I'm Yours
22 Jeremy
Notas iniciais
POV Elena
Assim que Damon saiu para trabalhar fiquei sozinha naquela imensa casa. Eu não me sentia bem sozinha, gostava de barulho, de gente, de fervo.
Por mais que meus pais nunca me deixassem sair ou conhecer pessoas novas, eu sempre tinha Caroline que ia a nossa casa todos os dias, quando éramos novas. Então, eu nunca ficava sozinha. Mas ali, eu me sentia deslocada, às vezes.
Madeleine ainda não havia chegado e eu já estava começando a me preocupar de verdade com o sumiço dela, afinal ela nunca fora de sair, pelo menos não enquanto eu morava ali.
Comentei o fato de ela não estar em casa com Damon um pouco antes de ele sair para resolver alguns negócios na fábrica e sua resposta foi simples e direta.
— Se ela não voltar até hoje à noite, está demitida — e então deu um beijo de leve em meus lábios e saiu.
Me impressionava o fato de ele ser tão curto, mas eu estava começando a entender seu jeito durão.
Damon não me representava mais uma ameaça e sim um homem carinhoso e incompreendido que eu queria conhecer mais e mais.
Embora eu soubesse que ele havia feito coisas horríveis e não soubesse exatamente o que eram, ele me intrigava de uma maneira agradável e eu estava realmente começando a sentir algo a mais por ele.
E só de lembrar o que ele tinha me dito mais cedo, eu sentia pterodátilos mutantes no estomago ao invés das borboletas.
Dei uma volta pela nossa propriedade para ver se encontrava Madeleine em algum lugar, mas não encontrei nenhum sinal de vida dela.
Quando voltei para dentro de casa, vi uma senhora sentada com a aparência extremamente abatida, Madeleine tinha os olhos cansados, a expressão cansada e tudo nela pareciam estar realmente cansado.
— Madeleine! — falei alto entrando rapidamente pelo hall e indo ao encontro dela.
Ela levantou a cabeça devagar para me olhar e sorriu em resposta. Mas aquele não era o seu sorriso.
A Madeleine que eu conhecia sorriria alegre e mostraria como estava radiante em me ver, mesmo que não tivesse, mas aquela Madeleine sorriu fraco, um sorriso triste e sem vida, sem esperança.
— Elena — disse ela após minutos de reflexão, parecia estar em outro planeta.
— O que aconteceu com você? — me sentei ao lado dela no sofá espaçoso, deixando pouco espaço entre nós.
Segurei suas mãos em meu colo. Ela me olhou sem esperança.
— Nada Elena, nada...
— Anda Madeleine, pode contar! Agora!
Ela abaixou os olhos, nenhum sinal de vida aparecendo neles.
Algo que eu gostava em Madeleine eram seus problemas com autoridade, ela não sabia dizer não, tampouco ignorava o fato de uma ordem. Ainda mais quando essa ordem vinha de um de seus patrões.
— Família é algo complicado — começou após perceber que eu não iria desistir.
Ela ficou em silêncio segundos depois que se pronunciara, como se o que havia dito fosse o suficiente.
— O que aconteceu? — perguntei curiosa.
Tudo o que eu sabia sobre a família de Madeleine era que ela não tinha uma.
— Ah Elena, é uma longa história.
Seus olhos estavam tão fundos que fiquei com medo do que viria a seguir.
— Eu tenho tempo — sorri. — Não sei se você sabe, mas eu não tenho muito que fazer, então desembucha!
Minha tentativa de vê-la sorrir não deu certo, porém ela começou a falar.
— Meu irmão teve um bebê...
— Não sabia que você tinha irmãos, achei que não tivesse mais família — minha frase havia soado tão rude, que senti vergonha no momento em que a terminei. As palavras dependendo do modo como você as pronuncia, causa mais dor do que levar um soco. — Quer dizer, achei que fosse só você, bom, você sabe...
— Ah não — ela pensou um pouco. — Tenho três irmãos, mas nenhum deles morava aqui, até pouco tempo.
Ela suspirou fundo.
— Aaron, é o nome dele. Não é muito mais velho do que você, se eu não me engano, tem sua idade.
Não falei nada, esperei até que ela continuasse.
— Como eu disse, ele foi pai recentemente...
— Mas isso não pode ser algo ruim — comentei interrompendo-a.
Ela sorriu sem animo.
— Mas é Elena. A mãe morreu no parto, Aaron está sozinho com a criança e infelizmente não tem condições de cria-lo.
Senti uma pontada no peito, eu sempre reclamava da minha vida, mas esquecia de que a vida dos outros podia ser muito pior.
— Ele ficou sozinho, sem emprego, sem nada e com uma criança nos braços. Eu estou ajudando como posso, já faz alguns dias que eu vou lá, escondida é claro, vocês nem notam porque eu volto logo, mas esses dias que fiquei fora, Jeremy estava doente, tivemos que leva-lo ao hospital e acredite, quando não se tem dinheiro você não consegue nada.
