Ilusões

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

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Sakura

O coitado parecia tão miserável, enquanto mexia naquele copo, que até deu pena. No que se passava naquela cabeça? Pelo menos, consegui com que meus ataques dessem certo! Tudo saiu do jeitinho que eu havia planejado! Eu sou um gênio mesmo! Muahahahaha. Exceto pela parte de também estar ligeiramente bêbada, é claro. Err. Eu estava meio grogue, mas ainda conseguia raciocinar com clareza. Ou quase isso. Consegui me mover em velocidade suficiente para apoiar o miserável, antes que ele desabasse no chão, e quebrasse o cabeção. Err. O que eu não esperava, no entanto, era com aquele beijo. Aquilo foi inesperado; não achei que ele fosse atacar assim, tão cedo. Bom, mas tudo bem! Meu celular estava no bolso da minha calça, com o gravador ligado. O beijo dele tinha um forte sabor de vodka. Tipo... Eca! Vá escovar esses dentes, meu filho! Onde já se viu beijar uma dama com um bafo de onça desses? Hum. Pelo menos, o demônio sabia beijar bem. Muito bem, na verdade. Incrivelmente bem. Hum. Hummmmm.

Ficamos ali, naquele lambe-lambe, até ouvirmos algumas bordoadas em alguma porta. Rapidinho, ele pulou para trás e bateu a cabeça no fogão, novamente, com o susto.

— SAIA LOGO DAÍ, MULHER! EU PRECISO USAR O BANHEIRO! — berrou o agente, batendo na porta.

Aí, nesse momento, o Sasuke começou a rir mais ainda, quase que histericamente.

— Haiuahiauhaihaiuahiauhai! Eles vão atolar meu sanitário! Mas que merda mesmo! — ele tentou se levantar, mas suas pernas falharam.

— Como assim, o que quer dizer?

— Eles tomaram laxante! Auihaiuahauiahiahi!

— Hein? — que historia é essa?

— É que... Sabe o que é? Heheheheh.

— Não, meu filho, eu não seio que é! E acho bom que você me diga de uma vez o que é, antes que eu te descabele para saber o que é! — tsc.

— Haiuhauiahuaihiuahia! Ai que burra! — err.

— DESEMBUCHA LOGO! — eu estava começando a não gostar daquilo!

— Mas bem feito para eles! Quem mandou tomarem o negócio da minha mão?! Eu falei que não era para eles! Exceto o ketchup... Hum... Ops? Hauhauahuahauahuau.

— Hãn? O ketchup que eu pedi?

— Haiuhauiahauihiuahiuhi! — ele riu, balançando a cabeça afirmativamente.

— Espere aí! Deixa-me ver se entendi bem esse negócio! Você estava querendo que EU bebesse o laxante?

— UHUM! UHUM! Hauiahiahaiuhaiai! Mas que burros! Eles tomaram tudinho! Sobrou só um tiquinho no frasco!

— Um tiquinho é o que eu vou fazer de ti, já — já, seu miserável! — acho que agora era um bom momento para esganá-lo, certo?

Abri sua geladeira, a fim de beber mais álcool. Acho que só assim, para conseguir manter minha mente fria! Então era por isso que ele não podia beber? Mas espere... Ele bebeu depois. Ele havia posto o laxante somente em um copo? Hum. Acho que o burro aqui é ele mesmo! Err.

Enquanto isso, Sasuke não parava de rir e o cara lá não parava de bater na porta. Isso já estava me dando nos nervos...

— Haiuhaiuahiauaiuhauih tem um... Tem um banheiro iauhauihaiuahauhi, tem um banheiro no meu quarto! Iuahauihai diga isso a ele! Não consigo parar de rir! Aiuhaiahaihai! — e então, ele caiu no chão, outra vez. Err.

Que morra aí, miserável!

Saí marchando da cozinha até o cara, que, coitado, parecia desesperado. Peguei sua patinha, e saí arrastando-o até o quarto, que presumir ser do cocada azedo. Assim que viu o banheiro, o infeliz me empurra longe, e sai voando, se desfazendo das calças no meio do caminho mesmo. Err.

Mas que ótimo! Isso significa que eu terei de tomar conta deles? Mas nem aqui, nem em Nárnia!

Voltei para a cozinha, para lhe rogar todas as pragas possíveis em línguas que nem eu sabia que existia! Mas o risadinha não ria mais. Estava com os olhos cheios de lágrimas, sentadinho, com as pernas cruzadas. Ai, ai! E agora, o que foi? Ele estava me saindo mais dramático do que eu, em meus ataques bipolares, isso sim!

Agachei-me diante dele.

— O que foi homem?

— Eu quero ir embora! — ele diz, mordendo o lábio.

— Mas hein? Como assim? Ir embora para onde?

— Qualquer lugar onde eu possa ser livre! Tudo me sufoca! Argh! — ele começou a esgarçar a gola de sua camisa, enfatizando o sufoco que dizia sentir — As pessoas me sufocam! Os olhares me perseguem! Eu tenho pesadelos, Sakura! PESADELOS! — ele avançou pra cima de mim, me chacoalhando pelos ombros — Me tira daqui! Tire-me daqui, antes que eu fique louco como você! — mas hein? Err. Maravilha! Era só o que me faltava! E a louca aqui sou eu, hãn? Mas credo!

Afastei suas patas de mim. E o ajudei a ficar de pé.

