In The Dark Beside You

3 Falha de Comunicação


Notas iniciais
Mais um pouco do drama de família e bota drama nisso. Onde você realmente começa a ter uma piedade sincera por todos eles. Uma certa aproximação entre Olivia e Dean e mais alguns detalhes...

Dean Pov

Admito, senti prazer em irritar a Olivia, o que é bom, arranjei um novo Hobbie. Uma voz na minha cabeça me dizia que eu podia ter prazer com ela, mas em outra maneira. Afastei esses pensamentos. Relacionamento não estava na minha lista esse ano. Final do dia, eu estava acabado. Entrei no carro com o Sam e seguimos em silêncio até a metade do caminho.
– Dean?
– Fala.
– Você esqueceu o controle do portão – ele pulou fora.
Eu sabia que às vezes era muito duro com ele, mas ele não tinha medo de me contar as coisas, bom... Pelo menos boa parte delas. Resolvi deixar de lado, uma hora ele iria ter que me contar.
Involuntáriamente lembrei de Olivia. Eu tinha que saber o que a faz perder a cabeça daquele jeito, talvez esse fosse o problema que gritava por mim. Pode ser idiotice, mas cada vez mais eu sentia que ela era única. Unicamente irritante e exclusivamente chata. Sorri comigo mesmo, eu precisava parar com isso. Sam me olhou.
– É impressão minha ou eu vi você sorrir? – ele me olhou como se fosse o fim do mundo.
Fechei a cara.
– Sam cuide da sua vida.
Ele riu.
– Ela te mudou de um jeito, que nem você percebe mais.
– O que?
– Não se faça de idiota!
– A Olivia? – perguntei cético.
Ele sugeriu que sim com a cabeça.
– Você está ficando louco! O único sentimento que eu tenho por ela é de ódio.
– Não Dean! Você está ficando louco. Eu não te vejo sorrir desse jeito desde quando era Páscoa em 1995 e você passou uma semana rindo sozinho depois que a Tia Edna morreu.
– É... Aquela mulher era uma vaca...
– É.
Devaneamos juntos.
Ele saiu do transe e voltou a falar.
– Você a quer – acusou ele.
– Não, eu não quero!
– Amber veio falar pra mim que ela não é de confiança, é meio drogada do tipo rebelde.
– Parabéns para a Amber.
– Você acredita?
Não respondi.
– Você já a conhece o suficiente pra entendê-la. Você gosta da personalidade dela, você gosta que ela seja assim. Você gosta que ela não pense nas conseqüências e muito menos no que fala. Você gosta que ela possa te humilhar a qualquer hora e te deixar de quatro – ele acusou.
– Sam, por favor, se você continuar te jogo fora do carro.
– Se você conseguir parar de pensar nela, um segundo que seja eu te dou a razão.
– Parei de pensar – falei pra ver se ele me deixava em paz.
– Não você não parou. Só de dizer que parou já está automaticamente pensando nela.
–Alguém já te disse o quanto você é infantil?
– Claro — ele sorriu.
Desisti de discutir com ele e fomos em silêncio até em casa.


Sam Pov

Eu prometi a mim mesmo que antes que anoiteça eu vou tirar alguma informação dele, sobre a Olivia. Era impossível isso, eu sabia que ele tinha sérios problemas com seu ego e era muito orgulhoso, mas nem chegava a ter tantos exageros. Fui tomar um banho, viajei e pensei em milhões de maneiras possíveis de tirar a verdade do Dean e nada! Lógico que o Dean não foi a única coisa em que eu pensei quando estava no banho... Ah, Allison.

Eu ia ter que usar a sinceridade e pressioná-lo o máximo que eu pudesse.

Fui para o nosso quarto, ele estava deitado com aquele maldito celular na mão.
– Sam? – ele perguntou. — A Allison te ligou quando você estava no banho — ele falou tranqüilo.

– O que?– surtei de alegria. – Porque você não me chamou?

– Porque ela não ligou.

Parei para análisalo por um segundo.

– Você nem sequer passou seu número pra ela Sam, além de burro você é muito ingênuo, tão ingênuo que agora não preciso nem te perguntar se você gosta dela. Você se entregou na primeira chance.

