Impact Magazine Season 2
75 Capítulo 75
Notas iniciais
Um silencio se instaurou no quarto de hospital, o olhar de Brittany estava fixo no médico a sua frente que a olhava com certo pesar. Brittany tentava ler as feições do médico, cada ruga que aparecia quando ele movimentava o rosto, foram instantes de aflição para a loira. O tic tac no relógio da parede do quarto parecia soar tão alto que fazia sua cabeça doer.
–Diga qualquer coisa... Mas não diga que perdi o meu bebê... (Brittany suplicava num fio de voz)
O médico estava sensibilizado com a loira, ele não sabia a história por trás daquele olhar que o mirava com angústia, ele nada sabia além do que as páginas de revistas publicavam sobre a vida da grande coreógrafa, mas ali, sentada, chorando em sua frente, ele só via uma mãe aflita, sim, uma mãe.
– Acalme-se... (o médico abriu um pequeno sorriso) você não perdeu seu bebê...
Aquelas palavras soaram como uma melodia, a melhor melodia que poderia existir, Brittany deixou-se levar pela emoção e chorou sem cerimônias. Ela sorria, muitas vezes sentiu o gosto salgado das lágrimas que passeavam pelo seu rosto. Era uma felicidade que não cabia dentro da dançarina, ela olhava o médico emocionada.
– O senhor acabou de me dar o maior presente de todos... (Brittany disse encarando o médico)
– Sra Brittany, eu não fiz nada, apenas fiz meu trabalho...
– Eu não sei as condições em que eu cheguei aqui, meu estado...
– Você deve agradecer a seus amigos, eles te encontraram e te trouxeram o mais rápido que conseguiram, talvez não tivesse boas notícias a dá-la se sua chegada aqui no hospital tivesse demorado... (o médico fez uma breve pausa e depois de alguns instantes continuou) mas eu preciso te dizer algumas coisas... (o jeito sério do médico voltou novamente e fez Brittany se preocupar)
– Diga doutor... (Pedia atenta)
– Você não perdeu o bebê Sra Brittany... Mas é estritamente necessário que tome diversas preocupações a partir de agora...
– Corro risco de perdê-lo doutor?
– Infelizmente sim... Por causa da batida houve uma série de complicações, sua gravidez está frágil, os riscos são grandes, até o terceiro mês de gravidez, seus cuidados devem ser redobrados...
– Eu vou fazer tudo que me pedir doutor! (Brittany garantia com certo desespero)
– A senhora deve evitar esforços, emoções fortes, tudo que te faça sentir-se mal, desconfortos, afaste-se de tudo que não lhe faça bem... Um ambiente tranquilo é tudo que a senhora precisa agora... Seu estado médico e psicológico precisam estar em sintonia...
Aquelas orientações fizeram Brittany pensar, estava provado que nesse momento ela deveria pensar apenas na saúde do bebê.
– Eu entendo... (Brittany respondia) Farei tudo isso...
– É sério senhora Brittany, você deve fazer mesmo... Sua gravidez é de alto risco, está por um fio, até o terceiro mês deve-se realizar um acompanhamento periódico. Vou encaminhar todo meu parecer no registro de seus dados para que você encaminhe a seu médico de confiança, a senhora tem um médico obstetra?
Brittany ainda atordoada com as recomendações respondeu.
– Sim... Temos... Quero dizer... Tenho a doutora Érica Ramirez... O senhor conhece?
– Sim, claro, doutora Ramirez é uma excelente profissional, uma referência nessa área... Está em boas mãos... (disse o médico sorrindo) Deixarei tudo detalhado para que repasse a ela... Enfim, vou chamar seus amigos, eles estavam muito preocupados, com certeza vão adorar saber a boa notícia por você...
– Tudo bem... Eu realmente preciso conversar com eles...
