Notas iniciais
Olá! Segue cap! Espero que gostem!

Brittany caminhava em passos lentos, bocejava, estava agarrada ao roupão, pois sentia frio, passava pela sala e ambiente estava escuro, mas não tão escuro que não pudesse transitar. Conseguiu ver Lyon deitado sobre sua almofada no canto da sala, o gatinho percebeu o movimento, mas apenas levantou a cabeça olhou rapidamente e voltou a dormir aconchegando-se mais na almofada.

Quando chegou a cozinha, não teve sinal da esposa, não havia ninguém e nem algum copo na pia indicando que Santana havia passado por lá. O próximo passo seria procura-la no escritório, passava pelo corredor, acendeu a luz do mesmo e sentiu-se estúpida por não ter feito o mesmo ao passar pela sala, ainda mais depois do pesadelo de minutos atrás. A casa era grande e tornava-se assustadora andando sozinha de madrugada. Tinha sono só queria voltar a dormir.

Santana estava sentada no chão do porão, armário aberto, observando as opções de bebida que possuía, sua boca salivava, os olhos brilhavam, já podia sentir o gosto amargo de um dos whiskys que tinham ali a sua disposição. Depositou suas mãos em uma garrafa de Jack Daniels, alisava, tomou-a para sim, a olhava mais de perto, namorava, seu sorriso estampava o rosto enquanto suas mãos forçavam a torção da tampa. Era seu momento de refúgio.

– Santana...

A latina sentiu-se paralisada ao ouvir seu nome sendo chamado, o barulho vinha do corredor e assim que ouviu ficou paralisada, tinha medo de respirar e ser ouvida. A realidade é que tinha medo até que seus batimentos cardíacos que para ela soavam altos fossem percebidos. Santana fechou os olhos e desejou nunca ter saído da cama esta noite, foi arriscado, ela não tinha se certificado direito que Brittany estava dormindo,

– Santana!

Desta vez o som pareceu muito mais próximo, Santana abriu os olhos novamente, torcia para não ser descoberta, não havia trancado a porta e se Brittany resolvesse procurá-la ali não teria alternativa, esconder entre caixas? Não seriam suficientes para escondê-la. Fingir procurar algo por ali? Sabia que Brittany não seria ingênua para tanto, logo desconfiariam porque o porão estava cheios de caixas pelo chão quando as mesmas deveriam estar no armário velho.

Brittany continuava a caminho do escritório, passou pela porta que direcionava ao porão, olhou para ela, de relance, voltou ao foco, chamou Santana mais uma vez enquanto girava a maçaneta do escritório.

– Santana... Está aí?

Santana ouviu seu nome mais uma vez, mais distante, se aliviou um pouco e viu que era hora de mexer-se. Colocou novamente a garrafa de Whisky no armário, agilidade e cuidado, barulho não era sua intenção no momento. Levantou-se e foi cuidadosamente subindo cada degrau da escada, encostou seu rosto contra a porta, para ouvir o outro lado. O barulho havia cessado, Santana supôs que já que a loira não havia entrado no porão teria seguido direto para o escritório, poderia sair, mas arriscar que Brittany a visse. Decidiu esperar.

Brittany entrou no escritório, mas nada de encontrar a esposa, encostou-se à mesa um pouco pensativa, meio que sem entender o desaparecimento da latina do quarto àquela hora da madrugada. Para Britt, não era possível que Santana tenha saído aquela hora. Voltava para a porta, abriu-a e se deparou com Lyon a esperando do lado de fora.

– Pensei que estivesse dormindo... (A loira se abaixou fazendo um carinho no animal que ficou todo manhoso para o lado da dançarina)

Santana sentiu seus batimentos voltarem a acelerar ao ouvir a voz da esposa tão perto. Torcia para que ela pudesse sair logo dali para que pudesse sair sem ser vista.

– Vem Lyon, vamos procurar a San... (Brittany levantou, chamando a atenção do gato estalando os dedos).

O felino seguia a loira até passar pela porta do porão, nesse momento voltou, cheirava próximo, Brittany virou-se e viu o pequeno com as patinhas na porta, aranhando-as.

– Lyon, o que está fazendo aí?

Santana arregalou os olhos, sentiu seu coração apertar, querer sair pela boca. “Gato maldito! X-9, fofoqueiro... maldita hora que te comprei!” A latina pensava forçando os olhos recém-fechados. Balançava a cabeça torcendo para que Brittany se afastasse. Que desculpa daria por estar ali? Não conseguia pensar em nenhuma no momento.

Lyon continuava arranhando a porta, miando alto.

