Impact Magazine Season 2
74 Capítulo 74
Notas iniciais
Santana aproximava-se reticente, como se não pudesse acreditar no armário vazio, havia sido descoberta.
A morena não sabia quanto tempo ficou parada ali, olhando, forçando a acreditar no que havia acontecido, em sua cabeça, nada de concreto, apenas pensamentos diversos sobre como Brittany teria reagido ao encontrar as bebidas.
Muitos poderiam estar tentando inventar mil desculpas, mentiras para dizer o por que as garrafas estavam ali, poderiam pensar em maneiras de jogar a história a seu favor, seria difícil, Brittany não seria ingênua para tanto, mas Santana não estava pensando em novas mentiras. O susto da descoberta havia passado, o frio dentro do seu peito por imaginar Brittany tomando conhecimento da situação já não era presente e substituindo essa sensação, veio uma raiva que ela não conseguia explicar.
– Ela não tinha esse direito... (Santana dizia a si mesma) As garrafas eram minhas, ela não deveria ter tocado nelas! (Seus olhos imprimiam raiva)
Santana subiu as escadas batendo o pé, enfurecida, olhos vermelhos, cabeça quente. Chegando à sala toma posse de seu aparelho telefônico e ligou para Brittany. O celular chama até cair na caixa postal deixando Santana mais enfurecida. Logo veio a vontade era beber para deixar a cabeça fria, a vontade não era por isso, mas Santana forçava-se a acreditar que era esse o motivo.
A morena inspirava alto, expirava como se quisesse expulsar todo o sentimento ruim que sentia dentro. Voltou a ligar e voltou a não ter sucesso. Jogou o celular longe e andava de um lado para o outro. Lyon observava a cena encostado num canto de uma das paredes da sala, assustado, acuado, não reconhecendo a pessoa que estava ali presente.
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Brittany tinha sua cabeça repousada sobre o colo de Tina, ambas estavam no sofá da sala de administração do estúdio Unicorn Academy. Tina fazia carinho na cabeça de Brittany que chorava, aliás, a loira não fez outra coisa desde que havia chegado, a situação foi explicada com dificuldade, muitas vezes Tina teve que pedir que a loira se acalmasse e contasse direito o que havia acontecido.
– Britt... durma lá em casa hoje... você não tem que passar por isso...
– Não posso... Eu adoraria não ver a cara da Santana por um bom tempo, mas tem Lyon, Lery... Preciso cuidar deles, também não quero incomodar você e Mike... (Brittany dizia chorosa)
– Você não é incomodo! (A asiática disse firme) Você é minha melhor amiga e tem que saber que pode contar comigo em qualquer momento, Mike te adora e você pode ter certeza que ele apoiará que você passe um tempo lá em casa...
– Tina... (Brittany levantou-se ficando na mesma linha de olhar que a amiga) Eu não sei o que vou fazer... Eu tentei ... Tentei afastar Santana do vício, mas ela não quis... (Deu de ombros) Fingiu aceitar os meus pedidos, fingiu estar ciente que era o melhor para ela, principalmente porque planejávamos uma família e ela me enganava pelas costas, escondia uma porção de bebidas no porão, não sei nem por quanto tempo escondia isso de mim... Sou uma idiota... (Brittany baixou a cabeça) E ela sabe disso e me fez de idiota esse tempo todo...
– Britt! Pare de falar essas coisas! Idiota é ela! Ela está se destruindo, destruindo o relacionamento de vocês, ela quis te enganar, mas engana a si mesmo... Ela está doente Britt... E deve ser tratada como tal...
Brittany levantou seu olhar para encontrar o da amiga. Ela sabia que Tina estava certa.
