Ilusões

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

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Sakura

Eu me segurei com todas as forças para não rir, quando saímos do palco. A cara de espanto Sasuke, quando comecei a falar, era impagável! Será que ele realmente ficou com medo de que algo desse errado? Não tinha mesmo como alguém acreditar em mim, ele tendo aquela carinha de bom moço, todo sorridente! O que me faz pensar, inclusive, que se eu ainda estivesse na minha missão para desmascará-lo, seria ainda mais difícil do que tinha pensado. Hum...

A Ino vai me odiar ainda mais quando souber que eu não pude levar nada para provar que ela estava errada. Saco. Não que ela esteja certa! Ainda acho que ela não bate bem da cabeça, mas... Ele ainda não é o que parece ser. Só não é como eu pensava que fosse, ora bolas.

Eu acho.

Entrei no carro do Sasuke, para almoçarmos num restaurante. No banco de trás estava eu, o Kakashi (acho que era esse o nome do esquisito) e o cocada. Na frente, ia a cadela do inferno, e o guarda-costas no volante. Todos estavam estranhamente calados, como se estivessem escondendo algo. Hum. Eu até ia perguntar algo, mas o meu celular começa a tocar uma música da Lady Gaga, Love Game. Eu fingi que não, mas escutei direitinho o Sasuke resmungar algo como: “E depois sou eu quem ouve música gay”! Hehehe. Mas eu estremeci da cabeça aos pêlinhos da virilha quando vi o nome do Naruto na tela. Saco. O que ele queria agora? Ele raramente me liga! Por que estaria me ligando justamente agora?

Mas eis que a resposta me veio em mente: o programa era ao vivo! Duh! Como pude deixar esse detalhe se passar? Argh! Ele poderia ter me visto lá. Droga! Cancelei a ligação, e guardei meu celular de volta na bolsa, sem atendê-lo. Eu percebi o olhar discreto do Kakashi, mas o ignorei. O telefone parou de tocar, mas, alguns segundos depois, volta a tocar. O idiota do Naruto não desistiu. Isso se repetiu por quatro vezes, até que, irritado, Kakashi me olha indiscretamente.

— Realmente não tem problema se você atender a esse telefone! — err. Suspirei.

Hesito antes de atender, olhando para o nome na tela.

— Oi. — digo.

— Sakura? Era você no T4, não era? O que você está fazendo em Londres? Porque não me disse nada? Desde quando você está com esse cara? Você esqueceu que eu existo? Eu exijo uma explicação! Mas não por telefone, é claro. Você pode me encontrar num restaurante? Vamos almoçar, e pôr tudo em pratos limpos! Literalmente, quem sabe! — tsc. Se eu não estivesse com todos esses olhares voltados para mim, eu teria armado um barraco!

Suspirei. É preciso MUITA hora nessa calma! Err.

— Não, estou ocupada.

Ah, sim, eu imagino. Como tem sido seu passeio? Está se divertindo muito? Ele compra flores pra você? Te dá caixas de bombons caros? Talvez jóias? Roupas? Ele prometeu...

— Tá, tá, tá! — se não o calasse logo, ele ficaria o dia inteiro enchendo o saco — Me encontre à noite, lá pelas 20 horas, no hotel em que estou hospedada. — e então, passei o endereço para, logo em seguida, encerrar a ligação.

Minha garganta deveria estar inflada, com tanta raiva acumulada! Mas eu não ia fazer escândalo na frente de estranhos, sobre meus assuntos pessoais. Ainda mais suspeitando de que eles estavam escondendo algo de mim.

Antes de sairmos do carro, Sasuke me passou o dinheiro que ele devia.

— Eu te pago o resto que devo amanhã. Incluindo seu motelzinho. — ele sussurra, em tom sarcástico; não apreciado por mim, devo dizer.

Quando entramos no restaurante, um garçom passava por nós carregando uma bandeja com pratos que estava levando para alguma mesa. Sem querer, querendo, esbarrei nele. Ops! A bandeja voou em ângulo perfeito, direto na camisa do Sasuke. É sério! A perfeição daquele ângulo era algo divino! Até tive vontade de chorar, emocionada.

Mentira.

Me atirei no chão, fazendo de conta que foi o coitadinho do garçom que tinha sido descuidado. Mas acho que o Sasuke não engoliu essa. Se ele tivesse os poderes de raio laser do super homem, com certeza, ele teria me fritado ali. Ele trincou a mandíbula, dilatou as narinas e mordeu o lábio inferior, me fuzilando com aquele olhar.

