I'm Yours
26 Acho que estou amando você
Notas iniciais
POV Damon
Acordei um pouco tonto, minha cabeça doía tanto que parecia que iria explodir a qualquer momento, meus olhos estavam fechados devido a dor intensa, eu mal conseguia me mover.
Havia alguns meses que eu não tinha uma ressaca, na verdade, havia algum tempo desde minha ultima bebedeira.
Apalpei a cama ao meu lado para tentar levantar e então senti a presença de alguém, abri os olhos assustado e me deparei com Elena dormindo calmamente ao meu lado. Ela estava coberta dos pés ao pescoço, tinha uma expressão tão calma e um jeito tão doce de dormir, que tive vontade de abraça-la e dormir com ela.
Olhei em volta, eu estava no quarto dela, apenas de cueca e pelo jeito, tinha passado a noite ali.
Fiz um grande esforço para tentar lembrar o que havia acontecido na noite anterior, mas eu tinha bebido tanto que se lembrasse o meu nome, já era lucro.
Será que Elena e eu tínhamos transado de novo? Será que ela me deixou chegar perto dela depois de tudo o que eu fiz, ainda por cima bêbado?
Minha cabeça ia a mil por hora com perguntas e mais perguntas a respeito do que havia acontecido na noite anterior, agora ela realmente iria explodir.
Eu precisava de algumas explicações, precisava urgentemente saber o que tinha acontecido ali, para eu acordar seminu na cama da minha mulher que atualmente me odiava.
Mas só quem poderia me fornecer às respostas as minhas perguntas, era a mesma mulher que estava deitada ao meu lado, dormindo como um anjo.
Pensei em esperar ela acordar para perguntar, mas eu nunca fui muito paciente.
Por que diabos eu bebi tanto?
— Elena — chamei baixinho para ver se ela me escutava.
Nada, Elena continuava dormindo.
— Elena acorda — sacudi de leve o braço dela, não tive resposta de imediato, mas depois de mais umas sacudidas ela abriu os olhos lentamente.
Sua reação foi um pouco mais confusa que a minha.
Elena saltou da cama no minuto em que me viu, como se eu fosse um predador e ela a presa, seus olhos estavam arregalados.
— Você também estava bêbada ontem à noite? — perguntei incrédulo a julgar pela reação dela, ela também não fazia a mínima ideia de que eu estava em sua cama.
— Não!
Ela disse apressada.
— Nós... — fiz um gesto um tanto estranho com as mãos, Elena me encarou sem entender por longos minutos. — Você sabe... Eu e você... Caramba! Nós transamos?
Ela me olhou envergonhada, os ainda mais arregalados do que antes. Se afastou ainda mais, até bater contra a parede.
— Não Damon! Claro que não fizemos — ela hesitou. — Aquilo.
Elena balançou a cabeça negativamente diversas vezes, como se para dizer a ela mesma que realmente não tinha acontecido nada.
Fiz uma cara de desanimo diante a resposta dela. Elena revirou os olhos.
— Você estava completamente bêbado ontem à noite, eu te dei um banho e te coloquei para dormir.
Ela falou rapidamente, as bochechas coradas.
Meu sorriso se transformou em malícia em instantes. Elena tinha a expressão zangada.
— Então quer dizer que você me deu banho? — perguntei um tanto safado demais. Ela apenas me encarou séria, minha esperança era que um sorriso bobo se formasse em seus lábios.
— Sim Damon, mas foi apenas isso, seu pervertido! Diferente de você, eu não me aproveito da fraqueza dos outros para conseguir o que eu quero!
Eu ri, me sentindo um idiota ao lembrar do que fizera a ela e também do que ela havia me dito.
Por mais que eu dissesse que não tinha me aproveitado dela, que tinha sido verdadeiro o que eu lhe dissera, ela jamais acreditaria.
Na cabeça de Elena, as minhas declarações foram apenas para conseguir sexo.
— Eu juro que não me importaria se você quisesse abusar de mim — falei sério.
Ela revirou os olhos.
— Como eu disse, você estava bêbado.
— Então quer dizer que você quer transar comigo, mas não queria se aproveitar de mim, já que eu estava bêbado? — sorri galanteador, ela me fuzilou com os olhos.
Se eles fossem armas, eu provavelmente estaria morto.
— Eu não disse isso! Pare de colocar palavras na minha boca!
Dei risada.
— Mas você não negou, já é uma grande coisa.
— Grande coisa por que? Você acha mesmo que eu vou me atirar no seu colo e fazer amor com você?
Meu coração disparou por alguma razão desconhecida.
Eu gostava do modo como ela falava. Elena não se referia a sexo com outras palavras a não ser “fazer amor”, ela era meiga demais para um ogro como eu.
— Fazer amor comigo — repeti. — Acho engraçado o modo como você se refere a sexo.
Ela revirou os olhos, irritada. Seus pés batucavam o chão.
