Ilusões
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Sasuke
As coisas só voltaram a fazer sentindo para mim, quando me encontrei deitado numa cama de casal, em um quarto completamente desconhecido por mim. E a Sakura estava deitada em meu peito, dormindo apenas de sutiã, com uma garrafa de gim na mão. Hum.
Mas o que foi que ELA fez?
A joguei para o lado, me sentindo ainda zonzo. E meu estômago também não estava lá, em seus melhores momentos de vida... Err.
Ela despertou, resmungando algo sobre enxaqueca. Mas ao me ver, sorriu para mim, bem como uma débil mental. Eu mereço! Dei uma espiada por baixo dos lençóis, para me certificar até onde fomos naquela brincadeira...
Err. Yep. Nuzinho da silva!
Levantei-me bufando de raiva. Isso não devia ter acontecido! E eis que uma dúvida me apavora: será que eu fui até os “finalmentes” naquela brincadeira?
Pulei em cima dela, e comecei a lhe chacoalhar pelos ombros.
— Ei! Você toma anticoncepcional? Me diz que sim! Me diz que você toma anticoncepcional!
— Hehehehehe... Bobinho! — ela diz, apertando meu nariz — Eu não tomo anticoncepcional!
Err. Me ferrei!
Caí duro no chão. Eu não podia acreditar nisso! Essa não poderia ser a maior estupidez da minha vida! NÃAAAO! Saco! E agora, tudo o que eu poderia fazer era torcer para que ela não estivesse em período de ovulação! Pensei em perguntar-lhe sobre isso, mas bêbada como a idiota parecia, acho que ela não saberia nem dizer quanto é um mais um. GRRRRR!
E quem diabos ela pensa que é para fazer de mim de gato e sapato? Bem que o Kakashi me avisou sobre me envolver com fãs! Sendo ela, ou não! Afinal, o que ela é? Hum.
A olhei de canto, bebendo daquela garrafa. Ela pode ainda estar bêbada! Interessante. Muito interessante. Voltei a me acomodar ao lado dela, sentado na cama. Ela já estava sentada, também, ainda mamando naquela garrafa. Err. Tomei-lhe o frasco, antes que ela vomitasse ou, pior, passasse mal! Ela resmungou algo, e encostou a cabeça no meu ombro. Tsc. Passei o braço em volta dela, e comecei a aplicar meu charme pra cima dela.
— Foi bom pra você, como foi para mim? — err. Eu nem me lembrava de como havia chegado ali!
— Você esta brincando? Eu acho que era virgem! — ela responde, me abraçando.
— COMO É QUE É? — me apavorei! Eu tirei a virgindade dela? Isso só pode ser o pior pesadelo do mundo!
De repente, comecei a me sentir irritado. Furioso, na verdade! Isso estava mais errado do que um mais um ser igual a duzentos!
— Ok, chega de palhaçada! Me diga de uma vez por todas o que é que você quer! Pois a mim, você não engana; eu sei muito bem que você não é minha fã coisa alguma! Desembucha! — era hora de arrancar a verdade dela. Quis aproveitar que não havia ninguém por perto para nos incomodar.
— Ah! Mas que audácia! Sou sua fã número um!
Revirei os olhos. Até quando ela manteria essa farsa? Mas quanto mais eu olhava para ela, mais intrigado ia ficando. Aos poucos, fui juntando as peças daquele quebra-cabeça. E ele não formava uma imagem bonita! Não mesmo!
Não sei se era efeito da ressaca, mas me senti mais inspirado a despejar tudo o que estava entalado.
