Ilusões

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

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Sasuke

Paris é uma cidade incrível. Cheia de magia espalhada por todos os lados, com aquele incrível rio cortando a cidade. Sem mencionar os prédios históricos, espalhadas pelas pequenas ruelas. Mas, infelizmente, não posso descrevê-la mais do que isso, porque não podia sair livremente pelas ruas sem chamar atenção das pessoas. O que é uma merda, na verdade!

Pus todo o necessário em minha mochila, e chamei meu segurança particular. Passando por carros a toda velocidade pelas ruas, do banco de passageiro, eu ia observando mais algumas partes da cidade que não havia reparado antes. Essa era a quarta vez que deixava a cidade.

E essa era a primeira vez na vida em que havia me atrasado para alguma coisa. Sempre fui muito pontual para com meus compromissos. Desde pequeno, inclusive. Nunca me atrasei para aulas na escola, nunca me atrasei para provas na faculdade, nunca me atrasei para encontros com namoradas. E agora, no entanto, tinha apenas quinze minutos para chegar até o avião, dentro daquele aeroporto atulhado de gente pipocando por todos os lados. Para a minha sorte, pelo menos, parecia que ninguém havia me reconhecido até então. Vesti um boné e óculos escuros, com uma jaqueta de couro preta, simples. Estava perfeitamente discreto em meu jeans escuro e sapatos pretos.

Após despachar minha mochila pela esteira da companhia aérea, eu ia checando os acentos no meu ticket, ouvindo passos apressados de salto alto se aproximando. Meu instinto me avisava que algo ia acontecer. Mas antes mesmo que pudesse levantar os olhos, de repente, me choco em alguém. Dei alguns passos para trás, com o baque, enquanto uma moça ia ao chão com sua mochila nas mãos. Engoli a seco, achando que ela pudesse me reconhecer e fizesse algum escândalo, ou sei lá o que, que arruinasse meu sossego. E ela, com aqueles cabelos pintados em cor de rosa, chamava ainda mais atenção. Eu estaria ferrado mesmo. Mas não. Ela me olhou furiosa, na verdade. Levantou-se, e me deu um empurrão para trás.

— Olha por onde anda, seu retardado! Eu poderia estar com algo quebrável nas mãos. Eu poderia estar com um vaso de vidro, ele teria caído e eu teria me cortado! Você é cego, ou o quê? — me senti um pouco atordoado e confuso.

— Não, eu... Eu sinto muito. Eu estava... — não pude terminar minha sentença, porque meu segurança se aproximou dela, empurrando-a para longe de mim. Ela o olhou meio assustada, meio irritada.

— Que merda é essa? Ele me empurrou! Empurrem-no também! — ela lhe diz.

Eu fiz sinal para Yamato, lhe dizendo que estava tudo bem. Não tinha porque me estressar com uma mulher estressada também. Aí ele se afastou, pegou meu ticket que eu havia derrubado no chão, e me entregou o papel. Mas não se afastara para muito longe, mantendo-se em vigília. Por sorte, apenas algumas pessoas nos olharam desconfiadas. Aí, abaixei o rosto, tentando me esconder. Mas vi que ela me olhou intrigada, de boca aberta, e agachou para pegar seu ticket também. E me olhou mais uma vez.

— Mantenha seu cão de guarda longe de mim. — ela disse, entre os dentes. E com isso, seguiu seu caminho adiante. Mas ao passar por mim, ainda pude ouvi-la bufando. Não pude conter meu sorriso, em divertimento. Era bom me sentir um estranho, novamente.

Então, fui correndo até ao salão de embarque, temendo o tempo que perdi com isso.

Mas o segurança, ao tomar minha identidade, resolveu me emplacar.

— Senhor, a sua identidade não corresponde com o nome no ticket. Além disso, sua companhia aérea é outra.

— Como é que é? — então, lhe tomei o ticket para averiguá-lo. Eu tinha recém conferido os dados, ele só podia ter lido errado, pensei.

Mas não. A porcaria estava no nome de Sakura Haruno. Olhei inquisitoramente para Yamato, que verificava comigo. Ele fez cara de culpado, com seu sorriso idiota amarelo. Revirei os olhos e o arrastei comigo pelo aeroporto, vendo que ainda tinha oito minutos até que os portões de embarque se fechassem.

Saímos correndo pelo aeroporto, em direção ao outro salão de embarque. Felizmente não foi difícil encontrá-la lá. A moça estava emburrada, olhando pela multidão, do lado de fora. Provavelmente havia sido barrada também, e nos procurava. Aí, quando nos avistou, veio marchando em nossa direção. Não pude deixar de sorrir.

— Olá, Sakura. — lhe disse. Mas ela não respondeu. Apenas tomou seu ticket das minhas mãos, jogando o outro em meu rosto. E aí, me deu as costas, caminhando com sua coluna ereta, cheia de convicção.

Yamato me olhou desconfiado.

— Porque está sorrindo?

— Ela me fez me sentir normal. Espero encontrá-la de novo, algum dia.

Duas horas depois, estava de volta à Londres. O único lugar no mundo em que me sentia verdadeiramente em casa. Não sei se acontecia somente comigo, mas as pessoas, no exterior, pareciam ficar enlouquecidas quando recebiam a visita de algum estrangeiro. Aqui, pelo menos, posso andar pelas ruas com mais tranqüilidade. Poucos são os que me abordam na rua pedindo um abraço, ou para tirar alguma foto. Se bem que, desde meus dois últimos filmes, isso tem mudado um pouco. As coisas têm ficado mais agitadas até mesmo por aqui.

