Ilusões

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

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Sasuke

Alguma coisa não estava me cheirando bem. E desta vez, não era o cheiro de álcool impregnado nela. Comecei a desconfiar de que ela fosse uma impostora. Mas Kakashi me disse que verificaram seus documentos... Hum. Ainda assim, eu desconfiava. Por exemplo, como é que ela não me reconheceu, ou fez escândalo algum? Ok, nem todas as minhas fãs são escandalosas. Mas com certeza, elas me reconhecem em qualquer lugar do mundo. Isso, definitivamente, estava errado. Se ela queria jogar algum jogo secreto, eu estava dentro! Ah, se estava! Se ela acha que conseguiria me fazer de idiota, estava completamente enganada!

Bom, resolvido entrar em sua brincadeirinha de mau gosto, cruzei os braços e sorri.

— Adorei participar daquele filme. — lhe digo, respondendo sua pergunta — Foi um dos personagens mais intrigantes da minha curta carreira, na verdade. Tão cheio de paixão e mistério, sabe? Devo dizer que foi um desafio e tanto... Diga-me... Qual parte do filme você mais gostou? — resolvi testá-la. Se ela realmente fosse fã, saberia me responder todas as minhas perguntas sem problema algum.

E afinal de contas, o que diabos ela estava fazendo com aquele cabelo? Ela dilatou as narinas, e encostou-se novamente em sua cadeira. Mas não parava de mexer nos cabelos. Aquilo estava começando a me dá nos nervos. Ela estava mastigando os cabelos?

— Escuta... — ela me diz — Me desculpe pela grosseria, hoje de manhã. E sequer pude lhe dizer o quão grata fiquei por tudo o que fez por mim. Nossa! Que cabeça a minha! Estava tão bêbada e atordoada com a história do meu namorado, que nem pude reparar em você! Não sabes o quanto isso me deixa encabulada! — ela diz, pondo as mãos sobre o rosto — Não sabes o que eu daria para reviver tudo de novo e fazer diferente! — é, me engana que eu gosto! Tsc.

— Uhum... Falando nisso... Você não havia vindo para ver seu namorado? — bem lembrado, Sasuke, bem lembrado!

— Oh! Não, não, não! Quero dizer, também. Meu namorado estuda aqui, portanto, não faz idéia do quanto pulei, gritei e chorei em felicidade por saber que poderia encontrar os dois amores da minha vida! Hahaha. Nem acredito nisso! É um sonho estar aqui. Eu sou a garota mais afortunada deste mundo! Todas deveriam me invejar. — não com esses cabelos, querida.

Em seguida, o garçom que nos atendera, anteriormente, voltou com os pratos. Bom ele voltou com um carrinho cheio de pratos, na verdade. Ela estava com tanta fome assim? Bem, eu me lembro com perfeição o estrondo que seu estômago fazia... Mas aquela pequena criatura conseguiria comer tudo aquilo? Eu duvidava. Mas para não parecer mal educado, fingi que não reparei em nada. Até mesmo porque, toda essa despesa ficaria por conta da agência do Kakashi e mais a produtora do filme, que bancava a divulgação. Eu não tinha nada a ver com isso! Ele devia estar explodindo internamente de raiva. Não quis nem me virar para ver a cara de fúria dele. Hehe.

E assim, almoçamos em silêncio. Ela comia exageradamente de vagar. Mastigando cada centímetro de comida que enfiava na boca. E eu tinha a ligeira impressão de que fazia isso de propósito, mesmo! Hum. Mas tudo bem. Fui abençoado pela virtude da paciência e da cara de pau. A deixaria continuar com sua brincadeira enquanto ela pudesse.

O que mais me incomodava, no entanto, era o fato do maldito fotógrafo bater foto a cada gafada que dávamos. Isso sim, era incrivelmente irritante. Tão irritante quando desagradável. E o repórter não parava de fazer anotações. O que diabos ele tanto escrevia? Onde minhas mãos estavam sobre a mesa? O modo como eu segurava o talher? Quantas vezes eu piscava os olhos? Quantas vezes eu mastigava? Fala sério! GRRRRRRRRRRR! Eu tinha vontade de pular no pescoço dele, e mandá-lo para a puta que o pariu mesmo. Mas nãaaaaaaao! Eu tinha que bancar o mocinho cavalheiro, que adorava tudo aquilo! Tsc. Deus o livre se eu perdesse a compostura!

Mas aquela tortura levou duas horas. E ela nem comeu metade da metade da metade da metade da metade da metade da metade da metade do que havia pedido. E ainda arrotou em alto e bom som, para todos ali, presentes, a ouvirem. E ouvirem muito bem! Err.