Peguei um travesseiro e joguei nele, com a maior força que pude.
– Sua bicha.

Ele me mostrou o dedo do meio.

– Você se faz de bonzão, não é mesmo? Age como se fosse impossível de você se interessar por alguém que não seja uma prostituta. Porque você faz isso Dean? Porque essa necessidade de masoquismo, de se esconder de alguém que pode te fazer feliz?

– Ninguém pode me fazer feliz – murmurou ele.

– Lógico que não! Porque você não deixa nem eles tentarem, você tem medo de ser feliz Dean!

– Belo discurso. Me comoveu. Vou correndo falar pra Olivia que amo ela, e vamos nos casar e ser felizes pra sempre.

– Pelo menos se você fosse homem o suficiente pra fazer isso – provoquei.

– Eu sou homem, só não sou estúpido.

– Desde quando amar é estupidez?

– Desde que amar te leva ao sofrimento. Não vale a pena.

Desisti de discutir. Apaguei a luz e fui me deitar.

Ficamos em silêncio por uns quinze minutos e como sou sempre eu que quebra o gelo e da um desconto, falei com ele.

– Você não achou nem ela gostosa? – perguntei.

– Você não pode usar outro adjetivo menos vulgar? – Odiava quando ele respondia com outra pergunta.

– Ok. Então, gatinha? – perguntei.
– Muito gay.
– Tesona?
– Pervertido demais.
– Bonita?
– Vai dormir Sam.
Eu ri, ele podia negar o quanto quisesse eu sabia que não era assim.
– Não quero voltar para aquele inferno amanhã. Não sei qual é pior, aqui em casa, ou a escola – Dean suspirou.

– A escola por mais entediante que seja sempre acontece algo interessante, e aqui em casa não é tão ruim assim...

Mas de imediato, algo me fez querer retirar o que eu disse. Ouvimos ecos da porta de casa se fechando e risadas altas, de mais de duas pessoas. Dean se levantou e acendeu a luz. Na porta do nosso quarto, nosso pai passou com duas mulheres penduradas em seu ombro. Ele estava extremamente bêbado. Vi de relance puro ódio nos olhos de Dean, acompanhei-o com medo de ele fazer algo estúpido.

– Você realmente não podia esperar nós estarmos fora de casa pra chegar desse jeito? – Dean perguntou com frieza e raiva.
– Por quê? Eu não devo absolutamente nada pra nenhum de vocês dois – ele apontou para nós, tentando manter-se em pé.
– Claro que não – Dean disse com nojo e sarcasmo.
– Dean esquece... — Tentei segurar em seu braço, mas ele o soltou com força.
– Você só tem um filho de 16 anos em casa! – ele apontou pra mim – Precisando de algum exemplo! Precisando de alguém que realmente se importe! – o tom de voz dele aumentava cada vez mais – Ele não precisa do seu maldito dinheiro, ele precisa de um pai! O pai que eu nunca tive!
– O que é tudo isso? É por causa da sua mãezinha, é? Só ela te criou não é mesmo? Eu me matava pra colocar dinheiro em casa todos os dias. Ela ficava paparicando vocês, como se fizesse grande merda! – ele gritou de volta – Até que a mulher virou um encosto! Fico feliz que tenha morrido!
Eu estava perplexo, cada palavra era como uma facada, os gritos que eu não queria ouvir. Dean afastou as mulheres que continuavam do seu lado, pois toda força em seu punho e meteu um soco nele. Afastei-me por reflexo, ninguém tinha forças pra segurar Dean quando ele se encontrava nesse estado. Ele respirava alto e tremia muito.
– Pra ser bem sincero – Ele disse olhando para o papai caído no chão. – Eu queria que você estivesse morto John, não ela – Dean desceu as escadas correndo. Ouvi a porta da frente bater.
Respirei fundo e tentei controlar as lágrimas.
– Ah me poupe Sam! Você é pior que os dois juntos! – demorei pra perceber que por ‘’dois’’, ele queria dizer Dean e minha mãe.
– Espero que se divirta – eu disse baixinho.
Entrei no meu quarto, fechei a porta com um chute. Senti uma fraqueza nas pernas e obriguei-me a sentar. Tentei acalmar minha respiração... E gritei, gritei o mais alto que pude.
‘’Como eu queria que você ainda estivesse aqui, mãe. ’’