O médico balançou a cabeça concordando, com um sorriso fraco, saiu do quarto deixando uma Brittany com cara de boba, a loira não sabia se ria, chorava, queria pular, mas além de não poder fazer esforços, haviam tubos conectados ao seu corpo impedindo-a. Parecia sonho, ela estava grávida! Ela não conseguiu evitar que seus pensamentos fossem até a esposa, era impossível Brittany não pensar em Santana nesse momento, mesmo que suas lembranças atuais não fossem as melhores ela a amava, mas estava machucada, ferida pelas palavras da esposa no dia anterior, além de tudo, era necessário afastar-se da latina, estar perto de Santana era praticamente uma garantia de discussão, de emoções fortes.
Brittany ainda estava perdida em seus pensamentos, mal percebeu o casal Mike e Tina entrando no quarto.
– Britt... Como está? (Tina sentou-se na cama segurando as mãos da amiga a fazendo sair de seu transe)
– Tina... Eu vou ter um bebê! (Brittany não conseguia esconder o sorriso)
– O médico me disse... (Tina também falava calmamente e correspondia a alegria da amiga) Eu estou tão feliz por você Britt... (a asiática abraçava com cuidado a amiga)
– Ficamos felizes em saber que seu desmaio não teve maiores consequências e que seu bebê está bem! (Mike dizia ao observar as garotas)
Brittany deu um sorriso fraco, um silêncio se instaurou no quarto, Mike percebeu que ali era necessário uma conversa entre amigas.
– Eu vou ver se os papéis para sua alta já estão prontos... (disse enquanto saía do quarto)
Assim que estavam sozinhas, Tina virou-se para a amiga.
– Sei que pode não estar em condições de falar agora, mas eu quero saber Britt... Porque estava sozinha em casa e porque o médico disse que você havia sofrido um forte impacto que foi a causa da sua hemorragia? Me diga tudo calmamente, se puder, não quero que fique mal, o medico me explicou as precauções que você teria que seguir a partir de agora...
Um breve silêncio foi tomado antes que Brittany criasse coragem para começar.
– Santana e eu brigamos, uma discussão feia Tina... Ela estava me esperando em casa e me questionou porque joguei fora as bebidas...
– Como ela teve coragem?! (Tina começou indignada e com voz alta, depois ao olhar Brittany, respirou fundo para tomar controle) Ok... Continue...
– Depois que discutimos sobre isso, ela saiu para a rua, já anunciava o que iria fazer, voltou horas depois caindo pela casa, mal conseguindo manter-se de pé, tentei ajuda-la, ela negou, discutimos mais, acabei falando que o bebê a princípio era para livrá-la do álcool, isso a deixou mais nervosa... Ela disse coisas terríveis sobre o bebê... Sobre nós...
– Nossa... (Tina segurava-se para não levantar a voz) imagino...
– Não posso dizer somente nervosa, Santana ficou bastante magoada, tentei explicar, mas ela não me deu ouvidos, como também não quis escutar quando disse que precisávamos procurar uma clínica para ela iniciar um tratamento...
– E o que ela fez? (a amiga queria saber de tudo)
– Ela se alterou, gritava, acabei gritando também, chamando-a de alcoólatra foi aí que... (Brittany parou baixando a cabeça)
Tina entreabriu os lábios, como se já soubesse o que Brittany não havia dito, seus olhos atentos à amiga.
– Aí o que Brittany?
Brittany levantou devagar seu rosto com vergonha de encarar a amiga. Seus olhos começaram a ficar vermelhos, o choro se anunciava.
– Ela me empurrou contra a parede... A batida foi bem forte...
Tina mal esperou Brittany fazer a revelação e colocou-se de pé andando de um lado para o outro no quarto, a asiática estava indignada, irritada, se pudesse iria atrás de Santana naquele momento.
– Eu quero matar a Santana! (Tina acabou deixando escapar)
– Tina... Acalme-se...
– Brittany você tem noção que ela quase matou o bebê de vocês?! O que ela fez foi terrível! Como ela pode!? Quer dar queixa? Eu te apoio!
