I'm Yours
18 Medo
Notas iniciais
POV Damon
Elena queria passar a tarde na casa dos pais, e como eu tinha muita coisa para resolver na fábrica, autorizei e disse que a levaria. Estava completamente cheio de serviço, pois nos últimos meses me dediquei mais a Elena, do que para meu trabalho.
Estava chovendo e como morávamos em uma mansão rodeada por terra, o barro e lama era inevitável quando a chuva chegava.
Me sujei inteiro até conseguir entrar no carro e seguir viagem.
Elena vinha logo atrás de mim, reclamando dos pingos d'água e da terra molhada.
— Ao invés de comprar um carro novo, você podia mandar arrumar essa terra, né? — sugeriu ela, a voz irritada.
— Grama não nasce no concreto.
— Não falei em concreto, e essa grama tá mais pra lá do que pra cá né... Isso aqui é um nojo!
— Elena, quantas vezes eu vou precisar dizer que quem manda nessa casa, sou eu?
Ela não disse nada, mas entrou no carro batendo os pés e sentou-se de braços cruzados, igualzinho a uma criança quando os pais falam não.
— É tão bom discutir com você.
Falei rindo e então dirigi até a casa de seus pais.
Chegamos depois de duas horas de viagem, pois eles moravam na cidade vizinha.
Elena passou a viagem inteira quieta, trocando algumas palavras comigo de vez em nunca. Eu gostava do silêncio, mas o dela me irritava.
A casa dos pais de Elena era enorme, mais ou menos dava para colocar mais 20 mansões no lote que ainda ficaria gigante. Local esse que eles perderiam se não fosse pelo casamento da filha deles comigo.
O sr. Harmon nos esperava na porta de casa com um sorriso falso nos lábios.
— Minha pequena! — saudou ele assim que Elena saiu as presas.
— Oi — disse ela sem entusiamo, deixando-se apertar por um abraço demorado demais. — Chega pai, já tá bom.
Ele a soltou e sorriu um pouco decepcionado.
— O que aconteceu com você? — e então olhou para mim, que estava no banco do motorista ainda, eu não pretendia descer. — Não está cuidando bem da minha filha, Salvatore?
— Ah, estou — falei com o melhor tom de malícia que pude juntar. — E como estou!
Minha resposta não agradou o velho, mas pelo menos pude ver um sorriso escondido nos lábios de Elena, logo depois de revirar os olhos.
— Não vai entrar?
— Não, obrigado. Estou de saída, preciso resolver umas coisas na fábrica, já faz dias que não apareço por lá.
Ele assentiu.
— Certo, vamos entrar então filha, sua mãe está com muitas saudades.
Elena me olhou e pela primeira vez no dia, dirigiu a palavra a mim sem eu precisar pedir.
— Você me busca daqui umas duas horas? — perguntou ela.
Eu não teria tempo de voltar em duas horas, duas horas era só a viagem, levaria no mínimo, umas cinco horas para poder voltar, e isso se ainda conseguisse.
— Claro, te vejo daqui duas horas.
Pude vê-la sorrir e então seguiu o pai para dentro da casa.
Cheguei a fábrica depois de uma hora, não ficava tão longe quanto minha casa, mas ainda sim era longe.
Como de costume, Katherine estava a minha espera.
Seu sorriso malicioso só indicavam que eu tinha muito trabalho pela frente, mas nada que envolvesse trabalho de verdade.
— Quanto tempo que o senhor não aparece por aqui — disse ela baixinho, me acompanhando até minha sala. — Estava ficando com saudades...
Dei uma risada alta e clara, sempre com segundas intenções.
— Hoje não, Katherine, hoje não.
Fechei a porta assim que passei, deixando-a para fora. Não estava no clima para sexo, por mais que fizesse algum tempo que estava na seca, não era com ela que eu queria transar.
Fiquei trabalhando com os papéis mais ou menos uns trinta minutos, colocando em ordem, arrumando, ajeitando. Revendo folhas de pagamentos, avisos, funcionários competentes e incompetentes, colocando tudo em dia.
A fábrica ia bem, embora tivéssemos uma pequena diminuição nas vendas, o restante ia normal. Isso significava que eu não precisava passar tanto tempo ali, talvez uma vez na semana seria o suficiente para resolver muita coisa.
Quando dei por mim, estava atrasado. Tinha dito a Elena que a buscaria em duas horas, mas essas duas horas já haviam passado.
Sai apressado e dirigi até a casa dos pais dela.
— Ela está lá em cima — disse o sr. Harmon, servindo um copo de whisky para mim. — Faz mais ou menos uns 40min que ela e a mãe estão conversando.
O que tanto elas falavam?
— Faz tempo que Elena não vê a mãe, deve estar matando a saudade.
— Com certeza, meu jovem. Você precisa trazê-la mais vezes aqui, ainda somos a família dela.
Sorri irônico. Eu era a família dela.
— Você sabe, Harmon, Elena agora é minha — lembrei. — Se eu não quiser, ela não vem.
Ele me olhou assustado e me entregou o copo de whisky.
— Não foi esse o acordo Damon.
Bebi em um gole, pensei um pouco no assunto e então me levantei.
— Na verdade, eu deixei bem claro na porcaria do acordo, de que no momento em que me casasse com sua filha e tirasse vocês do buraco, eu poderia fazer o que bem entender com ela. Você concordou, assinou e ainda por cima me disse obrigado, então agora não venha com cerimônias, você sabe, tanto quanto eu, você me vendeu sua filha.
Ele se sentou com dificuldade no sofá em frente a mim, encarava o chão, levou uma das mãos ao peito, então falou quase num sussurro.
— Não tive escolhas.
— Você sabe que teve... Ela tinha mais pretendentes do que qualquer uma mulher viva já teve, mas você queria mais, queria enriquecer ainda mais, você sabe que não fez uma boa escolha, Harmon. Por isso se culpa.
— Eu não sabia de nada! Fui descobrir as coisas terríveis que você fez, depois que já havia dado a mão dela para você, se eu soubesse de inicio, você jamais teria se casado com minha filha.
Soltei uma risada estridente. O sr. Harmon me olhava apavorado e com ódio, isso só aumentava a minha vontade de destruir o velho.
— Eu sou esperto, diferente de você. É claro que não deixaria você saber de nada até ter os papéis em minhas mão.
Caminhei até a bancada onde tinham diversos tipos de bebidas, abri a garrafa de whisky e enchi o copo.
— Você ainda vai pagar por tudo que fez, Damon.
— Pagar pelo quê?
Virei bruscamente e percebi a presença de Elena no fim da escada, ela me olhava com raiva, angústia e até mesmo, medo.
Fazia tempos que não a via assim, eu não gostava de representar uma ameaça para ela, mas naquele momento, eu não tinha muitas escolhas...
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