Notas iniciais
Oi lindas!
Mais um capitulo
Vcs estao comentando tao pouco :(
Vcs estao gostando da fic? Sério, podem falar de verdade o que vcs estao achando, mesmo se for para falar tipo 'tá uma droga'
Em fim, é isso.
Espero que gostem
bjs

A noite passada, com toda a certeza, tinha sido a noite mais triste da vida de Elena. Mas o que ela esperava? Um final feliz? Como ela poderia esperar algo assim quando ela era uma escrava? Escravos não tinham finais felizes, nem uma vida digna tinham. Eles não tinham nada e ela deveria se habituar a isso de uma vez por todas. Ainda assim, não precisava ser tão difícil e doloroso, mas era. Cada minuto que se passava tornava tudo ainda mais difícil. Ela nunca mais ficaria com Príncipe. E ele era tudo para ela. Damon a tratava como ninguém jamais a tratou antes. Ele era carinhoso, gentil, ele dissera mais de uma vez que a amava. E ela também o amava. Durante o pouco tempo em que ficaram juntos, Elena pensou que poderia ser feliz, mas estava completamente enganada. Primeiro foi a notícia que ele iria se casar e embora ele tenha rejeitado sua noiva, isso não foi suficiente para que ele e Elena ficassem juntos. Ela foi mais uma vez tratada como a escrava que ela realmente era. O Rei Giuseppe a devolvera como se ela fosse uma mercadoria que veio com defeito. Durante o tempo que ficou trancada no depósito de escravos, sentiu-se ainda pior. Sentiu-se doente naquele ambiente horrível e para piorar, sentia falta de Damon. Não pode nem se despedir dele, se é que isso era uma despedida. Nem tinha idéia se ele sabia ou não que ela havia sido devolvida. E para piorar tinha sido comprada justo pela família de Camilla, a noiva de seu amado. E ele iria mesmo se casar. Aquela altura, não soube se ele tinha sido apenas obrigado pelo Rei a continuar com o noivado ou se ele havia mudado de idéia e percebido que casar-se com a Princesa era, de fato, o melhor para ele. A segunda opção parecia muito mais racional, mas se tratando do Damon, não pode ter certeza se era esta que ele havia escolhido. Ele não costumava basear suas decisões pela razão, ele era passional demais para isso. E se toda a tristeza já não fosse suficiente, quando Elena finalmente pudera se reencontrar com o Príncipe fora justamente na festa de noivado dele. Ao menos ela o tinha visto, pudera olhar para ele nem que fosse por um breve instante. E embora a presença dele pudesse acalmar seu coração, este ultimo fora totalmente dilacerado minutos depois quando ele pediu oficialmente a Camilla em casamento. Elena sentiu sua alma chorar só ao lembrar-se daquela cena. Era tão triste, ela nunca mais teria uma chance, nem de estar perto dele. E as coisas só se tornavam piores, porque naquela manhã, a Princesa decidira que Elena seria sua escrava pessoal. Isso era terrível. A morena teria que passar o dia com sua rival. Riu com esse pensamento. Não existia rivalidade entre uma princesa e uma escrava, porque a princesa ganharia sempre. Chegava a ser injusto.

-Elena... -Camilla a chamou em um tom imperioso.

-Sim, Vossa Alteza? –Respondeu, sentia-se ainda mais inferior. Sentiu-se um lixo.

-Traga um chá para mim e traga rápido. –Ordenou.

Elena assentiu com a cabeça e retornou o mais rápido que pode. Serviu a Princesa que mal notava a sua presença, ou melhor, notava, mas a presença da garota era tão insignificante que não valia a pena perder um segundo que fosse a olhando. Camilla segurou a xícara com tamanha classe, mas não fora isso que chamara a atenção da escrava, mas sim a aliança de diamantes que reluzia no dedo da princesa. Elena sentiu-se atordoada com aquela cena. Era demais para ela. Ter que ver a Princesa ostentando em seu dedo o anel dado por Damon era um golpe muito forte e seria um golpe que ela levaria todos os dias. Ainda assim, ficou longos minutos atrás da Princesa, observando a forma como o enorme diamante brilhava a cada movimento que fazia. Elena estava tão afetada que por um único segundo perdeu seus sentidos, segundo esse que foi suficiente para que ela caísse no chão e o barulho chamou a atenção da princesa. É claro que Camilla não se preocupou com o estado de Elena, tampouco teve piedade da garota. O barulho a irritou, simplesmente isso.

-Mas você continua aqui? –Indagou bastante irritada, odiava a presença de escravos, ainda mais quando eles permaneciam ao seu lado mais do que o necessário. E era pior ainda quando eles se faziam de alguma forma notados, como Elena fizera ao cair. Não ajudou a garota que se levantou com dificuldades. Não tinha que ajudar. Nunca que uma princesa se rebaixaria ao ponto de ajudar uma escrava.

