Impacto

3 Sentimentos


Notas iniciais
E então, gostaram do primeiro capítulo? espero que sim e também espero que gostem desse. Boa leitura!

Quando me virei, me deparei com a Carol, uma funcionária do orfanato que nos trata tão bem que até parece nossa mãe, ou algo melhor.

– Oi Carol, o que você queria falar? — perguntei

– Olá Mili, O SR José Ricardo mandou avisar que logo está chegando ao orfanato para ter uma conversa com você, e ele também disse que supõe que você sabe sobre o que ele quer falar. — respondeu carol

O SR José Ricardo era o dono do orfanato, ou seja, ele mandava naquele lugar. Na verdade não, nós já tivemos vários diretores, como a Sofia, que morreu quando eu tinha 13 ou 14 anos, não me lembro direito. O José Ricardo é uma pessoa muito ignorante, se um dia alguém encontrar uma pessoa mais ignorante que o José Ricardo eu terei muita pena dessa pessoa.

– Obrigada por me avisar, acho melhor eu ir me arrumar — disse observando o meu traje, que era, uma camisola e uma pantufa, se uma outra pessoa a não ser a Carol ou as pessoas do orfanato me encontrasse assim eu acho que eu passaria uma grande vergonha.

– Eu também acho. — disse Carol reparando na minha roupa o que provocou nela um riso.

Subi até o banheiro e entrei em baixo do chuveiro e comecei a pensar na minha vida. E não obtive resultado algum. Eu nunca fiz nada na minha vida, a minha existência no mundo não muda praticamente nada na vida de ninguém.

Comecei a pensar sobre por que eu nunca fui adotada? O problema seria em mim? Eu tenho algum problema? As perguntas são várias, mas a maioria não tem e nunca terá uma resposta.

Eu lembro quando eu era menor, lembro quando alguma pessoa que queria adotar alguém chegava ao orfanato eu fazia de tudo para ser adotada, mas as minhas tentativas sempre falharam. É horrível você ver uma pessoa ser adotada enquanto você continuava dentro do orfanato. Não desejo isso a ninguém.

Parei de pensar na minha vida e o quanto ela não me traz nada de bom e sai do banho, depois fui até o dormitório e troquei de roupa, coloquei o uniforme do orfanato, que já estava um pouco apertado. Desci até a sala e não obtive nenhum sinal do SR José Ricardo. Esperei alguns instantes até que ele chegou com o mesmo visual de sempre, aquele terno, aquela mala e aqueles sapatos sociais, já pensei em falar para ele inovar uma vez, mas achei melhor fechar a minha boca.

– Bom dia Milena — ele me cumprimentou.

– Bom dia SR José Ricardo — respondi educadamente

– Será que nós poderíamos ir até a sala da diretoria para podermos conversar um pouco mais reservadamente? — ele me perguntou.

– Claro.

Fomos até a sala da diretoria, quando entramos ele sentou em uma cadeira que fica de frente a que eu sentei. Ele colocou sua maleta na mesa e começou a falar.

– Bem Milena, como você deve saber, o prazo que você pode continuar no orfanato são de três dias, e como você pode perceber, você não tem para onde ir e nós não podemos lhe ajudar de maneira alguma.

– Sim, eu sei, eu tentarei arrumar a minha vida e..... — eu estava quase terminando a minha frase quando ele resolve me interromper

– Milena, não é tão fácil quanto você pensa, acho que você nunca enfrentou algo diferente da escola ou o orfanato, devíamos ter feito você se acostumar com a cidade, mas agora não temos mais tempo, você só tem mais alguns dias e não é muito fácil como as pessoas imaginam, é muito perigoso, você pode ser assediada ou algo muito pior pode acontecer, e eu acho que você não deseja isso. — ele disse

– Com certeza não desejo isso Sr José Ricardo, porém quais são as minhas outras opções? Não tenho outra opção a não ser esta. — respondi

– Você está certa, você não tem outra opção, mas escute o que eu estou falando, tome muito cuidado com o que faz, qualquer coisa pode botar a sua vida em risco — ele falou isso e senti medo de algo que eu não sabia o que era.

– Eu irei tomar cuidado, pode acreditar Sr José Ricardo — respondi

– Tenho que ir embora, tenho compromissos mais sérios para cuidar, volto daqui a três dias para me despedir, e caso isso não possa ocorrer, já irei me despedir.

