In The Dark
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Eu corria totalmente sem rumo, não sabia o que fazer ou em que pensar... A conversa na casa da Rachel girava em minha cabeça, eu precisava tirar tudo isso a limpo, eu precisava saber se tudo era verdade. Continuei a correr e nem me importava com as dores que já estava sentindo nas pernas, acho até que ouvi alguém me chamar, mas eu não conseguia parar.
Corri até cair sentada em um canto isolado da uma pequena praça, abracei meus joelhos e não conseguia parar de chorar. Meus olhos ardiam, minha cabeça doía... Senti alguém tocar em meu ombro, mas eu já não tinha mais força, a pessoa me abraçou e eu apenas a agarrei, me encolhi em seus braços.
- Ei... Tranquila... – eu ouvia apenas parte do que era dito.
Após alguns minutos eu comecei a me acalmar e enfim pude ver quem me abraçava... Ele me deu um pequeno sorriso, mas tinha um olhar preocupado.
- Quer conversar?
- Eu não sei... – eu realmente não sabia nada no momento – Eu estou tão confusa...
- Talvez falar ajude. – ele falava calmamente.
- Eu meio que descobri o motivo para os meus pais me tratarem tão mal... – ele me apertou mais no abraço me incentivando a continuar – Ao que parece minha mãe teve um caso com um dos pais da Rachel e agora eles estão desconfiados que eu seja fruto desse caso.
- Espera. Você, irmã da Rachel? – ele se separou assustado – Que doidera, cara.
- Eu sei... Preciso saber da verdade o quanto antes... – eu me levantei e ele me acompanhou.
- Quer que eu te leve para casa?
- Não... Eu preciso ir a outro lugar... – eu lhe dei mais um abraço – Obrigada por isso...
- Não foi nada... Se precisar é só avisar. – ele sorriu.
- Certo... – eu comecei a caminhar, mas me virei para ele que também já seguia seu caminho – Sam! – ele se virou – Diz para a Britt que eu estou bem... Acho que deixei todo mundo preocupado e também esqueci meu celular na casa da Rachel.
- Pode deixar San... Vou ligar para ela agora. – ele falou já pegando o aparelho no bolso.
Sorri para o garoto loiro em sinal de agradecimento e continuei minha caminhada. Dez minutos depois eu já estava lá, parada em frente a casa daqueles que tanto me deixavam de lado, me tratavam mal... Um calafrio percorreu meu corpo ao atravessar o quintal e apertar a campainha, tentei permanecer firme ao ver a porta se abrir.
- O que está fazendo aqui? — Minha mãe me encarou com espanto e desprezo.
- Eu preciso fazer umas perguntas... – fiz um esforço para que a voz não falhasse.
- Eu não tenho mais nada a ver com a sua vida... Faça suas perguntas para a sua avó. – ela tentou fechar a porta, mas eu a impedi.
- Eu já entendi que não sou a filha que você queria, mas você me deve algumas respostas... Depois disso eu desapareço e nunca mais te perturbo... Até porque agora quem não quer mais saber de vocês sou eu. – respirei fundo e a olhei nos olhos – Só preciso de algumas respostas...
Contrariada ela me deu passagem, caminhamos para o centro da sala e assim pude ver que meu pai também estava em casa.
- O que faz aqui? – ele se levantou irritado.
- Não precisa se irritar... Como eu já disse, quero umas respostas e depois nunca mais procuro vocês.
- Fale logo que eu não tenho tempo nem paciência. – ele falou ainda irritado.
- Eu quero saber se o Hiram é meu pai... — Fui direta, queria sair de perto deles logo, não me importei se o fato seria um problema entre os dois.
- Quem te disse isso? – minha mãe arregalou os olhos.
- O próprio Hiram... Ele me disse que a alguns anos vocês passaram uma noite juntos e pouco tempo depois você apareceu grávida. – vi meu pai se mexer desconfortavelmente no sofá.
- Eu não sei do que está falando e além do mais ele é gay... – ela começou a dar voltas no assunto, mas foi interrompida pela voz alta do meu pai.
- Para de enrolar e diz logo a verdade. – eles se encararam por alguns segundos.
- Ok. – ela respirou fundo. – É verdade... Uma noite Carlos e eu brigamos e eu fui até um bar e conheci o Hiram, nós estávamos bêbados e acabamos passando a noite juntos e...
- Não precisa me contar todos os detalhes da história. – eu a cortei – Apenas me diga se ele é meu pai ou não.
- Sim, ele é seu pai. – ela falou secamente.
- Então é por isso que sempre me trataram tão mal?
- De inicio eu até tentei te aceitar como minha filha, mas era impossível olhar para você e não me lembrar dele... – meu pai começou a falar – Eu perdoei a Maribel pela traição, mas nunca consegui te aceitar como filha.
Meus olhos voltaram a se encher de lagrimas, mas eu não podia fraquejar na frente deles...
- Então é isso? – perguntei olhando de um para o outro – Ela te trai e eu quem levo a culpa? Como se eu tivesse pedido por isso... Mas ok, vocês se merecem... Podem ficar despreocupados porque eu nunca mais procurarei por vocês...
Sai de lá rapidamente, tive a resposta que queria e a certeza de que nunca mais procuraria por Carlos e Maribel... Mesmo que ainda doesse, a partir desse momento eles se tornaram as pessoas menos importantes da minha vida. Cheguei à calçada e vi Brittany, Quinn e Rachel me esperando.
- Como sabiam que eu estava aqui? – perguntei depois de dar um selinho em minha namorada.
- Sam te seguiu e me disse que tinha vindo para cá. – ela apontou o irmão parado mais a frente.
- Eu estava preocupado... – ele deu de ombros e eu o abracei.
- Obrigada.
- Sempre pronto para ajudar minha cunhada preferida. – ele sorriu.
- E como você está? – Quinn era a que mais me conhecia, ela sabia que no fundo eu não estava nada bem.
- Eu vou ficar bem... – também a abracei.
Olhei para o lado e percebi que Rachel estava totalmente calada e olhando para os próprios pés. Só ai percebi que toda essa historia também deveria estar complicada em sua cabeça...
- E você como está? — Me aproximei e toquei em seu ombro... Ela me encarou e percebi pelo seu olhar que ela estava realmente tão assustada quanto eu.
- Eu não sei... – ela deu de ombros – Está tudo tão confuso...
- É... Eu sei... – respirei fundo – Mas pelo menos tem uma coisa boa no meio dessa confusão toda...
- Que coisa? – ela perguntou curiosa e eu sorri.
- Eu acabei de ganhar uma irmã que canta bem pra caramba. – ela levantou a cabeça e sorriu – Pena que ela é baixinha...
- Como se você fosse muito alta. – ela me deu um leve empurrão e eu a puxei para um abraço. No momento minha vida poderia estar uma bagunça, mas tenho certeza de que com a presença da minha namorada, dos meus amigos e agora da minha irmã tudo ficaria bem.
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