— Quer saber de uma coisa? Você é a criatura mais baixa que conheci! Queres apenas se aproveitar de mim, não é mesmo? AH!! Já sei! Filha da mãe! Você planejou isso tudo! Garanto que era esse seu plano, hum? Engravidar de mim, e conseguir uma pensão! E ARRUINAR A MINHA CARREIRA! — suspirei, tentando conter a raiva que começou a subir pela garganta — Você é, simplesmente, a mulherzinha mais RIDÍCULA que passou na minha frente! Ficou se fazendo de coitadinha, com probleminhas, mas no fundo, você só queria me passar a perna, não é mesmo? Aquela ceninha toda, na primeira vez que te vi, deitada no meu carro... Era tudo mentira, não é mesmo? Aquele loiro era mesmo o seu namorado? Aposto que nem o conhece! Ridícula! E me pergunto agora se você realmente não me reconheceu no aeroporto, quando nos esbarramos, hein? Aposto que foi tudo armado, não é mesmo? Você planejou tudo isso, para cair em cima de mim. Hehehe. Mas que idiota que fui! Olha... Eu te dou meus parabéns pelo plano. Foi quase infalível. Você é desprezível, mesquinha, insignificante, estúpida, vadia e mais um monte de coisas que nem quero pensar. — me enrolei no lençol e comecei a dar voltas naquele quarto. Eu tinha mais um monte de coisas travadas na garganta, que não queriam sair, nem sei por quê! — O golpe da barriga é fatal mesmo. Um tanto clichê, mas, pelo visto, ainda funciona perfeitamente para vadias folgadas, como você! E então? Como se sente? Feliz por ter conseguido o que tanto queria? — e vê-la calada, ali, apenas me olhando, me irritava ainda mais! — DIGA ALGUMA COISA, PORRA! VAI FICAR AÍ, CALADA, ATÉ QUANDO, PALHAÇA?
E ela me olhava como se estivesse furiosa! Tsc.
— Só para que você saiba... — ela levantou-se, meio cambaleante, e foi até sua bolsa. Pegou seu celular, e começou a mexer nele — Eu tenho tudo gravado! FOI VOCÊ QUEM ME TROUXE PRA CÁ, SEU CRETINO! E PODE TER CERTEZA DE QUE VOU ARRUINAR A SUA VIDA SIM, MISERÁVEL!
Mas essa foi a gota d’água para mim! Tive que morder a língua para me segurar, e não cair em cima do pescoço dela!
— Você GRAVOU? Você estava gravando tudo? Por Deus! Quando eu penso que isso não poderia ficar ainda mais patético, você me vem com essa! Você é ridícula mesmo, garota! Puta merda! Vai se tratar, sua aproveitadorazinha! Somente eu estando bêbado mesmo para querer meter alguma coisa dentro de ti! PORQUE NEM BONITA VOCÊ É! — putz! Ela era uma das garotas mais linda que já vi; mas eu precisava humilhá-la de qualquer jeito.
Peguei minhas roupas, que achei espalhadas pelo chão, e fui ao banheiro que tinha na suíte. E ainda bati a porta com força, para descarregar a raiva. Eu estava incrivelmente irritado. Puto! E o pior de tudo, não era apenas com ela! Eu estava irado comigo mesmo! Como pude ser tão tonto? Se não tivesse levado isso na brincadeira, isso não teria acontecido. Eu deveria tê-la abordado no mesmo instante em que percebi algo estranho. Como pude ser tão leviano? Um escândalo como esse, para alguém que está no início de carreira, não deve ser nada bom! Posso perder a chance de trabalhar em muitos filmes bons, só pela má reputação! Que ódio!
Joguei água no rosto para ver se esfriava a cabeça. Mas eu já tinha indícios de enxaqueca se aproximando. Liguei o chuveiro, e meti a cabeça embaixo d’água.
Eu precisava manter calmo, para conseguir contornar a situação. Mas como? Suborná-la? Era a única coisa que me vinha à mente, no momento. Eu deveria lhe dar algum dinheiro pra mantê-la calada sobre o ocorrido. Eu aceitaria a criança, óbvio, pois ela não tem nada a ver com a estupidez da mãe, mas teria que fazê-la não dizer nada sobre isso. E teríamos de pensar em alguma boa mentira, para que isso não se torne uma polêmica.
Mas que merda!
A primeira coisa em que pensava fazer, no momento, é cancelar essa palhaçada. Eu não poderia passar mais um segundo sequer ao lado dela! Mas ao olhar para meu relógio de pulso, que marcava nove e quinze da manhã, lembrei-me de meus compromissos. Argh! O programa de TV!! Eu não poderia cancelar isso em última hora! Eu teria que aturá-la, por, pelo menos, mais um dia! Saco.
