In The Dark
49 Capitulo 49
Notas iniciais
Eu estava novamente naqueles corredores claros, eu estava novamente perdida, eu estava novamente sem saber o que fazer... Uma luz mais forte incomodou minha visão, ela piscava repetidas vezes e assim que me acostumei com a claridade comecei a caminhar em sua direção. Era um longo corredor, varias portas... Testei uma por uma, mas pareciam estar trancadas até que fiquei em frente a ultima delas, senti uma forte dor de cabeça seguido por um enjoo... Era como se eu fosse vomitar a qualquer momento. Girei a maçaneta e uma luz ainda mais forte tomava conta do cômodo, não consegui ver absolutamente nada, pois no mesmo momento senti meu corpo ser sacudido fortemente.
Abri os olhos e mal tive tempo para me localizar, o enjoo voltou mostrando que ele não fazia parte apenas do meu sonho... Só tive tempo de levantar da cama e correr até o banheiro, foi como se toda a sensação ruim que eu estava sentindo quisesse sair do meu corpo... Senti alguém segurar meus cabelos e alisar minhas costas enquanto eu ainda permanecia debruçada no vaso sanitário.
Levantei-me do chão, escovei os dentes e voltei para a cama... Meu corpo estava cansado então me cobri com o edredom e permaneci quieta por alguns minutos. Senti o cochão afundar e descobri a cabeça.
– Melhor? – Rachel começou a passar a mão pelos meus cabelos.
– Não sei... – suspirei cansada – Me sinto estranha...
– Será que a Britt te engravidou? – minha irmã brincou.
– Deixa de ser tonta Rach. – a empurrei e ela entrou debaixo do edredom.
– Brincadeiras a parte... O que você está sentindo? – ela ficou me encarando.
– Eu sonhei com os corredores e uma luz forte outra vez... – eu já havia contado sobre o sonho para ela – Só que dessa vez eu consegui abrir uma porta de um dos corredores...
– E... – me incentivou a continuar.
– E nada... Só vi uma luz ainda mais forte e acordei... O resto você mesma viu.
– Você estava se mexendo muito... – Rachel falou baixo e eu a encarei – Eu vim ver se você já estava acordada, mas você parecia estar no meio de um pesadelo... Só consegui te acordar depois que comecei a te sacudir...
– Que horas são? – mudei de assunto.
– Hum... – Rach pegou meu celular na mesinha ao lado da cama – Nove e trinta e dois, e você têm duas chamadas perdidas... Uma é da abuela e o outro não tem identificação.
– Me deixa ver... – peguei o aparelho – Acho que é o numero do Finn...
– Esquisito os dois terem te ligado com dois minutos de diferença... – ela falou olhando a hora das chamadas.
– É... – uma batida na porta me interrompeu.
– Bom dia minhas meninas. – nosso pai entrou no quarto.
– Bom dia papai. – Rachel respondeu enquanto eu só sorri para ele – Não sabia que o senhor ainda estava em casa.
– Hoje eu não vou trabalhar... – ele se sentou na beirada da cama.
– Por quê? – perguntei curiosa.
– Porque nós estamos indo para a casa da vó Alma. – ele sorriu.
– Eu amo a abuela, mas hoje eu não queria sair da cama... – resmunguei enquanto enfiava a cara no travesseiro.
– Aconteceu alguma coisa querida? – ele perguntou preocupado, afinal eu nunca recusava uma visita a abuela.
– Ela teve pesadelo outra vez... – minha irmã explicou – Acordou passando mal... Vomitou e tudo...
– Se eu não soubesse que você namora uma garota ficaria preocupado... – ele riu.
– Você também, pai? – levantei a cabeça.
– Ok, mas falando sério... Como você está se sentindo? – ele colocou a mão em minha testa – Febre você não tem.
– Foi só um mal estar...
– Certeza? – balancei a cabeça afirmando que estava bem – Ótimo. Nós saímos em quarenta minutos.
– Nós ainda vamos? – fiz uma careta. Acho que agora já era mais preguiça de levantar...
– Sim. Alma quer conversar com você e pediu que eu te levasse. – ele falou sério. Eu ia questionar o porquê dele ir junto, mas acabei deixando para lá.
Passei o caminho todo pensando em como aquele dia havia começado estranho... Sim, porque era estranho abuela ter pedido para o meu pai me levar até a casa dela ao invés de simplesmente pedir que eu fosse... Quando chegamos, o meu susto não poderia ter sido maior. Finn estava sentado no sofá com uma xícara na mão.
– Oi Santana. – ele colocou a xícara na mesinha de centro e se levantou – Tudo bem?
– Oi... – aquilo sim era estranho – Alguém pode me dizer o que está acontecendo?
– Senta aqui querida. – meu pai indicou o sofá – A dona Alma e o Finn precisam conversar com você.
– Ok, mas eu não sei se tenho algo para conversar com ele... – apontei para o garoto.
– Melhor sentar logo San, parece ser sério. – Rachel falou enquanto me puxava para sentar ao seu lado.
– Hija... – abuela começou a falar – O Finn me procurou ontem. Ele estava bem preocupado e disse que tentou falar com você varias vezes, mas não conseguiu...
– Você sempre desligava o celular antes de ouvir o que eu queria dizer... – Finn falou com a voz baixa – Eu tentei tantas vezes que falar com a dona Alma era a minha ultima alternativa.
– O que realmente está acontecendo aqui? – eu estava começando a ficar nervosa. Senti minha irmã pegar em uma das minhas mãos.
– Santana meu bem, todos nós estamos cientes de como foi a sua vida até pouco tempo atrás... – abuela tomou a frente outra vez – Eu mais do que ninguém sei o quanto sofreu, e eu queria muito nunca mais te ver triste, que se livrasse de vez do que te fazia mal...
– E eu só estou fazendo isso porque ela pediu muito... – Finn falou novamente.
– Falem de uma vez o que está acontecendo. – eu definitivamente estava nervosa com aquilo tudo.
– É a Melissa, San. – abuela me encarou séria – Ela está doente.
– Doente? – não entendi porque estavam me contando aquilo – Não deve ser nada de mais... Logo ela melhora. Podemos ir para casa, pai?
– Ouça sua avó, querida. – Hiram percebeu que eu queria fugir.
– Eu sei o que você está querendo fazer... Eles te machucaram muito, mas dessa vez não dá para fugir e fingir que eles não existem... – só então percebi que abuela estava abalada com a noticia.
– O que ela tem? – perguntei depois de alguns segundos em silencio. Minha cabeça estava confusa demais para eu entender o que estava sentindo.
– Leucemia... – Finn soltou em um suspiro – A Melissa está com leucemia.
Fale com o autor