In Real Life
1 It's My Life
Notas iniciais
#Lima, Ohio
O slushie escorria pelo suéter infantil da garota, o cheiro dominava todo seu corpo e seu cabelo. Encharcada pelo líquido roxo correu para o banheiro onde rapidamente tentou tirar todos os pequenos pedaços de gelo que estavam grudados em seu cabelo. Odiava o sabor uva, poderia ser o mais saboroso, porém o mais difícil de tirar.
Depois que o toque, para que todos os alunos entrassem em suas respectivas classes, soou. A morena foi ate seu armário onde pegou todos os seus pertences para ir embora. Suas roupas extras, que sempre levara para ocasiões como essas, haviam acabado por ser a terceira raspadinha que lhe jogaram no dia.
Com passos rápidos chegou à secretaria onde alegou com uma falsa cara de dor que não estava sentindo-se bem, o que deu certo, agradeceu mentalmente pelas aulas de teatro feitas há alguns poucos anos atrás.
Caminhou durante uns dez minutos e logo parou em frente a sua casa que não era muito longe da escola. Adentrou o local que possuía cores neutras e móveis sofisticados. Correu para o banheiro de seu quarto onde logo pegou uma de suas giletes e faz um corte em seu pulso, a sensação de dor e alívio logo veio. A pequena desejava alguém que confiasse nela, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido falar. Alguém que a conhecesse. Não aquilo que pensavam ao seu respeito, mas ela de verdade.
Jogou suas roupas sujas no cesto e entrou no chuveiro, uma sensação de alívio e relaxamento invadiu sua mente e corpo.
"Perdedora”, "Você é um grande nada”, "Não terá futuro algum”. A ótima sensação foi embora quando as palavras cruéis começaram a rondar sua cabeça, estava cada vez mais difícil suportá-las. As pessoas eram más com a menor, queriam que ela sofresse. O porquê? Nem elas mesmas sabiam.
Desligou o chuveiro e após secar-se colocou seu inseparável pijama do Bob Esponja. Deitada em sua enorme cama pegou seu celular e começou a vasculhar seu Twitter e depois de um tempo viu um usuário que tinha postado o número do seu celular falando que poderia chamar se precisasse desabafar. Resolveu tentar, não teria nada a perder mesmo. Começou a sentir-se idiota depois de fazer isso. Escrevendo para alguém que não conhece, e que provavelmente nunca vai conhecer, na esperança de criar um vinculo que não possui nem mesmo com pessoas que vivem ao seu redor.
#San Francisco, Califórnia.
“... Em alguns momentos, eu a decepcionarei em outro você me frustrara, mas, se tivermos coragem para reconhecer nossos erros, habilidades para sonharmos juntos e capacidade para chorarmos e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então nosso amor será imortal.”
A loira fechou o livro e encarou o céu, as lembranças do nascimento de Beth apareciam em sua mente como flashes, o que fez seus lindos olhos verdes inundarem de lágrimas.
Anos atrás todos pensavam que a ex-cheerleader tinha a vida perfeita, namorava o quarterback do time de futebol, pais ricos e importantes na cidade, notas perfeitas, capitã das cheerios, no topo da pirâmide alimentar escolar, mas a vida dela não era tão simples assim.
Seu namorado havia a traído com outra cheerio e ao receber essa notícia foi a uma festa onde acabou bêbada e algum cara se aproveitou de sua inconsciência, dias depois descobriu que estava grávida. Seu pai bebia muito, e por esse motivo ocorriam muitas brigas em casa, e só piorou depois de se assumir grávida á família e não lembrara quem era o pai da criança. Depois que ouviram a notícia, os mesmo há expulsaram de casa e a loira foi morar com a irmã mais velha, Frannie Fabray.
Após Beth nascer, a de olhos verdes depois de muito pensar decidiu por colocar a criança na adoção, já que não teria tempo, maturidade ou dinheiro para cuidar do bebê, mesmo sua irmã dizendo que cobriria todas as despesas, não queria abusar da bondade da mais velha.
A realidade voltou para a loira quando sentiu o celular em seu bolso vibrar. Não reconheceu o número, mas abriu o anexo e leu a mensagem.
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