O garçom pedia mil e uma desculpas, mas o Kakashi não deixou por menos, e resolveu reclamar com o gerente do restaurante, enquanto Sasuke foi se limpar no banheiro. Não sei o que ficou resolvido, mas, enquanto comíamos, pedi licença para sair da mesa, dando desculpa de que precisava ir ao banheiro. Discretamente, desviei meu caminho até a cozinha para falar com o garçom. Lhe pedi desculpas, dei a nota de cem pratas que o Sasuke havia me dado, e ainda fui falar com o gerente, para lhe dizer que houve um mal entendido, pois o cara estava com medo de perder o emprego. Como meu objetivo era apenas melecar a camisa do cocada — para me fazer sentir melhor comigo mesma, ahém —, me senti na obrigação de fazer isso. Depois de tudo resolvido, voltei para o meu acento. Enquanto terminava minha refeição, percebi que Sasuke me olhava, com os olhos cerrados, como se estivesse me desafiando a algo... Ou sei lá o que! Sorri bem bela para ele.

Depois que encerramos o almoço, enquanto nos dirigíamos de volta para o carro, algumas meninas, que haviam nos visto entrar no restaurante, e já estavam com suas câmeras nas mãos para fotografar, começaram a berrar algo. A princípio eu não entendi o que diziam, até que o segurança do Sasuke se aproximou de mim, me envolvendo dentro de sua jaqueta, me acobertando.

— CAI FORA, SUA VAGABUNDA! VOLTE PARA O SEU PAÍS DE MERDA, SUA FACISTA DE MERDA! — isso, eu entendi. Mas em que séculos elas vivem? Pus minha cabeça para fora da jaqueta! Mas nem morta que eu deixaria essa escapar!

— PARIS FICA NA FRANÇA, SUAS MULAS! E O FACISMO É ITALIANO! VOLTEM PARA ESCOLA, SUAS MERDAS DE MERDAS! — há! O cão de guarda me empurrou de volta para dentro da sua jaqueta. Err.

— SUA MÃE ERA UMA VACA, E PÉSSIMA ATRIZ! JAMAIS CHEGARIA AOS PÉS DO SASUKE! — elas insistem.

— Não responda! Apenas ignore! — o cara diz. Ele nem precisava ter me dito isso, pois eu também não estava disposta a discutir sobre minha mãe. Apenas resmunguei que eu não sabia do que elas estavam falando.

Mas fiquei indignada. Elas estavam me atacando só porque eu estava com o Sasuke? Tenho pena de quem for namorada dele! Mesmo que seja algo passageiro, é irritante.

Ao entrarmos no carro, Kakashi me avisa que eles teriam de pular a programação que tinham preparado, pois surgiu um compromisso urgente para o Sasuke resolver, e que apenas me levariam de volta ao hotel. Eu notei o olhar da Kurenai pelo espelho retrovisor, assim como vi o olhar confuso do Sasuke, como se não soubesse do que ele estava falando.

Bom, comecei a me preocupar, né? Será que eles haviam descoberto algo? Eu não disse nada. O que mais eu poderia ter feito, se não concordar?

Assim que chegamos, Kurenai me acompanhou até o elevador, enquanto o restante ficou dentro do carro.

— Não se esqueça da nossa conversinha! Desta vez deixei passar por ter vindo do próprio Sasuke. Mas da próxima vez, mesmo que ele mesmo o peça, não SAIA COM ELE! Não haverá uma terceira chance! — ela me diz, dando as costas — Aliás, não acho que o verá mais, de qualquer forma... — ela resmunga, enquanto rebolava pelo saguão, em direção à saída.

O que ela quis dizer com isso?

Bom, não havia o que fazer para resolver isso. Assim sendo, tive que matar o tempo livre no quarto do hotel, vendo TV e comendo chocolate, até à hora em que teria de enfrentar Naruto. Só que comer chocolate é pior! Ele contém muito açúcar, o que, por sua vez, é energético. Ou seja, me deixou “ligadona”. Ainda mais nervosa!

Quando chegou a hora de tomar meu remédio, ao olhar a gaveta onde havia guardado os comprimidos, percebi que, na pressa, havia trocado o frasco pelo meu potinho de tic-tac verdadeiro. Err. Por ser um remédio perigoso, eu tirei os comprimidos da cartela e os pus num frasco de tic-tac vazio. Se eu fosse vista com o aquele medicamento sem minha prescrição médica, eu poderia, até mesmo, ser presa por isso. Meu médico me alertara que poderia acontecer. O problema agora, no entanto, é que ando com dois frascos de tic-tac na bolsa. Para quem tem a cabeça meio fora da realidade — tipo assim, como eu!Err —, isso tendia a ser um problema também...

Notas finais
Algum comentário?

Dou o credito do tic-tac à lovely_cherry, que me alertou sobre a reação dela com o álcool e sugeriu a idéia subliminarmente (porque ela estava brincando quando me disse isso — aiuhaui). Eu realmente esqueci de pesquisar sobre isso. Na verdade, ele não dá reação à todos os pacientes que fazem uso do medicamento que ela faz (vou citá-lo em algum capitulo), mas como deixaria de fazer sentido, quando ela diz que não podia beber álcool por isso, achei melhor dizer algo.