Ilusões

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura! :)

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Sasuke

A princípio, me senti indignado. Que direito ela pensava que tinha para sair deitando sobre os carros dos outros? Achei que fosse alguma baderneira, sabe? Ou talvez, fosse alguma fã maluca. Então, pigarreei rispidamente para lhe chamar a atenção. Aí, ela me olhou. Foi então que percebi seus olhos marejados, quando virou o rosto para mim. Mas ela se assustou e, rapidamente, levantou-se. No entanto, acabou se desequilibrando e caiu de bunda no chão. Acho que havia bebido demais.

Ao me aproximar, percebi que vestia um belo vestido. Mas estava descalças. E havia uma bolsa, ao lado do meu carro, com seus sapatos jogados.

— Você está bem? — perguntei. Ao me aproximar mais, me surpreendo ao perceber que era a mesma moça do aeroporto. Aquele cabelo cor de rosa era inconfundível.

— Eu pareço estar bem para você? — agachei-me diante dela, para ajudá-la a levantar-se. Ela transpirava á álcool.

— Não, você não parece bem. Desculpe-me.

Ela limpou os olhos com as costas das mãos e me olhou, visivelmente, encabulada. Acho que não se lembrou de mim, ou não me reconheceu, já que estava vestido de maneira completamente diferente, sem os óculos, o boné, o jeans e sem a barba. Se bem que era estranho encontrá-la de novo, não? Talvez eu devesse tomar mais cuidado com ela, pensei, isso sim.

— O carro é seu? — ela pergunta.

— De fato.

— Me desculpe. Achei que me ver jogada ao chão fosse mais patético.

— É, suponho que sim. — tentei sorrir, para lhe demonstrar compaixão, me perguntando o que teria acontecido com ela, durante o dia — Você tem para quem ligar? — fui tirando meu celular do bolso da calça, mas, de repente, ela começou a chorar.

— Meu namorado veio para estudar inglês. Vim para lhe fazer uma visita surpresa, mas acabei por encontrá-lo com outra. Aquele maldito filho de uma puta! — ela dizia, aos soluços e prantos. Então me lembrei daquela hora no aeroporto. E, de fato, ela não parecia estar fingindo...

— Puxa... Eu sinto muito.

— Não, você não sente! Tsc! Você sequer me conhece! — eu me surpreendi com seu novo tom, irritado, mas acho que ela tinha razão ao dizer isso. Então, ela pegou a mala e saiu cambaleando pela calçada, me dando as costas.

Se soubesse quem eu era, acho que ela teria insistido para ficar comigo, pedido um autógrafo, ou teria dado qualquer sinal de que tinha me reconhecido. Mas não foi o caso. Me tratou como se eu fosse um desconhecido qualquer. Foi então que eu me perguntei, o que fazer? Eu não poderia deixar uma bela moça zanzando bêbada sozinha por aí, a essa hora da noite, poderia? Sendo ela quem fosse, na verdade. Eu podia ser meio rabugento, às vezes, mas não descortês.

Fui atrás dela, antes que virasse a esquina e torcesse o pé.

— Presumo que não tenha onde ficar também. — lhe digo assim que a alcancei.

— Tenho. Mas não quero voltar para lá. Aquilo é um antro de cobras. Além disso, nem lembro onde fica mesmo. Hehehe. Mas tudo bem, moço. Está tuuuuudo bem. Joinha! Belezinha! Não estou sozinha! Hehe. Minha amiga Vodka aqui me fará companhia. — ao terminar de dizer isso, ela se deixar escorregar pela parede até o chão. — Aqui é um bom lugar para se passar a noite, sabe? O céu está claro, e não tem muita gente transitando por aqui. — ela diz, tomando outro gole da bebida. Realmente parecia amargurada. Não era por menos, eu acho.

Bom, na verdade, aquilo era deplorável sim. Ela estava bem próxima de chegar ao fundo do poço, se continuasse a beber. Olhei para os lados, verificando se alguém nos via. Não havia mais ninguém na rua. Suspirei, pensando na coisa mais louca que estava prestes a fazer na vida. Eu havia bebido álcool, mas não o suficiente para justificar isso. Mas eu tinha me decidido. Levantei a gola do meu sobretudo, para me encobrir ainda mais, ajeitei o cabelo atrás da orelha e a peguei no colo.

