Ilusões

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura!

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Sasuke

Logo depois que ela se retirou, no meio da refeição, me retirei para lavar a barriga, porque senti que alguma coisa me incomodava; achei que não tinha limpado aquela sujeira direito. Mas, ao sair, vi Sakura passar da cozinha para um corredor, mais ao fundo do restaurante, junto com o garçom que havia derrubado a comida em mim. Hum.

Bom, fui atrás, né? Naturalmente. Me esgueirando pelas brechas, me escondi entre algumas portas para ouvi-la se desculpar.

—... Me desculpe, não quis prejudicá-lo. Apenas quis dar um susto no idiota, porque ele está me devendo desculpas, mas acho que ele ainda não entendeu isso... Hehe. — idiota!

Notei que ela parecia meio encabulada, enquanto falava, coçando a nuca. Se ela é uma aproveitadora, porque se importou em pedir desculpas? Até onde sei, pessoas inescrupulosas não estão nem aí para os outros!

Rapidamente, voltei para o meu acento, antes que ela voltasse. Sua bolsa havia ficado em sua cadeira, ao meu lado, aberta. Um papel, no bolso de dentro, me chamou atenção. Discretamente, o puxei. Era uma receita médica, prescrevendo Carbolitium. Empurrei o papel de volta para sua bolsa, ao vê-la se aproximar, vindo do outro lado do salão.

Depois daquele ataque desnecessário de algumas fãs, no carro, Kakashi me surpreende com um compromisso inesperado, despachando a menina. Eu não fazia a mínima idéia do que poderia ser. Ou fazia?

Assim que a deixamos em seu hotel, Yamato nos levou para o meu apartamento. Nenhum deles quis me contar nada no meio do caminho.

— E então? O que houve? — perguntei, me atirando no sofá, vendo a bagunça que ficara da noite passada.

Eu poderia ter ficado irritado por ter que limpar tudo, ou simplesmente chamar alguém para limpar, mas, na verdade, não me importei. Até mesmo gostei. Era estranhamente bom lembrar que houve bagunça na minha casa, depois de tanto tempo...

— Ela é filha da atriz que Asuma mencionou, sim. — Kakashi me diz — Revisamos a identidade dela, e tudo confirma.

— Hum... Ok. — comecei a pensar com meus botões — O quão famosa era a mãe dela? Ela fez muitos filmes?

— A mulher atuava desde os quinze anos. Morreu aos quarenta. Ficou grávida da menina aos dezoito... Parece que sofria de depressão, e era bipolar também. — Kurenai me diz.

— O que é Carbolitium? — perguntei.

— É um medicamento usado para tratar do transtorno bipolar. — ela responde — Pode ser extremamente tóxico se usado em grande quantidade. Pode até causar convulsões. Acho que a Sakura toma isso...

Se a mãe dela era tão famosa assim, porque ela iria querer alguma coisa de mim?

Poderia ter um milhão de resposta para essa pergunta. Hum. Nunca fui muito curioso, mas, desta vez, a pulga coçava atrás da orelha.

— Sasuke? — Kurenai pergunta — Está me ouvindo?

— Não... Eu acho que a Sakura pode estar grávida de mim... — comento, ainda pensando no assunto.

Kurenai desmaiou, e Yamato correu para socorrê-la. Que exagero! E Kakashi, num piscar de olhos, apareceu na minha frente.

— Me diz que você está brincando, Sah! COMO DIABOS ISSO ACONTECEU? PARA ONDE VOCÊS FORAM ONTEM? EU SABIA QUE TINHA ALGUMA COISA MAL CONTADA NESSA HISTÓRIA! VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE ESTÁ DIZENDO? PORQUE ESTÁ CALMO? Oh, Deus, acho que vou desmaiar também! — ele diz, se abanando. Revirei os olhos.

— Ok, então, se posiciona no sofá, porque eu só pego mulher no colo! — Yamato lhe diz. Err.

— Sasuke, isso... Isso é terrível! Como é que você pretende lidar com isso agora? — meu agente insiste.

— Eu não sabia que era proibido para atores ter filhos. — lhe digo sarcasticamente. Na verdade eu sabia do que ele estava falando, mas a idéia de ser controlado por ele me irritava profundamente.

