In The Dark
56 Capitulo 56
Notas iniciais
– Oi Finn.
– Santana! – ele levantou a cabeça e encarou a cadeira de rodas – Tudo bem?
– Sim, foi só um pequeno acidente, alguns ralados e dor no corpo... – dei de ombros – Esse é o quarto da Melissa?
– É sim... – ele se levantou do chão.
– Será que é uma boa hora para falar com ela? – Britt colocou as mãos em meus ombros tentando me passar segurança.
– Os médicos estão lá dentro... – ele parecia preocupado – Ela não teve uma noite e uma manhã muito boa...
– Algo grave? – apesar de tudo, eu não queria que o estado dela piorasse. Deus! Ela só tinha treze anos.
– Os remédios são muito fortes e a imunidade dela está um pouco baixa... É preciso estar atento. – notei seu olhar triste. Provavelmente era tudo muito pesado para um garoto de quinze anos aguentar.
– Entendo... Você parece cansado Finn. – ele abaixou a cabeça – Onde está Maribel e Carlos?
– Acho que em casa... – ele deu de ombros.
– Eles não ficam no hospital com a Melissa? – Britt fez a pergunta que rondava a minha cabeça.
– Os dois aparecem pela manhã, ficam alguns minutos e depois vão para o trabalho. – ele suspirou – Mas hoje eles não vieram...
Antes que eu pudesse dizer algo a porta se abriu e de lá saíram o médico e uma enfermeira. A mulher logo se retirou enquanto o homem colocou uma das mãos no ombro de Finn.
– Ela está chamando por você. – o médico deu um pequeno sorriso – Olha Finn, eu sei que você gosta muito dela e quer estar perto o tempo todo, mas você precisa descansar um pouco... Aposto que ainda não comeu nada.
– Eu estou sem fome... – o garoto deu de ombros.
– Compreendo, mas nós não queremos mais ninguém doente, certo? – o médico perguntou e Finn concordou com um aceno – Ótimo. Coma alguma coisa e depois volte. Ela vai ficar bem durante esse tempo.
– Eu fico com ela... – respondi chamando a atenção deles.
– Pronto. Aproveite que suas amigas estão aqui. – o médico sorriu novamente e caminhou para longe.
– Tem certeza? – Finn me olhou preocupado.
– Sim. – dei de ombros – Assim já converso logo com ela.
– Eu posso ir ao refeitório com você, Finn. – Brittany timidamente se ofereceu para acompanha-lo.
– Mas você disse que ficaria comigo durante a conversa... – falei um pouco baixo.
– Eu sei amor, mas você não acha que isso é uma coisa só entre vocês duas? Uma conversa entre irmãs... – ela me olhava carinhosamente – Eu ainda estarei por aqui, basta me mandar uma mensagem que venho correndo.
– Ok... – suspirei.
– Vai dar tudo certo. – ela se abaixou e me deu um beijo suave nos lábios – Eu te amo.
– Também amo você. – outro beijo e acompanhei com o olhar os dois se distanciarem.
Respirei fundo criando coragem; coloquei a mão na maçaneta da porta e a girei... Devagar impulsionei a para dentro do cômodo. Meus olhos logo se prenderam na garota deitada na cama, ela estava visivelmente mais magra; um fio preso a seu corpo mostrava os batimentos de seu coração no aparelho ao lado; outro tubo levava algum remédio direto para sua veia... Ela estava com os olhos fechados e parecia dormir. Fechei a porta tentando não fazer barulho, mas no mesmo momento ela se mexeu.
– Finn? – sua voz era baixa e insegura, bem diferente da que eu ouvia todos os dias.
– Não. Sou eu, Santana... – cheguei mais perto e ela finalmente abriu os olhos.
– Você veio... – seu olhar se desviou do meu rosto para a cadeira que eu estava sentada – O que aconteceu?
– Nada de mais... – fiz uma careta – Atravessei a rua sem olhar e um carro bateu em mim. Só alguns ralados e uma dor no corpo pela pancada.
– Você sempre foi muito distraída... – ela deu um quase sorriso – Mas eu estou feliz que esteja aqui.