— EI, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? — ela começou a agitar as pernas no ar.

— Não é seguro que fique sozinha pelas ruas de Londres. Não sabe que aqui se encontram os piores psicopatas serial killers do mundo? — eu não tinha a MÍNIMA idéia sobre o que estava falando, mas essa me pareceu uma boa desculpa para convencê-la a vir comigo. Só cruzei os dedos para que ela também não soubesse nada sobre o assunto.

— Oh! — apenas disse, olhando em nossa volta. É, acho que também não sabia.

— Um deles, poderia estar à espreita desde o momento que lhe viu sair do aeroporto, sabia? — lhe disse, caminhando até a outra rua, onde estava meu carro.

— Como é que você sabe que estive em um avião? — ops. Pensa rápido, Sasuke, pensa rápido!

— Ahm... Bom, você disse que veio fazer uma visita surpresa... — sorri meio torto. Ela estreitou os olhos, desconfiada, mas não me contestou.

Eu estava prestes a virar a esquina, quando vi meu agente em frente ao restaurante, conversando com os produtores. Então, dei a volta. Eu não tinha como me apresentar desse jeito, com uma moça bêbada em meus braços. Eu não queria nem pensar no que eles poderiam pensar... Imprudente, sem noção, descuidado, ou então... Necessitado? Err. Não, eu não estava!

— Você está se escondendo? — ela pergunta, puxando minhas bochechas — Quem me garante de que VOCÊ não é um psicopata, hein? — err. Era o que eu temia que ela fosse pensar. Então comecei a correr em direção contrária, antes que ela começasse a berrar, chamando atenção. Mas ela se manteve calada, para minha surpresa.

Ao dobrar a outra esquina, meu celular toca no bolso. Era meu agente. Tentei me equilibrar contra a parede, segurando-a com um só braço, para prender o celular com o pescoço.

Onde você está? Seu carro ainda está aqui em frente. — me disse.

— Ahmm... Por quê? Ainda estão me esperando? — ela começou a mexer no botão do meu sobretudo, me fazendo perder a concentração.

— Não. Acabaram de ir. Só para saber se podia pegar uma carona. Cadê o Yamato?

— Ah, o mandei embora antes. —digo, tentando afastar sua mão do meu queixo, agora.

— Não gosto de covas no queixo, mas em você até que fica bem! — ela me disse. E eu me arrepiei todo.

Você está com alguém, Sah? — meu agente pergunta.

— Não... Foi alguém passando por mim. — fiz sinal para que ela fizesse silêncio, mas já prevendo que não iria dar certo.

— Porque você está me mandando calar? Você vai me seqüestrar? — revirei os olhos.

— É, estou com alguém sim. — digo ao meu agente.

Você está falando sério? — ele me diz, em tom repreensivo — Recém fechamos um acordo, Sasuke... Ok, escuta, o que você faz não é da minha conta! Apenas, cuide-se, ok? Lembre-se que seu trabalho depende da imagem que você carrega. E eu também dependo de você.— suspirei.

— Ok.

Ele ainda insistiu, perguntando onde eu estava. Lhe disse que precisava dar uma volta à pé, e talvez pegasse um táxi, mesmo sabendo dos riscos. Aí, ele desistiu da carona, disse que pegaria um taxi também, e encerramos a ligação. Ela encostou a cabeça em meu ombro, entre um bocejo e outro. Acho que cansou de tanto chorar e beber. Tomei a garrafa de sua mão, e a joguei em uma lata de lixo.

Voltei para pegar sua bolsa e sapatos, que havia deixado na outra rua. Acomodei-lhe no banco de trás do carro, e me fui para o banco do motorista.

Chegando a meu prédio, o chofer me ajudou com as coisas dela até meu apartamento, enquanto a carregava nos braços. Disse-lhe que era uma prima, e lhe dei uma nota de cem, para que não contasse nada a ninguém. E depois que ele se foi, a joguei na cama do quarto de hospedes, lhe cobri o corpo com um cobertor que apanhei do armário do quarto, e me fui para o meu. Eu estava incrivelmente exausto. Mas não consegui dormir direito, pensando que ela poderia acordar a qualquer momento para fazer alguma bobagem, como me assaltar, por exemplo! Bem, eu não a conhecia! Era mais do que natural desconfiar de estranhos, certo?

Notas finais
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