Olivia Pov

Não existia um único dia em que eu não tivesse medo de voltar pra casa, meu corpo transbordava em adrenalina, um instinto protetor que meu corpo automaticamente ligava para combater meu medo. Na realidade, eu não tinha lembraças de como era chegar em casa e contar como foi meu dia. Isso não acontecia a mais de três anos.
Assim que cheguei em casa minha mãe estava sentada na sala com a Lisa no colo. Tinha hematomas no braço e no rosto. Não consegui olhar para ela.

– Olive, você pode ficar com a Lisa pra mim? – ela perguntou com a voz fraca.

– Cadê ele? – perguntei seca.

– Seu pai, minha filha.

– Aquilo não é meu pai.

– Ele está lá em cima e nós vamos conversar. Fique com a Lisa pra mim.

Peguei a Lisa no colo.

– Mãe! – falei desesperada, com os olhos lacrimejando — Você vai voltar lá em cima? – eu tremia.

– Ele é seu pai, Olive...

– Cala essa boca! – gritei — Como você pode ser tão burra?

– Ele perdeu a cabeça e pediu desculpa, ele não vai fazer de novo. Acontece Olivia...

– Não! – gritei — Ele diz que não vai fazer de novo, até fazer! Mãe você não pode subir lá! – a agarrei pelo braço, já com lágrimas nos olhos.

– Olivia! Me larga! – ela gritou — Fique com a Lisa, qualquer coisa sabe para onde ir.

– Qualquer coisa? – eu gritava inconformada — Como Qualquer coisa? Em caso de você apanhar até morrer?

– Olivia, por favor...

– Como você pode ser tão fraca?

– Fique com a Lisa — Ela me deu as costas.

– Fico, mas não faço por você – sussurrei.

Subi com a Lisa pro meu quarto, coloquei-a na minha cama. Parecia que ela sentia minha angústia, ela não me largava. Enquanto eu tinha um acesso de choro, começou tudo de novo! A mesma gritaria, os mesmos ecos de coisas quebrando, os mesmos sons de tapas e murros. Fechei meus olhos, abracei Lisa bem forte e tampei os ouvidos dela. Ela olhou pra mim, sem entender, tentando me consolar com os olhinhos.

– Olive, porque eles gritam tanto? – ela perguntou.

Meu acesso de choro não parava.

– Eu não sei, eu não sei! – respondi e abracei-a mais forte.

– Olive, não chora – ela disse com a voizinha fraca, e colocou a mão no meu rosto, eu soluçava. Não podia deixar a Lisa me ver sofrer desse jeito, eu tinha que me acalmar, mas não conseguia. Eu estava com muita raiva e muita dor ao mesmo tempo, o que eles fizeram a ponto de nos prejudicar tanto? Lisa e eu não merecíamos isso.

– Vai parar – tentei tranqüiliza — lá.

– E se não parar? – ela perguntou.

– Se não parar, eu vou estar aqui com você Lis – eu disse aos sussurros.

– Promete? – ela perguntou.

Minhas lágrimas eram incontroláveis.

– Eu prometo.

– Pra sempre? – ela disse baixinho, com lagrimas nos olhos.

– Pra sempre –sussurrei e a aninhei em meu colo.

E esperei, por longos quarenta minutos, que tiveram a mesma sensação de anos, talvez séculos. Os gritos cessaram, meu pai saiu pela porta dos fundos. Minha mãe não deixou o quarto. Também não sai do meu, tranquei minha porta e adormeci com Lisa no meu colo.

Sonhei que estava na escola e conversava com o Dean. Nós estávamos de mãos dadas, ele me beijou algumas vezes. Quando íamos nos despedir, ao invés de um beijo ele me deu um tapa no rosto. Acordei no pulo, suava frio, assustada, com meu celular tocando. Olhei no relógio, eram 21h30min, Lisa ainda dormia.

– Alô? – falei sonolenta.

– Olive?