– Não! (Brittany disse mais alto do que gostaria) não vou fazer isso... Santana estava fora de si... Nunca havia feito isso antes...
– Ela nunca devia ter feito! Isso não se faz! (Tina olhava para Brittany e percebia o quanto seu nervosismo estava afetando a loira, decidiu se acalmar) Tudo bem... (voltou a sentar ao lado da loira) eu não vou ficar aqui gritando e te deixando mais nervosa... Você deve ficar tranquila a partir de agora e sabe que não pode voltar para aquela casa, não pode viver com Santana...
– Não será necessário sair da casa...
– Mas Brittany, você não entende que se afastar de Santana é o melhor para você nesse momento?
– Sim, eu concordo... Sei que preciso me afastar e pensar no meu bebe, não quero correr o risco de perdê-lo...
– Mas então...
– Não será necessário porque Santana já saiu de casa!
Aquela informação pegou Tina de surpresa.
– Santana ficou atordoada depois que a agressão ocorreu, olhava para mim como se não acreditasse no que havia feito, na realidade, nem eu estava acreditando... Enfim, após isso ela disse que não estava dando certo e que devíamos nos divorciar...
Tina realmente não estava esperando por aquela informação, não estava acreditando que a iniciativa do divórcio havia partido da latina.
– Ela sugeriu?
– Sim... E foi para o quarto... Mal dormi essa noite pensando em tudo o que havia acontecido e quando pela manhã ela veio se desculpar por tudo que havia acontecido na noite anterior, dizendo que não tinha intenção de fazer o que fez nem do que disse... Eu disse que ela estava certa em nos divorciarmos...
Tina passava a mão pelo braço de Brittany, consolando-a, ela sabia como havia sido uma decisão difícil.
– Então ela foi embora?
– Eu pedi que ela fosse... Que voltasse ao seu apartamento... (Brittany deixou que algumas lágrimas caíssem em seu rosto, sendo amparadas por mãos amigas que secavam com um sorriso contido) Doeu tanto vê-la saindo pela porta...
– Eu imagino... Eu imagino Britt... Mas foi a coisa certa a se fazer, você não merece passar por isso... Enquanto Santana não passar por um tratamento, episódios assim correm risco de acontecer com frequência... Você e o bebê não merecem viver num ambiente assim...
– Eu sei... Mas dói tanto... Saber que não poderei ajudá-la, porque não poderei nem estar perto dela e sugerir tratamento sem que isso se transforme em uma guerra...
– Mas agora tem um bebê em jogo... E mesmo que ame Santana, deve amar a si primeiro e principalmente essa criança que dependa da mãe saudável e tranquila para ficar bem... (Tina disse colocando a mão sobre a barriga da amiga)
Brittany não evitou que seus olhos fossem direcionados ao local e que suas mãos se juntassem as da amiga para contemplar a sensação que ela já sentia tão presente, a maternidade.
– Verdade! E por isso que tomei uma decisão...
Tina aguardou até que a amiga tomasse seu tempo para dizer.
– Não contarei à Santana... Ela não saberá sobre a criança...
– Sei que está com raiva, sentida e com toda a razão, mas... Santana é a outra mãe desta criança, ela deve saber... Isso pode influenciar de forma positiva para que ela aceite o tratamento...
– Santana não quer o bebê Tina! Ontem ela agradeceu praticamente a todos os Santos que não fiquei grávida, disse coisas horríveis da criança, ela não a quer... ( a loira disse triste) Ela só iria achar que é mais um jogo meu para fazê-la parar de beber... Santana não quer esse filho, não mais... Mas eu quero, eu vou cuidar dele sozinha... Ele não será rejeitado... Eu o amarei por nós duas...
Tina não tinha o que falar, ela não ouviu o que Brittany ouviu, a amiga estava muito magoada e se era esse o seu desejo, não era hora de contrariá-la.