– Amiga... Eu sei que todo o plano do bebê foi fofo, lindo da sua parte, mas é utópico demais... Você sabe que eu sempre te apoio e foi incrível toda a ideia de que uma família, uma criança afastaria Santana do álcool, mas é hora de usar a razão, mesmo que seja frio e doloroso. O que mais Santana precisa nesse momento é de tratamento. (Tina concluía)
A loira não tinha o que contestar talvez ela mesma já soubesse disso, foi alertada por Quinn, mas não deu a devida atenção, ou pelo menos colocou sua ideia como a melhor opção.
– A culpa de isso estar acontecendo é minha... (Brittany dizia triste)
– Nada é culpa sua Britt...
– É sim... Não de tudo, mas essa situação poderia estar sendo resolvida se eu não tivesse aquela ideia estúpida de bebê e tivesse seguido o conselho da Quinn... Se eu tivesse insistido para Santana se tratar, isso poderia não estar acontecendo... Meu erro é sempre tentar pintar uma vida colorida quando ela nasceu para ser preta e branca...
– Não diga isso Britt.. Você quis tentar resolver da maneira mais bonita possível, não pode se culpar por isso, não sei nem se posso colocar Santana como total culpada, ela não está bem, ela ter te enganado, feito o que fez foi terrível, mas não posso julgar o que está passando dentro dela, vicio é algo incontrolável, faz as pessoas magoarem quem elas não pensariam em magoar se estivessem bem... Muitas vezes, cheguei a contestar o amor que ela sentia por você... senti raiva todas as vezes que ela te fez chorar e tenho raiva dela agora por fazer você passar por isso... mas... (Tina parou um pouco antes de continuar) mesmo achando que o melhor é você passar um tempo lá em casa, também acho que você não pode se afastar por completo... É o momento que ela mais precisa de você...
– Eu sei... E eu também sei que vou ficar ainda mais triste, mas eu quero ir para casa e ver o que ela tem a me dizer. Sei que é uma hipótese boba, mas eu esqueceria esse episódio se ela... (Brittany não conseguiu evitar o choro novamente) se ela segurasse as minhas mãos, olhasse em meus olhos e me pedisse ajuda. Se ela assumisse que tem um problema e que não consegue parar sozinha. Tina... Eu juro... (Parou um pouco para enxugar as lágrimas) Eu juro que esqueceria tudo, a abraçaria, diria que a amo e que eu estaria ao lado dela...
Tina acariciou o rosto da amiga e deu um sorriso fraco.
– Eu espero de todo meu coração que isso aconteça...
Brittany tomou coragem para se levantar, era hora de voltar para casa, colocou a bolsa sobre os ombros e caminhava rumo à porta ao lado da amiga.
– Brittany... Não deixa de me manter informada tá bom? Por favor... (Tina pediu encarecidamente) Minha casa terá sempre a porta aberta para você e estarei ao seu lado para te dar apoio nas suas decisões...
– Obrigada Tina... (Brittany deu um forte abraço na amiga) Obrigada mesmo...
Quando o abraço se findou, Brittany passou pela porta da administração. Andava pelos corredores de seu estúdio, passando pelas portas das salas, parte das portas eram de vidro o que possibilitava que as aulas fossem vistas. Brittany parava em algumas, observava um pouco e depois voltava a seguir em frente. Como ela sentia saudades daquele lugar, daquele clima, da dança! Seu pensamento não conseguiu evitar ser transportado ao momento em que Santana veio para ter aulas com ela e como desastradamente aquele dia havia terminado com as duas no hospital, Brittany sentindo-se culpada e Santana com um nariz quebrado. Seus lábios formaram um pequeno sorriso com a lembrança, logo essas cessaram juntamente com seu sorriso. O semblante sério havia voltado, Brittany parou de observar as salas, seguia agora o caminho direto em direção à saída.
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Santana estava inquieta, começou a procurar em todos os armários da casa, pensava que talvez Brittany pudesse ter escondido suas garrafas em outro lugar, mas não as encontrava, e a cada armário aberto, junto com a frustração era acrescida um pouco mais de raiva e desespero. Quando já não haviam armários, Santana direcionou seu foco para as lixeiras, olhava em todas as lixeiras da casa, mesmo que muitas fossem pequenas para receber uma garrafa sequer. Quando pensava em ir para fora, procurar do lado externo da casa, a latina ouve barulho de chave na porta.