– Por que está assim? (a loira pegou o gato no colo, olhou novamente a porta do porão) Deve estar com fome não é? Só assim para miar desta forma... Aí não tem comida... (Brittany sorria ao apontar a porta para o gatinho)

Do outro lado, Santana só fazia chorar, silenciosamente, não queria ser uma decepção, mas não entendia o que estava fazendo de errado. “Vá embora Britt... vá embora...” Era só o que Santana desejava. Santana tinha as mãos cobrindo o rosto, cabeça baixa.

– Vem Lyon, vou colocar algo para você comer... Enquanto dou uma olhada lá fora... (Brittany caminhava de volta para a sala levando Lyon consigo)

O animal parecia agitado, mas pareceu se acalmar quando Brittany despejou um pouco da ração em sua tigela. Rapidamente sua atenção estava apenas em comer. Brittany seguiu para a varanda, talvez Santana estivesse no jardim, por que ela não sabia, mas não custava tentar.

Santana deslizou as costas pela porta quando sentiu que Brittany não estava mais por perto, tinha um alívio enorme. Enxugou rápido as lágrimas do rosto e levantou-se depressa para sair do local. Girou a maçaneta e colocou a cabeça para fora da porta para certificar-se que o corredor estava livre. Confirmado! Logo a morena saiu e trancou a porta, colocou a chave no local de sempre. Passou pela sala e viu Lyon lambendo os lábios depois de ter saboreado sua comida.

– Você é um traidor! (a latina falou baixo apontando para o animal)

A morena viu as luzes da varanda acesas. Respirou fundo e seguiu o caminho que a levava para fora. Da porta, Santana viu Brittany com as mãos apoiadas sobre o guarda corpo, olhando para todo o jardim. A latina caminhou devagar, silenciosamente até a esposa, a abraçou por trás carinhosamente e sussurrou em seu ouvido.

– O que está fazendo aqui fora? (a latina perguntou com voz doce)

Brittany sorriu ao ouvir a voz da esposa ao pé do ouvido, colocou suas mãos sobre as mãos da latina que cercavam sua cintura.

– Procurava você... (a loira virou-se para olhar a latina)

Brittany não deixou de notar os olhos vermelhos de Santana.

– San... (tinha um olhar preocupado) Você estava chorando?

Santana havia sido pega de surpresa. Primeiro não conseguiu encarar a esposa, buscou olhar para outro lugar, mas Brittany puxou seu rosto delicadamente para vê-la.

– San... O que aconteceu? Acordei, não estava na cama, te procurei pela casa... (a acariciava) estava chorando? Me responde... Por favor... (a voz da loira era carregada de amor e preocupação)

Santana baixou o rosto por alguns segundos e depois olhou a esposa.

– Sim... Sim eu estava...

Brittany continuou a observar com carinho a esposa, incentivando para que a mesma a contasse.

– Sinto muito, não queria te preocupar... Saí do quarto, tive... Um sonho terrível, só conseguia sentir vontade de chorar, desculpe, não queria que tivesse acordado, fiquei um pouco na sala, mas os pensamentos não paravam de me atormentar... Não queria que me ouvisse e me visse chorando então não voltei para o quarto fui para um dos quartos de hóspedes e fiquei até me sentir bem... (disse num sorriso fraco)

– San... Queria que estivesse do meu lado, não quero que passe por nada sozinha, devia ter me abraçado, iria te fazer ficar bem... (a loira a abraçava)

– Desculpe... (um pedido cheio de culpa)

– Não peça desculpas... (olhava para os olhos da latina) Estou aqui para o que você precisar, se quiser contar esse sonho para mim... Eu estou aqui...

– Prefiro ficar quieta, não lembrar, dói menos...

– Ok... (Brittany disse respeitando a decisão de Santana) Não foi uma noite de bons sonhos para gente... (disse com um sorriso tímido)

Santana abraçou a loira novamente.

– Vamos voltar para dentro, estou com um pouco de frio... (Brittany sugeriu) Vamos voltar para o quarto, tentar dormir novamente, abraçadas... Estou aqui do seu lado e você não tem que se sentir triste, pois eu não vou sentir medo, porque está comigo...

– Claro... (Santana respondeu concordando)

As meninas seguiram para dentro, entraram no quarto, Santana mal conseguia acreditar que havia conseguido driblar a situação. Seus rostos, praticamente colados de frente para outra, qualquer movimento e seus lábios tocavam-se.

– Obrigada Britt! Você consegue se a melhor pessoa, mesmo quando não merecemos... (Santana declarava)

– Pare de dizer que não merece... (Brittany falava séria) Você merece todo o meu amor Santana.

