Impacto

4 Sentimentos


Notas iniciais
Olá, desculpe a demora para postar o segundo capítulo, eu cometi um erro na hora de postar ontem e não deu certo, mas está aí :-) Boa leitura!

Me virei e pude perceber que quem me chamou era a Carol, uma funcionária do orfanato. Carol nos tratava tão bem que até parecia a nossa mãe, ou até algo melhor do que isso.

– Oi Carol.... O que você quer me dizer? – perguntei

– Olá, bom dia, o Sr José Ricardo irá vir ao orfanato daqui a pouco, ele quer falar com você.

O Sr José Ricardo era o dono do orfanato, ele é um homem muito ignorante, se um dia alguém encontrar uma pessoa mais ignorante que ele eu teria pena dessa pessoa. A única vez que ele não foi ignorante na vida foi quando montou esse orfanato, mas foi a única vez.

– Ah, obrigada por me avisar – respondi

– Imagina, mas eu acho melhor você ir se arrumar. – ela disse reparando no meu traje e soltando um riso pequeno.

– Concordo – disse sorrindo

Subi a escada correndo em direção ao banheiro. Chegando ao banheiro fui diretamente ao chuveiro e comecei a tomar meu banho. Durante meus banhos, eu fico pensando sobre a minha vida, o quanto ela não interfere nada na vida dos outros. Sempre me pergunto o por que de eu nunca ter sido adotada, eu queria saber se o problema era em mim, se eu tinha algo que fazia as pessoas pensarem que eu tinha algo diferente. Me lembro de quando as pessoas que queriam adotar alguma criança chegavam no orfanato. Eu fazia de tudo para ser escolhida, porém as minhas tentativas sempre falharam. Resolvi parar de pensar e terminar logo de tomar o meu banho, depois que terminei fui até o dormitório e troquei de roupa, coloquei o uniforme do orfanato, que já estava um pouco pequeno. Desci até a sala para ver se o Sr José Ricardo já tinha chego, e para a minha sorte pude perceber que ainda não.

Mas foi por pouco tempo, praticamente alguns segundo após eu me sentar no sofá eu ouvi o barulho da porta se abrindo e pude notar o Sr José Ricardo entrando. Logo que me viu me cumprimentou e fez sinal para irmos até a sala da diretoria. Chegando na sala, nos sentamos um de frente para o outro. O Sr José Ricardo colocou sua maleta em cima da mesa que nos separava e começou a falar, com uma voz muito rouca.

– Bom Milena, como você sabe, você terá de partir do orfanato. Suponho que já tenha para onde ir, por isso não correrá perigo. – ele disse

– Como disse? Me desculpe, mas eu ainda não tenho para onde ir. – respondi

– Como não? – ele me perguntou com exclamação

– Ninguém me falou nada para onde eu poderia ir. – respondi

– Já percebi que não posso deixar esse orfanato nas mãos de mais ninguém, quanta irresponsabilidade desse diretor do orfanato, eu tinha pedido para que ele procurasse um local para que você pudesse se hospedar, mas como pude perceber, a falta de competência desse homem é muito grande. Agora teremos de mandar você sem nada a lugar nenhum, correndo perigo sem saber o que pode ou não acontecer. – ele disse preocupado

Eu nunca vi esse homem se preocupar com alguém, ainda mais com algum órfão ou mais ainda comigo, nunca esperei isso dele, demorei alguns segundos para perceber que isso aconteceu de verdade até eu poder responder alguma coisa.

– Não pode ser tão difícil quanto parece, eu tentarei procurar algum lugar em que eu possa ficar até eu arranjar um emprego e..... – quando eu estava quase terminando a minha frase ele resolve me interromper.

– Como disse? Me diga que não disse o que eu ouvi, você realmente acha que sair sozinha para morar sozinha em uma cidade dessas não é difícil quanto mais perigoso? Por um acaso você já foi a outro lugar além da escola e do orfanato? Você já assistiu a algum jornal e já notou a quantidade de pessoas que morrem por dia nessa cidade?

