In The Dark
55 Capitulo 55
Notas iniciais
Sabe aquela sensação de ter passado a noite em uma festa bebendo e dançando até amanhecer? Pois é. Eu não sei como é a sensação, afinal nunca bebi nada alcoólico na vida e nem fiquei horas dançando, mas imagino que seja exatamente como eu estou me sentindo agora... Meu corpo parece pesar uma tonelada, minha cabeça dói... Na verdade meu corpo todo dói.
Tentei abrir os olhos, mas o simples movimento das pálpebras me fez sentir dor... Resmunguei algo que nem eu entendi e logo em seguida senti alguém segurar a minha mão. Eu reconheci o toque, mãos macias e que agora acariciava o meu rosto.
– Britt... – não deve ter saído mais alto que um sussurro.
– Eu estou aqui amor... – ela continuou com o carinho.
– Eu me sinto um pouco bêbada... Você por acaso não me embriagou para se aproveitar do meu corpo, não é? – falei ainda um pouco enrolado.
– San! – ela me repreendeu – Se você soubesse que não estamos sozinhas provavelmente não diria essas coisas...
– E porque não estaríamos sozinhas? – certo, meu cérebro estava bem lento... e eu ainda estava com os olhos fechados – Estamos no meu quarto, certo?
– Hum... Não. Nós estamos no hospital. Você sofreu um acidente esqueceu? E estamos todos aqui no quarto... Hiram, Leroy, Rach, Quinn, Charlie e a vó Alma. – eu tinha certeza de que Britt estava sorrindo... Isso só pode ser brincadeira.
– Você está brincando, não é? – perguntei um pouco mais alto e senti uma pontada na cabeça – Britt?
– Abra os olhos e veja... – ela disse simplesmente.
Respirei fundo para tomar coragem, afinal não é todo dia que você pergunta se sua namorada te embebedou para poder te tarar... E na frente da família toda! Forcei meus olhos, as luzes me incomodavam pra caramba e a única coisa que eu pensava era que Deus me ajudasse, que no quarto só estivesse minha namorada e eu; também prometia a mim mesma nunca tomar um porre, pelo menos não um porre de vinho que já me disseram ser o pior.
Finalmente abri os olhos. Sorri ao ver minha namorada em minha frente, ela também sorriu, mas logo desviou o olhar para o outro lado do quarto... Resolvi olhar, fazer o que? Meus olhos imediatamente se arregalaram e logo voltei a encarar minha namorada.
– Sua tratante, não tem mais ninguém aqui! – ela soltou uma gargalhada.
– Desculpa, mas eu não podia perder a oportunidade depois do susto que você me fez passar...
– Eu estava apavorada com a possibilidade de ter falando aquilo na frente de todo mundo. – fiz bico. Infantil, eu sei.
– Você bem que mereceu. – me deu um tapa no braço – Onde já se viu atravessar a rua daquele jeito?
– Mas eu não tive culpa... – ela fez cara de brava. Morri! – Talvez um pouquinho...
– San, sério. Para de me dar susto, eu sou muito jovem para enfartar. – ela me abraçou – Fiquei com tanto medo... A sorte é que o motorista estava devagar e você desmaiou mais pelo susto do que pela pancada.
– Eu não quebrei mais nada, não é? – perguntei enquanto tentava olhar para o meu corpo já que os braços estavam ok.
– Não. Não quebrou nada. Só alguns arranhões e uma pequena pancada na cabeça... – Britt apertou ainda mais o abraço.
– E foi isso que nos preocupou... – Rach falou enquanto entrava no quarto acompanhada por Quinn e Charlie – Fiquei com medo de que sua idiotice fosse piorar, mas segundo o médico isso é impossível. Você já está em estado avançado de idiotice aguda.
– Muito engraçada. – estendi a mão a chamando.
– Você me assustou sua imbecil. – Rach se juntou ao abraço.
–Não fiz de propósito, juro! – olhei para a minha amiga que estava com o rosto e os olhos vermelhos – Quinn... Tudo bem?
– Sim... – ela falou baixo e desviou o olhar.
– A Quinn meio que surtou, amor... – Britt falou em um tom que somente Rachel e eu ouvimos.
– Acho que foi a que se assustou mais. – Rachel também sussurrou – Tivemos que dar um calmante para ela.
– Quinn? Vem aqui... – Rachel e Britt se afastaram ao mesmo tempo em que Quinn ficava do lado da cama – Não vai me dar um abraço?
Minha amiga me encarou e eu vi seu lábio tremer. O abraço foi tão apertado que eu cheguei a perder um segundo da respiração.
– Está tudo bem, Q. – ela soltou um suspiro cansado e se sentou na cama.
– Nós nos aproximamos depois de uma confusão envolvendo você e parece que depois disso eu nunca mais consegui ter um dia “normal”. – rimos – Você era o que eu tinha de mais próximo de família já que meus pais não se preocupavam muito e a Char estava longe... Acho que já passamos faz tempo do estágio melhores amigas para o quase irmãs e eu te amo, mas para se acidentar sua latina desgraçada.
– Também te amo sua loira azeda. Prometo tentar chegar viva até os oitenta anos. – voltamos a rir.
– Vocês formaram uma nova família, isso é muito bonito... – Charlie também se aproximou – Será que tem espaço para uma irmã mais velha?
– Isso quer dizer que... – Quinn começou a falar.
– Que eu decidi ficar. – completou a frase e sorriu – Alguém precisa cuidar de vocês.
Charlie foi praticamente atacada. Briit, Quinn e Rachel a apertaram em um abraço em grupo... Tão pouco tempo e ela já havia conquistado a todos... Eu só não participei porque estava toda dolorida.
– Bem vinda à família mais sem noção e azarada do mundo, Charlie. – sorri e ela me deu abraço – Mas o importante é que nos amamos.
– Alguém ai quer ir para casa? – meu pai entrou no quarto junto com Leroy e abuela.
– Sério? – perguntei animada.
– Sério. – ele me deu um beijo na testa – Graças a Deus não foi nada grave e o médico já te deu alta... Só precisa tomar os remédios para dor e vai estar novinha em folha.
Sai da cama e troquei de roupa o mais rápido que consegui... Sorte ter a melhor namorada do mundo que te ajuda a enfiar as pernas na calça e os braços na camiseta, ou demoraria horas fazendo isso já que a dor e os ralados incomodavam um bocado.
Deixamos o quarto (eu sentada em uma cadeira de rodas para não fazer esforço), nos juntamos aos outros e seguimos para a saída... O hospital era cheio de corredores e em um deles eu pude ver Finn sentado no chão, ao lado de uma porta. Deduzi que aquele era o quarto de Melissa...
– Esperem. E-Eu quero fazer uma coisa antes de ir embora... – eles acompanharam meu olhar e logo entenderam.
– Tem certeza de que quer fazer isso agora? – abuela me perguntou.
– Para que adiar mais? – dei de ombros, mas a verdade é que estava receosa com o encontro. Pedi que Britt me levasse até lá... O garoto só percebeu nossa aproximação quando já estávamos paradas em sua frente.
– Oi Finn.
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