In The Dark
45 Capitulo 45
Notas iniciais
Emily e Hanna ainda ficaram conosco por mais uma semana, mas precisaram voltar para casa, as aulas começariam em poucos dias e precisavam se reorganizar. Ontem eu fui visitar abuela... Ela não estava com uma cara muito boa, parecia estar preocupada com algo, mas não quis me dizer nada e eu achei melhor não insistir, pois mais cedo ou mais tarde eu acabaria sabendo o que estava acontecendo.
Sentei-me em minha cama e resolvi ler um pouco... Acabei me distraindo e levei um mega susto quando meu celular começou a tocar... Olhei no visor e não reconheci o numero...
– Alô. – atendi o aparelho.
– Oi, Santana?
– Sim, quem fala?
– Finn... Namorado da sua irmã. – ele respondeu baixo e eu pensei não ter entendido direito.
– Hã? Acho que não ouvi bem... Finn? – eu estava mesmo confusa com aquela ligação. Nós nunca conversamos antes.
– Sim... O namorado da sua irmã. – ele voltou a repetir.
– Sinto muito, mas minha irmã se chama Rachel e não namora nenhum garoto chamado Finn... – tentei parecer indiferente.
– Você sabe que eu estou falando da Melissa... – ele soltou um suspiro cansado – Eu preciso conversar com você... É sobre a Melissa...
– Mas eu não tenho nada para falar com você... Principalmente sobre ela. – eu ia desligar, mas ele quase gritou do outro lado.
– Espera! É importante... – ele tentou, mas eu o interrompi.
– Já disse que não tenho nada para conversar com você. – desliguei antes que ele pudesse dizer algo... Dois minutos depois, meu celular voltou a tocar, olhei no visor e era o mesmo numero – Para de me ligar, Finn. Eu não quero saber de mais nada que venha daquelas pessoas.
– Mas eu só queria dizer que... – eu nem esperei que ele terminasse a frase e novamente desliguei o celular.
– Garoto chato! – comecei a resmungar – Imagina... Eu que não quero mais saber daquelas pessoas...
– Conversando sozinha? – Rachel entrou no quarto.
– Só resmungando um pouco... – me deitei.
– O que aconteceu? – ela sentou ao meu lado.
– O Finn acabou de me ligar... – suspirei.
– Finn? O namorado da Melissa? – ela pareceu surpresa.
– Sim... Ele disse que queria falar algo sobre ela... – Rachel também se deitou.
– E o que era?
– Sei lá... Desliguei antes que ele falasse... – outro suspiro.
– E porque fez isso? – ela se virou para poder me olhar.
– Eu só não gosto de falar sobre eles... – dei de ombros.
– Ainda dói né?
– Eles eram a minha família, mas nunca me trataram como parte dela... Não tenho porque querer saber qualquer coisa sobre eles... Prefiro me manter distante...
– Tudo bem... Você pode se manter distante até que isso não te machuque mais... – ela se aproximou mais e abraçou a minha cintura com um dos braços.
Eu fiquei pensando no que ele poderia querer me dizer, mas eu ainda não me sentia bem com o assunto, com o fato de ter sido rejeitada pela minha própria mãe e irmã... Sim, por elas já que o Carlos não é e nunca foi meu pai... Acabei adormecendo e acordando duas horas depois... Rachel já não estava mais ali comigo.
Desci as escadas e comecei a ouvir risadas vindas da cozinha... Parei na porta e vi Hiram e Leroy preparando o jantar enquanto minha irmã estava sentada em uma das cadeiras... Eles conversavam animadamente e riam das palhaçadas que Leroy fazia enquanto lavava a salada. Uma musica animada embalava o clima alegre que estava ali. Rachel olhou na direção em que eu estava e voltou a abrir um grande sorriso.
– Hey dorminhoca! Senta aqui comigo. – ela me chamou apontando para a cadeira as seu lado.
– Se sente melhor querida? – Hiram me perguntou carinhosamente – A Rach nos contou sobre a ligação...
– Estou bem... – eu parei para realmente observar aquele homem... Eu passei anos em uma casa com uma família que nunca me deu atenção ou amor. Nunca ninguém se preocupou comigo e agora, em tão pouco tempo, essas três pessoas, que antes eram completamente estranhos para mim, me acolheram e me deram muito mais do que eu já tinha ganhado na vida... Hiram era tão carinhoso e preocupado, demonstrava ter me amado desde o primeiro instante, ficou comigo quando me machuquei... Eles eram tudo o que eu sempre quis em uma família e não tinha mais sentido adiar, não tinha mais porque não trata-lo como deveria ser... – Eu estou bem, pai... Só um pouco preocupada porque ontem fui ver abuela e ela estava um pouco estranha e hoje essa ligação do Finn...
– Espera. – Hiram me interrompeu – O que você disse?
– Hum... Qual parte? – olhei para os lados vi Rachel e Leroy sorrindo.
– O que você falou depois de dizer que estava bem... – ele também sorria.
– Ah sim. – eu dei um sorriso tímido – Eu disse que estou bem, pai...
– Me chamou mesmo de pai... – ele sorriu ainda mais – Você não sabe o quanto esperei por isso... É como se você ainda fosse uma criança que disse a primeira palavra...
– Deixa de ser bobo Hiram. – Leroy ria da cara do companheiro.
– Me deixa em paz Leroy. Minha filha acabou de me chamar de pai pela primeira vez e eu tenho o direito de ficar feliz. – eu apenas sorria, era bom vê-lo feliz assim... Olhei para Rachel e ela também parecia feliz – Acredito que ninguém nesse mundo é tão feliz quanto eu... Tenho um companheiro que está sempre ao meu lado e duas filhas lindas... Acho que não mereço tanto...
– Claro que merece... – Rachel ainda sorria enquanto ficava mais próxima a nós– Você, ou melhor, vocês dois são os melhores pais do mundo.
– Acho que vou chorar... – meu pai fez cara de choro, mas logo sorriu quando foi rodeado por nós três em um grande abraço em família.
E eu finalmente tinha deixado meus medos de lado e achado meu lugar... Uma família que me amava e me aceitava do jeito que sou.
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