-Eu sinto muito, Alteza, eu já estou indo embora. –Baixou a cabeça em um gesto de submissão.

-Sente muito? –O olhar de Camilla era furioso. –Eu não quero escravos perto de mim, entendeu? Eu só quero te ver quando eu te ordenar que faça alguma coisa e assim que fizer, quero que desapareça da minha frente sem ser notada, entendeu?

-Eu peço desculpas por esse descuido. –Sussurrou, estava tão amedrontada.

-Você vai pedir desculpas depois que eu te castigar! –Continuava exaltada, puxou Elena pelo braço, conduzindo-a até a zona de punições.

Elena estava fazendo o máximo que podia para conter seu choro, tinha medo de que, se a Princesa a ouvisse chorando, ela se irritasse ainda mais. A morena sentia-se tão degradada, estava mais humilhada do que em qualquer outra situação por qual já tinha passado. Apanhar da Camilla era ainda pior. Se não bastasse o golpe que era saber que ela iria se casar com o homem que amava, ter que vê-la ostentando a aliança, ainda passaria por isso. Sua alma, seu coração doíam, doíam demais e a dor se tornou palpável quando sentiu suas costas serem açoitadas por um chicote. Fechou os olhos, rezando para que aquele terrível momento passasse logo. Isso era tudo que ela poderia fazer. Sentiu ainda mais saudades de Damon, desejou que estivesse lá, ao seu lado, porque ele sempre a ajudava, ele sempre a salvava daquele tipo de violência. Mas ele não estava mais lá e essa, de todas as coisas que podiam machucá-la, com toda a certeza, era a que mais machucava.

...

Damon acordou bem cedo naquele dia, ou melhor, ele nem tinha dormido. Aquela era a segunda noite consecutiva que passava em claro, entretanto, a exaustão era o que menos o incomodava. Tudo em que pensava era Elena. Queria tê-la ao seu lado, queria tê-la só para si. Apesar de terem se visto no dia detrás, a saudades não havia sido diminuída em nada. Fora apenas uma troca de olhares, nada mais. Não pudera ter um minuto nem para sentir a textura de lábios femininos contra os seus tampouco para dizer o quanto a amava. Ainda não conseguia acreditar em tudo que acontecera. Apesar de ter passado a noite inteira acordado, pensando em um plano de tirar sua amada do Palácio do Reio George, a única coisa que lhe veio à mente foi em voltar ao palácio. Precisava estar perto de Elena e talvez, assim, conseguisse achar uma solução. Suspirou fundo ao lembrar-se que estar perto de Elena também significava estar com a Camilla e ele a odiava, mas não tinha outro jeito. Precisava fazer isso por Elena. Arrumou-se rapidamente, não queria demorar nem mais um minuto. Ao passar por um dos enormes salões do Palácio, seu pai, que estava junto de Stefan, o chamou desconfiado.

-Onde você está indo, Damon? –O Rei perguntou.

-Eu vou dar uma saída, só volto de noite. –Respondeu sem dar muita importância ao pai.

-Você não pode sair se você não me disser aonde você vai. –Exigiu uma resposta e, se o filho quisesse realmente sair, teria que responder. –E também não vai sair se não for escoltado pelos guardas.

-Calma, papai. –Zombou. –Eu vou visitar minha noiva, só isso.

-O que? –Giuseppe parecia não acreditar e Stefan compartilhava do mesmo pensamento, afinal, olhou incrédulo para o pai.

-Eu pensei que iria gostar dessa noticia, afinal, não era você que queria que eu me envolvesse mais com toda essa história de casamento? -Arqueou uma sobrancelha em um gesto de cinismo.

-Eu gostei, só estou surpreso. –Abriu um ligeiro sorriso, o Rei não era o tipo de pessoa que costumava sorrir. –Mas fico feliz que você esteja finalmente tomando juízo, filho.

Damon não respondeu, não iria alongar aquela conversa desnecessária. Ele estava realmente com pressa. Saiu do Palácio, mas uma vez escoltado, afinal, todos os guardas estavam instruídos a não deixá-lo sair sozinho e estavam cumprindo aquela ordem a risca. O Príncipe odiava isso, odiava ter cada um de seus passos vigiados pelo seu pai, mas não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. Depois de algumas horas de viagem, finalmente chegou ao Castelo da Princesa Camilla. Pediu que anunciassem a sua chegada, alguns minutos depois, foi Elena que veio recebê-lo. Quando os dois se encontraram, apenas o olhar que trocaram foi mágico, possuía tanto amor.

