Ilusões

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

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Sakura

Algo não estava certo. Ele conseguia me enganar direitinho de que nada do que eu fizesse lhe irritava. Bom, o cara deve ser muito bom ator mesmo. Talvez, eu devesse lhe dar uma chance, e ir ver algum filme dele por inteiro. Err.

Quando chegamos ao tal olho de Londres, ele foi me explicando algumas coisas sobre o local. Eu ia ouvindo tudo atentamente, é claro. Afinal, eu não podia deixar de aproveitar aquele passeio. Não era sempre que eu podia ir à Londres, certo? Saquei meu celular da bolsa, e tirei o gravador para acionar a câmera fotográfica. Fui batendo foto de tudo, enquanto algumas pessoas começavam a nos observar. Caramba, aquilo estava começando a me irritar. O cara não podia nem cagar, que queriam tirar foto do coco dele, não é mesmo? Tenho pena dele. Se bem que, ele parecia estar adorando tudo aquilo. Ele era sorrisos para todos os lados. Cheio de carisma, paciência e sem vergonhice. Era uma belezura mesmo! Tsc.

—... E ali atrás fica o rio Tâmisa. — ele dizia — Estamos no do sul da Inglaterra, à propósito, e ele banha Oxford e Londres, indo desaguar no mar do Norte.

— Eu sei onde estamos. — lhe digo. Tsc. Ele estava me tirando para burra, por acaso? Era só o que me faltava! Sou pobre, mas não sou burra! Grr.

— Apesar de ser um ícone londrino, muito pouco da roda é de fato inglês. As partes da roda foram fabricadas na Holanda, as cabines são dos Alpes Franceses e as janelas foram produzidas em Veneza.

— Huuuummmm.

Bom, ele continuou a falar. Blah-blah-blah. ZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzz. Será que ainda tínhamos muito a caminhar? Meus pés ainda estavam doloridos, e as bolhas sequer começaram a cicatrizar. Por causa da vaca da Kurenai, mal pude fazer curativos nas feridas.

Bom, a roda gigante parou, e uma cápsula se abriu todinha para nós. Graças aos milagres que o dinheiro e fama poderiam realizar, eles haviam reservado a porcaria somente para nós. Bom, legal!, pensei. Adoro rodas gigantes. E ficar longe daquela multidão, era melhor ainda!

Mas eis que, então, tive uma idéia maligna. Muahahahahaha! Me faria de retardada, com medo de alturas, na última hora! É. Era perfeito para testar a paciência dele, e fazer com que perdesse a linha. Ou, pelos menos, o faria passar vergonha. Hehehe. Vamos ver quem é melhor ator agora! Uhum. Muahahahaha! Inventei um monte de desculpas esfarrapadas para não entrar dentro daquele negócio. Até mesmo ataques terroristas estavam inclusos. Hum. Mas espere aí! Não estaria eu sabotando meu próprio passeio? Azar! Aquilo era para bem da minha amiga! Ela e chamou de péssima amiga, e vou lhe mostrar o contrário! Uhum. Ações altruístas existem sim, e vou lhe provar esfregando as provas na sua cara! Muahahaha. Não! Eu não estava pensando em reparar o meu orgulho! Não mesmo! Ahém.

— Olha... Não se preocupe! A roda existe, e funciona desde 1999. — ele dizia — Nunca parou de funcionar, nunca deu problema algum! É perfeitamente segura. E você pode se apoiar nas barras laterais — ele aponta para uns cilindros de metal, que contornava a cabine — caso se sinta insegura! Além disso, não estará sozinha, ok? Eu, eles dois, — agora, ele aponta para seu cão de guarda e o cara dos cabelos brancos — o fotógrafo e o repórter contratado, estaremos o tempo todo ao seu lado. Eu não vou deixar que nada lhe aconteça, está bem? — ohhh, que bonitinho. Bleeeergh! Ele dizia isso apenas porque estávamos acompanhados, tenho certeza.

Dava até para adivinhar qual seria a manchete do dia seguinte! “Príncipe Uchiha salva sua fã da acrofobia. Gentil e cavalheiro, não deixou a moça sozinha durante toda sua aventura. A população londrina os aplaude em sua aterrissagem! ” Argh! O que diabos a Ino viu nele? Tão óbvio! Ele não passava de um picolé de coco com cobertura de chocolate. Apenas esperando que alguém o mordesse para quebrar aquela cobertura levemente sólida. Mas adivinha só! Eu vou mordê-lo, e revelá-lo nu e cru para o mundo inteiro! Muahahahahaha!

Mas enquanto não estivermos a sós, ele não iria mostrar sua verdadeira face, não é mesmo? Huumm. Ok. Sem problemas. Tudo o que eu tinha que fazer é conseguir ficar a sós com ele. Há. Moleza! Como? Não faço a mínima idéia. Só sei que faria isso dar certo!