Santana a abraçou mais a esposa, beijou seus lábios e deixou suas testas coladas. A morena sabia que não havia sido pega por pouco, e mesmo que, estivesse com a vontade de beber latente, não poderia mais tentar aquela madrugada, isso a torturava por dentro, mas devia ser feito, estava onde devia estar no momento ao lado de Brittany.

– O que foi San? Parece pensativa... (Brittany pegou a esposa de surpresa ganhando sua atenção) No que está pensando?

– Não... Em nada...

– No sonho? No sonho ruim... (Brittany só podia acreditar que o sonho que Santana estava ligado a não ter conseguido engravidar)

– Já passou... (sorria) Eu estou agora com você e é isso que importa... (Santana beijou o topo da cabeça de Brittany e se aconchegou no abraço) Não poderia estar num melhor lugar...

Brittany obsevava os olhos de Santana fechados, as linhas marcadas na testa da latina, sua pele, sua respiração, o semblante da morena não estava tranquilo, parecia que algo a preocupava. Brittany queria poder retirar todos os temores de sua esposa, queria poder dar tudo que Santana precisava.

Colou seu rosto ao da latina, e só assim conseguiu dormir.

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Sete horas da manhã e Santana já estava sentada na ponta da cama, olhos fixo em um objeto qualquer no lado oposto, braços em volta das pernas num abraço. Olhou para trás e via Brittany mexendo em seu sono, voltou à posição inicial. Seus pensamentos não paravam de girar, eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, o drama da gravidez, a volta das mensagens misteriosas, seu trabalho, sua vida conjugal e essa vontade e inexplicável vontade de beber.

– Já acordada San?

Santana ouviu a voz da esposa e virou-se observando Brittany sentar-se na cama e espreguiçar-se.

– Sim...

Brittany usou os joelhos para andar sobre a cama e aproximar-se da latina, começou a depositar beijos no pescoço da esposa que fechou os olhos para apreciar melhor a sensação.

– Se acordar cedo significar receber beijos assim, madrugarei todos os dias... (Santana disse com um sorriso nos lábios)

Brittany passou seus braços em volta do pescoço da morena e apoiou seu queixo sobre o ombro.

– Os terá sempre que quiser...

Santana passava suas mãos carinhosamente sobre os braços de Brittany. A loira observava a ação da latina, suas poucas palavras, seu jeito cabisbaixo, ela não entendia o que tinha feito de errado, havia cumprido todas as tarefas descritas em seu “grande plano”.

– Pensei que você acordaria feliz com um enorme sorriso hoje, me despertaria com beijos e me puxaria para o banho com você, nos beijaríamos até perder o fôlego, tomaríamos café no jardim, contaríamos os planos do dia, quem sabe sairíamos para jantar hoje...

Santana virou seu rosto encontrando os olhos da loira.

– Eu estou feliz... Sério... (Santana balançava a cabeça tentando convencer Brittany) e quem disse que não podemos fazer todas essas coisas?

– Acho que não... Como pode me despertar com beijos surpresas se já estou acordada?

Com as pontas dos dedos Santana fechou os olhos da esposa.

– Se você fechar os olhos e acreditar (a cada palavra Santana beijava uma parte do rosto da loira) que ainda está dormindo... E que... Estou lhe despertando agora, podemos fazer funcionar...

Brittany sorria mais a cada beijo recebido.

– Acho uma ótima ideia... (A loira sorria ainda com os olhos fechados)

Santana então começou seu teatro.

– Britt... Meu amor... (distribuía beijos castos em seu pescoço) hora de levantar...

Brittany se fez de resistente, embora já estivesse sentada e aquilo tudo não passasse de uma espécie de brincadeira.

– San... Só mais cinco minutinhos...

A morena acariciava o rosto da esposa e passava o polegar sobre os seus lábios, por vezes iniciava pequenos beijos por ali.

– Nem cinco, nem dois, nenhum... Quero tomar banho com minha esposa e levá-la para tomar café no jardim... (Disse sorrindo)

Brittany abriu os olhos devagar para deparar-se com o brilho no olhar da latina que aguardava seus olhos com um sorriso.