– A Britt levou o Finn para comer alguma coisa na lanchonete. – desconversei. Eu ainda não sabia se estava feliz por estar ali.
– Isso é ótimo. O Finn não dorme e nem come bem a dias e eu estou a ponto de expulsar ele daqui. – ela ficou séria – Ele é uma pessoa maravilhosa, mas apesar de não admitir, está exausto.
– Ele fica o tempo todo aqui com você? – observei suas expressões mudarem para mais relaxada.
– Sim. Ele praticamente não me deixa sozinha... – ela sorriu – O Finn é a melhor pessoa que eu conheço... Às vezes acho que nem mereço ter um namorado como ele...
– Eu nunca imaginei te ouvir falar assim de alguém... – falei baixo, mas alto o suficiente para que ela ouvisse.
– Eu nunca fui uma boa irmã, não é? – ela parecia... envergonhada?
– Por quê? – perguntei e ela suspirou pesadamente... Essa historia nunca ficou clara o suficiente para mim; nunca consegui achar uma motivo que a fizesse me odiar tanto.
– Egoísmo talvez... – ela ficou pensativa – Eu cresci vendo a maneira como nossos pais te tratavam e...
– Seus pais. – eu a interrompi – Eu só tenho um pai e ele se chama Hiram.
– Ok... Eu cresci vendo a maneira como os meus pais te tratavam e achei que se fizesse o mesmo eu sempre teria a atenção deles só para mim; eu sempre teria tudo o que quisesse na hora que eu quisesse... Com o tempo eu fui percebendo que eles realmente me davam tudo o que eu queria, mas a atenção deles, mesmo que de forma negativa, ainda estava voltada para você... – Melissa abaixou a cabeça e respirou fundo por alguns instantes; dava para perceber que ela estava cansada, mas continuou a falar — Eu ficava muito irritada porque em certo ponto eu percebi que tudo o que eu tinha não supria a falta que eles me faziam... E era sempre o Finn que ficava ao meu lado quando eu estava a ponto explodir diante do pouco caso dos meus pais...
– Pelo menos você tinha alguém. – eu a interrompi novamente – Você tem noção do mal que me fazia todos os dias? Tem noção do que era se sentir rejeitada, agredida psicologicamente dentro da própria casa? Você me humilhou publicamente! A minha sorte foi descobrir que a Quinn era bem diferente do que diziam; e se não fosse pelo apoio e pela amizade dela, eu nem sei o que teria acontecido comigo no momento em que fui expulsa de casa.
– Me desculpe Santana. – Melissa levantou a cabeça e pude ver que ela chorava – Quando eu te vi chegar próximo de casa com a Brittany e o Sam e avisei nossa m... – ela se interrompeu – e avisei a minha mãe, eu não imaginei que aquilo iria acontecer... Naquela mesma noite eu me arrependi de tudo o que já havia feito de ruim com você, mas eu era egoísta, medrosa e mimada demais para te procurar e pedir desculpas... O Finn me dizia para fazer isso todos os dias, mas nunca tive coragem... Até agora. Desculpe-me San, me desculpa por tudo...
– Esse seu arrependimento não surgiu depois de descobrir que estava doente? Porque eu não sei se consigo acreditar nisso... – a essa altura eu também já estava chorando, era como se um filme da minha vida passasse na minha cabeça.
– Eu entendo o seu receio, mas posso te garantir que meu arrependimento e minhas desculpas são verdadeiros... – ela suspirou cansada – Eu percebi que meus pais não valiam todo o meu esforço para ser notada. Eles são egoístas e mesquinhos demais para perceber mais alguém além deles mesmo...
– Isso eu já sabia. – dei de ombros — Carlos e Maribel são o tipo de pessoa que não servem para ter uma família.
– Eu demorei muito para entender isso... Precisei ficar doente para notar que eles nunca serão os pais que eu gostaria de ter. – Melissa estava visivelmente decepcionada... Eu conhecia bem esse sentimento.
– Mas eles vêm te ver, certo? – perguntei e ela imediatamente abaixou a cabeça.