Brittany entrou em casa e deparou-se com Santana parada na sala, olhar firme em sua direção. A loira chegou a tremer, a latina não parecia vulnerável, pelo contrário, Santana levantou ligeiramente o rosto, suas sobrancelhas se aproximaram quando a morena franziu o cenho, seus braços cruzaram-se. Brittany se sentiu de certa forma acanhada, fechou a porta atrás de si e depositou sua bolsa no móvel mais próximo.
O silêncio permaneceu no ambiente por longos segundos, eram tantas coisas a se dizer, mas não sabiam por onde começar. O desconforto era grande e o clima entre as garotas não melhorava.
Brittany ensaiou algumas palavras, mexeu a boca por vezes e não havia voz, Santana se manteve intacta, parada, como se esperasse Brittany iniciar a conversa. Por fim, Brittany juntou forças para começar o diálogo.
– Eu... ( a loira respirou fundo antes de prossegui) Eu não entendo Santana... Juro que achei que havia entendido tudo que falamos em relação a você beber...
Santana ouviu a frase e seu rosto sério, mudou para um sorriso cínico.
– E você faz o que fez... (Brittany completava)
– Eu fiz o que Brittany? (Santana iniciou sua defesa) Omiti que guardava algumas garrafas no porão, porque insiste em dizer que eu não posso fazer aquilo que gosto, você me proíbe de fazer algo porque acha que não tenho controle! E quer saber? Você está enganada!
Brittany viu na hora que seu desejo que Santana assumisse o problema, não iria acontecer.
– Você me faz fazer coisas que eu não queria! Acha que eu queria mentir? Acha que eu queria ficar escondendo as coisas que faço de você? É claro que não! Mas essa sua cisma de que eu não posso fazer me obrigou a esconder de você... Porque eu não queria que ficasse preocupada com uma coisa tão idiota!
– Santana, não é algo idiota! Você sabe disso, só não quer...
– Admitir? (Santana completava ainda irônica) Não se admite, quando não se tem o que admitir! Você e Quinn estão completamente enganadas ao meu respeito, não bebo porque estou viciada ou algo do tipo e sim porque gosto! É tão difícil entender isso? O que você não tinha o direito era de ter jogado minhas bebidas fora!
Brittany não estava acreditando no que estava acontecendo, Santana não só não estava assumindo o vício, como estava querendo jogar a situação contra ela.
– Não tinha o direito? (Brittany aproximava da latina perguntando indignada) Você me engana, mente para mim e ainda diz que eu não tinha o direito? Não venha falar de direitos comigo Santana, você também não tinha o direito de me fazer de boba e você fez! Eu faria tudo de novo! (Dizia frente a frente à latina) Eu jogaria aquelas garrafas fora quantas vezes fossem necessárias!
Santana respirava de forma descontrolada, sua raiva crescia, aquela discussão só piorava sua indignação.
– Você estava no porão quando te procurei ontem não estava? Interrompi sua sessão de bebedeira ontem não foi? (Brittany perguntava)
– Sim, estava! E a prova que sua teoria sobre meu vício é falsa é que eu poderia muito bem ter voltado para o porão quando você dormiu, mas o que eu fiz? Te abracei e dormi ao seu lado!
– O que quer que eu faça? Te agradeça? Santana, eu só quero o seu bem... Você precisa se tratar...
Santana ficou cega de raiva com a ultima frase de Brittany. Passou a mão no rosto como se quisesse afastar sua raiva. Ficou alguns segundos calada, respirou fundo antes de responder.
– Eu nunca imaginei, que me proporia uma coisa dessas Britt... Da Quinn sim, eu esperaria... Mas não de você... É como se eu estivesse doente...