– Então... Vamos? (Santana propôs novamente e Brittany concordou acenando com a cabeça)

Santana levantou-se e puxou Brittany consigo, a agarrou pela cintura e iniciou o beijo em seus lábios. Calmo, olhos fechados, lábios entreabertos, o gosto quente dos lábios da latina fazia Brittany querer se entregar por completo. O encontro de línguas era inevitável e procurado. Com a palma das mãos na nuca de Brittany, Santana conduzia a loira ao banheiro do quarto, pouco paravam para tomar fôlego, o som dos estalos, dos barulhos dos beijos misturavam-se ao sorriso de ambas até ser substituído pela batida da porta fechada assim que entraram no banheiro.

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Santana chegou à Impact Magazine um pouco mais cedo aquele dia, eram quinze para as nove quando entrou na empresa. Cumprimentou timidamente a recepcionista e seguiu para sua sala andando a passos rápidos. Entrou na sala, sentou em sua mesa, ligou seu computador. Não conseguia se concentrar, a primeira parte da manhã havia sido maravilhosa, seus momentos com Brittany sempre eram perfeitos, mas algo lhe faltava e ela sentia-se incomodada pelo vazio que não conseguia preencher.

Quinn chegou vinte minutos depois, estranhou a presença da latina, olhou no relógio para confirmar o horário.

– Já por aqui Santana?

– Não... Imagina... Eu estou em casa, tomando café da manhã...

– Idiota... (Quinn resmungou antes de seguir para sua mesa)

– Obrigada!

– Vai fazer algo no sábado? (a loira perguntou mudando o assunto)

– Não sei... Provavelmente ficar em casa com Brittany, assistir filmes, preparar almoço juntas... Coisas do tipo...

– Então não marque nada... Você irá comigo a uma exposição de artes...

– Não...

– O que?

– Não... Não curto ficar admirando pinturas que até o Lery faria melhor...

– É uma exposição de pinturas e fotografias...

– Tanto faz...

– Você precisa ir...

– Me diz... tem coisa aí... tem haver com aquela sua nova amiguinha?

– Não! (Quinn respondeu rápido) Quero dizer... Sim...

– Quinn que nervosismo é esse? É impressão minha ou está corando? (Santana zombava da amiga)

– Você sempre desnecessária... Eu quero que me acompanhe a essa exposição, Megan convidou Rachel e eu e...

– Berry irá? To fora... (Disse sem rodeios)

– Deixa de implicância Santana, você e Brittany precisam ir, não quero que fique um clima estranho entre Megan e Rachel... Você seria uma distração...

– Clima estranho seria se você estivesse saindo com essa Megan... (Santana olhou Quinn com uma sobrancelha arqueada) Está?

– Claro que não Santana! Mas eu contei sobre minha amizade com Megan e não acho que Rachel tenha gostado muito...

– O que eu ganho com isso?

– Nada... Estará fazendo um favor a uma amiga...

– Quinn sem essa! Terei que aguentar Berry, pinceladas mal feitas em quadros e fotos sem sentido... Se não ganhar nada com isso, estou fora...

Quinn tentava pensar em alguma coisa, ou teria que enfrentar uma exposição cheia de perguntas.

– Ok. ok... O que você quer...

– Bom... Agora temos um novo membro na casa...

– Sim... Você havia comentado comigo sobre o gato!

– Pois bem... Foi o maior arrependimento da minha vida esse animal, mas fazer o que? Enfim... Quero você como babá oficial dele, sempre que eu precisar...

– Aaaaah Santana... Não sou babá de animal...

– Pegar ou largar Quinn... Você cuidou bem do Lery uma vez... Cuidar do Lyon será moleza...

– Aquele lagarto é um destruidor Santana...

– Pobre Lery... (Santana ironizava) Ele tem um carinho tão especial por você... (sorria)

– Você coloca alguma coisa na comida daquele animal não é possível!

– Quinn... Apenas aceite... Ou vai ter que aguentar Berry e Megan num lindo clima de triangulo amoroso...

–Não existe triangulo amoroso... (Quinn respirou fundo) Mas tudo bem, eu fico com o bendito gato quando você precisar...

– O Lyon e Lery...

– Que seja, mas você vai comigo no sábado.

– Ok, fechado!

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Já eram quatro da tarde, Brittany já havia almoçado mais cedo, conversado com alguns empresários que faziam propostas para alguns comerciais dos produtos em que Brittany era garota propaganda. Um estava praticamente certo, só faltava oficializar data para gravação. A loira estava pensando em voltar a dar aulas na Unicorn Academy, era uma maneira de ocupar seu tempo que ultimamente era extenso.

– O que acha da minha volta às aulas Lyon? (Brittany perguntava ao animal)

Olhou para o lado onde Lyon estava até um minuto atrás e nada do animal. Brittany decidiu procurá-lo, ele conseguia aprontar mais que Lery então definitivamente não era uma boa ideia deixá-lo passear pela casa. Não demorou muito a encontrá-lo, estava no corredor, arranhando a porta do porão, da mesma forma que fez à noite.

