In The Dark
61 Capitulo 61
Notas iniciais
Sabe quando você entra em algum lugar e varias cabeças se viram em sua direção? E essas mesmas pessoas abrem espaço e te deixam passar livremente? Assim fomos recepcionados no colégio. Depois de passar mais alguns dias em casa, Melissa pôde finalmente voltar a sua rotina normal.
Agora imaginem só... Antes éramos somente Quinn, Puck e eu; aí vieram Britt e Sam, depois Rachel e Mercedes que eram consideradas integrantes da base inferior da pirâmide social do colégio, e agora Melissa e Finn também tinham se juntado a nós... Lideres de torcida e jogadores de futebol se juntando com pessoas do clube do coral e com o casal que até pouco tempo conseguia atazanar a vida dos demais. Os outros alunos provavelmente estavam com o cérebro a dar nó, mas nós não estávamos ligando para o que eles estavam pensando...
– Eu estou me sentindo Moisés abrindo o mar vermelho. – Sam brincou nos fazendo rir.
– Acho que nós acabamos bagunçando toda a hierarquia que existia nesse lugar... – comentei ainda sorrindo.
Aquela era a minha família, nós éramos a mais improvável e confusa união, mas éramos felizes e isso é o que importa.
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Apesar de todo o estranhamento inicial, o dia correu de forma tranquila e no final da tarde eu estava andando de um lado para o outro dentro de casa... Eu havia marcado de encontrar Britt para irmos ao cinema, mas parecia que, justo nesse dia, minha jaqueta favorita tinha resolvido desaparecer. O jeito era apelar para quem sabia de tudo naquela casa...
– Pai! – desci as escadas correndo.
– Calminha ai meu anjo. – Leroy apareceu na minha frente – Um dia você ainda vai acabar caindo nessa escada.
– Desculpe, mas é que estou atrasada... – falei rapidamente – Cadê meu pai?
– Saiu para comprar o jantar por quê?
– Eu não consigo encontrar minha jaqueta... – devo ter feito uma cara muito engraçada porque ele começou a rir.
– Já olhou no guarda roupas? – fez a pergunta mais obvia do mundo.
– Duas vezes. – respondi suspirando.
– Lavanderia? – arqueou a sobrancelha.
– Sim...
– Roupa para passar? – continuou a perguntar.
– Também.
– Hum... O Hiram é quem cuida dessa parte então estou meio que sem ideias para saber onde sua jaqueta possa estar... – ele falou pensativo enquanto eu olhava as horas na tela do celular.
– Eu estou ficando muito atrasada, papai! – eu estava tão preocupada em não ter que deixar minha namorada esperando que nem reparei em como o havia chamado.
– Como é? – ele me olhou com uma cara de bobo.
– O que? – perguntei meio confusa.
– Do que me chamou? – ele me olhava sorrindo e eu pensei no que havia falado para deixa-lo assim.
– Ah! Essa cara é só porque te chamei de papai? – perguntei rindo.
– Isso nunca tinha acontecido antes... – falou levando uma das mãos ao peito.
– Não é porque nunca tinha falado que não te considerava meu papai também... Eu aprendi a amar os dois da mesma forma. – mal terminei de falar e fui surpreendida por um abraço apertado.
– Você não sabe o quanto me deixou feliz agora... – Leroy foi se afastando aos poucos.
– Posso imaginar, mas eu ainda continuo atrasada, papai... – choraminguei e ele riu.
– Vamos lá para cima que acho que sei onde podemos encontrar sua preciosa jaqueta. – me puxou escada a cima ainda rindo. Apesar de preocupada em deixar Britt esperando eu estava feliz por vê-lo tão contente.
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Depois de encontrarmos minha jaqueta no guarda roupas da Rachel, segui de encontro a minha namorada... Assistimos a um filme romântico, quer dizer, Britt até tentou assistir, mas confesso que não deixei. A sala de cinema estava escura e vazia o suficiente para aproveitarmos de uma maneira melhor... Comemos um lanche e caminhamos um pouco pelo shopping. As pessoas ficavam olhando de maneira demorada em nossa direção, nossas mãos entrelaçadas e a maneira de olharmos uma para a outra denunciava que éramos um casal, mas eu não estava ligando para o que se passava em suas cabeças, elas podiam torcer a cara, nos olhar com desprezo e preconceito, para mim o que importava no momento era estar com a pessoa que amava e estarmos as duas felizes...
Britt olhava as vitrines e sorria para todas que continham bichos de pelúcia e tudo o que fizesse referencia a bebês... Sempre me encantou essa sua fascinação pelo universo infantil. Seus olhos brilhando e seu sorriso fácil a assistir algum desenho animado, seu magnetismo quando caminhávamos no parque e todas as crianças ficavam radiantes em tê-la por perto... Britt mantinha em si um que de inocência que atraia qualquer um, mas poucos conseguiam ver a garota inteligente e forte que se escondia por trás dos lindos olhos azuis.
Eu sei que ainda somos muito jovens, mas em mim já existia a certeza de que Britt seria para sempre meu amor, que estaríamos para sempre juntas... E foi nesse momento que me lembrei de algo muito importante. Me lembrei do meu aniversario de quinze anos e do presente que abuela havia me dado...
“Ela me entregou um pequeno embrulho e eu o abri imediatamente. Fiquei sem saber o que dizer quando abri a caixinha de veludo, apenas observei as duas pulseiras de ouro que ali estavam... Elas eram lindas. Tirei-as da caixinha e examinei os detalhes. Cada uma tinha um pingente diferente, lua e sol.
– São lindas vó. – eu a abracei – Mas porque duas?
– Porque uma é para você e a outra... Bom, a outra é para quem você ama – eu fiz cara de quem não estava entendendo e ela explicou – A com pingente de lua é sua, mas a outra com o sol é para você dar para quem você ama, mas a pessoa ter que ser aquela que você tem certeza de que será seu amor para sempre.”
E eu tinha absoluta certeza de que Britt e eu éramos para sempre... Só precisava encontrar o melhor momento para presentea-la e fazê-la ter certeza de que eu não via mais o meu futuro sem ela ao meu lado. Britt era o meu sol, era quem iluminava os meus dias deixando-os mais bonito e me dando força para seguir adiante.
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