– Você está... (Brittany disse com um pesar na voz)
Santana não aguentou mais, pegou sua bolsa e seguiu com passos rápidos rumo a porta de saída. Sem virar-se, e já sabendo a resposta Brittany se pronunciou.
– Onde vai Santana?
A morena parou alguns segundos na porta.
– Já que eu não posso beber na minha própria casa... vou fazer isso na rua!
Santana saiu batendo a porta com força, Brittany fechou os olhos devido ao alto barulho, assim que estava só, Brittany desmoronou, com os joelhos ao chão a loira chorou, chorou como nunca havia chorado antes, o medo se instaurou em seu coração. Santana voltaria a ser como antes?
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No carro Santana chorava, tremia, tinha vontade de dar meia volta, voltar para casa, abraçar Brittany, pedir desculpas e dizer que o que ocorreu nunca mais voltaria a acontecer, mas já estava no meio do caminho. Mas que caminho? Ela mesmo não sabia, não tinha um endereço em mente, só sabia que queria se afastar, estava triste, achava que Brittany poderia ter lidado com a descoberta das bebidas de outra forma, foi um escândalo desnecessário, sem motivos e depois de tudo ainda havia praticamente a chamado de doente. Se tratar? Era um absurdo essa proposta, totalmente exagerada, sem sentido, apenas porque de vez em quando gostava de beber.
– Não... Não vou voltar agora... Brittany tem que refletir sobre os absurdos que disse! (A latina afirmava enquanto parava em um dos sinais) Não posso aceitar que me trate como uma alcoólatra...
Dirigiu por mais algumas quadras até encontrar um bar. Precisava esquecer a discussão, queria não pensar nas palavras ditas pela esposa. Estacionou o carro, desceu e caminhou em direção à porta. Entrou e foi logo dirigindo-se ao balcão.
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Uma, duas horas se passaram e Brittany estava sentada no chão encostada a parede, as lágrimas já haviam secado, parecia anestesiada. Lyon que esteve longe durante toda a discussão das garotas agora se encontrava ao lado da dona, passando a cabeça e corpo nas pernas de Brittany como forma de carinho, a loira passava a ponta dos dedos em Lyon, mas de forma automática.
Estava em transe, deveria ligar para Tina, para Quinn, para alguém, mas não o fez, não estava em condições de conversar com ninguém aquele momento, repetir o que tinha acontecido para alguém lhe parecia ainda mais doloroso.
Santana chegou em casa por volta das dez da noite, abriu a porta com dificuldade e quase caiu quando a empurrou para frente. Brittany se pôs de pé com o barulho, Lyon correu para outro cômodo da casa.
Os passos trançados de Santana denunciavam o quanto havia bebido. Encostava em todos os móveis para conseguir permanecer-se de pé. Era incrível que havia conseguido dirigir até em casa no estado alcoólico em que estava.
– Você bebeu... (Brittany dizia decepcionada)
– Eu disse que faria isso... (Dizia com voz arrastada) Está dizendo o obvio...
– Se olhe no espelho Santana, seu estado é deprimente... (Brittany se aproximou para ajudar a latina, mas Santana dispensou a ajuda)
– Não toque em mim... Não preciso da sua ajuda, estou bem...
– Não está! Está bêbada! Porque faz isso com você mesma?! É tão triste te ver assim... (Brittany sofria vendo a esposa nessa situação)
– Então faça o favor de virar o rosto! Não é obrigada a me ver... apenas pare de me controlar!
– Você precisa de controle Santana!
– Eu quero uma esposa e não uma babá! (Santana alterava a voz, gritava, estava fora de controle)
– Eu tentei fazer você se afastar do álcool, achei que a ideia de um bebê poderia fazer você parar de beber, mas não foi suficiente...
Santana ficou paralisada por alguns instante, ficou em frente à Brittany e olhava em seus olhos.