– Se é assim que você quer Brittany, eu te apoio... Mas mesmo que Santana não esteja mais em casa, você não pode ficar mais sozinha... Venha ficar comigo e Mike...
– Não Tina, não posso fazer com que interrompa sua vida para tomar conta de mim... Não é justo...
– Amigos são para essas coisas!
– Eu sei, mas não acho justo que você e Mike tenham que passar por isso... Eu vou ligar para minha mãe... Ela sempre reclama que não estamos tendo muito contato ultimamente... Então, acho que ela não se importará de passar uma temporada comigo...
– Sei, sou sua amiga, mas não dá para comparar com colo de mãe, te entendo completamente. Mas saiba que pode contar comigo para tudo ok?
– Você já fez muito... (segurou as mãos da amiga) me ouviu, me deu conselhos e principalmente me trouxe aqui a tempo de salvarem meu bebê! Você é um anjo!
– Não sou nada, anjo é o bebê que você espera... (sorria) Vou me encontrar com Mike para agilizarmos sua saída... Mas saiba, vai para o nosso apartamento, só sai de lá quando sua mãe chegar a NY para busca-la...
– Tudo bem! (Brittany correspondeu ao sorriso)
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Santana entrava cabisbaixa pela porta da Impact Magazine, não deu nem atenção ao bom dia dado por Stace quando passou pela recepção, isso se repetiu com os demais funcionários que passaram pela latina, também não obtiveram sucesso em seus cumprimentos. Santana estava em outro mundo, entrou no elevador e encostou as costas na parede fria da caixa metálica, só então levantou seu olhar, esticando as mãos para pressionar o andar da presidência, olhava para o visor que indicava os andares por onde o elevador passava. A porta se abriu e Santana até demorou um pouco antes de passar por ela, andando pelo corredor que levava à sua sala relembrava o quanto foi estranho chegar ao seu apartamento.
Santana lembrava-se de quando abriu a porta do apartamento, a latina havia entrado e olhado em todas as direções do local, era como se fosse algo que não a pertencia mais, era frio, os móveis estavam cobertos para evitar a poeira, estantes sem adornos, ambientes sem vida, as cores cinza e preto, cores principais da decoração do apartamento, que antes para latina lhe mostravam um aspecto elegante com design sofisticado só lhe parecia representar uma coisa agora, a solidão.
Durante muito tempo Santana viveu naquele lugar e achava-o perfeito, era o símbolo de sua vida de sucesso, conquista tanto profissional, quanto conquistas amorosas, perdeu as contas de quantas mulheres havia levado ali e quantas vezes ostentou seus artigos de luxo, sua arquitetura moderna, sua localização privilegiada em Nova York, sua vista, seu conforto. Tudo isso não parecia lhe impressionar nessa volta, tudo que sentia era o cheiro de local abandonado, não era seu lar, não mais.
A latina dirigiu-se ao quarto, arrastando a mala, a cama ainda estava lá, quando casaram-se decidiram comprar tudo para a nova casa, desde os móveis, até os utensílios de cozinha, as poucas coisas que levaram, foram objetos de decoração, coleções pessoais, algo que representasse muito para cada uma. A morena retirou a lona que cobria a cama e deixou-se cair de costas na mesma. Aquilo pareceu acionar uma espécie de dispositivo na latina que a fez começar a chorar, aquele quarto, as lembranças, suas atitudes, o pedido de divórcio, o erro da separação. Santana só podia enxergar aquilo como um erro, se amavam, ela havia errado e errado feio, mas ela entendia que o amor de ambas era suficiente para superar os conflitos e dar a volta por cima, já haviam feito isso em outros momentos.
Uma coisa que Santana sabia que estava completamente errada, a agressão, ela não acreditava até agora que tinha agido daquela forma, nunca lhe passou pela cabeça que isso um dia poderia acontecer, foi impulso, uma situação isolado, algo que não faz parte dela. Iria fazer de tudo para que Brittany lhe perdoasse, mesmo que, em sua cabeça, Brittany também lhe devia desculpas pelas ofensas, por gritado, a chamado de alcoólatra, insinuado um tratamento desnecessário.