Não que eu esteja reclamando da minha vida. É claro que estar em uma posição como a que me mantinha me dava vantagens. Muitas, até. Mas o benefício anda de mãos dadas com as desvantagens. E desvantagens sempre te atormentam, de vez em quando. Eu me sentia enclausurado dentro da minha própria casa, para se dizer no mínimo.

Meu relógio de pulso marcava meio dia e vinte e cinco, quando atravessei o portão de desembarque do Heathrow Airport, junto com Yamato. Pegamos nossas mochilas na esteira, quando avistei aquela moça, novamente, pescando sua pequena mala de rodinhas. Ela não me viu; talvez por isso parecesse mais tranqüila. Mas Yamato me puxou, lembrando-me que deveríamos nos apressar, pois tinha um compromisso a atender mais tarde. Mas notei que saímos por um portão, enquanto ela pelo portão secundário do aeroporto.

Eu ia checando as mensagens em meu celular, enquanto o Yamato amarrava os cadarços de seu sapato, quando ela me chamou a atenção novamente. Estava parada, no meio do aeroporto, olhando fixamente para um casal que saia pela porta de entrada. Perguntei-me o que acontecia. Aí, ela sentou-se nos bancos de espera, e baixou a cabeça. Tive a ligeira impressão de que estava chorando. Até pensei em ir até ela, sem saber o que dizer, é claro, mas Yamato me puxou novamente, dizendo que um carro já nos aguardava na entrada. Aí tive que desistir. Afinal, eu não a conhecia mesmo. Não era da minha conta.

Fomos direto para o meu apartamento. O chofer do prédio me cumprimentou, me perguntando como fora minha viagem. Apenas lhe sorri, dizendo que ocorrera tudo bem. Passando pelo saguão, os seguranças me cumprimentaram também. O recepcionista me cumprimentou, perguntando a mesma coisa sobre minha viagem. No elevador, o atendente fizera a mesma coisa. No corredor, do meu andar, a faxineira também.

Todo dia, a mesma coisa. As pessoas me bajulam tentando serem agradáveis. E eu não podia lhes xingar porque tinha que manter as aparências. Eu precisava servir de exemplo para o público, ou perderia a boa reputação e possíveis novos trabalhos.

Tirei meu boné, o óculos, a jaqueta, e me atirei em minha cama, podendo finalmente desfrutar do silêncio.

Às seis horas da noite, meu agente,Kakashi, me ligou para lembrar-me do meu jantar com produtores. Tomei um banho, fiz a barba e vesti um terno sem gravata. Peguei o sobretudo, e pedi ao Yamato que me levasse ao Wagamama, um dos restaurantes mais caros de Londres.

Eu estava no meio do pior jantar da minha vida, naquele restaurante! Mas não me entenda mal, a comida estava perfeita. O que estava péssimo, no entanto, era a companhia. Estava acompanhado pelo meu agente, meia dúzia de produtores, e mais o diretor do meu próximo filme. Todos faziam piadas sem graça. Muitas delas, inclusive, chegavam a ser desagradáveis. Argh! Fingindo que achava graça, olhei para meu relógio de pulso. Eram onze horas e cinqüenta minutos da noite. Já havíamos discutido sobre o trabalho, eu já havia aceitado a proposta, e já havíamos feito a refeição. Ou seja, não havia mais porque me manter ali. Era tortura pura! Eu estava louco para voltar para casa, e continuar a dormir. Só que eu não poderia ainda me retirar sem ser rude. Então, resolvi ir ao toalete, para deixar mais algum tempo passar. Eu estava simplesmente odiando tudo aquilo.

Lavei o rosto, olhando pelo espelho da parede os poucos fios de cabelos brancos que já me apareciam na cabeça. E liguei para Yamato, antes de voltar à mesa, lhe dizendo que podia ir embora desde que me deixasse o carro, pois eu não podia pegar um taxi. Quando voltei, eles já falavam sobre outra coisa qualquer. Meu agente me olhou de canto, sabendo que eu estava odiando aquilo também. Mas eu tinha que manter a maldita aparência. Aí, uma moça de vinte anos, no máximo, veio me pedir por um autógrafo. De bom grado, assinei em um papel de guardanapo que ela me entregara. Assim, pelo menos, me desviava um pouco do grupo. Ela me deu um abraço, e se afastou, saltitando em felicidade, de volta à sua mesa. E eu continuei sorrindo, forçadamente, olhando para o meu agente.

Aquele jantar ainda me corroeu por mais trinta minutos até que todos, finalmente, resolveram encerrar a noite. Meu agente ainda ficou para pagar nossa conta, enquanto saltei para fora do restaurante.

Fazia uma noite com temperatura amena de primavera. A brisa ainda era refrescante, quando saí do restaurante. Eu estava checando quanto em dinheiro eu ainda tinha na carteira, pensando que poderia precisar pôr mais gasolina no carro, quando vi uma moça deitada sobre o capô do meu carro, olhando para as estrelas, com uma garrafa de vodka nas mãos.

Maravilha!,pensei. Era tudo o que eu não precisava agora.

Notas finais
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