Ela abaixou a cabeça, colocou as mãos entre o rosto e desandou a chorar.
— Ei, não chora — tentei acalma-la. — Nós vamos dar um jeito nisso.
Após alguns minutos de choro compulsivo, Madeleine me encarou.
Seus olhos estavam completamente encharcados e vermelhos.
— Como Elena? Você não pode fazer nada, se Damon souber de alguma coisa... Ele é capaz de qualquer coisa, não podemos arriscar.
Sorri para ela. Por breves momentos, senti vontade de contar o que havia acontecido entre mim e Damon, e dizer que eles não era tão ruim assim, mas achei melhor deixar aquilo só para mim.
— Damon que se dane! É uma criança que está em jogo, vamos visita-lo, eu quero conhecer.
Ela me olhou espantada.
— Não, nós não podemos!
— Não só podemos, como vamos. Anda Madeleine, você precisa confiar em mim, eu quero ajudar, e eu estou cansada de ficar aqui.
Ela pensou por alguns instantes.
— É longe Elena, nós vamos demorar no mínimo duas horas para ir e duas para voltar, o que dá no total de quatro horas e em quatro horas o sr. Damon já está aqui, e está furioso a sua procura.
Meus pensamentos voaram em Damon e no que ele diria se chegasse em casa e não me encontrasse, talvez ele pensasse que eu estivesse andando pelos terrenos imensos da nossa mansão, ou talvez ele realmente ficasse furioso...
Mas eu não podia dar para trás, eu queria conhecer aquela criança que eu não sabia nada, mas algo em mim dizia que era a coisa certa a fazer.
— Não tem problema, a gente dá um jeito. E Damon está cheio de coisas para fazer, ele não vai voltar cedo, confia em mim.
— Ele é muito imprevisível Elena, não podemos arriscar.
Revirei os olhos inquieta.
Por que ela simplesmente não concordava e me levava até lá? Por que ela não dava um crédito para Damon e confiava que ele não era um bicho de sete cabeças?
— Vem, não podemos perder tempo, vamos arrumar algumas coisas para levar, comida, roupas, dinheiro... Pegue o que achar que é preciso.
Ela me olhou espantada e começou a balançar a cabeça negativamente muito depressa.
— Jamais! Além de sair escondido e levar você comigo, ainda quer que eu pegue coisas que não são minhas? — ela estava em pé, eu sabia que se insistisse mais um pouco, a fera estaria domada.
— As coisas são minhas também — falei o óbvio. — Sou uma Salvatore agora Madeleine, anda, sou sua patroa e estou ordenando você a pegar essas coisas e me levar até a casa do seu sobrinho, foi você quem disse que ele não tem nem o que comer. Agora acho bom arcar com as consequências.
Ela continuava a balançar a cabeça.
— Eu devia ter ficado quieta! Você não está entendendo Elena... Aaron é a única coisa que restou da minha família e eu preciso manter ele e Jeremy em segurança, não posso cometer o risco de deixar Damon irritado e... Eu agradeço a sua bondade, mas é melhor não
Ela mudou de assunto rapidamente no momento em que falou de Damon e de que não poderia cometer o erro de deixa-lo irritado.
Meu coração acelerou.
Correr o risco de deixar Damon o que? O que será que Damon poderia fazer com uma criança indefesa e um pai sem nada?
Meus pensamentos novamente voaram alto.
Eu achava que estava conhecendo Damon, mas sabia que não conhecia nem metade do que ele era ou fora...
Mas eu precisava arriscar. Agora, mais do que nunca, eu queria pegar uma criança em meus braços e sentir como era o prazer de ser mãe, mesmo que essa criança não fosse minha, eu queria ter o gostinho de poder acaricia-lo e só essa criança me daria isso.
Fingi não ouvir o que Madeleine dissera, pois se eu desse ouvidos, ela acabaria me convencendo de que era melhor ficarmos em casa e eu acabaria concedendo por pena dela.
— Vamos voltar antes dele chegar, não se preocupe. Agora me ajude.
Hesitante, Madeleine fez que sim com a cabeça, mesmo não sendo o que ela queria.
Eu poderia ter voltado atrás, mas sabia que me arrependeria depois.
Andamos pela casa atrás de tudo o que um bebê precisava e que nós tínhamos, não encontramos muita coisa, mas achamos o necessário para mantê-lo aquecido e protegido.
Madeleine arrumou uma cesta com frutas, legumes e mantimentos para Aaron.
Eu peguei dinheiro e algumas coisas para higiene que encontrei.
E então saímos de casa.
Meu coração estava na mão, junto com a minha vontade de conhecer o pequeno Jeremy e o medo de que Damon descobrisse que saímos escondidas.
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