Notas iniciais
É um capítulo curtinho, mas tive que aproveitar que a internet está cooperando. O próximo capítulo será postado semana que vem. Boa leitura!

Dava de ver seu reflexo no vidro da lanchonete, estava distorcido por causa da sujeira, mas os profundos olhos escuros eram nítidos. Amedrontadores.

– Eu não vou embora. Agora é a minha vez. – tinha um certo tom de ameaça ao falar.

“Você precisa.” Retrucou Alecsander, que já estava beirando a perda de consciência.

A porta da lanchonete se abriu, e o ranger incômodo de madeira velha o chamou a atenção.

Era ela.

Aqueles estrelados olhos azuis o fitavam com surpresa.

– Você está bem? – a voz tremulava.

Não tinha percebido, mas havia sangue escorrendo de seu nariz.

– Quer ir a um hospital? Parece ser grave. – a garota ainda o encarava.

– Não, não, não. – foi tudo que Alecsander conseguiu dizer antes de sair correndo para o lado oposto.

Poucos passos à frente já estava ofegante e novamente prestes a perder a consciência.

– Olha ele ali! – ouviu um soar alto de sirene. Os homens de branco o haviam encontrado.

– ISSO É CULPA SUA! – se exaltaram, em uníssono.

Desde que o garoto a deixara falando sozinha na lanchonete, Dana estava inquieta, até porque o bêbado fanfarrão a rodeava.

Pesava os prós e contras: ele lhe ajudara, mas lhe causava calafrios. Os minutos que ficou em reflexão pareciam horas. Ela já até havia esquecido a fome que sentia.

Estava longe da janela, e o vidro estava sujo, mas a movimentação na rua era pouco visível. Ele estava lá. Não só via como sentia.

– Vamos, sua estúpida. – debateu-se na cadeira, e enfim tomou coragem para ir atrás do garoto. Dana se levantou, juntou sua bolsa e assim que saía da mesa deu de cara com a garçonete.

– Vai me dizer que não quer mais o cheeseburguer? – a pequenina garçonete bufou o que fez o cabelo negro, preso em um rabo de cavalo, se chacoalhar.

O cheiro do hambúrguer e o queijo derretido fizeram com que a barriga de Dana se manifestasse, e ela se lembrou do quão faminta estava.

– Ahn... – ela olhava para o lanche nas mãos da garota, e o rapaz que estava na calçada. – Hm, embrulha pra viagem. Por favor! – choramingou com aqueles grandes olhos azuis quase lacrimejando.

– Ótimo! – resmungou, antes de sair para a cozinha.

Dana ficou inquieta, o tempo que ficou a espera de seu lanche embrulhado foi como um fragmento do infinito. Anos. Séculos. Milhares de músicas sopradas em uma gaita e enfim, seu cheeseburger havia voltado.

– Obrigada! – entregou o dinheiro para a garçonete, e correu porta a fora.

Estava com os dedos cruzados, torcendo, para que ele ainda estivesse lá.

– Oh, Meu Deus! – ela sussurrou, em espanto. Ele estava pálido, e sangrava pelo nariz. – Você está bem?

Recebeu em resposta um olhar assustado, até que ele saiu correndo.

– Espere! – a morena tomou folego para correr atrás dele, mas não precisou fazer esforço.

“Como ele é devagar.” Pensou, tentando rir daquela situação.

Alecsander congelou assim que viu os homens vindo em sua direção. A camisa de força, o quarto escuro, as agulhas. Todas as imagens passando em sua mente como um filme. Ele ficou estático, com todos os sentidos esvaindo aos poucos. Sem Ash. Sem Alecsander. Apenas o vazio.

Estava se preparando para o golpe, o choque, ou qualquer coisa que lhe atingisse.

– Ei, vocês! Deixem-no em paz. – a voz o fez abrir um dos olhos para espiar o que acontecia.

Foi muito rápido. Tudo aconteceu em um piscar de olhos. Um dos enfermeiros se espremia de dor, por ter levado um chute no estômago, enquanto os outros tentavam ajuda-lo. Ele sentiu um toque frio em sua mão.

Era ela.

– Vamos sair daqui. Eles são loucos. – Alec olhou para ela, e deixou escapar um sorriso.