— Para você é! Ainda não tem maturidade suficiente para lidar com uma família, com uma desconhecida e uma carreira insólita! Qualquer deslize pode te pôr por água abaixo! Você está no momento mais crítico da carreira!

— O que quer dizer com isso, Kakashi? Eu tenho quase trinta anos! Acho que tenho maturidade suficiente para isso, sim! Ou você está me dizendo que eu não sou bom o bastante?

— Não foi o que eu quis dizer! Você ainda está construindo a sua carreira; ainda está em ascensão. Você ainda precisa fazer testes para conseguir algum papel! Não é como Brad Pitt, Tom Cruise, ou Johnny Depp, que são CHAMADOS para fazer algum papel. Esses caras são quem decide em que filme vão atuar! Você ainda não chegou lá, Sasuke! E qualquer difamação pode pôr isso a perder! Já eles, não! Qualquer merda que disserem não fará diferença, porque todo mundo já sabe que eles são bons em qualquer coisa! Por que você acha que estamos fazendo toda essa palhaçada de promoção? Para que todos saibam que moçinho você é! Para que todos falem bem de você, e te chamem para algum trabalho. A carreira de um ator é baseada na imagem e aparência dele! Gostando ou não! E por isso que eu te digo sempre para posar para fotos com fãs, sorrir e cuidar da aparência. Porque ninguém quer trabalhar com gente estúpida, arrogante, feia e gorda! Atores feios e gordos só fazem sucesso se forem MUITO bons! E olhe lá... Geralmente ficam estagnados em um único gênero de filme. Comédia. As pessoas adoram debochar de gente feia e gorda!

Levantei-me do sofá, me sentindo muito fulo. Tudo isso era uma merda, para se dizer no mínimo!

— Acho que vamos ter que pedi-la para manter sigilo sobre isso, pelo menos, por algum tempo... — Kakashi me diz, pegando seu celular do bolso.

— Me deixe... Me deixe resolver uma coisa, antes. Não fale com ela ainda, até que eu diga para fazer, ok?

— Resolver o quê, Sasuke?

— Será que eu posso ter minha privacidade? — ele revirou os olhos, bufando.

— Só não vá me fazer algum outro filho por aí! — mostrei meu dedo médio para ele! Tsc.

Eu tive que sair do apartamento para clarear a mente. Peguei a chave do carro com Yamato, e saí. Fui dirigindo pela cidade, até encontrar um bar aberto. Eu não devia estar bebendo, mas foi a única coisa em que consegui pensar. Pus meu boné e óculos escuros, antes de entrar no recinto. Comprei uma garrafinha de Johnnie Walker.

Passei a tarde toda bebendo pequenos goles, e dirigindo por aí... Quando percebi, já era vinte para as vinte. Lembrei da conversa da Sakura em seu telefone. Alguém a encontraria as oito.

Não sei por que, mas a imagem do loiro do parque me veio à mente.

Como eu não estava muito longe de seu hotel, resolvi dirigir até lá. Quando cheguei em frente ao prédio, estacionei meu carro no outro lado da rua. Atravessei, percebendo que entraria junto com o loiro do parque. Bem como havia imaginado!

Sem querer... Querendo!, esbarrei nele ao passarmos pela porta. Ele me olhou dos pés a cabeça, desconfiado. Eu ainda estava com meus óculos e boné, mas ainda assim abaixei a cabeça, para disfarçar.

— Olha por onde anda, retardado. — ele resmunga.

— Desculpa... Corno. — resmunguei de volta. Mas eu não esperava que ele fosse me ouvir.

— O que foi que você disse? — ele tinha um ar arrogante tão nojento que tive vontade de cuspir em sua cara...

— Eu disse: CORVO. É. Acho que vi um passar! — lhe respondi. Ele fez careta, e pôs a mão no nariz.

— Tsc. Bêbado! — e com isso, me deu as costas.

O vi se afastar até a recepção, enquanto me fui para as escadas. Sakura estava sentada mais adiante, de costas para a entrada. Ao ouvir a voz do rapaz, virou-se e caminhou até ele.

Notas finais
Algum comentário?

As coisas vão ficar mais dramáticas, agora! :)