-Elena... -Damon quebrou o silêncio, sussurrando seu nome com carinho.

-Damon. –A morena sorriu.

-Tem algum lugar onde nós possamos ficar a sós por alguns minutos? –Perguntou ansioso, ele precisava tanto matar a saudade do gosto dos lábios dela e não poderia beijá-la a não ser que fosse a algum lugar onde tivesse certeza que eles fossem ser vistos.

-Sozinhos, não. –Lamentou. –Eu ainda não conheço direito o Palácio. –Uma breve pausa. –Mas se nós mantivermos uma distancia, nós podemos conversar um ou dois minutos no máximo aqui mesmo.

-Mas eu preciso tanto te beijar, Elena. –Murmurou, entristecido. –Eu sinto tanto a sua falta.

-Eu também. –Elena falou quase choramingando. –É tão difícil ficar sem você. –Seu coração se apertou. –Mas não tem outro jeito, não é?

-Eu prometo que eu vou achar um jeito de resolver isso tudo. –Estava fazendo mais promessas, mesmo não tendo idéia de como iria cumpri-las. Sabia apenas que não iria desistir de ter Elena ao seu lado.

-Mas você vai se casar com a Princesa... -Baixou o olhar, não iria conseguir olhar nos olhos dele naquele momento. –Eu vi quando você ofereceu o anel a ela. –Controlou-se para não chorar.

-Eu só fiz isso porque não tive outra opção, eu continuo não querendo me casar.

-Mesmo, assim, Damon, você está comprometido agora e mais do que isso, eu sou uma escrava, nós nunca vamos poder ficar juntos. –Por mais doloroso que fosse essa era a realidade e ela precisava aceitá-la.

-Mas, Elena, eu te amo. –Confessou. –Eu amo tanto, eu faço qualquer coisa por você.

-Eu sei disso. –Sorriu. –Mas no final, isso não vai importar, você vai ter que acabar fazendo o que seu pai quiser que você faça, afinal, ele é o Rei. –Argumentou, a verdade, é que depois que a morena apanhara de Camilla, havia perdido todas as esperanças. Ela, finalmente, percebera o óbvio. Ela era apenas uma escrava e tinha que se contentar com aquela posição, por mais que isso fosse doloroso. –Nós não devemos mais insistir em ficarmos juntos... -Por mais que tentasse, não conseguiu conter totalmente o choro, uma lágrima vertia de seus olhos.

-Não precisa ser assim, Elena. –Insistiu. –Eu só preciso de alguns dias para pensar em alguma coisa. –Tentou levar uma das mãos ao rosto dela e, embora ela devesse recuar, pela segurança de ambos, ela deixou ser tocada por um breve instante. –Eu não vivo sem você.

-Damon, nós precisamos ir até a Camilla. –Tivera que cortar o momento mesmo desejando que ele fosse infinito. –Ela já deve estar se perguntando por que estamos demorando tanto.

Frustrado, ele concordou. Elena se antecipou, dando alguns passos na frente dele a fim de guiá-lo até a Princesa. E foi nesse momento que Damon viu as costas de Elena. Seu simplório vestido branco estava manchado de sangue. Precisava perguntar sobre isso a ela. Controlou sua preocupação e esperou que caminhassem um pouco pelo palácio até que notou um cômodo, cuja porta estava aberta, e não havia ninguém ali. Segurou a garota pelo pulso e levou até lá.

-O que você está fazendo? –Ela perguntou sem entender nada. Ele não respondeu, ele tinha sua própria pergunta para ser feita.

-Esse sangue nas suas costas, o que acontece, Elena?

-Nada demais. –Tentou disfarçar. –Eu me machuquei.

É lógico que Damon não acreditou, não precisou nem pensar para saber o que tinha acontecido. –A Camilla te bateu. –Aquilo não era uma pergunta, era uma afirmação.

-Sim. –Confirmou em uma seca resposta, estava lutando para não desabar emocionalmente, mas havia perdido a batalha. Estava chorando. –Ela é tão cruel. –Desabafou.

Damon a envolveu em seus braços e aquele carinhoso abraço fez com que ela se sentisse melhor, trouxe vida a sua alma devastada.

-Eu prometo para você que eu vou te tirar daqui. –Acariciou a face entristecida da morena. –Você precisa confiar em mim.

-Eu confio.

E no momento seguinte as bocas de ambos se uniram em um beijo mais do que intenso. Era tanta saudade, tanto amor reprimido. Os lábios encaixavam-se perfeitamente, as línguas se uniam, dançando juntas em um ritmo delicioso. Saboreavam a boca um do outro, precisavam do sabor daquele beijo. Eles precisavam um do outro. Eles se amavam mais do que tudo.

Notas finais
=*