Immune

2 Leme


Notas iniciais
Bom, vamos lá... Não peguei pesado com as descrições por motivos óbvios de: 03:39 da manhã. Espero que gostem, in the same way.

Ele estava lá na hora errada, no dia errado, e no lugar errado. Poderia ter ido pelo sul, mas sua mania de sempre seguir o norte colocou tanto seus marinheiros quanto sua própria vida em risco.

Cético, nunca acreditou nas lendas dos oceanos. Porém, por ironia do universo, teve que ir parar justo onde ela estava descansando. Logo ela.

A dama dos oceanos. A maçã de todos os navegadores. O pecado personificado em lenda.

A lua se encontrava a cima do barco, dando uma iluminação perfeita para os navegantes, que obedeciam as ordens do capitão. Uns com caras fechadas pela teimosia dele, outros dando de ombros e fazendo suas ordens. A questão é: O único que estava a sorrir era o próprio. Mesmo não sabendo onde iria parar, sempre que se perdia dizia que o melhor era seguir para o norte.

Sua bússola tinha rachaduras no vidro, mas ele não se importava. Sempre a mantinha apontada para o norte.

– Capitão, o senhor sabe que o norte magnético da Terra é o sul geográfico, não? — disse um rapaz da pólvora, enquanto limpava a arma dele.
– Calado, moço — falou, cruzando os braços, sentando-se em um barril. Era teimoso, não aceitava a tecnologia muito menos os conhecimentos dos mais novos. Gostava de ser antigo.

De poucos em poucos os membros do navio pirata iam dormir. Como toda noite, assim que a lua ficava exatamente no meio o comando era apenas do capitão, que comandava o leme enquanto o Imediato ia tirar suas horas de folga. Não que o dono do navio não cuidasse da navegação de dia, mas é que a luz do sol não o agradava, o que fazia o mesmo dormir de dia e exercer sua função principal de noite, quando dava descanço para sua tripulação.

Foi então nesse dia em que ela apareceu.

Delicada, estava em cima de uma pedra, cantando uma música tão doce quanto sua aparência. Sua voz esbanjava suavidade e gracejo, e o capitão, deixando-se levar, foi em direção à ela.

Os tripulantes, que haviam ido para a parte interna do navio, voltaram, encantados com a bela melodia que chegava em seus ouvidos. Sem perceber, estavam sendo levados direto para o inferno.

Em questão de minutos, a ponta do navio entrou em colapso com a grande pedra onde no topo se encontrava a sereia. Com a fome no olhar, moveu os mares com suas mãos, fazendo com que o navio afunda-se mais rápido. Não que ela tivesse esse poder a toda hora, era algo momentâneo. Geralmente ocorria quando estava realmente faminta. Talvez nem seja ela quem mova os mares, mas sim seu pai — o mar.

Assim que o navio afundou-se completamente, pulou na água, acompanhando o navio. Não demorou muito para seus tripulantes começarem a nadar desesperados. A morena então começou a cantar, observando seus novos homens começarem a segui-la.

Como conhecia muito bem aquele mar, foi para a gruta mais perto, antes que o oxigênio de seu alimento acabasse e eles ficassem perdidos.

Assim que chegou, deixou que eles respirassem o oxigênio enquanto cantava uma nova música, fazendo-os se aproximarem da moça. Eram em 20 pela sua conta. Uma tripulação pequena, mas que daria para o gasto.

Ao aproximar-se da parte terrestre da gruta, sua calda deu lugar para belas pernas. Embora odeie elas, as vezes eram úteis.

Tirou os ladrões da água, fitando todos com calma. Iria se divertir hoje? Não, não ia. Poderia até garantir seu entretenimento com o capitão — um homem saudável e bem dotado — mas lhe daria mais trabalho ainda ter que utilizar seu encanto por tanto tempo. Estava com fome, iria comer, não importava o prazer.
Começou com o mais robusto. Tinha mais carne — embora fosse gordura — e aparentava ser mais suculento. Pediu para que apenas ele entrasse no mar e, quando foi feito, pulou novamente, sentindo sua calda voltar.