– O que tanto você procura aí Lyon? (a loira pegava o gato no colo) Já disse que não tem nada... (Brittany parou um pouco pensando) Aaaaaah acabei de lembrar que tenho algo que possa gostar... (Levantava o gatinho enquanto sorria) Tenho certeza que tem algumas bolas de borracha, daquelas que pulam bastante lá em baixo... Eu tinha algumas, consegui naquelas máquinas com um grande vidro redondo, basta colocar um dólar e pronto! Você consegue uma bolinha...

Brittany passou a mão sobre uma das prateleiras do corredor ao lado da porta, conseguiu pegar as chaves e começou a abrir a porta, tateou o lado interno do cômodo a procura do interruptor, lá era escuro mesmo na parte da tarde. Acendeu e descia as escadas, logo que estava lá embaixo estranhou a quantidade de caixas no chão.

– Mas como? Eu tinha certeza que não havia tantas caixas aqui... Só falta Santana ter vindo aqui procurar algo e não ter guardado de volta no armário!

A loira então se pôs sentada no chão, Lyon ainda em seu colo, usou uma das mãos para abrir uma das portas do armário velho. Ao abri-lo, não conseguiu descrever tamanho susto.

– Mas... (Brittany custava a acreditar)

Não conseguia explicar o que sentia, parecia que tudo dentro dela havia sido retirado, não sentia nada, estava com os olhos fixos no conjunto de bebidas. Uma lágrima solitária desceu de seu olho esquerdo e foi prontamente amparada pelas costas de uma das mãos. Só então entendeu o que estava sentindo, raiva. Sentia-se enganada, desrespeitada, traída.

Colocou Lyon no chão e sem pensar duas vezes abriu uma das caixas que estavam ali e jogou seu conteúdo no chão. Lyon assustado, subiu as escadas correndo com certa dificuldade e saiu do porão. Brittany pegou garrafa por garrafa e colocou na caixa vazia, pouco tempo depois não haviam garrafas no armário. Levantou a caixa pesada, mas pesado, porém estava seu coração, não tinha controle do choro, não tinha como evitar. As caixas foram levadas para fora de casa e depositadas na lixeira da rua, logo algum caminhão responsável pela limpeza das vias a pegaria.

Quando retornou a casa, não sabia o que pensar como agir, o que falaria com Santana e se conseguiria olhar em seus olhos depois desta descoberta, sentia vontade de ligar e por vezes discou o número da esposa desistindo da chamada no ultimo segundo. Precisava desabafar com alguém.

“Tina... está no estúdio? – B”

Um minuto depois foi respondida.

“Sim Britt! Vai dar uma passadinha por aqui? – T”

“Sim... preciso muito conversar com você. ­–B”

Tina percebeu que era algo sério.

“Estarei lhe esperando... – T”

Brittany pegou sua bolsa e saiu de casa às pressas.

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Santana chegou em casa por volta das cinco e meia, sua boca seca, mão trêmula, cabeça tumultuada, ela não conseguia pensar em mais nada a não ser na vontade que lhe corroia por dentro. Precisava beber aquela noite, não suportava mais a vontade de fazer aquilo. Não viu o carro de Brittany na garagem, mas não havia recebido nenhuma mensagem sobre uma possível saída então precisava verificar.

Jogou a bolsa sobre o sofá, retirou o blazer e fez o mesmo, os sapatos foram retirados e deixados no caminho.

– Brittany... Cheguei...

A latina chamava, mas nada da esposa.

– Brittany! (Chamava procurando pela casa)

Com suas suspeitas confirmadas, Santana abriu um sorriso, a solução era descer rápido para o porão, beber rápido e voltar antes que Brittany chegasse. Plano perfeito, segundo Santana. Correu para o corredor, passava a mãos sobre a prateleira a procura da chave, não estava lá, tentou novamente, sem sucesso. Olhou no chão, talvez tivesse caído, mas não era o caso. Forçou a maçaneta da porta e para surpresa, a mesma abriu sem esforço, não estava trancada. Santana já sentiu nesse momento seu coração gelar, afinal, por que a porta que sempre fica fechada não estava. A latina acendeu a luz do porão e não precisou nem terminar de descer as escadas para ver a bagunça do local, um monte de objetos espalhados pelo chão e as portas do armário escancaradas.

Santana aproximava-se reticente, como se não pudesse acreditar no armário vazio, havia sido descoberta.