— Ah é — ela sorriu falso. — Eu esqueço que com você não se faz amor, porque você desconhece essa palavra e o significado dela.
Senti meus músculos se contraírem, fechei minhas mãos apertando-as com força.
Se ela soubesse que era ela a responsável por eu começar a entender a porcaria dessa palavra, não falaria assim.
— Você não sabe de nada — falei fingindo não me importar.
— Na verdade eu sei — caminhou até a cama e se sentou na beirada, bem próxima a mim. — Sei que você mente, que você bebe, que você briga e acaba com quem não faz o que você quer, sei que você é um monstro completamente frio, que você não ama, não sente, você não tem amigos porque ninguém te suporta! Você não tem família e você precisou comprar uma esposa, porque nem isso você conseguiria se não fosse pela porcaria do seu dinheiro.
As palavras dela vieram de repente, causando um estrago em minha mente, em meu coração.
Ninguém nunca tinha dito aquelas coisas para mim, por medo do que eu faria a seguir.
Mas ela não, mesmo depois de eu ter batido nela, de ter a agredido não só fisicamente, mas com palavras, lá estava ela, me enfrentando novamente, me dizendo todas as porcarias de verdade e as jogando na minha cara.
Senti vontade de vomitar, minha cabeça latejava.
— E então Damon? — indagou ela, a voz embargada. — Você vai negar? Vai dizer o que? Que eu realmente não sei de nada?
Não respondi.
Eu não tinha o que responder. Eu precisava ouvir aquilo, eu havia merecido.
— Você não entende — falei após longos minutos. — Você sempre teve sua família unida, sempre teve amigos.
— Sim Damon! — gritou ela levantando-se novamente. — Sempre tive minha família unida, família essa que você teve o prazer de destruir!
Fechei os olhos. Eu não iria me sentir culpado por isso. Fora eu quem tinha feito o acordo com o pai dela, mas ele concordou. Por mais que eu tivesse o ameaçado um pouco, se ele não quisesse, ele teria dito não e não se importaria com o que viria a seguir.
Eu não era totalmente culpado.
— Seu pai contribuiu — corrigi em minha defesa. — Ele também vendeu você.
Ela mordeu o lábio inferior com força, seus olhos estavam vermelhos de raiva.
— Você acabou com a minha vida — falou ela por fim, a voz mais calma. Encostou-se a na parede e deixou o corpo cair de leve. Ela sentou-se no chão.
Senti meu coração bater mais forte, mas dessa vez era apenas de raiva de mim mesmo.
Eu não queria ter o ódio dela, não queria sentir a raiva dela. Não queria que ela me odiasse e acreditasse que eu havia acabado com a vida dela.
Aquilo estava me destruindo por dentro.
Caminhei até ela com uma súbita coragem. Eu não iria deixar que aquela raiva dela me impedisse de demonstrar o que eu sentia.
Pela primeira vez na vida eu iria fazer algo digno de amor, algo que valesse a pena.
Me sentei ao seu lado, deixei minha cabeça encostar na parede junto a dela.
Elena não se moveu.
— Por que você é assim?
As palavras dela vinham como balas de fogo em minha direção.
— Eu sei que sou um monstro, sei que só faço a coisa errada, sei que você não vai entender nada do que eu disser e sei também que você me odeia — falei com sinceridade. — Eu entendo esse ódio e aceito. Mas eu quero que você entenda que tudo o que eu faço é por medo.
Ela respirou fundo, passou a língua pelos lábios secos e virou a cabeça na minha direção.
— Medo? — indagou ela sem entender.
— Medo de perder você Elena. Eu tenho medo de que você queira sair por essa porta e nunca mais voltar, porque eu não sei mais viver sem você.
Senti algumas lágrimas se formando em meus olhos, limpei rapidamente antes que ela visse.
— Você me faz começar a entender o que significa essa merda de amor, você faz com que eu queira fazer o bem. E acredite, eu nunca fiz o bem.
Ela permanecia em silêncio, seus olhos estavam marejados.
— Você me faz ter vontade de ter uma família, de ter filhos. Você me torna uma pessoa melhor só de permanecer ao meu lado. Eu sei que minhas atitudes não demonstram isso, mas eu estou tentando Elena. E estou tentando por você.
Ela não disse nada, moveu a cabeça até o meu ombro e se deitou ali.
Ficamos em silêncio enquanto eu ouvia apenas os soluços baixinhos dela.
Acariciei seus cabelos, sentindo vontade de chorar com ela. Mas mantive a pose.
— Acho que estou amando você.
Declarei por fim sentindo que meu coração finalmente havia se livrado daquilo.
Fazia dias que eu estava guardando essas palavras comigo e me senti livre quando as disse.
Elena puxou minha mão a levando para seu colo, não falou nada, porém parou de chorar.
Fechei os olhos e fiquei ouvindo o som da sua respiração.
Nenhum de nós disse mais nada, mas nem precisava.
Nossos corações batendo ao mesmo ritmo já diziam tudo.
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