– Ah! Oi Allison.

– Você está bem?

– Na verdade não, a gente pode conversar amanhã?

–Claro. Mas por favor, vá amanha. Não me torture desse jeito, tem certeza que não precisa de mim?

– Está tudo bem Al, pelo menos comigo, fique tranqüila. Até amanhã.

Desliguei. Não eu não estava bem, será que isso teria um fim? Olhei para Lisa, dormindo, inquieta. Sai do meu quarto com medo de ver como as coisas estariam do lado de fora. A sala que era no mesmo cômodo em que a cozinha, estava iluminada somente com um abajur de canto, a luz fraca deixava o lugar deprimente. O silêncio era mortal.
Minha mãe saiu do quarto, devagar, sem olhar pra mim perguntou:

– Onde está Lisa?

– No meu quarto – minha garganta estava seca, minha voz saiu rouca. Olhei pra minha mãe com piedade, que manchava o chão de sangue. – Mãe... Você está sangrando.
– Eu sei – ela murmurou.
– Não deixe Lisa te ver desse jeito. Vá se limpar. – Olhei para a porta dos fundos. Agora ela parecia mais atraente do que nunca – Não me espere acordada – eu disse, peguei o dinheiro que escondia debaixo da geladeira e sai correndo sem olhar para trás, decidida a não voltar.

Allison Pov

O meu dia havia sido exaustivo. Toda vez em que eu me sentia ansiosa arranjava uma desculpa para limpar todas as lojas da cidade, era a única maneira de me sentir calma. Eu estava enlouquecendo.
Assim que cheguei em casa notei que todas as luzes estavam apagadas.
– Mãe? – chamei.
Silêncio.
–Pai?
– Eles saíram de viagem hoje de manhã. Reunião em Tóquio – Meg, uma das empregadas de casa, que devia ter seus 50 anos, surgiu em um canto da sala.
– Meu Deus! Que susto você me deu – sorri nervosa pra ela — Ah, isso é ótimo. São raras as ocasiões que eles lembram que têm uma filha, não é mesmo?
Meg me olhou com compaixão.
– Não me olhe desse jeito. Não preciso da sua simpatia. – finalizei o assunto.
Subi para meu quarto e a primeira coisa que me atraiu foi o telefone. Não consegui tirar Sam o dia todo da minha cabeça e precisava desabafar com alguém. Liguei para Olive, também tinha ficado preocupada com ela, já que não tinha dado sinal de vida o dia todo. Ela demorou a atender o que me deixou nervosa.
– Alô? – a voz dela era muito fraca.
– Olive?
– Ah! Oi Al – ela parecia exausta.
– Você está bem? – eu estava começando a me desesperar.
– Na verdade não, a gente pode conversar amanhã? – nesse ponto eu já me encontrava desesperada.
– Claro. Mas por favor, vá à aula amanhã. Não me torture desse jeito, tem certeza que não precisa de mim? – Eu estava quase desligando a merda do telefone e indo correndo para casa dela, mas quando a Olive falava que não estava bem, não era porque ela tinha terminado com o namorado ou coisa semelhante, ela tinha motivos e eu rezava pra que não fossem os quais eu estava pensando.
– Está tudo bem Al, pelo menos comigo, fique tranqüila. Até amanha.
Pelo menos comigo? Sim, era exatamente o que eu tinha pensado. Eu me sinto tão impotente, de saber pelo o que ela passa e não poder fazer nada.
Eu precisava desesperadamente fazer alguma coisa por ela. Mas o que?
Quase não dormi de ansiedade pra me certificar que ela realmente estava bem, e quando eu digo bem, eu quero dizer: sem nenhum arranhão.



Dean Extra Pov

Dei muitas voltas com o carro, até eu conseguir me acalmar. Pensei no lugar mais afastado da cidade onde eu pudesse me esconder, fui parar em um bar afastado no Brooklin, tudo que eu mais precisava agora era de muitas e muitas garrafas de qualquer coisa que me fizesse perder a consciência.