– Umas duas vezes na semana, mas nunca ficam mais do que quinze minutos... É como se fosse para garantir que eu ainda estou viva e eles não serem acusados de abandono... – Melissa ficou com a voz tremula e recomeçou a chorar silenciosamente. Eu sei que tudo o que ela fez me magoou muito, mas vê-la assim me apertou o coração.
– Ei! Não fica assim... – me aproximei mais da cama – Eu sei que é difícil, mas tudo vai dar certo. Você não está sozinha... Não vai achando que eu não sei que a abuela está sempre por aqui e só não te enche de comida porque realmente não pode.
– Dona Alma é a melhor avó do mundo. – Melissa sorriu – Pena eu ter decepcionado tanto...
– Para com isso, eu tenho certeza que ela já te perdoo a muito tempo. – me levantei para poder sentar na cama.
– E você San? Me perdoa? – ela me olhou receosa – Eu realmente gostaria de recomeçar e tentar ser uma irmã melhor...
– Você me magoou muito Melissa, mas eu acho que podemos tentar outra vez... – acho que o sorriso que ela abriu foi o mais verdadeiro que já vi — Eu te perdoo, mas você tem que prometer que vai ser uma pessoa melhor.
– Eu prometo. – o olhar dela me passava sinceridade então eu pude respirar aliviada por saber que havia feito a coisa certa.
Ficamos mais alguns minutos conversando... Contei para ela um pouco sobre minha “nova vida”; meu pai e o companheiro dele, sobre Rachel, Britt, Quinn, Puck e Sam. Ela me falava como estava o tratamento. O clima estava bem mais leve... Ouvimos uma batida na porta e esperamos.
– Podemos entrar? – Finn perguntou.
– Claro que sim. – Melissa sorriu para o namorado que logo ficou ao seu lado. Britt entrou logo atrás.
– Amor, o pessoal já foi embora então teremos que ir de taxi, tudo bem? – Britt me abraçou de lado.
– Ok... Britt eu quero te apresentar uma pessoa. – minha namorada me olhou sem entender nada, afinal estávamos só os quatro no quarto – Amor, essa é a Melissa, minha irmã. Melissa, essa é a Britt, minha namorada.
– Isso quer dizer que vocês estão bem? – Britt me perguntou depois de cumprimentar Melissa com um sorriso.
– Sim. Nós estamos nos entendendo.
– Te falei que ia dar tudo certo, princesa. – Finn comentou e logo depois beijou a testa da namorada.
– Sim, e você está sempre certo. – Melissa fez uma careta e sorriu – Mas mudando de assunto... Vocês demoraram a voltar da cantina...
– Nós queríamos deixar vocês conversarem tranquilamente... – Finn foi interrompido pela risada da minha namorada.
– Isso é verdade, mas... – ela respirou fundo para conseguir falar – o grandão ai acabou dormindo com a cara na torta de morango. Até tirei foto da cena...
– Isso é sério Finn? – apesar de ser engraçado Melissa estava preocupada.
– Sim, mas só aconteceu porque estava tudo muito silencioso. – ele deu de ombros.
– Ok, é oficial. – Melissa se ajeitou na cama – Você vai para casa descansar...
– Não. Eu não vou te deixar sozinha. – o garoto declarou.
– Mas Finn... Você não pode ficar o tempo todo aqui nesse hospital. – ela tentou convencer o namorado, mas ele se negou a ir embora.
– Vamos fazer o seguinte... – eu sabia que aquela discussão não ia dar em nada então resolvi por um fim naquilo – O Finn fica aqui hoje, mas amanhã cedo eu venho ficar com a Melissa, e você grandão, vai para casa descansar...
– Sério? – Melissa arregalou os olhos.
– Sim. Depois nós montamos um esquema de horários para você não ficar sozinha por muito tempo, e que nem eu, nem o Finn percamos aula a partir da semana que vem que é quando elas começam. – o casal pareceu satisfeito com a minha ideia e depois de mais alguns minutos ali conversando, Britt e eu fomos embora.
– Eu estou tão orgulhosa de você... – minha namorada disse enquanto empurrava minha cadeira para fora do hospital.
– Eu sei... Eu sou demais mesmo. – sorri ao ouvir a gargalhada dela.
– E bem modesta também, mas eu te amo mesmo assim.
Fale com o autor