I'm Yours
4 Madeleine
Notas iniciais
Espero que gostem e continuem acompanhando.
Boa leitura!!
O dia amanheceu escuro e chuvoso, talvez fosse o universo em luto pela minha vida que se fora.
Madeleine veio me acordar assim que o relógio marcou 07h.
— O Sr. Damon quer a sua companhia no café da manhã. E ele mandou avisar que é uma ordem.
O que? Agora além de ter que acordar cedo, tenho que acordar cedo e olhar para aquela cara horrível toda manhã?
Obrigada vida, você é completamente injusta.
Levantei-me hesitante e com a ajuda de Madeleine coloquei um vestido azul claro que ela escolhera.
Então desci para meu café da manhã com meu queridíssimo esposo.
Caso não percebam, isso foi totalmente irônico.
— Bom dia Sra. Salvatore.
Riu Damon dando ênfase no Salvatore.
— Só se for pra você — resmunguei sentando-me de frente para ele.
— Vou sair cedo para o trabalho, preciso resolver alguns negócios e tenho que ver algumas coisas com seu pai — disse ignorando meu comentário.
Fingi não me importar, servi um pouco de chá e tomei em silêncio, Damon esperava uma resposta.
Silêncio.
— Elena — bravejou ríspido. — Quero deixar algo bem claro a você. Quando eu falar, você responde.
Madeleine me lançou um olhar nervoso.
— Ah, ótimo querido. Estarei lhe esperando com flores e música assim que chegar, ansiarei a sua volta com tremenda saudade. Mal suportarei o fato de tê-lo longe de mim.
Péssima ideia Elena.
Damon socou a mesa.
Senti um arrepio de medo percorrer por meu corpo.
— Muito melhor.
Damon continuou seu café da manhã normalmente.
— Amanhã daremos um jantar para alguns amigos meus — anunciou Damon após alguns minutos de silêncio. — E quero você educada, gentil e demonstrando seu amor por mim.
— Uau! Você tem amigos? — zombei.
— Engraçada.
— Sempre.
— Acho bom acabar com essa gracinha, não quero minha mulher se exibindo por aí. Se quiser fazer graça, vá a um circo.
— É claro que você não quer — resmunguei.
Damon se levantou de repente e saiu.
Não disse nada, nem apenas um “tenha uma boa tarde, Elena” ou talvez “tente sobreviver a essa vida ridícula” “haha, se fodeu, otária”.
— A Sra. não o conhece como eu — murmurou Madeleine.
Estávamos no jardim, Madeleine cuidava de algumas flores e eu não queria ficar sozinha naquela casa, então a segui, alegando que queria conhecer as propriedades da mansão.
Remoí as palavras dela por algum tempo, quando me pronunciei, Madeleine ficou um pouco apreensiva.
— Eu não tenho medo dele Madeleine. Nenhum homem jamais vai mandar em mim.
Madeleine pensou um pouco e sorriu para mim.
— Admiro a sua coragem — admitiu ela. — Mas as vezes, devemos obedecer, nem que seja contra nossa vontade.
— Você já foi casada? — perguntei interessada.
Ela voltou a ficar séria, regando uma flor aqui outra ali.
— Não exatamente.
— Como assim?
Madeleine pensou.
— Eu me apaixonei uma vez.
Ela sentou-se no gramado, sem se importar com a sujeira da terra molhada que estava esparramada no capim.
Imitei seus movimentos, sentando-me de frente a ela.
Vi seu olhar me reprender, talvez fosse pelo vestido limpo naquela terra molhada, mas não me importei.
Ela respirou fundo, buscando coragem e então continuou.
— Era um amor proibido. Ele não poderia se envolver comigo, muito menos eu com ele — fazia força para lembrar e então continuava calma e serena. — Ele era um ótimo rapaz, embora fosse arrogante, eu o amava. E sempre soube que meu sentimento fora recíproco.
“Ele vinha de uma família muito rica, meus pais eram empregados na casa de sua família, vivemos um amor intenso, mas que durou pouco tempo.”
Observei as inúmeras lágrimas que se formavam em seus grandes olhos verdes.
Ela piscou algumas vezes permitindo que escorressem.
— Eu jamais o esqueci — completou após um sorriso fraco. — Na verdade, a gente nunca esquece o primeiro amor, nunca esquece o primeiro beijo, muito menos o primeiro homem. Richard sempre teve planos para nós, mas o destino não é confiável. Sempre achei engraçado o fato de as pessoas fazerem planos para a vida. Pois elas sempre esquecem que a vida já tem planos para elas.
Seus olhos agora estavam completamente embaçados, ela soluçava muito baixo, o que se você não prestasse atenção, nem saberia que ela chorava.
— Quando meus pais descobriram sobre meu caso com Richard, me mandaram para fora da cidade, pois a família jamais poderia saber. Encontrei um emprego aqui, na mansão Salvatore e estou servindo a essa família há 30 anos.
— Então você nunca se casou? — perguntei triste. — Nunca teve filhos?
Ela soltou um muxoxo de tristeza.
— Nunca. Mas criei Damon — ela me sorriu novamente. — Como se fosse meu filho, embora claro, ele seja ingrato demais para me considerar como sua mãe.
Pensei por alguns instantes.
Damon a tratava realmente mal, pelo que pude perceber.
— Por que ele é assim?
Foi uma pergunta, porém mais para mim, do que para ela.
— Assim como, querida?
Madeleine suspirou.
— Damon só precisa de uma coisa.
Ela me olhou, dessa vez tinha a expressão séria, tinha poucas lágrimas nos olhos e seu rosto ainda estava um pouco molhado.
— O que?
— Você vai saber Elena, com o passar do tempo — a miúda Madeleine levantou-se com dificuldade do gramado e foi seguindo em pequenos passos para casa.
Pensei em acompanhá-la e perguntar-lhe mais sobre o que se referia.
Continuei sentada ali, vendo meu vestido sujar-se com a terra molhada.
Fiquei pensando no quanto Madeleine deveria ter sofrido por amar alguém que não poderia ser seu. As palavras dela me davam agonia.
Mas eu não era muito diferente dela.
Embora eu não amasse ninguém, jamais poderia saber o que é o amor de verdade.
Ainda mais estando casada com Damon e sendo obrigada a ser dele para o resto da vida.
Eu teria que arrumar um jeito para ir embora dali. Não poderia ficar para sempre naquela casa.
Eu precisava fugir.
E Madeleine teria que me ajudar.
Notas finais
Em breve terão algumas explicações que vocês devem saber sobre a Madeleine, mas ela será como uma mãe para a Elena, sendo a única que ela pode contar naquela casa.
Enfim, até o próximo capítulo amadinhas.
Beijossss!
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