– Espera aí... (Fez uma pausa encarando a loira) Então a história do bebê era por causa da bebida? Não queria formar uma família comigo, sua intenção era só me fazer parar de beber? (Quando Santana viu Brittany desviar o rosto, colocou sua mão no queixo da loira virando novamente para lhe encarar) Diz pra mim...
Brittany reuniu forças antes de revelar.
– A princípio sim Santana... Mas depois foi diferente eu...
– Não quero ouvir mais nada... Não acredito nisso! (Santana interrompeu)
A latina sentiu seus olhos lacrimejarem. Mas interrompeu a lágrima antes que ela caísse, passou a mão sobre o rosto.
– Ainda bem que essa história de bebê não deu certo! (Santana despejava sua raiva aos gritos) Ou agora estaria sendo controlada por você! Escuta aqui... Eu não sou sua marionete! Não vou fazer mais o que você quer que eu faça, foi um absurdo o que fez comigo, me iludiu, dizendo que queria formar uma família comigo...
– E eu queria Santana! (A loira também gritou)
– Não! Não queria! Você queria um bebê estúpido para me controlar! A doente dessa história é você Brittany não eu! (Santana não conseguia expressar o quanto aquela revelação havia lhe afetado, sentia uma tristeza sem tamanho) E depois ainda diz que eu te enganei, que eu menti para você! É uma hipócrita!
– Você não sabe o que está falando Santana, está bêbada... Vá tomar banho e descansar!
Santana ignorou o pedido de Brittany.
– A única coisa que me deixa feliz é a sua incompetência para gerar uma criança! (Santana disse, deixando Brittany perplexa) Ainda bem que essa merda de criança não veio ao mundo!
– Não fala assim! (Brittany dizia com olhos marejados, as palavras de Santana feriam)
– Eu falo da maneira que eu quiser! Chega Brittany, chega de dizer o que eu tenho que fazer! Sabe o que eu acho? Não tá dando certo... não está... (Santana começou a andar pela sala desorientada, por vezes batia nos móveis)
Brittany a acompanhou e muitas vezes evitou que caísse.
– Me solta Brittany!
– Santana, não posso, você está bêbada! Vai se machucar!
– Eu já estou machucada! (Santana segurou os dois lados do rosto da loira obrigando-a a encarar seus olhos) Aqui dentro... (Colocou uma das mãos sobre o coração)
– Vá dormir Santana... Amanhã bem cedo vamos procurar um médico, uma clínica para você iniciar um tratamento!
Se era possível sentir-se mais nervosa, Santana sentiu, não enxergava mais nada, sua raiva a consumia.
– Cala a Boca Brittany! Quem precisa se tratar é você! (Disse segurando os pulsos da loira)
– Santana você precisa de tratamento sim! Você é uma ALCOOLATRA! (Gritou a ultima palavra o mais alto que pode)
Santana não conseguiu se controlar, com suas mãos firmadas no pulso da loira empurrou-a com toda sua força contra a parede, Brittany sentiu suas costas e parte da cabeça baterem com força e uma dor forte preencher seu corpo, suas costas arrastaram-se na parede até sentar-se no chão. Brittany olhou Santana que estava igualmente surpresa. A morena tentou se aproximar, mas sua aproximação foi negada.
– Não se aproxime de mim... (Brittany dizia com medo na voz)
– Eu não queria ter feito isso... Olha o que me obrigou a fazer... (Santana estava assustada)
– Eu obriguei... (Brittany repetia para si mesmo) eu te obriguei a fazer isso... (balançava a cabeça desacreditando nas palavras de Santana)
– Eu nunca faria isso... Olha o que está acontecendo com a gente... (Santana se afastava, seguindo em direção ao quarto se apoiando nos móveis para se locomover) Acho que devemos nos divorciar Brittany... Não tá dando certo... Eu não sou assim, você está me obrigando a ser quem não sou... (disse antes de sumir pelo corredor)
Brittany ficou na mesma posição, chorava, não acreditava que Santana pudesse agredi-la, o empurrão não foi nada se comparado as palavras ditas por Santana. A mulher que ela amava, que se apaixonou, com quem se casou, nunca a tocaria desta forma, nunca seria agressiva. A ultima frase da latina fazia Brittany refletir.