Bom, no fim, acabei cedendo àquela coisa. Jogamos nossas pipocas e refrigerantes no lixo, e me grudei nele como carrapato; apenas por pura e inocente encenação e agarração! Ahém. Bom, não dava para negar que o cara era “b-b-b”. Bom, bonito e barato. Eu estava agarrando o cara de graça! De vez enquanto, eu ainda apertava o abraço dele e o abraçava. Mas eu estava fazendo a festa do fotógrafo e do repórter, isso sim! Aqueles miseráveis não largavam nosso rabo de jeito algum! Bom, que seja. Eu poderia ignorá-los. O que eu não podia, era deixar de prestar atenção nele. Eu percebia sim aquela mãozinha boba em minhas costas e braços. Ele fazia carinho em mim? Maldito seja! Agora entendi porque o fotógrafo não saía da nossa cola. Que sensacionalismo barato, hein?! Mas tudo bem. Acho que isso significa que meu charme e carisma estavam fazendo efeito. Beleza. Huuum.

Tive mais uma idéia maligna! Será que a Ino me condenaria muito se eu lhe dissesse que tentei levá-lo para cama? Era perfeito. Se ele aceitasse, isso apenas provaria que o miserável era um imprestável, que se deitava com qualquer uma! Não estou dizendo que iria com o ato até o fim! Claro que não. Eu tinha meus princípios, pera lá! Mas se bem que... Eu poderia meter um belo chifre naquela testa lisa daquele loiro miserável também, não é mesmo? Muahahahahahaha! Mataria dois coelhos com uma cajadada só!

Não, não. Que feio, Sakura!

Ah, quer saber? Que morram os dois!

— Acho que tenho direito de saber seu nome agora, certo? — ele pergunta.

— Ah, claro. Sakura. Eu sou sua fã número um, já te disse isso? — morra! Ele sorriu, dando tapinhas no topo da minha cabeça, como se eu fosse uma criança! Err.

— Sakura! Isso! Sabia que era uma planta. Sakura Ha...?

— Sakura é nome de uma flor. — err — E o sobrenome é Haruno. Como é que você sabe? Kurenai disse algo?

— Bom... Na verdade... Eu fui o cara com quem você trocou os tíquetes da passagem de avião, vindo para Londres, lembra? — acho que meu queixo foi ao chão. Ah, mas não podia ser!

— Mentira! Aquele cara era todo molambento, barbudo e fedia à suor. — ele fez cara de bunda.

— Barbeadores fazem maravilhas, não é mesmo? E aquele perfume é Francês! Tsc. E a propósito, está se sentindo melhor, Sakura querida? — ele pergunta, sarcasticamente.

— Ainda estou um pouco chocada, abalada, sabe como é, né? Estou com as pernas bambas, mas graças a Deus tenho você aqui comigo. — e apertei mais o abraço, sentindo cada nódulo de músculo daquele tronco.

Ele sorriu de canto, e começou a me olhar desconfiado. Ficou um bom tempo, na verdade, assim. Me encarando, sem dizer nada, como se pensasse em algo. Hum. Isso é preocupante, eu acho. Será que ele descobriu algo? O que diabos se passava naquela cabeça? Algo me dizia para ficar mais atenta.

— O que foi? Sente-se mal? — lhe pergunto, cuidadosamente.

— Hum? Não, nada. Só estava reparando em seus olhos. Têm um tom verde incrível. — ele diz.

— Ohhh! Assim você me deixa encabulada! Hihihi. — falso.

Ele sorriu mais uma vez, e continuou a olhar adiante a paisagem do rio Tâmisa. Era uma bela vista, de fato. Peguei minha câmera, e bati fotos. Apertava o botão mirando a mesma paisagem três vezes. Já estávamos bem no topo da roda; víamos, praticamente, a cidade inteira dali.

Ao total, a roda levou um pouco menos de trinta minutos. Mas com a espera para subir na cabine, mais o tempo até que ela começasse a girar, e mais o tempo até que conseguíssemos sair dali em meio a todo aquele povo, levamos em torno de uma hora dentro daquele parque.

De volta ao carro, ele me disse que me deixariam em frente ao hotel em que eu estava hospedada para, mais tarde, jantarmos juntos. Eu dei aleluia, porque meus pés estavam me matando. E assim, eu poderia planejar melhor que estratégia usaria para levá-lo para cama. Ahém. Ou será que eu deveria esperar mais um dia, pelo menos, para dar o bote? Hum...

Encontrei a Kurenai na recepção do hotel. Ela me entregou mais uma sacola com roupas para usar no jantar, e disse que viria me buscar às 20 horas.

— E, por favor, Senhorita Haruno, não saia do hotel sem me avisar, pelo menos! — err.

— Sim, senhora. E prefiro que me chame de Sah, se não for incômodo, isto é. — ela forçou um sorriso amarelo que não gostei. Err.

Na sacola, um belo vestido azul marinho de alças finas, um cardigan branco, fino, e uma sapatilha preta. Todos da marca VOGUE. Err. Será que se eu atear fogo nisso, ela me pisoteia?

Enquanto esperava Kurenai vir me buscar para o jantar, fui recapitulando tudo o que gravara de nossa conversa, no meu celular. Infelizmente, não captei nada que realmente incriminasse o cretino. Saco. Mas tudo bem. Estávamos, recém, no primeiro dia. Ainda faltava seis e meio. Hoje à noite eu faria algo acontecer!

Notas finais
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