– Não vamos ficar muito tempo separadas... nos amamos... (Santana falava consigo mesma) Vou me redimir pelo que fiz e ela também irá reconhecer que agiu de forma exagerada... Vamos superar... Nós vamos...
Santana tinha uma certeza e nada a fazia mudar de pensamento, estavam passando por uma fase, a ideia do divórcio logo seria descartada, quando Brittany percebesse que a separação era algo muito radical, quando um pouco de compreensão de ambas as partes resolveria.
Santana colocou uma das mãos no bolso, puxando o celular, discou o número da esposa, mas não obteve sucesso na chamada.
– Ela não vai querer falar comigo agora... Eu entendo... Vou dar uma pausa para ela...
Santana olhou o relógio na parede, o mesmo indicava sete horas da manhã, o horário pareceu estranhar Santana e ao confirmar em seu celular, viu o horário de 08h25min da manhã, voltou a olhar o relógio de parede e com o olhar mais atento, percebeu que o ponteiro dos segundos não se movimentava, aquele relógio havia parado, não funcionava mais, assim como aquele apartamento, estava parado, não funcionava mais para a latina. Levantou-se da cama, depositou a mala que estava no chão em cima da cama, separou as peças de roupa e dirigiu-se ao banho, era hora de se arrumar para a Impact Magazine.
– Santana! Santana... O que está fazendo parada no corredor? (Quinn disse ao encontrar a amiga parada no meio do caminho que levava até a sala da presidência)
Santana se assustou um pouco, estava perdida em suas lembranças até ser interrompida pela amiga.
– Nada... Apenas... (não conseguia explicar, a tentativa quase a levou para outras lembranças, mas ela balançou a cabeça para espantar os pensamentos) nada... (e andou até a porta abrindo-a)
Quinn ficou sem entender o que havia acontecido, mas apenas seguiu o percurso até a sala.
– Amanhã é o grande dia hein... Você e Brittany, Rachel e eu na exposição da Megan... (Quinn disse depositando dois convites na mesa da latina) Como Rachel vai ter ensaios hoje e reuniões do elenco amanhã de manhã ela irá nos encontrar na exposição.
Santana olhou os convites por um tempo, pegou um dos mesmos, analisou até a caligrafia do papel antes de começar a falar.
– Acho que não vai dar...
– Como assim? Temos um acordo!
– Simplesmente não vai rolar, o acordo está cancelado... (Santana dizia tudo de forma triste)
– Aconteceu alguma coisa? (Quinn sentou-se olhando a amiga, estava começando a se preocupar).
Santana sabia que se negar a contar, aguçaria a curiosidade de Quinn, a loira iria a fundo descobrir o que havia acontecido e seria outra pessoa lhe enchendo o saco e lhe colocando como a total culpada, não que não tivesse culpa, mas ela não estava afim de uma nova pessoa controlando e julgando o que ela deveria ou não fazer, como agir, o que estava autorizada a consumir. Decidiu contar tudo a seu modo, omitindo o que achasse necessário.
– Eu e Brittany tivemos uma briga... Uma briga feia...
– O que você fez Santana? (Quinn cruzou os braços esperando que a latina continuasse)
– Por que sempre eu sou a que faz algo errado? Eu não considero ter feito nada de errado... Eu... Eu... (Santana tentou lembrar-se de algo que não a colocasse como a única vilã da história) eu descobri que Brittany queria o bebê apenas para me manter afastada do álcool... Ela não queria formar uma família comigo de verdade, ela só queria... Me controlar...
– Eu sabia que isso ia dar merda...
– Como assim, você sabia?
– Brittany uma vez havia conversado comigo a respeito e eu achei essa ideia equivocada, disse que você não estava preparada para ser mãe e que ao invés de um bebê, você precisava era de um tratamento!
