In The Dark
58 Capitulo 58
Notas iniciais
Britt e eu estávamos no hospital conversando com Melissa. Minha namorada atualizava minha irmã (sim, eu já estava a considerando minha irmã novamente. Mas não significa que ela precise saber disso agora) com os últimos acontecimentos dessa manhã.
– E então nós deixamos em casa uma Charlotte apavorada e uma Quinn e uma Rachel extremamente curiosas. – Britt terminou seu relato.
– Vocês realmente tem uma vida animada. – Melissa ria.
Eu sabia que ela estava feliz, não só por causa da historia, mas também pelo fato do medico ter dito que sua imunidade havia voltado ao normal e o tratamento poderia correr tranquilamente. Ainda riamos quando a porta se abriu e por ela entraram seus pais. Carlos e Maribel pareceram não acreditar no que estavam vendo.
– O que essa garota está fazendo aqui? – Carlos perguntou rudemente.
– A San veio me ver papai. Ela tem vindo toda manhã para o Finn poder ir descansar. – Melissa explicou. Estava na cara que ela estava feliz por eles finalmente terem aparecido.
– Nós não demos permissão para isso. – Maribel estava irritada – Ainda mais vir aqui com essa daí...
– Ei! Meça bem as suas palavras para falar da minha namorada. – levantei rapidamente da cadeira – Você não tem moral para falar de ninguém.
– Acho bom você abaixar o tom de voz garota abusada, eu ainda sou sua mãe e não admito... – eu a cortei.
– Ah, por favor. Você perdeu qualquer direito quando me expulsou de casa, então o que você admite ou deixa de admitir não me interessa. – eu não seria humilhada por ela novamente.
– Calma San. – Britt segurou minha mão – A Melissa não pode se estressar.
– E é exatamente por isso que eu quero as duas fora daqui agora. – Carlos exigiu.
– Elas não vão a lugar algum. – Melissa voltou a falar – San ficou aqui comigo esses últimos dias, mas e vocês? Onde estavam? Aposto que ocupados demais ganhando dinheiro, e não tiveram nem tempo para visitar a própria filha. Belo exemplo de família que vocês me dão.
– Você sabe que só fazemos isso para o seu bem, para que você tenha um bom tratamento, um futuro decente... – Maribel se aproximou da cama.
– Mas eu também preciso ter as pessoas por perto, e antes da San me perdoar, eu só tinha o Finn. Ele é uma pessoa tão incrível que ficou ao meu lado o tempo inteiro.
– Então você não estava sozinha, pare de reclamar. – Carlos cruzou os braços.
– Você realmente não sabe o que é ser pai. – falei desacreditada da atitude dele.
– Claro. Agora você vai me dizer que aquele veado sabe o que é ser pai... – ele riu debochando.
– Melhor você sumir daqui Santana, volta para a sua familiazinha de aberrações. – Maribel me olhou enojada e eu acabei ficando sem reação.
– Vocês se acham muito superiores não é mesmo? – Britt tomou a frente – Pois saibam que eles são muito melhores do que vocês, eles tem um coração e sabem cuidar das filhas ao invés de abandona-la em uma cama de hospital e podendo contar somente com o namorado que não passa de um adolescente, mas que é muito mais corajoso e confiável do que vocês. Vocês não sabem o que significa família, não sabem o que é amor e muito menos o que é se importar com alguém além de si mesmo. Vocês não deveriam poder ter filhos se só sabem magoar e rejeitar.
– E pode ter certeza de que eles não possuem mais nenhuma filha. – Eu estava tão chocada com a reação da minha namorada que nem notei que abuela havia entrado no quarto.
– O que faz aqui mamãe? – Maribel também parecia um pouco tonta com tudo o que havia acabado de ouvir.
– Eu vim impedir que vocês possam fazer mais mal a Melissa... – abuela disse firme – Uma vez eu deixei de me pronunciar e isso causou muito mal para Santana, mas eu não vou deixar que isso se repita.
– O que quer dizer com isso? – Carlos perguntou.
– Você não pode fazer nada mamãe, Melissa é minha filha...
– Eu sinceramente não sei onde errei com você Maribel... – abuela tinha o olhar triste – Eu te criei com amor, te dei tudo o que estava ao meu alcance, mas você se tornou uma mulher fria, preocupada com o dinheiro... Nem a doença da sua filha te fez se importar mais. Vocês rejeitaram a Santana, primeiro com a desculpa de que ela era filha de outro homem e depois por sua sexualidade, mas a verdade é que os dois são incapazes de amar mais alguém além de vocês mesmo.
– Eu já estou perdendo o pouco de paciência que me resta. É melhor vocês saírem daqui o mais rápido possível. – Carlos estava vermelho de raiva.
– Eu não vou deixar minha irmã sozinha com vocês! – gritei. A magoa da rejeição ainda estava dentro de mim.
– Eles é que vão sair mi amor. – abuela passou a mão em meus cabelos enquanto Britt apertava minha mão – Vocês irão sair da vida das minhas netas para sempre.
– Está falando de que sua velha estúpida? – Carlos gritou.
– Estou dizendo que vocês não tem mais direito algum sobre a Melissa. Agora ela está sob minha guarda. – abuela disse calmamente nós deixando surpresos.
– Como é? – Maribel perguntou meio perdida.
– Isso mesmo que acabaram de ouvir. Depois de eu apresentar provas o suficiente para provar o descaso de vocês, o juiz me concedeu a guarda definitiva da Melissa. – abuela continuou calma.
– Isso é impossível. Nós não assinamos nada. – Carlos não estava tão sentido, parece que tinha ficado até mais calmo.
– Não foi preciso. O testemunho do Finn, do medico e das enfermeiras junto a imagens e os papeis sobre os horários de visitas foram o suficiente para provar que minha neta estava abandonada.
Melissa, Britt e eu olhávamos para os três, aquela discussão era surreal demais... Dava para perceber que Melissa estava totalmente dividida entre a felicidade pela defesa de abuela e o pouco caso de seus pais. Eles nem estavam se importando de verdade... Dava para perceber.
– Cadê os documentos? – Carlos perguntou calmamente. Abuela tirou os papeis da bolsa e mostrou para eles.
– Mas é claro que esses são apenas uma cópia, os originais estão bem guardados. Podem ficar com eles.
– Não vai ser preciso. – dessa vez foi Maribel que se pronunciou jogando os papeis em cima da cama – Acho que não temos mais nada para fazer aqui.
E os dois simplesmente deram as costas e saíram do quarto. Nós acompanhamos abismados cada passo deles, só saímos do torpor quando ouvimos um soluço.
– Eles realmente nunca se importaram... – Melissa chorava.
– Sei que é difícil, mas não fica assim... Eles não merecem suas lagrimas. – a abracei – Sei que não é a mesma coisa, mas você ainda tem a nós...
– É isso mesmo Melissa, nós vamos ajudar a vó Alma a cuidar de você. – Britt se juntou ao abraço.
Eu nunca iria compreender como pais são capazes de dar as costas aos próprios filhos, mas agora Melissa iria precisar do apoio de todos nós para superar a perda e vencer a doença.
– Nossa família acabou de ganhar mais um membro... – Olhei para minha namorada que sorriu compreendendo que eu tinha aceitado minha irmã totalmente de volta a minha vida.
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