Quando abri a porta do banheiro, já vestido, a encontrei encolhida na cama, com o celular na mão, chorando. Tsc! Maravilha!
— Levante-se e sorria! É o que eu faço todos os dias! — essa merda não era para ter rimado! Err. Ela me olhou de canto, e enxugou as lágrimas — E então? Onde estão as provas de que fui eu quem te trouxe para cá, hein? — lhe desafiei.
Eu não poderia acreditar nisso. Acho que nem podre de bêbado faria isso! Isso, simplesmente, estava vetado dentro do meu ser. Eu não era esse tipo de pessoa, que saía atrás de sexo, apenas por sexo! Se não fiz isso até hoje com a minha vizinha incrivelmente gostosa, não teria porque fazer com ela, que nem era tão curvilínea assim!
— Não tenho nada gravado. — mas deveria eu acreditar mesmo nisso? Talvez ela tivesse algo ainda mais incriminador.
— Me dê isso! — lhe digo, estendendo a mão para que me desse seu celular.
— Não!
— Você está mentido, sua vadia! Dê-me essa merda agora! Você estragou meu celular, e ousa me negar a entregar o seu?
— Eu não quero te dar apenas por conter coisas pessoais aqui. Não tem nada relacionado a você! — ela não soava mais irritada, como momentos antes; o que me deixou ainda mais curioso.
Então, pulei para cima dela, e lhe forcei a me dar o celular. Bom, tomei de suas mãos, mais precisamente. Eu não gostava de ter que usar minha força bruta contra mulheres, mas, nesse caso, a coisa era diferente, certo? Ela poderia ter algo que pudesse realmente me arruinar! E o meu trabalho, é minha vida! Me esmerei tanto para conseguir chegar aonde cheguei, que não poderia simplesmente ceder meu lugar para qualquer um! Porque era isso o que ela queria, não é mesmo? Algum reconhecimento. Ela seria reconhecida como a mãe de um filho meu, e então, todos saberia que ela é atriz, e lhe ofereceriam algo! Tsc! Cretina ardilosa!
Comecei a mexer nas aplicações daquele celular. Fui fuçando todas as pastas que encontrei. Mas só via alguns vídeos idiotas, dela com outra garota loira, entre algumas fotos das duas. Às vezes, um oriental aparecia também. Mas fora isso, tudo parecia normal. Não encontrei nenhum arquivo de gravação, nem nada que pudesse me prejudicar.
Mexendo mais um pouco, achei uma foto do loiro que encontramos no parque, sim...
Hum... Olhei para ela, desconfiado. Porque ela não disse mais nada? Nahhh! Aí tinha coisa! Ela não poderia ser inocente!
Poderia?
Devolvi-lhe o aparelho. Ela pegou suas roupas e vestiu-se, sem dizer nada. Dei-lhe um tempo para ir até o banheiro e arrumar-se. E então, quinze minutos depois, saímos daquele motel barato, que ela mesma havia pagado! Tsc. Tive que lhe pedir o celular emprestado, já que ela mesma havia destruído o meu, pois precisava ligar para o Kakashi.
Enquanto discava os números, eu tentava me lembrar de algo. Mas minha mente estava completamente em branco. A última coisa que lembrava era do meu agente comendo a pizza com o laxante idiota. Eu devo ter tomado a maior porre da minha vida!
— Sou eu, Kakashi... — digo assim que atende a ligação.
— ONDE DIABOS VOCÊ ESTÁ, CRIATURA? QUER ME MATAR DO CORAÇÃO? VOCÊ ESQUECEU QUE TEM QUE ESTAR NA T4 PRA GRAVAR O PROGRAMA? — precisei afastar o fone do ouvido! Err.
— Estou te ligando para avisar que estou indo para lá, com a Sakura, ok? Encontre-nos lá! — e desliguei, antes que ele me infernizasse ainda mais.
Devolvi-lhe o aparelho, e pegamos um taxi.
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