Desejou brincar um pouco, fazendo com que apenas aquele homem acordasse do encanto. Não haveria problema algum, afinal, morreria de um jeito ou de outro.

Ao notar sua situação — no mar, sem oxigênio, com uma lenda faminta indo ao seu encontro — apavorou-se. Tentou gritar, o que fez com que sua situação piorasse. Não demorou nem cinco segundos para que seus olhos se fechassem.

Rindo da situação, foi até ele antes que o corpo fosse tomado pela água. Começou a devorá-lo, deixando a gordura para as piranhas que se aproximavam com o cheiro do sangue. Assim que um tubarão branco aproximou-se, deixou com que ele ficasse com boa parte do morto.

Subiu novamente para a superfície da gruta, agora chamando o rapaz mais novo. Era atraente, muito mais que o capitão. Não fazia ideia de como não havia o notado antes. Pediu para que ele viesse até ela.

Pobre coitado, obedeceu-a como uma mosca indo em sentido à teia da aranha. Ela estava na água, com seu tronco para fora, encostando suas mãos na terra molhada. Ele? Ajoelhou-se no chão e aproximou seu rosto dela. Com um sorriso, desfez o rapaz do encanto e o beijou.

Tolo, deixou-se cair novamente nas garras dela, que o puxou brucamente pelos pulsos, jogando-o na água.

Antes de conseguir pensar, a sereia já estava com os lábios carnudos em seu tórax, detonando sua pele. Novamente, deixou o corpo para o tubarão.

Repetiu o mesmo processo de atrair o alimento até o mar 17 vezes. Assim que chegou a vez do capitão, decidiu deixá-lo vivo. Pelo menos por hoje. Afinal, já estava bem alimentada e não precisava mais de comida.

Suas pernas voltaram e ela foi até a superfície, agarrando o homem de uma vez só. Ele, com seu instinto próprio, não deixou que a morena o comandasse. Arrancando suas próprias roupas, pegou-a pela cintura e a levou para a parte mais escura da gruta, onde ninguém sequer poderia ver os dois e o que faziam.

Após alguns minutos, a sereia se expôs. Estava nua, com os braços, a boca e os seios sujos de sangue. Sorriu para si própria, pegando uma pedra afiada e escrevendo "Irlanda" na parede do lugar. Assim que o fez, foi até a roupa do antigo capitão, tendo em vista de que pelo menos seu nome deveria estar escrito em algum lugar.

Quando leu "Captain James" frustrou-se, chutando com força a primeira coisa que viu. Tola, sentiu seus dedos arderem fortemente. Havia chutado uma pedra fixa ao chão. Xingou-se a si mesma e a pedra, como se ela tivesse culpa de existir e ser tão fixa. Passou as mãos pelos cabelos, agaixando-se. Deveria estar envergonhada de si mesma por não ter conseguido pegar O capitão ainda. Aquele ingrato... Era tão novo no ramo e tão inteligente! Nem a dama dos mares conseguia rastreá-lo, muito menos fazer efeito no mesmo.

Com raiva e sua fome saciada, pulou no mar sem pensar duas vezes, deixando novamente sua calda aparecer no lugar das pernas. Decidiu que iria ir para o Pacífico dar um olá para seus amigos — que não saíam de lá para nada, o que ela achava totalmente ridículo.

E assim, partiu, notando que os ossos de suas vítimas estavam jogados perto do navio.

Deu de ombros. Deveria ter notado antes que eles não eram da tripulação de quem ela queria. Irlanda conhecia muito bem o gosto dos membros do navio de Douglas.

E ela queria muito provar novamente.

Notas finais
Espero que gostem. Irlanda é uma sereia boa. Não tenho o que comentar, hehe. Favoritem e recomendem. ♥