— O negócio é o seguinte! Eu não posso ir para lugar algum, sem a autorização do cão do diabo. Se não, ela me come viva, entendeu? — ele me olhou, franzindo o cenho.

— Não! Você lida com magia negra?

— Hein?

— Você disse: cão do diabo!

— Err. Cara, raciocina comigo! A Kurenai!

— Ahhhh! Hehehehe! Gostei! Hehehehehe. — err — Mas dane-se ela! Eu digo que eu te autorizei! Ela não pode ir contra mim!

— Bom, se é assim, sim!

Corri até a sala, e catei aquele bloco de papel e caneta que ele havia usado para anotarmos os sabores das pizzas, e os levei até ele. O fiz escrever um bilhete, dizendo que havia autorizado que eu o levasse para onde eu quisesse. Muahahahahahaha! Eu poderia fazer maldades! Err. Só que aquela corridinha que dei, fez com que todo aquele álcool que bebi, se manifestasse na minha corrente sanguínea.

Tentei me manter calma, para não acabar fazendo bobagens no meio do caminho. O agarrei pela manga da jaqueta que ele usava, peguei minha bolsa, e saímos do apartamento. Mas ao chegar à rua, minha cabeça já estava mais pesada. Ao virarmos a esquina, ele tropeça na calçada, e me leva junto ao chão. E nós dois começamos a rir como dois idiotas.

Ele me ajudou a levantar... Ou eu o ajudei a levantar! Não sei. As coisas não estavam mais fazendo muito sentido na minha cabeça. Aí, de repente, eu comecei a chorar, lembrando do Naruto e até da morte da minha mãe.

— Porque está chorando? Você quer ser livre também? — ele pergunta.

— Nãaoo. Eu só quero matar aquele desgraçado de uma figa!

— Porque será que o álcool faz as pessoas chorar?

— Faz VOCÊ chorar! Eu choro por qualquer coisa mesmo!

— Ahhh! Hehehe. Faz sentido! — não; não fazia sentido! — Bosta! Não trouxe minha carteira. Ops! — aí, ele tapa a boca com as mãos — Eu não posso falar palavrão! Hehehe. Eu posso ser criticado por isso!

— Estamos sozinhos na rua! Não se preocupe!

— Eu deveria estar me cobrindo, também! — ele tirou a jaqueta, e cobriu a cabeça com ela. Err.

— É! Ninguém vai te ver assim! Heheheh.

Comecei a correr, me sentindo mais eufórica. Mas eu esqueci que estava de salto, e bêbada. O que não era lá uma boa combinação. Álcool mais salto alto, é igual à cara no chão com joelho ralado. E um idiota rindo do meu lado. Err.

— AIUHAIUHAIAUHAIUHAIUHAI! — lhe mostrei meu dedo médio, por indignação. Mas ele se agachou ao meu lago, pegou minha mão, com o dedo ainda estirado, e o chupou. É. Eu fiquei olhando para aquilo de boca aberta. Ele me olhava insinuantemente. E então, quando terminou, caiu de bunda para trás, e começou a rir ainda mais. — Haiuhaiuahiauhai! Eu nunca fiz isso!

— O que? Nunca fez o que? Seja mais específico, homem! — ele quer me matar do coração?

O maldito não respondeu. Deixou as costas cair no chão, e ficou olhando para o céu estrelado. Tirei meus saltos, jogando aquele sapato caro idiota para o outro lado da rua. Quando estava prestes a me deitar também, ele se levanta meio cambaleante, e me agarra pelo braço, me arrastando pela rua.

— Hauihaiuhai! Onde você está me levando? — perguntei.

— Não é sempre que acontece, mas, às vezes, quando bebo, fico excitado. Haiuhauiahiuah.

— Como é... Como? Hein? — olhei pra baixo, para a região do paraíso da perdição. Havia algum volume ali, sim. Huuuuum. Que coisa...

Ele parou no meio da rua, de repente, e me segurou pelos ombros, me olhando seriamente. Tão sério, que até senti calafrios. Não sei se foi a parca iluminação da rua, ou o álcool no meu sangue, mas ele pareceu tão... Tão mais... Bonito. Seu cabelo despenteado o fazia sexy. E seus olhos... Nossa! Como é que eu não reparei neles antes? Ele tinha um olhar muito penetrante. Parecia que podia ver minha alma! E aqueles lábios, entreabertos, tão bem delineados... Com aquele incrível dom para beijar... Eu poderia ter dito “sim” para qualquer bobagem que ele me dissesse. Mas um carro dobrou a esquina, freando bruscamente há poucos centímetros de nos acertar, levando todo aquele clima estranho pro beleléu. E o motorista, então, começou a buzinar, nos xingando. Sasuke começou a rir histericamente, outra vez, me levando para a calçada. E mostrou o dedo para o cara, que saiu cantando pneus.

— IAHAIUAHIAHAIHAI! FILHO DA PUTA! VAI APRENDER A DIRIGIR, VAI! ESTOU DIZENDO PALAVRÃO, E NÃO TÔ NEM AÍ! HEHEHEHEHEHE.

— É... Par... Parabéns. — lhe digo, ainda meio atordoada.

— Hehehehe. Vamos! — ele me arrastou por algumas ruas.

Comecei a ver tudo em dobro. Dois postes, duas padarias, dois semáforos, dois Sasukes... Mordi a bochecha, para que a dor me acordasse. Mas eu esqueci que o álcool inibe a dor, momentaneamente. Tudo o que me restava, era seguir adiante com aquele maluco.

Notas finais
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