Ilusões

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura. :)

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Sakura

Garanto que a Ino ficará muito feliz quando lhe disser que, no final das contas, ela tinha razão. Naruto era um miserável imprestável! Que sacanagem ele foi me fazer! Ele era o cara dos meus sonhos! Alto, loiro, olhos azuis, sorriso e corpo perfeito de um Deus grego. Bom, francês, pelo menos. Ele era a escultura de Davi, em versão metaleira! Era carismático, não era burro e tinha ótimo senso de humor.

Onde foi que eu errei? A culpa era minha? Eu não sei por que, mas eu tinha a impressão de que sim; a culpa era minha! Afinal, não sou perfeita. Ah, já sei! Sou bipolar! Só pode ser por isso! E os silicones! Digo, a falta deles. Homens têm fixação por isso. A culpa é minha, e não dele. Não sei por que, mas eu ficava repetindo isso na cabeça. Repeti umas vinte vezes, na verdade. A culpa era minha!

Eu não acreditei quando o vi passando pelo aeroporto. Achei que estivesse sonhando. Achei que ainda estava no avião, e havia pegado no sono, e aquele era meu sonho. Pesadelo, na verdade. Mas eu não tinha duvidas de que realmente era ele ali. Meu coração pulou a mil quando o vi. Sabe aquela sensação perfeita de frio na barriga que se sente quando estamos no primeiro encontro com a pessoa almejada? Eu pensava que nunca mais iria sentir isso com ele. Mas eu senti quando o vi. Eu senti! Só que foi tudo muito rápido. Não tive nem tempo para pensar no que diabos ele fazia no aeroporto, se eu não havia lhe dito nada. E toda a emoção e comoção se foram por água baixo, quando uma morena peituda se aproximou e o beijou nos lábios. Beijou o meu Naruto! Eu fiquei pasma! Fiquei irritada, fiquei triste, fiquei arrasada! Fiquei mil e uma coisas. Eu queria jogar uma bomba atômica naquele aeroporto, e sair dando risadas daqueles miseráveis.

E então, quando os vejo desaparecer, me encontro no meio de uma multidão. Mas por mais lotado que aquele local pudesse estar, eu me sentia sozinha. Completamente sozinha, isolada, em quarentena. E veja só que interessante! Minha passagem de volta para casa era para daqui a sete dias. Tsc.

Depois que voltei ao normal, com pensamentos mais calmos, consegui pensar em uma solução. Ir até o balcão de tíquetes e pedir para que o trocasse por algum outro vôo mais próximo o possível. Dane-se o prêmio; minha integridade era mais valiosa do que um atorzinho de quinta categoria. Minha integridade e minha humanidade. Não sei por que, mas eu achava que tinha a perdido. E, agora, eu me sentia um monstro. Sem peitos e com cabelos cor de rosa, ainda por cima. Uma criatura abominável mesmo. Mas a mulher que me atendeu me deu a bela notícia de que todos os vôos para todo aquele mês já estavam esgotados. O máximo que ela poderia fazer por mim era me pôr numa lista. Uma lista onde eu seria a quadragésima nona cliente a ser atendida, na esperança de que alguém cancelasse seu vôo.

Mas que merda, né?

E agora, o que fazer? Eu não tinha grana para ficar num hotel. Eu havia levado dinheiro apenas para segurança, já que eu teria tudo de graça. Hum. Ok, acalme-se, Sakura. Nem tudo está perdido. Fui ao balcão de informações, e dei o nome de uma moça, que o pessoal do cinema me deu. Uma tal de Kurenai, que, supostamente trabalha na agência do ator, e estaria me esperando. E por falar nisso, como é mesmo o nome dele? Vou ter que perguntar a Ino, outra hora, para não passar vergonha. Err.

A mulher detrás do balcão fez uma ligação, e me disse que em instantes ela apareceria. Fiquei impressionada, na verdade. Achei que ela fosse chamar a mulher por algum auto-falante, fazendo o maior escândalo, ou coisa do tipo; mas não. Foi tudo muito discreto. E tão logo, a mulher, de fato, apareceu. A criatura era tão alta, que me deu arrepios.

— Parabéns pela promoção, senhorita Haruno. — ela me felicita, em tom baixo. Tão baixo, que mal a ouvi — Queira me acompanhar, por gentileza. A levarei ao hotel em que ficarás hospedada durante esses sete dias.

— Ok. — respondi.

Não fomos em uma limusine. Perfeito. Já poderia começar a contar os pontos negativos para o Romeu da Lua. Mas o carro também não era de se jogar fora. Um Toyota Prius negro, com vidros peliculados.

O hotel, no entanto, era mais bacana. Tinha uma piscina na cobertura, e uma quadra de esportes ao fundo do prédio. E o quarto era enoooorme, o banheiro tinha uma pia gigantesca, e banheira era uma piscina. Eu já me sentia especial. Engraçado como pequenas coisas, como essas, já fazem toda a diferença. Quem foi o idiota que disse que dinheiro não trás felicidade mesmo, hein? Devia ser algum pobretão recalcado. Só pode!