– Já, sim senhor. Mas eu não tenho outras opções, somente esta no momento. — respondi

– Acho melhor eu ir embora antes que eu fique mais estressado do que já estou, você só tem mais um dia nesse orfanato, depois não deverá mais permanecer nesse local. – ele disse

Pegou a sua maleta que estava na mesa e nem se despediu, simplesmente saiu da sala e logo em seguida eu pude ouviu o barulho da porta da entrada se fechando. Ele foi embora.

Sai da sala em que estava e fui em direção a escada, quando novamente ouço Carol me chamando.

– E então? – ela me perguntou

– E então o que? – perguntei

– Sobre o que vocês falaram? – ela me perguntou novamente

– Sobre a minha ida. – respondi. – se você não se importa, eu irei subir ao dormitório, estou um pouco cansada, depois eu conto em mais detalhes.

– Claro, pode ir. – ela disse

Subi as escadas correndo porque eu não estavam afim de conversar no momento, quanto mais sobre esse assunto. Entrei no dormitório e algumas meninas já estavam acordadas e me cumprimentaram quando eu entrei. Quando eu disse para a Carol que eu queria dormir, era mentira, eu queria mesmo era fazer a minha mala. Eu não sei o que quero fazer da vida, ao mesmo tempo eu quero fazer as minhas malas, mas ao mesmo tempo eu não quero, uma hora eu quero ir embora, mas em outra eu prefiro continuar aqui. Peguei a minha mochila e uma sacola, comecei a colocar minhas roupas na mochila até que algumas meninas notaram e vieram me perguntar porque eu estava fazendo isso e eu as fiz lembrar, apenas com o meu olhar que hoje eu completava 18 anos, o que não era nada bom.

Quando eu terminei de fazer as minhas malas eu estava um pouco cansada e então resolvi dormir um pouco.

No dia seguinte quando eu acordei, poucas meninas ainda dormiam, resolvi levantar e já levar comigo as minhas malas até a sala. Antes disso, me arrumei, coloquei uma calça jeans, uma blusa regata e uma blusa de frio e por sapato optei por uma sapatilha. Fui em direção da cozinha para tomar meu café e acabei encontrando a maioria dos órfãos tomando café. Tomei meu café tranquilamente e fui até a sala esperar um pouco para eu poder partir.

– Mili, ei, vem aqui – era Carol novamente me chamando

Fui ao lado dela e ela me entregou uma caixinha e depois foi em direção a cozinha.

Abri a caixinha e pude notar que dentro da mesma estava uma quantia em dinheiro, não era uma quantia tão grande mas eu não posso reclamar de nada que me ajude no momento. Caminhei até a cozinha e parei na porta e observei a Carol e quando ela me notou eu somente mexi a boca dizendo obrigada.

Quando todos tomaram café eles foram até a sala, onde eu estava. Houve muitos abraços e beijos, muitas pessoas chorando, inclusive eu. Fomos todos em direção ao portão, olhei para trás e pude notar que eles estavam esperando eu sair para começarem a chorar novamente. Coloquei um pé para fora e depois em seguida, o outro. Comecei a caminhar para frente, quando eu estava um pouco longe, olhei para trás e os vi acenando. Me deu um aperto forte no coração. Nesse momento eu sabia que estava decidida a mudar minha vida, só não sabia se conseguiria a mudar para melhor.

Eu estava tão destraída que acabei batendo a minha testa em uma outra pessoa, que logo começou a pedir perdão quando notou que eu estava com a mão na cabeça.

– Me desculpa, eu estava distraído, nem notei você. Ai, você se machucou? – me perguntou.

Notas finais
Gostaram? Acho que vocês já devem imaginar quem é essa pessoinha ai no final, amanhã eu posto o outro, obrigada por estarem acompanhando, já tenho bastantes leitores, até amanhã!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.