram só uns beijos. Deixa os dois... Eles se gostam. — fala Edward
Em menos de cinco minutos, Howard volta pra cozinha. Já havia limpado o batom dos lábios e Maria já havia retocado o batom. O moreno põe um sorriso no rosto.
— Aí, gatinha? Bora pra mais uma seção de estudo? — fala o rapaz sentando-se do lado dela
Maria apóia as costas no peito e ombro dele e eles juntam um pouco mais as cadeiras. Howard abraça o tronco dela com um dos braços enquanto levava um beijo delicado na bochecha. Voltam a estudar. Resolviam as questões de física da primeira aula.
— Eu tinha achado outro resultado para essa questão na segunda feira. — fala Maria pensativa
— Deixa eu ver. — fala Howard
A loira mostra a questão a ele.
— Tem um erro de sinal aqui. Na pate do Espaço inicial não é 5, mas -5. Tá vendo no enunciado? — fala o moreno
— Nossa, verdade, que distração. Mas também, passei a lição toda pensando num certo moreno lindo e sedutor. — fala a loira corrigindo a questão
Continuam a fazer a lista de exercícios animados. Maria vez ou outra tacava um beijo em Howard e ele nela. Algumas vezes, trocavam beijos apaixonados. Até que a mãe dele entra na cozinha e eles ajeitam a postura tão rápido que Maria bate com o joelho na perna da mesa e Howard dá uma cotovelada na cadeira.
— Só estudando? Howard... Tem mais batom no seu rosto do que na boca da Maria. — fala Kelly parecendo séria
Os dois ficam corados de vergonha.
— Bem, de qualquer forma vocês estão estudando tem mais de 3 horas sem parar. Hora de uma pausa. Que letra mais bonitinha, Maria! Mas voltando, hora de fechar os cadernos por uns minutos e comer algo. Além da salada de frutas, trouxe leite de coco e consegui uma receita de panquecas sem leite de vaca. Fiz pra vocês... — fala Kelly
Maria fecha os cadernos e o livro na hora. Howard acompanha. A mãe de Howard prepara as panquecas enquanto Howard e Maria ajeitam a mesa para o lanche.
— Bem, já que estão na fase troca de beijos, imagino que estejam namorando. — comenta Kelly indo direto ao assunto
— Sim... Tem... umas 3 horas. — fala Maria
— Sim, estamos. Não houve um pedido oficial, mas... gosto muito dessa loirinha sardenta. — fala Howard
— E eu de ti, morenão lindo. — fala Maria
Kelly apenas observava os dois. Havia realmente afeto em seus olhares, um estava mesmo gostando do outro.
— Pensa em fazer faculdade, Maria? — pergunta Kelly
— Penso sim, senhora Stark. Vou tentar Design nas de Nova Iorque. Tem o curso de Artes e Design em Buffalo. Vou tentar só as públicas mesmo. O treinador falou que nessas teria mais chance de conseguir uma bolsa ou um desconto por ser atleta. — fala Maria
— Atleta? Qual modalidade? — pergunta Kelly
—Ginástica Rítmica. São pocuas pessoas que fazem e eu fiquei em segundo lugar numa disputa nacional que teve na Rússia no ano passado. — fala Maria
— Interessante. Howard vai tentar engenharia. E tentará bolsa também. — fala Kelly
— Ele com certeza consegue uma bolsa. Howard é muito inteligente. Ele merece uma. — fala Maria
Kelly dá um sorriso e serve as panquecas. Maria senta-se ao lado de Howard e começam a comer em silêncio.
— Bem, tem 15 anos, certo? Está morando com quem aqui? — pergunta Kelly
— Com minha tia, mãe da Natasha. Meu pai ainda mora na Rússia. Ele quer esperar terminar o mandato dele para aceitar o cargo de diplomata oferecido pelo Kruschev. — fala Maria
— E qual o cargo dele? E sua mãe? — pergunta Kelly
— Ele é deputado por Yakultia, o estado que nascemos. Minha família é formada parcialmente por nativos siberianos. Tipo índios russos. E quanto à minha mãe... eu não sei nada dela. Ela foi embora e me deixou com meu pai uns dias depois do meu nascimento. — fala Maria
Kelly e Howard não sabiam o que falar diante da fala de Maria.
— Mas é tranquilo, meu pai foi um ótimo pai. E eu podia contar também com meu avô... Ele era xamã. Nativos siberianos não são cristãos, são xamanistas. — fala Maria
— E você é xamanista? — pergunta Kelly
— Sim. — fala Maria
— Graças a deus não é católica ortodoxa. — fala Kelly animada
— Por que? — pergunta Maria achando graça
Howard se espanta.
— Sua avó é luterana, Howard. Ia dar uma treta malígna se ela fosse católica. Sério, confusão na certa. Não faz muito sentido protestantes e católicos se matarem por causa de religião, porque no fundo é cristão matando cristão em nome de Cristo, mas... — fala Kelly aliviada
Howard e Maria acharam graça da explicação de Kelly. Terminam o lanche e Kelly sai um instante, deixando os dois a sós. Howard fita Maria por uns segundos.
— Quer tomar um picolé? Picolé não leva leite. — fala Howard
Maria aceita. Howard passa no banheiro e limpa as marcas de batom no rosto. Saem em seguida para tomar um picolé e sentam num banco de uma praça perto da casa dele. Era final de tarde e a praça estava cheia de famílias e de casais apaixonados. E eles andavam de mãos dadas pela praça tomando o picolé e observando o movimento de pessoas. Quando começa a anoitecer, voltam para a casa de Howard. Maria se despede dos pais dele e vai para casa. Howard volta para seus estudos. Precisava de uma excelente nota pra passar na universidade.
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