Me atirei com tudo na cama (doce e fofa cama!), logo depois que a Kurenai se foi. Mas antes, ela ainda me disse que eu poderia pedir o que quisesse pelo telefone. E que só veria o senhor Uchiha no dia seguinte, pois, esta noite, ele tinha outros compromissos. Apenas dei de ombros, com a pulga atrás da orelha me incomodando. Onde foi que eu ouvi esse nome, mesmo? Duh; vamos pela lógica, Sakura. Só poderia ser o amor da vida da Ino, claro. Afinal, vim até aqui para ver a belezura. Ela ainda me passou uma folha de cardeno com a programação anotada. Uma chatice só!

Que seja. Mal olhei para aquilo. Eu estava com o dia livre para fazer o que quiser em Londres. Ainda eram duas da tarde, e estava morta de fome. Resolvi seguir o conselho do Sai, e pedi metade do que vi no cardápio que Kurenai me deixara em mãos. O restaurante do hotel servia de tudo. Pedi frutos do mar com batata fritas, mais sushis, espaguete, um belo bifão com um molho estranho lá, e saladas de tudo quanto é tipo. Para ajudar a descer tudo goela abaixo, pedi suco de laranja e um pote de sorvete napolitano com calda de chocolate, e mais café preto, para a digestão. Hehe.

Eu não devia ter pedido tudo isso. E menos ainda, deveria ter engolido tudo. Passei boa parte da tarde no banheiro. E, ainda por cima, por mais que eu tentasse esquecer, eu só conseguia me lembrar da cara de felicidade do cretino do Naruto, ao ver a morena. Tsc. Justo no dia em que vim lhe fazer uma surpresa! Há! Que irônico, não? No fim, quem foi que levou a surpresa pra casa, hum? Ele vai pagar por isso. Pois se tem algo que bipolares gostam de fazer, é vingar-se. Ah, sim!

Bom e agora? O que fazer?

Encher a cara, é claro! Eu estava proibida de beber qualquer coisa alcoólica, mas azar. Eu merecia um dia de paz. E como dia de revolução, eu também deixaria de tomar meus remédios. É. Eu me sentia totalmente propensa a iniciar uma revolução pragmática. Sem regras, sem etiquetas, sem constrangimentos, sem noção. Uma revolução feminina em prol à liberdade. Eu sairia pelas ruas peladona e bêbada. Viva a liberdade de expressão! Morte aos machos! Toda raça humana do sexo masculino, deveria ser exterminada. Exceto o Sai, que ainda me servia para algo. Ahém.

Mas não. Apenas saí pelas ruas atrás de um bar, ou mercado. Vestida. Err. Mas andei tanto, tanto, mas tanto mesmo!, que fiquei com os pés cheios de bolhas. E aí, a certo ponto do dia, tive que andar pelas ruas descalça mesmo, porque as bolhas haviam estourado e agora as feridas machucavam ainda mais. Maravilha! Basicamente, o que fiz durante o dia foi isso. Andar, beber e vomitar. Foi um ótimo dia, se me pergunte. E a noite foi melhor ainda. Fui escorraçada de um bar porque o cara me confundiu por um mendigo alcoólatra.

Aí, lá pelas tantas, doida pra dormir, podre de bêbada e dores nos pés, encontrei um carro com capô confortável para isso, pois havia esquecido o caminho de volta para o hotel. Mas assim que me sentei sobre ele, seu dono apareceu, me enxotando também. Eu lhe disse alguns palavrões, chutei o carro, e o mandei ao quinto dos infernos. E saí em busca de outro carro em outra rua. Achei um sedã preto, atraente. Tirei a garrafa de vodka da minha bolsa para acabar com ela, e me deitei sobre ele olhando para o céu escuro, mas estrelado. Afogar as mágoas na bebida era uma ótima saída. Eu sempre tinha mais vontade de chorar, e me acabar, porque ela acentuava ainda mais minhas emoções. É uma maravilha! Err. Não entendo porque as pessoas fazem isso. Tipo assim, como eu!

E eu estava morrendo de frio. Estava com um vestido de alça e descalça, sendo que fazia uns quinze graus. Mas eu não conseguia tirar da cabeça a imagem daquele maldito com aquela tetuda. Desde quando ele faz isso? Seria ela a primeira com quem ele me traia? O que eles estão fazendo agora? Onde eles passaram o dia? Se divertiram? Porque eu, com certeza, tive o melhor dia da minha vida! Tsc.

Meus hormônios estavam entrando em ebulição novamente. Eu queria chorar, gritar, correr, pular, chutar, socar... Eu queria poder descarregar isso tudo. E de preferência nele, é claro. Mas não. Cá estava, sozinha, bêbada, e cheia de bolhas nos pés, me sentindo prisioneira da própria amargura. E que gostinho refrescante de vômito ela tem! Argh!

E fazia uma noite tão agradável... O clima estava perfeito para cometer suicídio com overdose de açúcar. Quando estava pensando em me levantar para catar alguma padaria, me assusto com a presença de um rapaz ao meu lado, pigarreando, emburrado.

Saco. Agora sim, minha noite perfeita se foi por água abaixo, porque eu estava prestes a ser ecorraçada por mais um!

Notas finais
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