I'm Sorry
1 Glock 45
Notas iniciais
Espero que gostem e comentem! Esse é só um pequeno capítulo de início, logo postarei a continuação.
~nolita
Cap.01 Glock 45
Nico DiAngelo
Minha mãe sempre me disse para não brincar com minhas armas. A primeira vez que ela disse isso eu tinha cinco anos e já segurava uma Glock 45 quase habilidosamente, eu queria aprender a fazer as armas girarem na mão que nem os mais velhos sabiam fazer e como eu já vira meu pai fazer uma vez, pedi que ela me ensinasse e ela me parou no meio do meu treinamento de tiro, se agachou e olhou para mim, segurou minha mão com a arma e olhou bem nos meus olhos quando declarou com voz firme:
— Sua arma é a sua alma, se você brinca com ela você coloca sua alma num trampolim, e não é assim que se faz.
— Mas todo mundo consegue fazer. Porque eu não posso também? – Falei arqueando as costas e tentando parecer adulto.
— Porque a maioria das pessoas morre por isso.
E então ela se levantou e deu um tapa um pouco forte demais na minha cabeça e então me posicionei em cima do banquinho que me deixava a uma altura mais favorável e atirei de novo, e de novo e acertei o ombro, o pescoço, e numa terceira tentativa o coração.
O sangue se espalhou enquanto gritos de desespero saíam da boca do homem de meia idade em quem eu atirava, mas seus gritos eram abafados pelos gritos das pessoas das cabines ao lado que também eram alvo. E então ele parou de se mover e sua cabeça caiu e isso me deixou um pouco desapontado, “Podia ter durado mais” me peguei pensando.
Olhei para a minha mãe procurando por aprovação e ela simplesmente me olhou e indicou meu alvo com a cabeça. Ela cruzou os braços sobre a camisa preta grudada na pele e me olhou com impaciência, próximo a seus olhos eu podia ver algumas rugas que contrastavam com o resto das suas roupas: uma saia preta grudada que ia até metade das coxas, botas de salto quadrado que a davam cinco centímetros a mais, o cabelo amarrado em um rabo de cavalo alto. Eu assenti e abri a pequena porta que levava até o alvo, com as pessoas em volta ainda atirando andei e linha reta como fiz nas últimas cinco vezes que estive ali, o barulho das armas e dos alvos sendo atingidos não me incomodavam mais. Os estrondos, gemidos de dor e sons peculiares como os do sangue manchando as paredes já estavam se tornando comuns para mim.
Meu alvo estava amarrado em pé em algum tipo de apoio que criaram para isso, com a cabeça caída, olhos vidrados, o queixo encostando-se à garganta. Virei-me para a minha mãe que aguardava minha volta me olhando como um fazendeiro que inspeciona seu rebanho.
— Deveria tê-lo feito sofrer mais? – Perguntei num grito.
Ela apenas acena com a mão, parecendo ter mais coisas para fazer e me fazendo sentir como o fardo que eu realmente era. Cerrei o maxilar e olhei para o homem na minha frente — terno esfarrapado e hematomas pelo rosto — já morto, provavelmente estava devendo para o meu pai. Ele sangrava de diversas partes do corpo e ninguém se importava, eu também não. Segurei a Glock apontada para a direção do cérebro dele e atirei, admirando enquanto o sangue e a carne humana manchava tudo: a parede, o chão, as roupas dele e meu rosto. Voltei para perto da minha mãe com passos largos e ela me ofereceu um sorriso enquanto me entregava uma toalha.
Limpei o sangue do rosto e das roupas, o máximo que pude, e a segui um pouco feliz, por que ela parecia orgulhosa e por que a imagem daquelas pessoas gritando por socorro não ficavam mais impregnadas na minha cabeça.
Agora doze anos depois, a cada vez que eu matava alguém ou era chamado para participar de algum roubo essa frase não deixava a minha cabeça.
"Sua arma é a sua alma".
Eu tinha limpado e inspecionado as Glock nessa manhã e encarei por um bom tempo as inscrições do lado. Em uma “Date al vostro corpo” e na outra “Ma non consegnati tua anima Di Angelo”. Guardei-as dentro da jaqueta de aviador e me levantei.
Agora já era duas e dez da tarde e meu celular vibrou com uma mensagem para eu me apressar.
Era hora de sujar essas mãos de sangue.
Notas finais
~nolita
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