– Não acredito que conversavam sobre isso nas minhas costas! (Santana sentia-se traída) você sabia de tudo e não me contou... pensei que fosse minha amiga Quinn !
– Eu sou! Mas não cabia a mim contar!
– Além de tudo ainda insistem que eu preciso de tratamento! Por que não podem acreditar que eu não preciso disso?! (Santana já começava a ficar alterada novamente)
– Insistem? Quer dizer que finalmente Brittany falou sobre tratamento com você?! Até que enfim! Ela deve ter decidido isso porque a segunda tentativa do bebê foi frustrada... Isso fez com que ela caísse em si...
Santana não mencionou que o assunto tratamento veio apenas depois da descoberta das bebidas.
– Com certeza depois de ouvir umas verdades, você se sentiu a vítima incompreendida não é? Brittany está certa! Não na questão do bebê e até entendo você estar chateada, mas sim, você precisa se tratar!
Santana deu um sorriso cínico antas de continuar.
– Eu disse que a briga foi feia, mas você não tem a noção de quanto... Brittany e eu resolvemos dar um tempo! Enquanto ela não tira essa história estúpida da cabeça eu voltei para o meu apartamento...
A notícia deixou Quinn de boca aberta, ela não esperava por aquilo.
– É certo que eu cheguei a ouvir barulhos no apartamento vizinho hoje pela manhã, mas eu não imaginei...
– Pois é... Você é minha vizinha de novo Quinn... (Santana deu um sorriso sem graça e resolveu iniciar seu trabalho) e vai ter que resolver seu triangulo amoroso amanhã sozinha...
Quinn não poderia esperar outra reação de Santana, não sabendo de toda a verdade, apenas com aquelas informações ela até achou normal a história da latina. Era normal para ela Santana agir como a vítima de tudo e querer se afastar, pensava, porém que logo que sentisse a falta de Brittany, o que não iria demorar, Santana voltaria como um “cão arrependido” de volta para casa e talvez quem sabe, com um novo pensamento, já que Brittany havia jogado as cartas na mesa e falado sobre o tratamento. Quinn via tudo aquilo até de uma forma bem positiva. Seu principal problema agora era enfrentar Rachel e Megan num mesmo recinto.
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Santana saiu da Impact Magazine sentindo sua boca seca, antes de dirigir-se ao primeiro bar que encontrou por NY, tentou novamente ligar para esposa, não iria chegar em casa e encontrá-la lhe esperando, aquilo lhe doía, ela não estava bem com a separação e torcia para que Brittany esquecesse logo a história absurda do divórcio. Sem sucesso novamente a frustração serviu somente para lhe dar mais vontade de afogar as mágoas no álcool.
Entrou no primeiro bar que encontrou, após beber algumas doses, levou algumas garrafas para compor um novo estoque, agora em seu apartamento. Chegou em casa e uma nova tentativa de ligação foi feita, Brittany não atendeu novamente. Santana chorou, seguiu para seu quarto com posse de uma das garrafas compradas e bebeu o conteúdo até não estar mais consciente.
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Brittany sofria a cada ligação recebida, olhava a tela piscando o nome da esposa e um coração na frente do nome. Tina se manteve ao lado da amiga durante toda a manhã e orientou que não atendesse, Brittany estava frágil para qualquer tipo de conversa com Santana naquele momento. Tina não foi ao estúdio aquele dia, todos os problemas que surgiram durante o dia, foram resolvidos por telefone. Brittany até insistiu que poderia ficar sozinha, mas a asiática fez questão de estar ao seu lado até que a mãe pudesse a buscar.
