I'm Hopeless, Help Me?
7 Tem gente que machuca os outros..
Notas iniciais
Capítulo 7
Acordei com meu celular vibrando. Resmunguei alguma coisa e tateei a cama procurando por ele.
-Alô – Eu disse sonolenta
-Hobbit, cadê você!? – Santana gritou do outro lado de telefone.
-Não grita Sant.
-Como não gritar? A aula já acabou e o Finn ta me enlouquecendo aqui falando que você tinha prometido chegar hoje de manhã.
-Ah.. Sant eu tenho que desligar agora. Beijo. Tchau!
Eu desliguei rapidamente o celular antes que ela mandasse todo seu vocabulário chulo e espanhol para mim. Olhei as horas e eram quase cinco horas da tarde. Pelo jeito eu tava curtindo esse negócio de dormir. Eu tinha 7 mensagens não lidas e 6 eram do Finn. Suspirei triste, eu tinha esquecido completamente de ir para a escola. Mas nesse estado que me encontro, não ia ser possível. Levantei-me da cama e fui até o banheiro, tirei a camisa para observar as feridas, estavam feias e profundas. Ainda sangravam levemente, e ardia, muito. A camisa que eu havia dormido estava com a parte de trás toda manchada, acho que isso já era de se esperar. Eu realmente não queria encarar outro banho agora, a dor estava melhor. Resolvi arrumar a minha bolsa e ir para o colégio. Já estava tarde, as aulas já tinham acabado então eu só teria que achar o meu quarto, o que eu suspeito que ainda seja o mesmo. Arrumei uma pequena mala, com os uniformes, coletes e blusas de frio. Meu rosto estava inchado, eu não podia me encontrar com ninguém assim. Principalmente com Finn e Santana, precisava colocar gelo para melhorar. E o resto dos machucados eu esconderia com a maquiagem. Empurrei a cômoda para o seu lugar original e senti um medo absurdo quando fui destrancar a porta.
E se Hiram estivesse em casa?
Só esse pensamento fez meus olhos arderem com a vontade de chorar. Recuei e sentei na cama. Peguei meu celular para ligar para minha mãe e descobrir se ele estava em casa ou não. Caixa postal. Ótimo, o celular dela estava desligado. Resolvi correr o risco, eu queria sair dessa casa hoje, e só seria possível se eu conseguisse o gelo. Abri a porta e andei na ponta do pé até as escadas, desci lentamente e cheguei à cozinha. Não tinha ninguém, graças a Deus. Peguei a bolsa de gelo, fui até o interfone e pedi para o motorista preparar o carro. Subi colocando o gelo no rosto, e fiquei assim até o rosto desinchar. Arrumei meu cabelo, coloquei uma calça e uma blusa de manga preta, e para ajudar coloquei uma jaqueta cor vinho por cima. Fiz o meu melhor com a maquiagem, mas eu acho que não foi o suficiente. De qualquer jeito, peguei as minhas coisas e desci, não queria ficar ali nem mais um minuto.
Quando sai de casa com as minhas coisas o motorista já estava à postos me esperando. Ele tinha a expressão sonolenta, acho que eu o tirei da soneca da tarde dele. Ele abriu a porta para mim e eu coloquei minhas coisas dentro e depois entrei. Abaixei a divisória da limusine e pude vê-lo entrando no carro.
-Para onde senhorita? – Ele se virou e perguntou.
-Para a delegacia mais próxima – Eu disse e levantei a divisória para que ele não pudesse questionar. O vidro do carro era muito escuro, e já estava tarde, tentei focar a minha atenção no caminho, tentando não pensar no que eu estava preste a fazer. Ele era meu pai, mas o que ele fez comigo foi crime, e eu nunca irei perdoá-lo.
James ( o motorista ) estacionou no que eu pude perceber que era a delegacia pois tinha o símbolo da polícia na porta. Esperei James abrir a porta para mim, quando ele abriu eu me pronunciei para sair, mas aí eu percebi que não era o James na porta. Era Hiram.
Senti vertigens, vontade de desmaiar, correr.. Sufoquei um grito na garganta. Hiram me pegou pelo pescoço e me empurrou para dentro do carro, depois ele sentou ao meu lado e fechou a porta. Eu tentei desesperadamente abrir a outra porta, mas estava trancada.
-Não grite – Ele disse sombrio. Minha respiração se acelerou de medo. – Eu sinceramente não pensei que você fosse tão estúpida. Eu ainda coloquei uma pequena fé em você esperando que você não aparecesse por aqui. Mas você como sempre, me decepcionou.
-Eu te decepcionei? – Eu disse revoltada – Você é um monstro, e depois de ontem, EU QUE TE DECEPCIONEI? – Eu disse puxando o meu braço que ele estava segurando.
