In Real Life
4 Call You
Notas iniciais
Now there´s so many things I wanna get to know
I wish that I could stay but I got to go
So I'm gone call you tonight, I will baby.
—Call You Tonight, Whitney Houston
#Lima, Ohio
Passava-se das quatro da tarde de um sábado, dia favorito de Rachel. Sem apelidos ofensivos ou banhos de slushes, sem gente idiota lhe perturbando e sem aula. Apenas ela, seu notebook e uma enorme panela de chocolate.
Deitada em sua cama a morena assistia o décimo sétimo episódio de friends, seu seriado favorito. Concentrada na trama a morena demorou a perceber que seu celular vibrava freneticamente. Pausou o episodio e levantou para buscar o mesmo na escrivaninha. Estranhou ao receber alguma ligação, há essa hora seus pais ainda estariam trabalhando.
“Quinn Fabray” se encontrava escrito em letras grandes e ovais na tela do aparelho. Um pequeno sorriso torto brotou no rosto da garota de olhos castanhos que atendeu a chamada sem perder mais tempo.
— Oi Quinn.
— Oi Rae, como vai?
Uma voz doce e rouca soou do outro lado. Por um momento a garota sentiu-se no céu.
— Levando a vida, e você?
— Vou bem. Estava ocupada?
— Não estava fazendo que nada que possa chamar de interessante. Estava apenas assistindo Friends.
— Desculpe atrapalhar. Posso se ligar outra hora, isso é se quiser.
— Não precisa desligar. Já assisti tantas vezes que praticamente sei todas as falas decoradas.— A pequena não queria que a amiga, como assim já considerava, saísse da linha, era a primeira vez que alguém a ligava, além de seus pais.
— Nossa que grande fã.— A loira falou em um tom de zombaria.
— É uma das duas únicas coisas que me fazem feliz de verdade, porque costumava assistir com meus pais quando criança e foi dai que surgiu meu nome.
— Posso saber qual a outra coisa que te deixa feliz?
— Pode até parecer estranhos, mas é falar com você.
Droga, Rachel! Você tem que aprender a hora certa para parar de falar. Bronqueou-se a morena.
As duas garotas ficaram vermelha por causa do inesperado comentário e um silêncio constrangedor se formou.
— Oh.
— Então, Quinn, por que ligou?— Rachel logo trocou de assunto. Achava-se especialista em deixar as pessoas desconfortáveis. — Não que esteja incomodando ou algo assim, longe disso. E porque não recebo muitas ligações e... Desculpe-me. Sei que algumas vezes acabo falando de mais.— Uma risadinha baixa foi ouvida e em seguida a doce voz da outra garota.
— Estava entediada.
— E resolveu ligar pra pessoa mais chata do planeta?
Rachel certamente não se achava o tipo de pessoa que tiraria alguém do tédio, mas sim pelo contrario.
— Ei. Eu gosto de falar com você.
— Sério? Geralmente as pessoas não me acham legal.— Ela realmente achava impossível essa possibilidade de que alguém realmente gostasse de falar com ela.
— Juro de dedinho. As pessoas sempre vão arrumar um motivo para falar mal de você, seja na sua cara ou pelas costas, que, aliás, é muito mais fácil.
— Mas então... O que costuma fazer em um sábado?— Perguntou realmente curiosa.
— Costumo falar com minha prima Brittany pelo Skype, mas essa esta ocupada hoje. Ela mora em uma cidade distante da minha e foi uma das poucas pessoas da minha família que esteve ao meu lado me apoiando depois que me descobri grávida de Beth. E na maioria das noites Santana me arrasta para algum lugar.
— Tem uma menina na minha turma que se chama Brittany também. Ela acha que o gato dela é traficante.— Deu uma pequena risada lembrando-se da menina, gostava dela, não que fossem amigas ou algo do tipo, mas a garota foi à única cheerio que nunca a maltratou.
— O nome dela é Brittany Pirce?
—Acho que sim.— A morena acenou com a cabeça mesmo sabendo que a outra não poderia vê-la. — Mas como sabe o nome dela?— Estranhou.
— Porque é o nome da minha prima. Percebi quando falou do Lord T, seu gato.— Isso com certeza era uma enorme coincidência. — Então Rach, você se da bem com a minha prima?
— Vamos dizer que sim. Nunca falamos uma com a outra, porém ela é a única cheerio que não me ofende ou me trata mal.
#San Francisco, Califórnia.
A loira logo planejou pensar em alguma coisa para fazer com que a prima se aproxime de Rachel. Achava que a menina não devia viver sua vida sozinha. Era muito jovem para viver presa em casa.
— Britt é muito inocente pra fazer mal a alguém. Mas quando mexem com alguém que ela gosta vira uma pessoa totalmente diferente.— Isso era uma das qualidades que mais admirava em sua prima. A campainha soou compulsivamente e a loira logo percebeu que era Santana. — Rae, preciso desligar. Tem alguém tocando a campainha.
— Okay. Foi muito bom falar com você Quinn.
— Digo o mesmo. E Rachel... Sua voz é linda.
— Obrigada. A sua também.
Podia perceber que a pequena sorria do outro lado.
— Tchau.
— Tchau.
Bip. Bip. Bip. Foi o que a loira escutou depois de desligar o celular. Colocou o mesmo em cima da mesa e foi atender a porta, encontrando uma latina com cara de poucos amigos.
— Por que demorou tanto para atender?_ Perguntou estressada passando reto pela loira, indo em direção ao grande sofá branco que se encontrava no centro da sala.
— Folgada._ Sussurrou baixo. – Estava falando com a Rachel.
— Então, como é a voz dela?
— Doce e sexy._ A loira mordeu o lábio apenas ao pensar no doce som da voz da menor.
— Safada._ Santana acertou uma almofada bem no meio do rosto da amiga. – Sobre o que falaram?_ A curiosidade lhe consumia.
— Nada de mais. Lembra a minha prima Brittany?_ A morena assentiu e seus olhos escuros brilharam com a menção do nome da garota. – Ela estuda na escola da Rachel.
— Que coincidência.
— Então, o que veio fazer aqui?_ Arqueou a sobrancelha mesmo sabendo a resposta.
— Te chamar pra ir a uma boate nova que abriu há pouco tempo.
— Tenho escolha?
— Não._ A de olhos claros ligou a tevê e descansou a cabeça no ombro da amiga. – Depois me chama de folgada._ Quinn olhou para a latina com uma cara de surpresa e um sorriso amarelo. – O que? Acha que eu não escutei?
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