Entrei em um lugar muito mal iluminado, semelhante a um bordel, homens se encontravam caídos na calçada, outros quebravam uns os narizes dos outros só por não ter nada melhor o que fazer. Desvencilhei-me das prostitutas na porta e fui direto ao barman.
– Dose dupla, por favor – O homem gordo e grande me deu um olhar sugestivo. – Do melhor que você tiver – completei.
Ele assentiu com a cabeça. Para minha sorte eu tinha aparência de alguém que tinha idade o suficiente para beber.
Olhei ao meu redor e me deparei com uma moça sentada ao meu lado, que me parecia um pouco familiar. As luzes do local não paravam de piscar, dificultavam minha visão e não me deixavam reconhecê-la. Ela tinha uma garrafa pela metade de vodka a sua frente e provavelmente se encontrava no seu décimo copo.
– Deixe-me adivinhar... Problemas familiares? – perguntei, procurando seu rosto.
Sem se virar, ela respondeu:
– Não acredito que seja da sua conta.
Aquela voz rouca, abafada e melodiosa, eu tinha certeza que conhecia de algum lugar!
– Olivia? – perguntei.
Ela se virou pra me olhar, respirou fundo e olhou para o teto.
– Porque meu Deus? Por quê?
– Quer dizer que além de agressiva é alcoólatra? – perguntei em um tom irônico.
– Você não faz idéia do que significa ser alcoólatra – ela respondeu sombria.
O silêncio se propagou por alguns segundos.
– Esse não é o tipo de lugar que meninas de 17 anos deveriam freqüentar sozinhas.
– Escuta aqui... O que você tem a ver com isso? – ela se virou para olhar pra mim, muito irritada.
– Absolutamente nada querida, desculpe por tentar ser educado. Já percebi que você está bêbada demais pra isso – disse com acidez.
Percebi que uma parte dela se arrependeu de ter sido tão agressiva. Uma coisa que nós tínhamos em comum. Tentei me acalmar.
– Já está tarde, eu ainda nem bebi, quer que eu te leve pra casa? – controlei minha voz.
Ela virou o copo.
– Não posso voltar pra casa – sussurrou.
A voz dela estava pesada, parecia exausta.
– Eu entendo – eu não disse que entendia por compaixão e sim porque eu realmente entendia, eu realmente sabia o que significava não querer voltar – Temos aula amanhã – tentei quebrar o silêncio.
– Eu não ligo. Pode ir.
Eu consegui soltar uma risada.
– Não. Eu não vou te deixar sozinha nesse lugar. Eu não saio daqui enquanto não puder te levar daqui para um lugar seguro.
– Desde quando você se importa? – ela perguntou com indignação.
– Eu não me importo. Só não quero que me culpem se algo acabar acontecendo com você.
– Ah... Claro.
– Quer me contar o que aconteceu pra você vir parar em um lugar desses?
– Não. Quer calar a boca e parar de cuidar da minha vida?
– Não – sorri.
Ela revirou os olhos, tirou o dinheiro do bolso e deixou no balcão.
– Obrigada pela companhia, eu posso me virar a partir de agora.
Mal ela começou a andar e eu não pude controlar nem negar minha preocupação.
– Espere...
Ela parou e se virou devagar.
– Me empresta seu celular – pedi.
Ela me olhou sem entender.
– Anda! – contra vontade me entregou, salvei meu número nos contatos – Quero que me ligue caso você seja roubada, violentada ou perseguida no meio do caminho. Eu te odeio, mas não tanto a ponto de te querer morta.
Ela deu um sorriso irônico.
– Claro. Seu dinheiro vai ser de bom uso quando eu for parar em um hospital Winchester. Odeio hospitais públicos, sabe como é...
Ela se virou e foi embora. Eu podia ver e sentir a perturbação em seus olhos, a muralha que ela criava pra esconder todos os seus problemas, o quanto ela se esforçava pra não desmoronar na frente de qualquer um. Deixei-a ir, com um péssimo pressentimento e por mais que eu não acredite em Deus, cheguei a rezar para ele protegê-la.


Notas finais
Eu posso ler e reler todos os capítulos quantas vezes for preciso, e SEMPRE vou ter algo pra acrescentar e corrigir. Espero que ainda não esteja confuso, por favor comentem e peço a extrema sinceridade de vocês.