Ele inclinou o braço e abriu a palma de sua mão, depois de três segundos eu fui notar que ele queria me dar um aperto de mão. Coloquei a minha mão sobre a dele, a mão dele era uma mão muito áspera e senti um arrepio quando ela encostou na palma da minha mão.

– Adeus Milena, até algum dia — ele se despediu

– Adeus Sr José Ricardo — respondi

Logo depois eu ouvi o barulho da porta se fechando e voltei a sala e me estirei no sofá até que ouvi passos vindo da escada e quando reparei pude ver que era a Carol.

– E então? — ela me perguntou.

– E então o que? — perguntei

– Como foi conversar com Sr José Ricardo? — ela me perguntou como se eu fosse idiota.

– Ah, foi normal, oras — respondi — Carol, se você não se importar eu vou até o dormitório, acho que eu acordei muito cedo, até mais tarde.

– Claro, pode ir. — ela me respondeu com um sorriso.

O bom da Carol é que ela sempre carrega um sorriso no rosto, e isso me anima bastante. Subi as escadas até o dormitório e algumas meninas já tinham acordado. Quando eu disse para a Carol que eu queria dormir, era mentira, eu queria subir para conversar com alguém.

– Bom dia pessoal — as cumprimentei

– Bom dia Mili — respondeu Pata.

Sorri para ela. Pensando bem eu não queria conversar mais com alguém, eu queria fazer outra coisa, quem sabe arrumar as minhas malas ou quem sabe outra coisa. No momento eu queria partir do orfanato, mas ao mesmo tempo não, eu queria fazer as minhas malas, mas ao mesmo tempo não. Eu não sabia o que fazer, eu queria mudar a minha vida mas eu não sabia por onde começar.

Na noite seguinte antes de eu ir embora, eu comecei a fazer as minhas malas, não era tanta coisa, só uma mochila com roupas e outra sacola com sapatos. Preferi não levar muita coisa porque por enquanto eu não tenho para onde ir, então eu pedi para a Carol guardar meus pertences até que eu possa voltar e pegá-los, mas eu ainda não tinha uma data prevista para quando isso ia acontecer. Minha cabeça estava atolada de ideias para o que eu ia fazer mas ao mesmo tempo eu também estava muito triste com a situação. A Carol me deu uma quantia em dinheiro sem que ninguém soubesse, não foi uma quantia muito grande mas iria me ajudar bastante para sobreviver até que eu encontrasse algum lugar para ficar. Eu também tinha um dinheiro economizado então eu juntei tudo e a quantia aumentou.

Resolvi ir dormir, eu estava com uma tremenda dor de cabeça, talvez ela ansiedade ou pelo nervosismo, ou pelos dois juntos.

Quando eu acordei no dia seguinte todos já tinham levantado da cama, menos Ana que dormia tão tranquilamente que eu fiquei com pena de acorda-lá para tomarmos café da manhã. Desci as escadas em direção a cozinha e como eu presumia, todos estavam lá tomando café e me cumprimentaram quando eu passei por eles.

Sentei ao lado da Cris na mesa e tomei meu café, que estava ótimo. Depois que tomei meu café, fui até o dormitório e Ana já estava levantada para ir até a cozinha. Levei minha mochila e minha sacola até a sala e fiquei esperando dar 10:00, que era o horário que eu teria de partir. Os órfãos foram saindo da cozinha e se sentaram ao meu lado, já começando a se despedir. Eu já comentei sobre o fato de eu odiar despedidas? Não fui chata com eles, me despedi, dei vários abraços, eu estava quase começando a chorar quando percebi que já eram 10:12, se alguma pessoa da prefeitura chegasse aqui e me visse eu estaria muito ''frita'' e as coisas para o orfanato complicariam. Me despedi novamente de todos e sai do orfanato. Quando eu coloquei meu pé para fora do portão eu tive noção do que eu estava fazendo, eu queria mudar a minha vida, mas não sabia se seria para melhor ou para pior, fui me distanciando do orfanato e olhei para trás quando eu já estava um pouco longe. Eles estavam acenando para mim, e neste exato momento eu senti um aperto no coração, e ao mesmo tempo eu esbarrei em uma pessoa que logo começou a resmungar

– Me desculpe, eu estava um pouco distraído, nem reparei em você, desculpa, você ta bem?

Notas finais
Espero que tenham gostado, amanhã eu posto outro! Comente se gostaram