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Santana acordou na manhã seguinte com uma forte dor de cabeça. Abriu os olhos para ver-se deitada de forma desastrada sobre a cama, usava a mesma roupa que trabalhou no dia anterior. Ficou por um tempo reunindo forças para se levantar e sentar-se na cama, quando o fez, viu que estava sozinha no quarto. Santana olhava ao redor, algo lhe parecia estranho, aos poucos, flashes do que havia acontecido na noite anterior apareciam em sua mente: A sua descida ao porão, a descoberta de Brittany, sua discussão e saída para rua. Um pouco depois, lembrou-se do que aconteceu durante seu estado alcoólico, não se lembrava de tudo, mas os principais momentos foram lembrados. O motivo de Brittany querer o bebê, o pedido para tratamento, Brittany chamando-a de alcoólatra, o empurrão, e a sugestão do divórcio.
Aquilo pareceu alerta-la de tal modo que saiu da cama às pressas correndo em direção à sala a procura da esposa. Não queria que suas lembranças fossem verdadeiras, não queria imaginar que tivesse tocado em Brittany. Sentia-se a pior pessoa do mundo, seu arrependimento era sincero.
Brittany não estava na sala, Santana ouviu um barulho vindo da cozinha e dirigiu-se para lá. Encontrou Brittany bebendo um copo d’agua.
– Britt... (Santana disse com pesar)
Brittany virou-se com rapidez e com medo no olhar deu um passo para trás. Santana se surpreendeu com a atitude da esposa, sentiu-se ainda pior por ter provocado aquele sentimento que fez a esposa recuar.
– Brittany, eu sinto muito pelo que aconteceu... Estou me sentindo horrível... Você sabe que não sou assim...Eu perdi o controle...não sei o que aconteceu...
– Eu sei Santana... (Brittany dizia de cabeça baixa) Você bebeu...
– Eu sinto muito...
– Não quero ficar ouvindo você se lamentar sempre que beber Santana, e deixou bem claro que não vai parar... Já não é a mesma de antes...
– Eu sou Brittany, acredite em mim, eu nunca te machucaria...
– Mas machucou! Por dentro e por fora... E eu não quero ficar mais a mercê do seu descontrole sempre que beber... Eu não mereço isso...
– Eu sei que não... Não sabe o quanto me arrependo. Me dê outra chance Brittany... Por favor... (Santana permitiu-se chorar)
Brittany queria, mas sabia que Santana faria tudo de novo se estivesse numa situação semelhante.
– Não, Santana... Você disse algo ontem que fez sentido... Não está dando certo... (ficou alguns segundos como se quisesse ter certeza das próximas palavras) Acho que devemos nos divorciar...
– Não Brittany... (Santana se aproximou mais e Brittany fez sinal com a mão para que parasse) Brittany não pode dar ouvidos ao que eu disse ontem... Estava fora de mim... Não pode jogar tudo que temos fora...
– Eu refleti Santana, não consegui dormir essa noite, tanto pela dor... quanto pelos pensamentos que me rondavam... E é a melhor solução...
– Não diga isso... (Santana pedia, com olhos vermelhos e lágrimas no rosto).
– Quero que vá embora Santana, agora... Se meu apartamento não tivesse sido vendido, eu mesma sairia de casa, se realmente me ama... vá embora! Vá para seu apartamento...
Santana não tinha mais palavras, a tristeza e a culpa que sentia era imensa.
– É realmente o que você quer Brittany? (Santana perguntava como ultima esperança)
– Sim...
