In Real Life
3 Story Of My Life
Notas iniciais
#Lima, Ohio
“Então, Rae. Fale-me mais sobre você.”
Passava-se das onze da noite. As meninas conversavam não como pessoas que acabaram de se conhecer, mas como se já fossem amigas há anos. A morena estava adorando aquela nova experiência.
“Não tem muito que falar. Meu nome é Rachel Barbra Berry, tenho 17 anos, olhos cor de mel, cabelos castanhos claros, 1.59. Sim. Sou muito baixinha. Curso o terceiro ano do ensino médio. Moro praticamente sozinha e sofro bullying. Fim.”
“Isso são detalhes. Fale-me sobre sua vida, seus sentimentos, seu dia á dia. A verdadeira Rachel Berry.”
“Eu sou uma caixinha de surpresas que nem sempre revela coisas boas. Sou uma bagunça, completamente bagunçada, feita de pedaços, cicatrizes e erros. Moro em Lima, Ohio. Sou filha de dois pais gays, Hiram e Leroy Berry, por causa disso sempre falaram mal de mim e da minha família. Os parentes das outras crianças não deixavam elas brincarem comigo por medo que se contaminassem com a “doença” dos meus pais. Eu já tive uma amiga, era e foi à única, éramos confidentes, mas quando entramos no segundo terceiro do infantil ela parou de falar comigo, porque sua popularidade tinha que subir. Eu tenho uma grande tendência a repelir pessoas. Elas sempre se afastam, mais cedo ou mais tarde. E eu continuo no mesmo lugar, até encontrar outras pessoas. E então as perco também. É tão contínuo e repetitivo que você acredita ser o problema. Minha solidão aumentou quando meus pais começaram a viajar. No início eram viagens que duravam poucos dias, mas hoje eles demoram quase cinco meses para voltar para casa, passam alguns poucos dias comigo e partem novamente para outra viajem. Sou o tipo de pessoa que é de casa pra escola, da escola pra casa. Não costumo sair nem mesmo no meu aniversário. Passo o resto do meu dia estudando, lendo ou assistindo série. Tenho medo de continuar como uma dessas pessoas sozinhas, que passam o domingo sem ninguém, sem nenhuma companhia. Sem nenhum cachorro correndo e quebrando os móveis da casa. Então... Melhorou agora, Fabray?”.
“Sim, Rach. Ficou melhor agora.”
“E como é a verdadeira vida de Quinn Fabray?”.
“Bom, Minha vida não é bem um conto de fadas. Meus pais faziam de tudo para passarem a imagem de família perfeita para todos, mas não era bem assim. Meu pai chegava em casa bêbado quase todas as noites e haviam brigas constantes com minha mãe por esse motivo. Na escola sempre tive ótimas notas, era a capitã das cheerios e namorava o Quarterback do time de futebol. Não tinha nenhuma amiga de verdade, pois sabia que todos falavam comigo apenas por causa da minha popularidade, então meio que entendo o quão é triste pra você não ter amigos ou pais que te apoiem. Depois de um tempo descobri em uma festa que meu namorado havia me traído com outra cheerio, eu não amava ele de verdade, mas isso me machucou muito mesmo assim. Como já estava em uma festa e não tinha nada a perder bebi mais do que deveria e algum cara aproveitou-se da minha inconsciência. Acabei ficando grávida, quando meus pais descobriram fui expulsa de casa e mudei-me para a casa de minha irmã mais velha, Frannie Fabray. Antes de Beth, minha filha, nascer eu achava que ela era um erro, mas depois que eu vi aqueles lindos olhinhos dourados me encarando percebi que ela foi meu melhor acerto. Optei pela adoção direta, pois assim ainda posso manter contato com a mesma. Hoje moro em San Francisco, CA. Tenho uma melhor amiga, Santana Lopez, uma latina estressada. Os pais dela me tratam como uma filha e isso me faz sentir mais confortável ao estar longe daqueles que me deram a vida. Não existe muita diferença de idade entre eu e Frannie o que ajuda, e muito, a nossa comunicação. Meu nome completo é Lucy Quinn Fabray. Sou loira dos olhos verdes e maior que você com 1.66”
#San Francisco, Califórnia.
— Lucy Quinn Fabray! Ela pode ser uma assassina!
— Ela não é uma assassina, Santana.
— Você tem provas para isso?
Após a loira contar sobre sua amizade repentina com Rachel para a amiga logo se arrependeu. A latina achava que Quinn estava se ariscando muito ao contar toda a sua vida para alguém que nem sequer conhece. E discutir com Santana Lopez era com certeza perca de tempo. Não existe no mundo pessoa mais teimosa.
— Ela apenas não é. Okay? Okay
— Você ainda continua sem provar.
— Eu sinto a dor nas palavras dela. Sinto que posso confiar nela.
— Você é maluca._ Santana acertou uma almofada na loira. – Escolha o manicômio que você que ser internada, ou melhor, a cor do seu caixão caso essa tal de “Rachel” for uma assassina.
— Idiota. Já disse que ela não é._ Quinn estirou a língua em direção a outra. — Vou ligar pra ela hoje à noite. Se ela aceitar a chamada é porque ela não é uma assassina._ A morena abriu a boca pra falar algo, mas Quinn a impediu antes. – E não. Você não vai estar perto quando eu for ligar. São conversas pessoais.
— Sua chata. Eu aqui de boa, querendo seu melhor, e você não me deixa ouvir uma ligação estupida?
— Calada, Santana.
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