Notas iniciais
Oi gatinhas, espero que gostem do capítulo!! ♥

Se alguém me perguntasse há alguns anos, como eu imaginava que minha vida estaria atualmente, eu provavelmente citaria inúmeros futuros alternativos, porém eu jamais iria falar a alguém ou até mesmo imaginar que estaria casada com Damon Salvatore e ainda por cima, adotado uma criança com o homem mais “mente fechada” de Mystic Falls. Fora que, eu sabia que Damon era temido por absolutamente todos, eu mesma tive um pouco de medo dele em alguns momentos, mas quando passei a conhecê-lo meu conceito sobre quem era Damon Salvatore, mudou da água pro vinho. Mas o estranho de tudo isso, era saber que eu jamais imaginei que algum dia da minha vida seria feliz ao lado dele, e de uma forma tão absurda, eu era infinitamente feliz.

Hoje eu conseguia enxergar o homem maravilhoso que ele era. O marido exemplar, o pai atencioso e disposto a ensinar a nosso Jeremy, tudo o que ele não havia aprendido com o pai. Tudo o que ele sempre quis ter com o pai, ele estava fazendo e iria fazer com Jeremy.

Há alguns meses, enquanto estávamos deitados após uma longa tentativa de fazer Jeremy dormir e falharmos inúmeras vezes, Damon, que estava tão cansado como eu, decidiu que seria uma ótima hora para me contar o quanto o pai havia sido ruim com ele.

O engraçado de tudo era que ele nunca havia citado o irmão, até porque, raramente conversávamos sobre a família dele. Na verdade, nunca havíamos falado sobre, mas nos últimos meses, éramos tão um só, que todo o gelo e a crosta que havia se formado naquele coração obscuro, estava se desfazendo. Damon realmente estava mudando. E eu via nitidamente a mudança nele e me sentia muito mais feliz por saber que a minha chegada na vida dele, era que havia o mudado tanto.

— Stefan sempre foi o preferido. Desde quando nasceu, até quando foi embora pra Suíça. Meu pai nunca escondeu o favoritismo, deixando claro para o próprio Stefan e para mim, o quanto eu era insignificante e o fazendo me desprezar também. — Damon parou por uns instantes, como se estivesse organizando as palavras para depois pronunciá-las. — Quando minha mãe morreu, eu tinha oito anos e Stefan, seis. Nós dois sofremos com a morte dela. Mas eu não podia nem demonstrar o meu sofrimento, Elena. Meu pai me considerava fraco demais. Ele dizia o tempo todo o quanto eu era um inútil, que só servia para ocupar espaço no mundo. Eu cresci com a obsessão em me tornar um homem temido e corajoso, para mostrar àquele homem, que eu não era um fraco. O problema, é que meu irmão tinha tudo, inclusive a total liberdade para esfregar na minha cara o quanto me odiava. E ele fazia isso apenas para mostrar ao meu pai que era bom o suficiente e por isso era o preferido.

“Ele era só uma criança, Elena. Nós éramos. E meu pai nos instigava a brigarmos. Nosso ódio era nítido. Ele me odiava e eu o odiava. A verdade, é que fomos criados para sermos inimigos, não irmãos. Quando meu pai mandou Stefan embora, nós quase nos matados. A questão, é que eu quase matei meu próprio irmão. Porque meu pai tinha certeza de que era Stefan que venceria a briga. Mas não foi. E depois disso, ele mandou Stefan para longe, para ter um futuro e eu fiquei aqui, recebendo a péssima criação e o mau trato dele.”

Quanto mais ele falava, mais as palavras engasgavam. Eu sabia que tocar naquele assunto, deveria ser difícil para ele. Deveria ser por isso que ninguém sabia muito bem sobre a história daquela família e os julgavam tão mal.

— Meu pai sempre escondeu o meu irmão. Ele o mandou para outro país, porque queria que ele tivesse um futuro exemplar. Ele queria que Stefan fosse um homem rico e cheio de posses, alguém que eu jamais seria.