Sarah havia sido informada sobre a situação, Brittany chegou a iniciar a conversa com sua mãe, mas seu estado emocional alterado começou a mostrar-se evidente e Tina tomou as rédeas e explicou toda a história a Sarah, pediu até para falar em um outro cômodo, falar sem a presença de Brittany seria melhor até mesmo para contar mais do que apenas o episódio da noite anterior. A mulher ficou tão surpresa com todas as informações que mal conseguir expressar uma opinião. Ela nunca imaginou que a filha estivesse passando por esses problemas e que Santana estava doente. Sentiu-se até de certa forma chateada, pois até então, acreditava que a filha não tinha segredos com ela, mas estava enganada. Sarah afirmou que estava indo para NY ficar com a filha, iria no dia seguinte, isso faria com que pudesse explicar tudo para o pai de Brittany e pedir que ele ficasse com Hailey e a tranquilizasse no período que a mãe ficasse afastada. A gravidez da filha, deixou a mãe com sentimentos divididos, feliz porque seria avó, por saber que Brittany estava igualmente encantada com a maternidade e sentida por saber que a criança estava vindo no meio destas condições.
Em nenhum momento pensou em questionar Santana, foi errado o que havia feito e ela estava ao lado da filha nessa história, mas não conseguia condenar uma pessoa doente. Estaria ao lado da filha em tudo, apoiaria suas decisões.
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A manhã de sábado estava tomada de abraços e sorrisos de reencontro. Sarah chegou ao apartamento de Tina, trazida por Mike que foi buscá-la no aeroporto, o rapaz ainda levaria mãe e filha até o apartamento de Brittany.
Tina conversou a sós com Sarah, explicando a história com mais calma e mais detalhes, Sarah ficou bastante decepcionada com Santana, porém, após a conversa, chegaram a conclusão que mesmo tendo feito o que fez, a condição de Santana não poderia ser negligenciada, e se Brittany não poderia fazer o papel de apoio e estar ao lado dela nesse momento, era necessário que alguém fizesse. Sarah assumiu a responsabilidade de contar tudo com calma para os pais da latina, eles mereciam saber sobre o problema que a filha passava e Tina pegou o telefone de Brittany para procurar o número de quem poderia ser capaz de enfrentar Santana.
– Bom dia Brittany... estava mesmo querendo falar com você... (Respondeu Quinn que terminava seu café, já arrumada para dirigir-se à exposição de Megan).
– Bom dia Quinn, não é a Brittany, é Tina, amiga dela...
Quinn já viu sua preocupação ir de zero a cem em menos de um segundo.
– Aconteceu algo com Brittany?
– Digamos que sim...
Tina começou a explicar toda a situação, lógico que omitindo o fato de Brittany estar grávida, a loira não queria que Santana soubesse e Tina respeitava isso.
Quinn se viu enfurecida durante toda a conversa, seus olhos assumiram um tom vermelho que só existia quando estava verdadeiramente nervosa, Santana a fez de boba contando uma versão em que a colocava como uma vítima e ela não poderia acreditar que a amiga havia sido capaz de tanto contra Brittany.
No fim da ligação, Quinn disparou como um foguete para fora de seu apartamento, apenas com a chave do carro em mãos, dirigiu-se com ao apartamento vizinho tocando a campainha e gritando de forma escandalosa o nome da amiga. Ao girar a maçaneta, viu que a porta estava aberta.
– Deve ter chegado tão bêbada que nem a porta trancou!
Quinn passou pela sala e viu uma sacola de bebidas espalhado pelo sofá, sua raiva só aumentou enquanto dirigiu-se ao quarto, ao entrar, deparou-se com a amiga em uma situação lamentável. Cabelos desalinhados cobrindo a cama, mesma roupa que havia usado na empresa ontem, juntamente com os sapatos, pose desengonçada na cama e nas mãos uma garrafa quase vazia.
Não teve pena, puxou a amiga pela gola da blusa, pouco importando se aquilo a machucava, Santana acordou assustada, sentindo seu corpo sendo retirado para fora da cama, mal conseguiu firmar os pés no chão e se viu sendo arrastada por uma figura loira que demorou alguns segundos para perceber que se tratava de Quinn.
– Sua louca! O que está fazendo?! Para onde está me arrastando?
– Estou fazendo o que devia ter feito há muito tempo!
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