Santana balançava a cabeça concordando a contragosto, Não era o que queria, estava sofrendo por dentro, mas o que havia feito foi horrível e tinha que respeitar a decisão da esposa. Sua obrigação de agora em diante era provar que o que aconteceu foi um caso isolado e que não se repetiria, precisava conseguir a confiança da esposa novamente. Voltou para o quarto e puxou uma das malas embaixo da cama, depositou algumas peças de roupa, alguns pares de sapato e carregou as malas pela casa dirigindo-se à porta. Brittany acompanhou tudo com o olhar e mesmo que, ver Santana saindo de casa a machucasse, era o que devia ser feito.
– Eu volto, depois para buscar outras coisas... roupas, sapatos, coisas da Impact Magazine...
– Ok... (foi apenas o que Brittany disse, sem encarar muito a latina)
– Brittany... (Santana chamou antes de sair pela porta)
A loira olhou Santana que com um olhar serio lhe disse.
– Eu te amo...
Brittany desviou o olhar, Santana apenas respirou fundo e saiu fechando a porta atrás de si.
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Brittany chorou novamente, ela nunca imaginou que pediria o que pediu a Santana. Separar-se da latina nunca esteve em seus planos. Queria descansar, mas não no quarto do casal, aquele não era o momento para ter lembranças de seu casamento, estava triste, decepcionada, suas costas doíam.
Tinham uns quinze minutos que havia deitado em um dos quartos de hospedes quando começou a passar mal, uma dor forte na barriga que a fazia chorar de dor. Ao levantar-se, sentiu algo úmido entre suas pernas, quando colocou uma de suas mãos, esta voltou manchada de sangue. A loira ficou assustada, era muito sangue, andou com dificuldade até a sala para pegar seu celular, ligou para Tina, acordando a amiga. Brittany não conseguiu explicar direito a situação o que deixou Tina ainda mais nervosa. De repente um barulho é ouvido do outro lado da linha.
–Brittany! Brittany! (Tina gritava, em vão)
Brittany havia desmaiado, seu celular caído a alguns metros de distância.
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Brittany abria os olhos devagar, só via tudo branco ao redor, estava numa sala de hospital, alguns tubos estavam conectados ao seu corpo. Não entendia nada. Tina que estava para entrar no quarto viu a amiga acordada e correu para chamar o médico. Não demorou muito para que retornasse apenas o médico para conversar com a loira.
– O que estou fazendo aqui? (A loira perguntava confusa)
– Sra Pierce-Lopez, você foi encaminhada para esse hospital, seus amigos Tina e Mike lhe trouxeram... Te encontraram desmaiada...
– Só lembro de sentir muita dor, estar sangrando e ter ligado para Tina... mas depois... (Balançou a cabeça para focar-se na sua grande dúvida) O que eu tive doutor?
– Você teve uma pequena hemorragia, devido sua gravidez...
Brittany sentiu seu coração acelerar, seus olhos cresceram com aquela afirmação.
– Gravidez? Como gravidez? Eu não estou grávida doutor, fiz um teste da farmácia que comprovou isso.
– Sra Brittany, a precisão dos resultados de testes de farmácia variam de 95% a 99%, dependendo do produto e do fabricante. A senhora se enquadra dentro da margem de erro...
Brittany abriu um sorriso radiante, não conseguia acreditar, mas o mesmo sorriso murchou, quando ela lembrou-se do sangramento.
– A hemorragia... (Brittany disse triste) Doutor me diga, por que... Por que aconteceu?
– Você caiu ou recebeu um impacto muito grande recentemente? (o doutor perguntava)
Brittany lembrou-se de como foi empurrada com força na parede por Santana, da dor forte que sentiu.
– Eu caí... (mentiu de cabeça baixa)
– Isso provocou a hemorragia...
Brittany começou a chorar novamente, lembrando-se do episódio.
– O sangue doutor... Significa que perdi o bebê?
Brittany perguntava com desespero no olhar enquanto recebia um olhar triste do médico a sua frente, Brittany viu que não vinham boas notícias.
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