“Ele nunca me amou. Ele nunca amou ninguém. Nem mesmo a minha mãe. Amor era uma palavra inexiste na vida dele. E até agora foi inexistente na minha vida também. Ele morreu em meus braços, quando eu tinha dezessete anos. E ao invés de pedir perdão por ter sido um pai miserável e cruel comigo, suas últimas palavras foram “você é um fracassado, jamais será como seu irmão”. Eu aprendi com meu pai, que não existia amor, Elena. Eu aprendi com meu irmão, que família é uma coisa que existe só nos outros lugares, mas que eu nunca teria uma de verdade. A única coisa que eles me ensinaram, foi o quanto eu precisava ser um merda. E foi o que eu fui durante esse tempo todo. E não é o que eu quero ser com meu filho. Não é o que eu quero ser com você. Eu quero essa família. Eu quero fazer isso dar certo.”

Meus olhos estavam tão cheios de lágrimas, que era difícil fazer com que ele não notasse. Eu não sabia muito o que falar, então o abracei forte, até que não restasse força dentro de mim.

— Você não vai ser como seu pai, meu amor. Você é incrível, e eu sei que você vai ser o melhor pai de todos, porque é o que você vem sendo. E eu amo você, eu acredito em você. Eu sei que a nossa família vai ser a melhor coisa que já tivemos. Nós somos uma família de verdade, Damon.

Com as mãos envolvendo meu corpo num abraço apertado, Damon pousou a cabeça no meu ombro e ficamos naquela posição confortável por horas, apenas ouvindo a respiração um do outro, como se não existisse mais nada no mundo.

Mas existia. E chorava muito alto.

Jeremy acordou pela milésima vez na noite e eu já implorava por uma babá. É claro que tínhamos Madeleine, mas eu não me sentia bem em acordá-la tão tarde para fazer o Jeremy dormir, mesmo tendo certeza que ela preferiria fazer isso todas as noites a ter seu sono em dia.

Eu amava ser mãe. Era uma experiência totalmente nova e incrível. Era reconfortante ser a responsável pelo sono tranqüilo daquele ser tão indefeso. Era maravilhoso saber que o meu colo era o tranqüilizante dele. Eu amava tanto aquela criança, que não era possível explicar.

— Estou tão cansada. Nunca pensei que poderia ser tão difícil. E olha que ele só tem seis meses, imagina quando começar a andar? — falei baixinho, Jeremy estava quase dormindo novamente, mas eu sentia meu corpo inteiro pesado, era como se eu tivesse apanhado por umas três semanas sem parar.

— Você fica linda com ele no colo, sabia?

— Você diz que eu fico linda de qualquer jeito. Não vale.

Damon sorriu de uma forma linda, mostrando todos os dentes brancos, perfeitamente alinhados. Eu amava aquele sorriso, poderia olhá-lo o dia inteiro.

— Eu só digo a verdade. Você é linda. Mas é chata pra caramba.

— Shhhh — fiz sinal para ele ficar quieto, estávamos acordando o pequeno ser com uma goela de mil alto falantes que estava quase adormecido em meus braços.

Damon ficou quieto, deitado na cama. Ele apenas olhava para mim, aquele olhar que dizia que eu estava linda daquele jeito.

E eu sabia que era verdade. Uma criança combinava tanto comigo que era até estranho. Eu sempre tive medo dessa coisa de ser mãe. Mas agora, o que eu mais queria, era ter uma família enorme ao lado daquele homem deitado na minha frente.

Dei um sorrisinho malicioso para ele. Eu queria outro filho. Mas dessa vez, eu queria um filho à moda antiga.

Só tínhamos um probleminha, e eu estava finalmente conseguindo fazer esse probleminha dormir, para iniciarmos o processo de um novo probleminha chorão.

Notas finais
Até o próximo, beijão! E se alguém quiser conversar comigo no twitter ou tumblr, aqui está: @ferfiuka pendencias.tumblr.com/