-Hm.. Quanta coragem. Quanta petulância. – Ele disse debochado – Eu quero ver se você vai ter toda essa coragem quando voltar para casa. – Neste momento eu me esqueci de como se respirava, só de pensar em voltar e passar por aquilo tudo de novo fez um tremor passar pelo meu corpo. Abaixei a cabeça com medo. – Assim é bem melhor – Ele disse sorrindo. Eu levantei a cabeça e o olhei nos olhos.
-E o que te faz pensar que eu vou voltar? – Eu o desafiei
-Você é menor Rachel, eu sou o seu responsável, e você tem que me obedecer. – Ele disse como se fosse óbvio.
-Eu posso morar com a minha mãe – Eu disse e percebi que ao falar dela o maxilar dele se endureceu.
-Você sabia que ela ia pedir o divórcio. Você a apoiou. – Ele acusou
-Sim, eu quero a felicidade dela.
-E você acha que ela vai ser feliz longe de mim? – Dessa fez eu dei uma risada sarcástica.
-O único jeito de ela ser feliz é longe de você! O que não vai demorar muito, pois eu vou te denunciar e você vai ser preso. – Hiram se moveu bruscamente e apertou forte meu pescoço. Movi as minhas mãos e tentei afastar as mãos dele do meu pescoço, estava me sufocando.
-Escute bem, você não vai contar sobre isso para ninguém. Ou você vai se arrepender amargamente quando voltar para casa e nunca mais vai ver a sua preciosa mãe entendeu? – Eu arregalei os olhos em pânico. – Está claro? – Ele gritou. Eu balancei a cabeça que sim, ele me soltou. Respirei rapidamente tentando restaurar o ar em meus pulmões. Ele abriu um pouco a janela e chamou o motorista que estava fumando um pouco afastado do carro. – Leve a Rachel para o colégio. Agora.
-Sim senhor. – Eu fechei meus olhos tentando acreditar que aquilo não era real.
-Você está avisada – Hiram disse e saiu do carro.
Quando ele saiu eu entrei em pânico e comecei a chorar. Eu tremia muito, procurei meu celular que estava dentro da bolsa e disquei o número da minha mãe.
-Atende mãe. Atende.. – Eu implorei para mim mesma. Nada. Caixa postal, eu liguei no mínimo 11 vezes e sempre o mesmo resultado. Meu choro era audível agora, Hiram tinha feito alguma coisa com a minha mãe.
Olhei pela janela e reconheci o caminho, me concentrei em tentar me controlar, não podia aparecer na escola com essa cara inchada se eu não ia poder responder as perguntas. Os ferimentos do corpo eu consigo cobrir com as roupas, levantei a gola da jaqueta para tentar esconder a vermelhidão do meu pescoço. Enxuguei as minhas lágrimas e tentei esconder as olheiras novamente com a maquiagem. O carro parou, olhei pela janela e avistei a minha escola, as luzes ainda estavam acesas, o jantar ia ser servido daqui a uns minutos. Todos deviam estar no refeitório, suspirei de alívio, não ia ter que encarar muita gente. Peguei as minhas coisas e saí do carro antes mesmo de James abrir a porta para mim, ele se ofereceu para carregar as minhas coisas.
-Eu vou conversar com a secretária e saber onde vai ser o meu quarto. Depois te falo para você levar as coisas lá. – Eu disse para ele e entrei. Logo na entrada se encontrava o segurança e um pouco mais a frente tinha uma salinha com a recepcionista/secretária.
-Olá, boa noite. – Eu disse e forcei um sorriso.
-Boa noite Srta. Berry – Ela sorriu de volta. Ótimo, ela sabia quem eu era.
-Eu gostaria de saber o número do meu quarto – Eu disse simpaticamente.
-Não é necessário, seu quarto ainda continua sendo o mesmo. Aqui está a chave – Ela me deu a chave e eu agradeci. Depois fui andando com James até o meu quarto, era um bom quarto. Ficava no melhor lugar da escola, ficava perto de tudo, e por isso, era o menos vigiado, pois a noite, eles vigiavam mais os meninos, e como o meu quarto ficava perto de tudo, eles achavam que eu não era estúpida de tentar nada, então não passavam muito por ali.
Entrei mo quarto e esperei James colocar as coisas na minha cama, depois que ele foi embora eu tranquei a porta e sentei na cama.
O que eu vou fazer? Eu to muito ferrada.
Minha colega de quarto era a Santana, mas nós duas concordamos que esse último ano faríamos de tudo para cada uma ter o seu quarto. Santana queria aprontar todas, eu só concordei para fazê-la feliz, mas acabou sendo bem conveniente. Ela conseguia ser bem intrometida e persistente quando quer saber de alguma coisa. Comecei a organizar as minhas coisas, eu já tinha alguns acessórios e roupas que tinha ficado do último ano letivo. Isso me distraiu por um tempo, batidas na porta me acordaram. Abri a porta e eram Finn e Santana.
-Por que você não me disse que já tinha chegado Hobbit?! – Santana perguntou furiosa e Finn sustentava um olhar triste, talvez decepcionado.
Ótimo, isso vai ser pior do que eu imaginava.
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