— Desculpa! — ela diz, sorridente. Ela também estava fazendo aquilo de propósito, tenho certeza!

— Hum. — sorri — Você não me disse ainda que parte do filme mais gostou. — resolvi insistir. Se ela pensava que eu não havia reparado em sua mudança de assunto, estava redondamente enganada.

Ela suspirou e, então, voltou a mexer em seus cabelos. Argh! Enrolava uma mecha entre os dedos, me olhando de um jeito estranho, sorrindo com um enorme pedaço de alface nos dentes. Ela estava tentando ser sedutora? Porque preciso dizer que não estava conseguindo!

— Pois então, — ela diz — aquele filme mexeu com meus sentidos em tantas maneiras que não sei nem dizer qual parte mais gostei. É sério, você estava sublime em todas as cenas. — cretina esperta — Foi incrível. Inclusive, reparei que você não usa tatuagem nas costas! Há! — hein?

Eu estava prestes a lhe fazer mais perguntas, mas Kakashi se aproximou, me dizendo que deveríamos sair do restaurante, pois o tumultuo do lado de fora estava começando a aumentar. Enquanto isso, Kurenai, a assistente, lhe dava alguma instrução.

Levantamo-nos da mesa e, educadamente, ofereci meu braço para lhe acompanhar. Ela me olhou de olhos cerrados, e hesitou. Não entendi, mas continuei a olhá-la, esperando que aceitasse meu braço logo de uma vez. Por fim, ela passou seu braço pelo meu, abraçando-o.

Saímos do restaurante, escoltados por Yamato, Kakashi e Kurenai. Entramos em meu carro, deixando somente Kurenai para trás, que disse nos alcançar mais tarde. Dalí, fomos para o “Olho de Londres”. A terceira maior roda panorâmica do mundo. Também, o ponto turístico mais visitado da Inglaterra.

Quando descemos do carro, as coisas pareciam tranqüilas à nossa volta. Poucas pessoas nos olhavam. Fomos até umas bancas, e compramos pipocas e refrigerantes para o passeio, na cápsula que Kakashi havia reservado para nós. Estava tudo combinado de que faríamos o tal passeio. Mas tivemos que esperar uns dez minutos, antes de embarcarmos, pois a roda, em movimento, finalizava um passeio. Até aí tudo bem. Eu sorria o tempo inteiro, e fazia comentários à menina a respeito do local, e coisas do tipo. Mas nos últimos minutinhos de espera, a aglomeração foi se formando. Aí, minha calma foi se perdendo outra vez.

Bom, para falar a verdade, eu me sentia um idiota, com toda essa palhaçada. Me sentia como um macaquinho de circo, em exibição. Toda essa exposição me dava náuseas. Eu era uma pessoa reservada, discreta. Alguém que preservava sua individualidade. E me ver assim, de uma hora para outra, cercado de olhares por todos os lados, às vezes, assustava. Assustava e irritava. Mas toda vez que me virava para o Kakashi, eu me lembrava das regras. “O sorriso e a saúde, são as chaves para o sucesso!”, ele dizia. E eu tremia dos pés a cabeça, sempre que me lembrava disso. Grr.

O olho do cu parou... Quero dizer, o olho de Londres!; e fomos quase que empurrados para dentro da cápsula. A maré de gente se aproximou, com algumas histéricas a berrar meu nome. Foi incrivelmente irritante. Mas lá estava eu, abanando para elas, sorrindo, e fazendo poses para fotos que, algumas delas, tiravam com seus aparelhos celulares. Acho que até a garota dos cabelos cor de rosa ficou assustada com aquilo. O que era estranho, também. Mas a pior parte disso tudo não chegava nem perto disso.

Aconteceu quando pisamos na cápsula. A menina simplesmente surtou.

— O que está acontecendo? Para onde vamos? O que isso vai fazer? Ele vai se mover? Ele vai subir? Vamos ficar no alto? E se um avião passar e chocar com a roda? O que vamos fazer? Não deveríamos ficar em terra firme? Onde está a ambulância? Ela não deveria estar por perto para ocasiões como essa? E se eu morrer? Vocês avisam à minha mãe? — desde o início estava implícito... Ou melhor: explicito! Muito “PLÍCITO”!, de que iríamos entrar naquela joça! Porque cargas d’água, só agora, ela resolveu fazer aquele teatrinho?

Suspirei; e sorrindo! Argh! Essa seria a semana mais longa da minha vida.

Notas finais
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